Quem acompanha nosso blog já percebeu que alguns dos temas preferidos são o trânsito, os automóveis e os bairros satélites de Vila Prudente, como Vila Zelina. E já perceberam, também, que cada linha escrita a esse respeito vem carregada do lamentar pelas “transformações” por que vem passando a Vila Zelina, recentemente tomada pela especulação imobiliária voraz. Não sou especialista, apenas um morador, e apenas posso supor que houve alguma mudança no Plano Diretor, e que isso resultou numa maior ocupação espacial deste bairro. As conseqüências são as mesmas pelas quais outros bairros já passaram. Também existe a sugestão de que o interesse por esta região se dá pela proximidade da vinda do Metrô para cá, algo prometido desde o governo Quércia. Então, se dá aquilo que os “investidores/corretores/especuladores” chamam de – puta, que termo infeliz – “valorização” de um local. Só o Metrô, apenas, traria esta “valorização”? Acho que não, mas é um fator importante. Acho que até mesmo os bairros da Zona Leste que receberam estações, como Itaquera, passaram por uma “valorização”, mas deve ter sido de fôlego curto. Existe a questão do perfil sócio-econômico dos locais e também dos potenciais compradores dos imóveis. De acordo com o noticiário, a economia brasileira vem passando, há alguns anos, por leve crescimento e o chamado mercado imobiliário, por um “boom” de construção e consumo, apoiado fortemente na oferta de crédito. Mas é assunto longo e complexo para mim. Volto à Terra.
Enfim, não sei muito bem reconhecer todos os elementos que contribuíram para isso, mas é algo fácil de perceber: o bairro de Vila Zelina ficou mais congestionado, mais murado e mais violento. Tornou-se um bairro comum. Ainda é muito melhor do que grande parte dos outros bairros, e é aí que reside o problema: sua força torna-se sua fraqueza. Os problemas do trânsito estão sendo minimizados pela firme e forte presença de um posto móvel da Polícia Militar, recentemente instalado no Largo de São José. A PM – HURRA!!! -, de acordo com relatos de moradores, passa o lápis sem dó. Esses moradores – se é que o são, mesmo – desejam, suponho, uma relação de mão-única com o Estado em que este apenas cuide de seus patrimônios, sem ônus. Querem, portanto, privilégios. Palmas para a PM. Falta apenas a CET.
Não tardou, e lá vieram os oportunistas eleitoreiros se “apoderar” da “liderança” do bairro, prometendo resolver “problemas” pelos quais este bairro jamais passara. Acho até que, em certa medida, tais “novos líderes” tenham responsabilidade direta no aparecimento destes “problemas”, mas preciso apurar melhor. Só que eu sou teimoso e não mudo de idéia fácil assim.
Houve, recentemente, uma festa – a primeira da história do bairro – comemorando os 80 anos de fundação de Vila Zelina. Não sei se foi fundada por Lituanos ou se, aqui, a presença de pessoas desta nacionalidade tenha sido superior à de outras, mas o fato é que aqui é um bairro de imigrantes europeus, provavelmente na sua maioria originários dos Balcãs e da Rússia.
Lá pelos anos 80, acho que na Administração Jânio Quadros, foi feito um plebiscito. Os moradores foram consultados sobre a mudança do nome do bairro para “Parque Lituânia”. Mas não passou, e o nome “Vila Zelina” permaneceu. Falava-se que tínhamos a segunda maior colônia de lituanos no mundo, atrás apenas da Califórnia.
Mas eu divago. Putz.
Bem, falei das comemorações de 80 anos.
Os dois principais jornais distribuídos aqui no bairro – já conhecidos pelos leitores do blog, mas não custa nada lembrar : A Folha de Vila Prudente ( a mais antiga ) e O Paulistano ( caçula, o jornal surgiu na seqüência do cancelamento da Revista de Fato, da propriedade de Wagner Salustiano – do PSDB e, se me recordo com exatidão, ex-malufista ) – cobriram o evento, que me abstenho de detalhar. Ocorre que, não é de hoje, há uma perceptível rivalidade, não sei se entre os dois veículos ou apenas entre colunistas, mas publicam-se alfinetadas de lá e de cá. A festa da Vila Zelina gerou novas alfinetadas. Tem algo a ver com exclusividade. Tipo, “sei-lá-quem, caiu de pára-quedas na região e já tomou prá si o papel de “dono” do evento”, ou então “o sujeito nem mora no bairro e quer aparecer mais do que todo mundo”, e coisas assim. Nem sei como foi essa festa. Teve danças típicas da Lituânia, acho que missa rezada pelo padre, também lituano. Algumas pessoas, antigas no bairro foram homenageadas. O doutor Fuad Kassab – grande ser humano, mesmo – não pôde comparecer ao evento, e o prêmio que receberia, foi entregue a seu filho, Fábio Kassab ( este, por sua vez – se estou correto- , deverá concorrer à Câmara dos Vereadores, pelo PPS ). Sim, são parentes do prefeito formal de São Paulo.
Não sei ao certo, mas acho que houve esquecimentos. Fiz uma pesquisa rápida, pois tinha um nome em mente: Antonio Danilevic, cujas fotos ilustravam as páginas de um antigo jornal da região, a Gazeta da Vila Prudente, que encerrou atividades na década de 90.
“Antonio Danilevic o “Rato”
Olhos azuis, chapéu de palha, andar cauteloso parando e observando todos acontecimentos. No rosto marcas do passado. Linhas de expressões demarcadas por manchas do sol e do tempo. Sorriso discreto. Fala contagiante, contando piadas, expressando-se com as mãos e com o corpo. Nos bolsos largos carrega a sua vida;seu trabalho e um pouco da história de nosso bairro. Quem não conhece este velhinho tão simpático, que caminha pelas ruas de Vila Zelina? Conversa com os comerciantes, brinca com os cachorros e com as crianças. Qual é o seu nome perguntei. Ele responde seriamente: “ Meu nome é Rato”. Nascido no bairro do Bom Retiro em São Paulo, Antonio Danilevic o “Rato” mudou-se para o bairro de Vila Zelina em 1940. Seus pais Fernando e Tofilha Danilevic queriam ficar próximos da comunidade lituana, na época a maioria em relação ao brasileiros. Em 1961 “Rato” durante um jogo de cartas entre amigos decide flagrar a ocasião do jogo, quando seu amigo o incentivou a fazer fotos da região. Comprou então uma máquina profissional , e começou a registrar acontecimentos de interesse público. Em 1970 foi contratado para fazer parte da imprensa local e em suas fotos guardadas até os dias atuais registrou enchentes, congestionamentos causados pela falta de vias de acesso para escolas, centros e cemitério, motivando a construção e planejamento de nossa região.”
Como este, outros nomes parecem ter sido esquecidos. Numa rápida seqüência, minha mãe cita nomes de 10 pessoas em dois minutos. Ela também, nasceu aqui, há quase 70 anos.
Deve haver alguma meritocracia nisso tudo, algum fator excludente. Pois, apesar de eu ainda gostar daqui, reconheço que nem tudo foram flores.
Mas, como não estou envolvido nessa política, não sei direito. Apenas quis deixar registrado. A cidade, como um todo, é formada por suas partes, os bairros.
Agora, vamos ler esta matéria publicada na edição deste semana, da Folha de Vila Prudente. Vejam como o progresso chega, se instala, muda nossas vidas e hábitos e nos manda pro necrotério.
ANTES TARDE DO QUE NUNCA: CET DÁ INDÍCIOS DE VAI PROMOVER MELHORIAS NO CAÓTICO TRÂNSITO DO ENTORNO DO LARGO DA VILA ZELINA
Depois de anos de muito caos, um dos trechos viários mais críticos da região, o Largo da Vila Zelina, finalmente está recebendo atenção da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) – pelo menos, o órgão está desenvolvendo um estudo com melhorias. Nas imediações da praça República Lituana é bastante comum presenciar pedestres se arriscando entre veículos para fazer a travessia da avenida Zelina, conforme diversas denúncias já publicadas, várias delas pela Folha, sendo a última em junho deste ano. O ponto concentra intenso comércio, inclusive com agências bancárias e uma unidade dos Correios, no entanto, os semáforos são distantes e as faixas de sinalização há muito sumiram da via por falta de manutenção. Na manhã da última terça-feira, dia 6, técnicos da Companhia apresentaram ao subprefeito de Vila Prudente/Sapopemba, Felipe Sigollo, as propostas de mudanças para o trecho, antes de ser implantado posto da Polícia Militar. A deputada estadual Vanessa Damo (PV), que vem encabeçando a luta pela implantação da base policial, também esteve presente. O estudo em desenvolvimento prevê a construção de ilhas para pedestres, pintura de faixas de sinalização no chão e escolha de locais para estacionamento.
Pedestres x veículos: confronto é rotina no trecho
A idéia, segundo os técnicos, é não interferir no traçado original da praça, mas fazer uma readequação viária, melhorarando o fluxo viário naquele entorno que é bastante confuso, principalmente as sextas-feiras, dia de feira livre em uma das travessas.
O subprefeito ressaltou que são vitais algumas restrições quanto à circulação no largo do bairro, porque, segundo ele, ‘hoje, do jeito que está, é muito perigoso’. “Como os carros vêm de várias vias e convergem para um mesmo ponto, a praça, essas readequações vão ser necessárias”, afirmou. A deputada estadual garantiu que antes de qualquer mudança a comunidade será consultada. “São reformas muito necessárias, pois envolvem a segurança da população. Mas, para a obtenção dos resultados esperados, é preciso saber quais são as expectativas da comunidade, que é a principal envolvida”, declarou.
Festival de multas
Depois da aprovação das mudanças viárias, será apontado o ponto que abrigará a base fixa da Polícia Militar, que já está atuando na praça República Lituana por meio de uma viatura móvel. No entanto, a maior expectativa dos comerciantes é que os policiais se empenhem mais na segurança do que nas multas. Desde que a base móvel está no trecho, comerciantes e usuários do ponto vêm reclamando da freqüência de autuações de trânsito. “Muitos clientes aqui do comércio já foram multados, este trecho da avenida Zelina é uma total bagunça e os PMs, ao invés de auxiliar, já que querem se dedicar ao trânsito no lugar da segurança, só têm atenção para o talão de infrações”, comenta o funcionário de uma padaria. “As pessoas estacionam seus veículos nos locais onde sempre pararam, já que não há indicação correta de nada, e quando eles teimam, saem multando todo mundo”, completa um cliente.
Depois de anos de muito caos, um dos trechos viários mais críticos da região, o Largo da Vila Zelina, finalmente está recebendo atenção da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) – pelo menos, o órgão está desenvolvendo um estudo com melhorias. Nas imediações da praça República Lituana é bastante comum presenciar pedestres se arriscando entre veículos para fazer a travessia da avenida Zelina, conforme diversas denúncias já publicadas, várias delas pela Folha, sendo a última em junho deste ano. O ponto concentra intenso comércio, inclusive com agências bancárias e uma unidade dos Correios, no entanto, os semáforos são distantes e as faixas de sinalização há muito sumiram da via por falta de manutenção. Na manhã da última terça-feira, dia 6, técnicos da Companhia apresentaram ao subprefeito de Vila Prudente/Sapopemba, Felipe Sigollo, as propostas de mudanças para o trecho, antes de ser implantado posto da Polícia Militar. A deputada estadual Vanessa Damo (PV), que vem encabeçando a luta pela implantação da base policial, também esteve presente. O estudo em desenvolvimento prevê a construção de ilhas para pedestres, pintura de faixas de sinalização no chão e escolha de locais para estacionamento.
Pedestres x veículos: confronto é rotina no trecho
A idéia, segundo os técnicos, é não interferir no traçado original da praça, mas fazer uma readequação viária, melhorarando o fluxo viário naquele entorno que é bastante confuso, principalmente as sextas-feiras, dia de feira livre em uma das travessas.
O subprefeito ressaltou que são vitais algumas restrições quanto à circulação no largo do bairro, porque, segundo ele, ‘hoje, do jeito que está, é muito perigoso’. “Como os carros vêm de várias vias e convergem para um mesmo ponto, a praça, essas readequações vão ser necessárias”, afirmou. A deputada estadual garantiu que antes de qualquer mudança a comunidade será consultada. “São reformas muito necessárias, pois envolvem a segurança da população. Mas, para a obtenção dos resultados esperados, é preciso saber quais são as expectativas da comunidade, que é a principal envolvida”, declarou.
Festival de multas
Depois da aprovação das mudanças viárias, será apontado o ponto que abrigará a base fixa da Polícia Militar, que já está atuando na praça República Lituana por meio de uma viatura móvel. No entanto, a maior expectativa dos comerciantes é que os policiais se empenhem mais na segurança do que nas multas. Desde que a base móvel está no trecho, comerciantes e usuários do ponto vêm reclamando da freqüência de autuações de trânsito. “Muitos clientes aqui do comércio já foram multados, este trecho da avenida Zelina é uma total bagunça e os PMs, ao invés de auxiliar, já que querem se dedicar ao trânsito no lugar da segurança, só têm atenção para o talão de infrações”, comenta o funcionário de uma padaria. “As pessoas estacionam seus veículos nos locais onde sempre pararam, já que não há indicação correta de nada, e quando eles teimam, saem multando todo mundo”, completa um cliente.

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