Reservas podem atingir 120 bilhões de barrisTriunfo da Petrobrás esconjura agouro dos criadores de apagão
Petróleo apenas estava esperando FHC sair para nos dar o ar de sua graça
A Petrobrás, depois de intenso trabalho de pesquisa e prospecção, descobriu a maior província petrolífera do país e uma das maiores reservas de todo o mundo. O volume de óleo e gás, somente na área inicial batizada de Tupi, que representa uma pequena parte da nova fronteira, aumentará em 8 bilhões de barris as atuais reservas de petróleo e gás brasileiras, que somam hoje 14 bilhões de barris. Com a incorporação do restante das novas áreas as nossas reservas podem chegar a 120 bilhões de barris. No início do governo Lula as reservas do Brasil estavam em 11 bilhões de barris.
Petrobrás põe Brasil na trilha dos exportadores de petróleo
Após a sabotagem dos 8 anos de FHC, estatal descobre uma área gigante, batizada de Tupi
A Petrobrás, depois de intenso trabalho de pesquisa e investimentos descobriu a maior província petrolífera do país e uma das maiores reservas de todo o mundo. O volume de óleo e gás, somente na área batizada de Tupi, que representa uma pequena parte da nova fronteira, aumentará em 8 bilhões de barris as atuais reservas de petróleo e gás brasileiras, que somam hoje 14 bilhões de barris.
Depois de oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, nos quais a Petrobrás amargou a sabotagem em seus investimentos e o Brasil a conseqüente estagnação na evolução das reservas petrolíferas, a empresa, recuperada, realiza a função que a tornou a mais popular das empresas brasileiras.
RESERVAS
Após a sabotagem dos 8 anos de FHC, estatal descobre uma área gigante, batizada de Tupi
A Petrobrás, depois de intenso trabalho de pesquisa e investimentos descobriu a maior província petrolífera do país e uma das maiores reservas de todo o mundo. O volume de óleo e gás, somente na área batizada de Tupi, que representa uma pequena parte da nova fronteira, aumentará em 8 bilhões de barris as atuais reservas de petróleo e gás brasileiras, que somam hoje 14 bilhões de barris.
Depois de oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, nos quais a Petrobrás amargou a sabotagem em seus investimentos e o Brasil a conseqüente estagnação na evolução das reservas petrolíferas, a empresa, recuperada, realiza a função que a tornou a mais popular das empresas brasileiras.
RESERVAS
Com esta descoberta, o presidente Lula estará elevando as reservas de petróleo do país dos 11 bilhões de barris do início de seu governo para 22 bilhões de barris. Isso sem levar em conta que o total de óleo e gás contidos no campo gigante anunciado poderá, segundo o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, elevar as reservas brasileiras para até 120 bilhões de barris. A extração de petróleo e gás entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, sob uma lâmina d’água de até 3 mil metros, na mesma camada onde foi descoberta a jazida no Campo de Tupi, pode, segundo ele, acrescentar cerca de 107 bilhões de barris às reservas brasileiras.
A província petrolífera anunciada pelo governo se estende pelas Bacias do Espírito Santo, Campos e Santos e tem uma área de 800 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura. Ela está situada numa nova fronteira de exploração, onde pela primeira vez foi atingida a camada pré-sal. A maior parte do petróleo e gás natural explorados até agora pela Petrobrás estava localizada em camadas geológicas denominadas pós-sal, sendo 80% delas na Bacia de Campos, com predominância de óleo pesado. O pré-sal é uma camada de rochas-reservatório que se encontram abaixo de uma extensa camada de sal, que abrange o litoral do Estado do Espírito Santo até Santa Catarina.
A Petrobrás é a única empresa no mundo, na condição de operadora, que perfurou, testou e avaliou as rochas do pré-sal, até hoje. Isso só foi possível à partir de 2003, quando a empresa retomou os investimentos, expandiu suas atividades e buscou novas fronteiras de atuação. Para atingir as camadas pré-sal, entre 5.000 e 7.000 metros de profundidade, a Petrobras desenvolveu novos projetos e novas tecnologias de perfuração.
A área denominada Tupi foi analisada e testada pela empresa com sucesso. A análise dos testes de formação do segundo poço no bloco BM-S-11, localizado na bacia de Santos, permite estimar o volume de óleo leve (28º API) em 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural. O óleo leve é aquele de melhor qualidade e maior valor comercial. Quanto maior o grau API, mais leve é o petróleo. API são as iniciais de American Petroleum Institute. O grau API é uma medida da densidade relativa do petróleo.
Segundo a Petrobrás, com esta província, o Brasil passará a ter reservas equivalentes às da Nigéria e da Venezuela.
Em reunião do Conselho Nacional de Política Energética, realizada na última sexta-feira, com a presença do presidente da República, foi discutida a importância estratégica desta descoberta para o Brasil e foi tomada a decisão unânime de suspender o leilão de todos os blocos que estão dentro dessa área de 800 quilômetros (v. matéria na pág. 2). O presidente Lula anunciou, em seu programa semanal de rádio, nesta segunda-feira, que a iniciativa de suspensão do leilão dos blocos da região é do interesse do Brasil e que a descoberta da Petrobrás colocará o país entre os maiores produtores de petróleo do mundo.
O feito histórico da Petrobrás representa, sem dúvida, uma ducha de água fria nas insistentes previsões de crise energética difundidas pelos plantonistas do apagão. É bom que se registre que essa vitória só foi possível por conta do reinício dos investimentos suspensos (com o aplauso dos mesmos catastrofistas) pelo governo anterior. Durante os anos da sabotagem tucana, a Petrobrás investiu pouco em exploração de petróleo. A prioridade não era investir mas sim esquartejar a empresa e entregar as reservas de petróleo para as multinacionais. Da faixa de 4 a 5 bilhões de dólares anuais em média, entre os anos de 1994 a 2002, os investimentos em exploração de petróleo saltaram, no governo Lula, para US$ 7 bilhões em 2003, US$ 12 bilhões em 2005 e para 17 bilhões de dólares em 2006. Em 2007, até o final do ano, será investido um total de US$ 23 bilhões. Ou seja, foram multiplicados por seis os recursos que eram destinados para investimento da Petrobrás.
Em seu pronunciamento na abertura do 5º Encontro Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – Prominp, na semana passada, o presidente destacou a importância desta mudança de política: “Se imaginarmos apenas o lucro entre a Petrobrás e outra empresa de petróleo do porte da Petrobrás, que pode comprar uma plataforma, em algum país, algumas centenas de dólares mais barata que a que nós fazemos aqui, se pensar assim, estaremos matematicamente pensando certo e politicamente pensando errado”. Também ressaltou outro aspecto: “O importante são os empregos criados no país”.
De acordo com o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, que foi um dos principais defensores dos investimentos na região agora descoberta, o Campo de Tupi fará do Brasil um dos maiores produtores do mundo. Segundo ele, a área poderá começar a operar comercialmente em até seis anos. Mas, já em 2011, segundo o diretor, a extração começará em caráter de teste, com a produção de 100 mil barris de óleo e gás diários. Estrella informou que a maior parte do óleo de Tupi é leve e, por isso, muito mais valioso. A Bacia de Campos, onde a Petrobrás explora a maior parte do petróleo brasileiro, tem predominantemente petróleo pesado, que exige a mistura com óleo leve no processo de refino.
GÁS
Com investimentos de US$ 1 bilhão, nos últimos 2 anos na região, foram perfurados 15 poços sendo que oito deles foram devidamente testados e avaliados. No início do projeto, o primeiro poço a ser perfurado demorou um ano e custou US$ 240 milhões. Hoje, a Petrobras perfura um poço equivalente em 60 dias, a um custo de US$ 60 milhões.
O presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, também estimou que a jazida de petróleo e gás natural descoberta pela estatal na Bacia de Santos é de alta produtividade e incluirá o Brasil entre os dez maiores produtores mundiais.
A província petrolífera anunciada pelo governo se estende pelas Bacias do Espírito Santo, Campos e Santos e tem uma área de 800 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura. Ela está situada numa nova fronteira de exploração, onde pela primeira vez foi atingida a camada pré-sal. A maior parte do petróleo e gás natural explorados até agora pela Petrobrás estava localizada em camadas geológicas denominadas pós-sal, sendo 80% delas na Bacia de Campos, com predominância de óleo pesado. O pré-sal é uma camada de rochas-reservatório que se encontram abaixo de uma extensa camada de sal, que abrange o litoral do Estado do Espírito Santo até Santa Catarina.
A Petrobrás é a única empresa no mundo, na condição de operadora, que perfurou, testou e avaliou as rochas do pré-sal, até hoje. Isso só foi possível à partir de 2003, quando a empresa retomou os investimentos, expandiu suas atividades e buscou novas fronteiras de atuação. Para atingir as camadas pré-sal, entre 5.000 e 7.000 metros de profundidade, a Petrobras desenvolveu novos projetos e novas tecnologias de perfuração.
A área denominada Tupi foi analisada e testada pela empresa com sucesso. A análise dos testes de formação do segundo poço no bloco BM-S-11, localizado na bacia de Santos, permite estimar o volume de óleo leve (28º API) em 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural. O óleo leve é aquele de melhor qualidade e maior valor comercial. Quanto maior o grau API, mais leve é o petróleo. API são as iniciais de American Petroleum Institute. O grau API é uma medida da densidade relativa do petróleo.
Segundo a Petrobrás, com esta província, o Brasil passará a ter reservas equivalentes às da Nigéria e da Venezuela.
Em reunião do Conselho Nacional de Política Energética, realizada na última sexta-feira, com a presença do presidente da República, foi discutida a importância estratégica desta descoberta para o Brasil e foi tomada a decisão unânime de suspender o leilão de todos os blocos que estão dentro dessa área de 800 quilômetros (v. matéria na pág. 2). O presidente Lula anunciou, em seu programa semanal de rádio, nesta segunda-feira, que a iniciativa de suspensão do leilão dos blocos da região é do interesse do Brasil e que a descoberta da Petrobrás colocará o país entre os maiores produtores de petróleo do mundo.
O feito histórico da Petrobrás representa, sem dúvida, uma ducha de água fria nas insistentes previsões de crise energética difundidas pelos plantonistas do apagão. É bom que se registre que essa vitória só foi possível por conta do reinício dos investimentos suspensos (com o aplauso dos mesmos catastrofistas) pelo governo anterior. Durante os anos da sabotagem tucana, a Petrobrás investiu pouco em exploração de petróleo. A prioridade não era investir mas sim esquartejar a empresa e entregar as reservas de petróleo para as multinacionais. Da faixa de 4 a 5 bilhões de dólares anuais em média, entre os anos de 1994 a 2002, os investimentos em exploração de petróleo saltaram, no governo Lula, para US$ 7 bilhões em 2003, US$ 12 bilhões em 2005 e para 17 bilhões de dólares em 2006. Em 2007, até o final do ano, será investido um total de US$ 23 bilhões. Ou seja, foram multiplicados por seis os recursos que eram destinados para investimento da Petrobrás.
Em seu pronunciamento na abertura do 5º Encontro Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – Prominp, na semana passada, o presidente destacou a importância desta mudança de política: “Se imaginarmos apenas o lucro entre a Petrobrás e outra empresa de petróleo do porte da Petrobrás, que pode comprar uma plataforma, em algum país, algumas centenas de dólares mais barata que a que nós fazemos aqui, se pensar assim, estaremos matematicamente pensando certo e politicamente pensando errado”. Também ressaltou outro aspecto: “O importante são os empregos criados no país”.
De acordo com o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, que foi um dos principais defensores dos investimentos na região agora descoberta, o Campo de Tupi fará do Brasil um dos maiores produtores do mundo. Segundo ele, a área poderá começar a operar comercialmente em até seis anos. Mas, já em 2011, segundo o diretor, a extração começará em caráter de teste, com a produção de 100 mil barris de óleo e gás diários. Estrella informou que a maior parte do óleo de Tupi é leve e, por isso, muito mais valioso. A Bacia de Campos, onde a Petrobrás explora a maior parte do petróleo brasileiro, tem predominantemente petróleo pesado, que exige a mistura com óleo leve no processo de refino.
GÁS
Com investimentos de US$ 1 bilhão, nos últimos 2 anos na região, foram perfurados 15 poços sendo que oito deles foram devidamente testados e avaliados. No início do projeto, o primeiro poço a ser perfurado demorou um ano e custou US$ 240 milhões. Hoje, a Petrobras perfura um poço equivalente em 60 dias, a um custo de US$ 60 milhões.
O presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, também estimou que a jazida de petróleo e gás natural descoberta pela estatal na Bacia de Santos é de alta produtividade e incluirá o Brasil entre os dez maiores produtores mundiais.
Brigadeiro Ferolla: “Decisão do governo de excluir as áreas do campo de Tupi é altamente estratégica”
“O governo acaba de tomar uma decisão altamente estratégica, excluindo a concessão de exploração de petróleo em áreas contíguas às reservas do campo de Tupi”, afirmou ao HP o brigadeiro-do-ar Sergio Xavier Ferolla, ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM) e ex-comandante da Escola Superior de Guerra (ESG).
O brigadeiro avalia que a descoberta do megacampo de petróleo abaixo da camada de sal só foi possível pelo fato de a Petrobrás ser uma estatal. “A Petrobrás tem investido muito em recursos e tecnologia, confiando em sua competência, correndo um risco muito grande que o capital privado jamais correria, ao fazer prospecções a 7 quilômetros de profundidade, num ponto completamente desconhecido. É uma descoberta fabulosa”.
Segundo Ferolla, “no passado, técnicos estrangeiros de renome diziam que no Brasil não tinha petróleo. O capital não faria os investimentos necessários até por uma questão de lógica, pois precisa de um retorno imediato. Não é como o Estado que faz um investimento estratégico esperando um retorno a longo prazo, principalmente retorno que beneficie não só o capital investido mas principalmente o país como um todo”.
Refutando a tese propagada por alguns analistas de que a exclusão de 41 blocos do 9º leilão de entrega da ANP significa um retrocesso, o brigadeiro frisou que “o pessoal do mercado interessado no lucro fácil começa a falar nisso, mas o governo brasileiro não está retrocedendo em nada. O governo brasileiro tem o direito de tomar suas decisões antes de que haja a licitação”. Ferolla considera que “um ponto importante que deveria ser considerado pelo governo é que também fosse retirado da 8ª Rodada alguns blocos que são contíguos a essa área”.
Sobre a descoberta de petróleo no campo de Tupi, Ferolla disse que “a ANP não tem nenhum mérito nisso. Pelo contrário, a ANP só tem demérito. Inclusive o governo tomou a decisão de excluir os blocos por cima da política da ANP. Ela foi criada num momento sombrio para o país. O primeiro diretor-geral da agência cometeu o disparate de declarar que ‘O petróleo é vosso!’, mudando o conceito histórico da luta pelo petróleo. O mérito é do povo brasileiro, é da Petrobrás”.
Outra decisão do governo considerada importante pelo brigadeiro foi o aumento da taxa sobre os lucros das empresas que detêm áreas de petróleo sob concessão. “O governo brasileiro felizmente caiu na realidade de aumentar a taxação, ou seja, cobrar mais pelo produto que é retirado do nosso subsolo. Todos os países detentores de grandes reservas de petróleo estão fazendo uma taxação elevada, coerente com o valor do produto, e o governo brasileiro também fez. É um alvorecer de novas esperanças”.
V.A.
A Petrobrás e a luta vitoriosa do povo brasileiro pelo ouro negro
Toda vez em que o interesse nacional no setor de petróleo foi colocado em primeiro plano, com o Estado à frente, o país progrediu significativamente. Quando ocorreu o inverso, isto é, em épocas em que se abriram as portas para os monopólios estrangeiros ou quando os governos defendiam os interesses destes, a produção e a pesquisa estagnaram.
Antes de 1930 era notório o interesse da Standard Oil em açambarcar o óleo da América do Sul. Num primeiro momento, o monopólio estrangeiro procurou impedir a descoberta de jazidas no Brasil para manter o país dependente, importador do produto. Neste período, destacou-se a luta de Monteiro Lobato para provar o contrário.
Em 29 de abril de 1938, Getúlio Vargas criou o Conselho Nacional do Petróleo (CNP) e declarou de utilidade pública o abastecimento nacional de petróleo e regulou o setor. As jazidas – ainda a serem descobertas – passaram a ser consideradas patrimônio da União. Não demorou muito e em 21 de janeiro de 1939 as primeiras gotas de petróleo vieram à tona em Lobato, na Bahia. Isso estimulou a pesquisa e em 1941 surgiu o campo de Candeias, o primeiro a produzir óleo comercialmente.
Os interesses monopolistas estrangeiros sobre o ouro negro brasileiro alimentaram os movimentos golpistas que depuseram o presidente Getúlio Vargas em 1945. Não foi à toa que no dia seguinte ao golpe que derrubou Getúlio, 30 de outubro de 1945, o CNP publicou a autorização para empresas privadas instalarem refinarias no país. Mesmo com Getúlio fora do poder o povo não esmoreceu na defesa da soberania nacional. Em 1948, a campanha do “Petróleo é Nosso” tomou às ruas do país e culminou com a instituição do monopólio estatal sobre o petróleo e a criação da Petrobrás em 1953.
Mesmo assim não cessaram as tentativas de sabotar o petróleo no Brasil. Em 1960, o norte-americano Walter Link, geólogo aposentado da Standard Oil, apresentou seu relatório afirmando que não havia o óleo no Brasil. Limitou-se em dizer que não tinha como avaliar as reservas marítimas, mas orientou a estatal a desistir da prospecção e a priorizar a importação de petróleo. Não precisava nem dizer de quem… No entanto, em 1962 o país investe em pesquisa na área costeira e descobre o campo de Carmópolis, maior campo em Sergipe, e novos campos no Recôncavo Baiano (Miranga e Araçás). Logo depois aparecem as jazidas do Espírito Santo.
Um ano antes do golpe de 1964 o monopólio estatal foi ampliado, abrangendo também as atividades de importação e exportação de petróleo e seus derivados. Com a crise petrolífera na década de 70, a ditadura abriu espaço para os chamados contratos de risco, permitindo que empresas privadas pesquisassem novos pontos de exploração. O resultado foi pífio. Cerca de 12 anos de contratos resultaram na exploração de apenas uma jazida de gás em Santos.
Em 1988, a Constituição acabou com tais contratos e reafirmou o monopólio estatal. Investimentos em pesquisa e a criação de novas tecnologias transformaram a Petrobrás em referência mundial, alcançado recordes na prospecção de óleo em águas profundas.
Mas, eis que surge Fernando Henrique Cardoso. Inicia-se um processo de desmonte e terceirização dos serviços da estatal com a intenção de prepará-la para a privatização. Recursos para a pesquisa foram suprimidos. A intenção era denegrir a empresa perante a opinião pública. Fernando Henrique – com o apoio da mídia – não conseguiu romper a resistência popular contra a privatização, mas quebrou o monopólio estatal sobre o petróleo em 1997. Neste mesmo ano, criou a ANP para defender os interesses das empresas estrangeiras que se apresentariam para açambarcar os blocos petrolíferos – pesquisados e descobertos pela Petrobrás.
O governo tucano cogitou até mudar o nome da estatal para “Petrobrax”. O desmonte e o corte de recursos para investimentos e em manutenção foram decisivos para a desaceleração na descoberta de novas jazidas e para um dos maiores crimes contra a Petrobrás, o naufrágio da Plataforma P-36.
Com a vitória do presidente Lula um novo ciclo se inicia. O governo passa a dar prioridade para que empresas nacionais construam ou forneçam a maioria dos equipamentos utilizados na construção das plataformas e navios adquiridos pela estatal. Mesmo com a herança da ANP, Lula retomou os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, que deram ao país a auto-suficiência na produção de petróleo e possibilitaram as novas e gigantescas descobertas, que projetam o país para o seleto grupo de países exportadores de petróleo.
“O governo acaba de tomar uma decisão altamente estratégica, excluindo a concessão de exploração de petróleo em áreas contíguas às reservas do campo de Tupi”, afirmou ao HP o brigadeiro-do-ar Sergio Xavier Ferolla, ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM) e ex-comandante da Escola Superior de Guerra (ESG).
O brigadeiro avalia que a descoberta do megacampo de petróleo abaixo da camada de sal só foi possível pelo fato de a Petrobrás ser uma estatal. “A Petrobrás tem investido muito em recursos e tecnologia, confiando em sua competência, correndo um risco muito grande que o capital privado jamais correria, ao fazer prospecções a 7 quilômetros de profundidade, num ponto completamente desconhecido. É uma descoberta fabulosa”.
Segundo Ferolla, “no passado, técnicos estrangeiros de renome diziam que no Brasil não tinha petróleo. O capital não faria os investimentos necessários até por uma questão de lógica, pois precisa de um retorno imediato. Não é como o Estado que faz um investimento estratégico esperando um retorno a longo prazo, principalmente retorno que beneficie não só o capital investido mas principalmente o país como um todo”.
Refutando a tese propagada por alguns analistas de que a exclusão de 41 blocos do 9º leilão de entrega da ANP significa um retrocesso, o brigadeiro frisou que “o pessoal do mercado interessado no lucro fácil começa a falar nisso, mas o governo brasileiro não está retrocedendo em nada. O governo brasileiro tem o direito de tomar suas decisões antes de que haja a licitação”. Ferolla considera que “um ponto importante que deveria ser considerado pelo governo é que também fosse retirado da 8ª Rodada alguns blocos que são contíguos a essa área”.
Sobre a descoberta de petróleo no campo de Tupi, Ferolla disse que “a ANP não tem nenhum mérito nisso. Pelo contrário, a ANP só tem demérito. Inclusive o governo tomou a decisão de excluir os blocos por cima da política da ANP. Ela foi criada num momento sombrio para o país. O primeiro diretor-geral da agência cometeu o disparate de declarar que ‘O petróleo é vosso!’, mudando o conceito histórico da luta pelo petróleo. O mérito é do povo brasileiro, é da Petrobrás”.
Outra decisão do governo considerada importante pelo brigadeiro foi o aumento da taxa sobre os lucros das empresas que detêm áreas de petróleo sob concessão. “O governo brasileiro felizmente caiu na realidade de aumentar a taxação, ou seja, cobrar mais pelo produto que é retirado do nosso subsolo. Todos os países detentores de grandes reservas de petróleo estão fazendo uma taxação elevada, coerente com o valor do produto, e o governo brasileiro também fez. É um alvorecer de novas esperanças”.
V.A.
A Petrobrás e a luta vitoriosa do povo brasileiro pelo ouro negro
Toda vez em que o interesse nacional no setor de petróleo foi colocado em primeiro plano, com o Estado à frente, o país progrediu significativamente. Quando ocorreu o inverso, isto é, em épocas em que se abriram as portas para os monopólios estrangeiros ou quando os governos defendiam os interesses destes, a produção e a pesquisa estagnaram.
Antes de 1930 era notório o interesse da Standard Oil em açambarcar o óleo da América do Sul. Num primeiro momento, o monopólio estrangeiro procurou impedir a descoberta de jazidas no Brasil para manter o país dependente, importador do produto. Neste período, destacou-se a luta de Monteiro Lobato para provar o contrário.
Em 29 de abril de 1938, Getúlio Vargas criou o Conselho Nacional do Petróleo (CNP) e declarou de utilidade pública o abastecimento nacional de petróleo e regulou o setor. As jazidas – ainda a serem descobertas – passaram a ser consideradas patrimônio da União. Não demorou muito e em 21 de janeiro de 1939 as primeiras gotas de petróleo vieram à tona em Lobato, na Bahia. Isso estimulou a pesquisa e em 1941 surgiu o campo de Candeias, o primeiro a produzir óleo comercialmente.
Os interesses monopolistas estrangeiros sobre o ouro negro brasileiro alimentaram os movimentos golpistas que depuseram o presidente Getúlio Vargas em 1945. Não foi à toa que no dia seguinte ao golpe que derrubou Getúlio, 30 de outubro de 1945, o CNP publicou a autorização para empresas privadas instalarem refinarias no país. Mesmo com Getúlio fora do poder o povo não esmoreceu na defesa da soberania nacional. Em 1948, a campanha do “Petróleo é Nosso” tomou às ruas do país e culminou com a instituição do monopólio estatal sobre o petróleo e a criação da Petrobrás em 1953.
Mesmo assim não cessaram as tentativas de sabotar o petróleo no Brasil. Em 1960, o norte-americano Walter Link, geólogo aposentado da Standard Oil, apresentou seu relatório afirmando que não havia o óleo no Brasil. Limitou-se em dizer que não tinha como avaliar as reservas marítimas, mas orientou a estatal a desistir da prospecção e a priorizar a importação de petróleo. Não precisava nem dizer de quem… No entanto, em 1962 o país investe em pesquisa na área costeira e descobre o campo de Carmópolis, maior campo em Sergipe, e novos campos no Recôncavo Baiano (Miranga e Araçás). Logo depois aparecem as jazidas do Espírito Santo.
Um ano antes do golpe de 1964 o monopólio estatal foi ampliado, abrangendo também as atividades de importação e exportação de petróleo e seus derivados. Com a crise petrolífera na década de 70, a ditadura abriu espaço para os chamados contratos de risco, permitindo que empresas privadas pesquisassem novos pontos de exploração. O resultado foi pífio. Cerca de 12 anos de contratos resultaram na exploração de apenas uma jazida de gás em Santos.
Em 1988, a Constituição acabou com tais contratos e reafirmou o monopólio estatal. Investimentos em pesquisa e a criação de novas tecnologias transformaram a Petrobrás em referência mundial, alcançado recordes na prospecção de óleo em águas profundas.
Mas, eis que surge Fernando Henrique Cardoso. Inicia-se um processo de desmonte e terceirização dos serviços da estatal com a intenção de prepará-la para a privatização. Recursos para a pesquisa foram suprimidos. A intenção era denegrir a empresa perante a opinião pública. Fernando Henrique – com o apoio da mídia – não conseguiu romper a resistência popular contra a privatização, mas quebrou o monopólio estatal sobre o petróleo em 1997. Neste mesmo ano, criou a ANP para defender os interesses das empresas estrangeiras que se apresentariam para açambarcar os blocos petrolíferos – pesquisados e descobertos pela Petrobrás.
O governo tucano cogitou até mudar o nome da estatal para “Petrobrax”. O desmonte e o corte de recursos para investimentos e em manutenção foram decisivos para a desaceleração na descoberta de novas jazidas e para um dos maiores crimes contra a Petrobrás, o naufrágio da Plataforma P-36.
Com a vitória do presidente Lula um novo ciclo se inicia. O governo passa a dar prioridade para que empresas nacionais construam ou forneçam a maioria dos equipamentos utilizados na construção das plataformas e navios adquiridos pela estatal. Mesmo com a herança da ANP, Lula retomou os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, que deram ao país a auto-suficiência na produção de petróleo e possibilitaram as novas e gigantescas descobertas, que projetam o país para o seleto grupo de países exportadores de petróleo.
ed. 2619
14 e 15/11/07

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