ENCALHE

julho 30, 2008

Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

Foto: Reprodução
O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281). Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.
Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [Jornal da Tarde] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”. Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.
A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS (GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
Portal Mogi Guaçu, 29/07/2008

Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

Foto: Reprodução
O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281). Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.
Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [Jornal da Tarde] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”. Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.
A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS (GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
Portal Mogi Guaçu, 29/07/2008

Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

Foto: Reprodução
O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281). Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.
Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [Jornal da Tarde] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”. Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.
A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS (GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
Portal Mogi Guaçu, 29/07/2008

Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

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O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281). Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.
Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [Jornal da Tarde] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”. Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.
A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS (GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
Portal Mogi Guaçu, 29/07/2008

Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

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O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281). Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.
Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [Jornal da Tarde] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”. Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.
A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS (GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
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Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

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O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281). Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.
Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [Jornal da Tarde] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”. Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.
A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS (GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
Portal Mogi Guaçu, 29/07/2008

maio 17, 2008

Dilma mente para Ditadura Militar

Jasson de Oliveira Andrade
Convocada a depor, a ministra Dilma Roussef esteve no Senado. Uma intervenção desastrosa do senador José Agripino (DEM-RN), que pensava em deixá-la em situação difícil, ao contrário, tornou-a uma heroína. É o que vamos ver a seguir.
A participação do senador do DEM mereceu críticas gerais. Dora Kramer, em artigo ao Estadão (9/5/2008), afirmou que “a oposição foi irretocavelmente incompetente”, dizendo ainda que “os senadores aliados sim, deram um show. De categoria e habilidade política.”

A Folha, em editorial sob o título “Revés da oposição”, comentou: “Na tarde de ontem [7/5], tudo começou com uma péssima idéia do senador José Agripino (DEM-RN): julgou pertinente trazer à baila uma entrevista em que a ministra contou ter mentido muito às forças da repressão. (…) “Eu fui barbaramente torturada, senador”, respondeu Dilma Rousseff. “Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na ditadura, senador”. (…)
A força emocional e política de uma resposta desse tipo só poderia marcar NEGATIVAMENTE (destaque meu) as acirradas disposições de ânimo com que a oposição iniciava seus questionamentos”.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no seu Blog Entrelinhas, constatou: “PT vibrou com a atuação de Agripino Maia”. É verdade. Como a ministra foi convocada para falar do PAC, embora a oposição preferisse questionar sobre o Dossiê sobre os gastos do governo de Fernando Henrique Cardoso, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) ironizou: “Já que o assunto é PAC, podemos dizer que o senador José Agripino pavimentou a estrada para a ministra Dilma brilhar”.
Eliana Cantanhêde, em artigo à Folha, opinou: “Quem disparou primeiro contra ela [Dilma] e errou feio foi o
senador José Agripino Maia, do DEM, que tentou ser esperto ao dizer que a ministra “mentiu muito” na ditadura militar. (…) Disse que tinha orgulho de ter mentido, porque mentir significou suportar tortura para salvar a vida de companheiros. De quebra, foi ferina, apesar de elegante, ao fazer o confronto entre ela, que combatia a ditadura, e Agripino, ex-Arena e ex-PDS, que a defendia. “Estávamos em campo opostos.” Havia algum espaço para a tréplica?” Realmente, Agripino iniciou na política, segundo a Folha, com a nomeação dele pelo governo militar para a Prefeitura de Natal em 1979. Começou mal, como prefeito “biônico”!
Noblat, em seu Blog, comenta: “Ela [Dilma] entrou na sala da Comissão [do Senado] como suspeita de ter encomendado um dossiê sobre despesas sigilosas do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu como a heroína que aos 19 anos de idade foi presa e torturada por agentes de ditadura militar de 1964, e mesmo assim NÃO DEDUROU NINGUÉM (destaque meu).” Noblat ainda revelou: “Outro dia, o governador de São Paulo José Serra (PSDB), aspirante à vaga de Lula, alertou seus companheiros de partido: “Se continuarem tratando Dilma dessa forma ela acabará emplacando como candidata. E com chances de vencer”. (…) Advertência de Serra, hoje, ganhou mais robustez”. Com razão. O próprio deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), atuante parlamentar, reconheceu: “A expectativa era que a ministra seria detonada, mas ela é que nos detonou”.
Quanto aos Dossiês sigilosos, em minha opinião, deveriam ser realmente divulgados, sejam de Fernando Henrique ou de Lula!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor do livro “
O GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA
Maio de 2008

março 26, 2008

Celso Lungaretti confronta mais uma vez "entulho autoritário" de Elio Gaspari

COMPANHEIROS E AMIGOS:
A POLÊMICA QUE EU E OUTROS ARTICULISTAS ESTAMOS TRAVANDO COM ELIO GASPARI E A “FOLHA DE S. PAULO” TEM UM SIGNIFICADO MAIOR: EXTIRPAR DE VEZ ESSA ERVA DANINHA QUE É O USO DE INFORMAÇÕES CONTAMINADAS PELA TORTURA ( E, PORTANTO, SEM VALOR LEGAL NENHUM ) PARA ACUSAR PERSONAGENS HISTÓRICOS NA IMPRENSA E NA INTERNET.
A ÚLTIMA COLUNA DO GASPARI ESTÁ ABAIXO, PARA QUEM QUISER AVALIAR. E A MINHA RESPOSTA ( QUE LHES ESTOU REPASSANDO EM VERSÃO CONDENSADA ) EVIDENCIA QUE, MAIS DO QUE UM HISTORIADOR EM QUEM SÓ OS DESINFORMADOS CONFIAVAM, ESTÁ SENDO CONFRONTADA UMA PRÁTICA SISTEMÁTICA DE DESMORALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES DA RESISTÊNCIA À DITADURA MILITAR, MEDIANTE DIFAMAÇÕES E CALÚNIAS.
PEÇO A TODOS QUE REDOBREM SEUS ESFORÇOS PARA QUE AS POSIÇÕES CIVILIZADAS TAMBÉM CIRCULEM E CHEGUEM AOS LEITORES, JÁ QUE O ENTULHO AUTORITÁRIO TEM AMPLO E IRRESTRITO ACESSO À GRANDE IMPRENSA.
EM DEFESA DA DIGNIDADE, DA VERDADE E DA JUSTIÇA,
CELSO LUNGARETTI

SOBRE HISTORIADORES E ARAPONGAS
Celso Lungaretti (*)
O episódio algoz e vítima, que vem provocando uma discussão tensa desde o dia 12, trouxe à tona acontecimentos dolorosos, mas serviu também para aclarar o papel hoje desempenhado pela grande imprensa e por um de seus expoentes mais destacados.
As máscaras foram arrancadas e os leitores, perplexos, vão se dando conta de que formam opinião a partir de informações distorcidas, altamente manipuladas, enquanto os defensores da verdade não encontram tribuna, não têm verdadeiro direito de resposta nem espaço para apresentar o outro lado.
Tudo começou quando o jornalista e historiador Elio Gaspari publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo, O Globo e outros jornais uma diatribe contra a União (“Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968”), por ter decidido pagar ao suposto algoz Diógenes Carvalho de Oliveira uma indenização duas vezes maior do que a outorgada à sua suposta vítima Orlando Lovecchio Filho.
Como o primeiro era um militante da Resistência à ditadura e o segundo, o cidadão que perdera a perna no atentado supostamente por ele cometido, o assunto logo transbordou do circuito habitual do Gaspari para outros jornais, revistas semanais, sites de extrema-direita e correntes de e-mails neo-integralistas.
Desde então, as refutações têm sido sempre ignoradas ou relegadas à seção de cartas (cortadas até se tornarem anódinas, publicadas com imenso atraso, etc.), enquanto os espaços nobres servem para repercutir o texto de Gaspari ou trazer-lhe acréscimos, na vã tentativa de respaldar suas afirmações indefensáveis.
Tanto a Folha quanto Gaspari chegaram a reconhecer que, dos quatro militantes apontados levianamente como autores do atentado ao consulado estadunidense em 1969, Dulce Maia era inocente e havia sido por eles caluniada.
Mas, nem mesmo o depoimento do único participante ainda vivo desse atentado obteve o merecido destaque, apesar de provocar uma verdadeira reviravolta no caso: Sérgio Ferro, admitiu sua culpa e seus remorsos, mas desmentiu a participação de Diógenes de Carvalho e Dulce Maia, além de esclarecer que se tratou de uma ação da ALN e não (como Gaspari afirmara) da VPR.
Outra informação importantíssima que a grande imprensa escamoteou de seus leitores: Ferro foi acionado na Justiça por Lovecchio e obteve ganho de causa graças aos relatórios médicos que apresentou como prova. O primeiro dá conta de que o ferimento de Lovecchio era grave, mas existia possibilidade de recuperação. Depois, o socorro a Lovecchio foi interrompido pelo Deops, que quis interrogá-lo, provavelmente para saber se ele era vítima do atentado ou um participante azarado. Quando os policiais afinal o liberaram, sua perna já havia gangrenado e teve de ser amputada (2º relatório).
Ora, se o algoz não era algoz, então o texto inteiro do Gaspari perdia o gancho e desabava, bem como as matérias caudatárias publicadas pela Veja e da Época. O que fizeram os veículos, face à evidência de haverem informado mal seus leitores, além de caluniarem dois cidadãos e acusarem falsamente a VPR? Deram desmentido com o mesmo destaque? Nem remotamente.
A consciência da vulnerabilidade de sua posição aos olhos dos (poucos) cidadãos bem informados fez Gaspari voltar ao assunto na sua coluna dominical de 25/03. E o fez recorrendo às informações que, desde o início, foram a viga-mestra de suas perorações fantasiosas: os famigerados inquéritos inquéritos policiais-militares da ditadura.
Como um mero araponga, ele se pôs a revolver o lixo ensanguentado da ditadura, dando grande importância ao fato de que havia congruência entre os depoimentos extorquidos dos torturados e omitindo que os torturadores forçavam todos os presos a coonestarem a versão oficial, a síntese elaborada pelos serviços de Inteligência das Forças Armadas, para que o resultado final tivesse alguma verossimilhança.
Se fosse, como pretende, um verdadeiro historiador, saberia que os militantes eram coagidos a admitir os maiores absurdos nas instalações militares e, depois, encaminhados a delegacias civis onde deveriam repetir, sem torturas, as mesmas afirmações. Os que, pelo contrário, desmentiam tudo, eram recambiados aos quartéis e novamente submetidos a sevícias brutais, até se conformarem em obedecer ao script.
Destrambelhado, Gaspari ousou até fazer novo ataque a Dulce Maia, a quem pedira humildes desculpas no domingo anterior. Que credibilidade espera ter, agindo com tanta incoerência?
A última intervenção de Gaspari no debate foi, de longe, a mais desastrosa. Colocou-o ao lado dos torturadores, defendendo o entulho autoritário. Se a inicial arranhou sua imagem de historiador, a derradeira disse muito sobre suas verdadeiras devoções.
O que, aliás, já se suspeitava: não é qualquer cidadão que desfruta de tal confiança de personagens como Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, a ponto de ser por eles escolhido para repassar ao distinto público suas desculpas esfarrapadas pelo papel histórico que desempenharam, como protagonistas do arbítrio.
O entulho autoritário - Se esse episódio deplorável serviu de algo, foi para comprovar, definitivamente, que o entulho autoritário deve ficar no lugar a que pertence: a lata de lixo da História.
Um regime de exceção utilizou práticas hediondas para investigar a ação dos resistentes que a ele se opunham e os inquéritos assim produzidos serviram para condenar patriotas, heróis e mártires em tribunais militares, com oficiais das Forças Armadas fazendo as vezes de jurados, o que atropelava flagrantemente o direito de defesa.
O quadro era tão kafkiano que, num julgamento em que fui réu, o advogado de ofício designado para um companheiro apresentou-se completamente embriagado e começou sua peroração não falando coisa com coisa. O juiz auditor o expulsou da sala e mandou que outro advogado de ofício improvisasse a defesa, imediatamente, mal tendo tempo para ler os autos. O julgamento prosseguiu.
A Lei da Anistia de 1979 sustou os efeitos concretos desses julgamentos e as ações seguintes do Estado brasileiro, como a constituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos, evidenciaram que os antes tidos como criminosos passaram a ser considerados, oficialmente, vítimas.
Enfim, os IPMs foram, tão-somente, a versão que um inimigo apresentava do outro, para dar aparência de legalidade ao que não passava de arbitrariedade, sem compromisso nenhum com a verdade e a justiça.
Qual a credibilidade de um regime que fez afixarem-se em logradouros públicos do País inteiro, em meados de 1969, cartazes me acusando de “terrorista assassino” que teria “roubado e assassinado vários pais de família”, embora eu fosse um dirigente e nunca um homem de ação?
Mas, para aqueles militares, a verdade não existia em si. Só lhes interessava a verdade operacional, as versões mais adequadas a seus objetivos na guerra psicológica que travavam.
Passadas quatro décadas, essas versões unilaterais, fantasiosas e espúrias infestam a internet, chegando até a impregnar textos jornalísticos – por má fé dos seus autores ou por preguiça de profissionais que preferem colher subsídios nos sites de busca do que nos arquivos de seus próprios veículos, acabando por comer na mão dos Brilhantes Ustras da vida.
Então, é mais do que tempo da imprensa se compenetrar que, sem uma sentença lavrada por um tribunal na vigência plena do estado de direito, ninguém pode ser apontado taxativamente nos textos jornalísticos como “terrorista” ou autor de tais ou quais crimes com motivação política.
Os repórteres, comentaristas, articulistas e editorialistas que agirem de outra forma, estarão coonestando a prática de torturas e os julgamentos realizados por tribunais de exceção.
E, já que nada do que Gaspari contrapôs pode ser aceito pelos homens decentes que não aceitam mancomunar-se com práticas hediondas, subsiste o fato de que uma versão distorcida e panfletária do episódio teve enorme destaque editorial e, conseqüentemente, ampla repercussão, enquanto as informações que repuseram a verdade dos fatos ficaram, quando muito, jogadas na seção de cartas.
Que cada um tire suas conclusões acerca dessa praga que cada vez mais se alastra pela imprensa brasileira: a burla do direito de resposta e a tendenciosidade no tratamento editorial, não se expondo convenientemente o outro lado ou omitindo-o por completo.
Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

ELIO GASPARI

O terrorista de 1968 remunera-se em 2008
A família do soldado morto no atentado recebe R$ 1.140 mensais, já o rapaz da VPR fatura R$ 1.627
QUARENTA ANOS DEPOIS do atentado a bomba contra o Consulado Americano em São Paulo, Sérgio Ferro, intitulando-se “único sobrevivente” do grupo terrorista que fabricou, transportou e detonou o explosivo, informa:
1) Diógenes Oliveira e Dulce Maia não participaram dessa ação.
2) A ação foi iniciativa da ALN (Ação Libertadora Nacional), e não da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).Quem disse que Diógenes, o “Luís”, e Dulce de Souza, a “Judith”, participaram do atentado, organizado pela VPR, foi o doutor Sérgio Ferro em seu depoimento à polícia em 29 de março de 1971. Na ocasião, Ferro estava preso e a tortura era uma política de Estado para obtenção de confissões, verdadeiras ou falsas. Passados 37 anos, Ferro julgou oportuno corrigir seu testemunho. Em 1969, na prisão, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes, ambos da VPR, revelaram suas participações no atentado. Diógenes admitiu ter fabricado a bomba, com “um ou dois quilos de dinamite”.
Quando Ferro incriminou Dulce de Souza Maia, sabia que ela estava a salvo, no exílio. Além disso, uma bomba a mais, uma bomba a menos, não faria muita diferença na carga que a polícia imputava à dupla mencionada por Ferro.
Diógenes e Dulce foram associados a dois retumbantes atentados terroristas. No dia 26 de junho de 1968, a VPR lançou um caminhão-bomba com 15 quilos de dinamite contra o Quartel General do 2º Exército, em São Paulo. Na explosão, morreu o soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos. Dulce Maia contou sua participação nesse episódio numa entrevista a Luiz Maklouf Carvalho. Ela foi publicada no livro “Mulheres que foram à luta armada”, em 1998. Diógenes nunca falou publicamente sobre o caso. Os documentos conhecidos, que devem ser vistos com reservas, são o depoimento dele e de camaradas seus, todos presos. Diógenes admitiu ter fabricado a bomba. Onofre Pinto, que participou do atentado, disse que Diógenes acendeu o estopim.
Diógenes e Dulce também foram acusados de terem participado do planejamento e do assassinato do capitão americano Charles Chandler, em outubro de 1968. Na mesma entrevista a Maklouf, Dulce narrou sua colaboração no levantamento dos hábitos do capitão. Diógenes nunca discutiu esse atentado em público. Contudo, Pedro Lobo de Oliveira, seu colega de VPR, contou aos organizadores do livro “Esquerda Armada no Brasil”, premiado em Cuba em 1973, que eram três as pessoas que estavam no carro do qual partiram os assassinos do capitão: ele, que ficou ao volante, e mais dois, um com um revólver e outro com uma metralhadora. Pedro Lobo não os nomeou. Informou que a dupla só foi identificada quando um militante da VPR que “sabia quais os companheiros que haviam participado” contou o caso à polícia, na prisão. Esse “delator”, Hermes Camargo, tornou-se um colaborador do regime. Anos mais tarde ele repetiu o dois nomes numa entrevista a “O Estado de S. Paulo”: os atiradores foram Diógenes Oliveira, o “Luís”, e Marco Antonio Brás de Carvalho, o “Marquito”, morto meses depois do atentado.Assim como deve-se dosar o crédito às confissões de Sérgio Ferro e deve-se duvidar dos depoimentos de pessoas presas, é necessário registrar que a narrativa de Diógenes, preso, é semelhante à de Pedro Lobo, solto. Diógenes reconheceu ter sido um dos autores dos disparos.Orlando Lovecchio, que teve a perna esquerda amputada abaixo do joelho por conta da explosão da bomba que Sérgio Ferro e seus camaradas puseram no Consulado Americano, recebe R$ 570 mensais da Viúva. Os pais do soldado Mário Kozel conquistaram em 2003 uma pensão de R$ 330, reajustada no ano seguinte para R$ 1.140 mensais. Desde o dia 24 de janeiro, Diógenes ficou em melhor situação. Ele ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627 mensais (as vítimas, juntas, recebem R$ 1.710), com direito a R$ 400 mil de atrasados. Repetindo: há algo de errado na aritmética das indenizações e numa álgebra que acaba remunerando melhor o terrorista que participou de um atentado do que a família da sentinela assassinada ou o transeunte amputado.

janeiro 18, 2008

A morte suspeita de Jango: infarto ou assassinato?

Jasson de Oliveira Andrade
O presidente João Goulart, o Jango, foi deposto em 31 de março de 1964 (ou seria 1º de abril?). Depois do golpe militar, ele exilou-se no Uruguai e depois na Argentina, onde morreu a 6 de dezembro de 1976. O motivo da morte dele é suspeita: infarto ou assassinato? Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, cunhado de Jango, coloca em dúvida a causa. Em entrevista à Folha, em 28/8/1982, admitiu como “suspeita” a morte de João Goulart. Segundo o jornal, “as declarações do ex-governador gaúcho referiam-se às recentes denúncias de que o ex-presidente teria sido assassinado, na cidade argentina de Mercedes, onde passara a residir, por ingestão de remédios para cardíacos criminosamente trocados.

“De fato, afirmou Brizola, por que nem o governo da Argentina e nem o do Brasil deixaram que fosse feita uma autópsia [pedida pela família dele] no corpo de Jango?”. Afirmou ainda: “desde o momento da sua morte até o enterro, tudo foi feito sob pressão, no sentido do episódio ser encerrado o mais rapidamente possível [ na época, existia Ditadura Militar também na Argentina ]. Acho mesmo que esse caso não foi o único. Pessoalmente, recebi avisos de diversas origens sobre a eliminação de lideranças políticas no Continente. Por isso mesmo é que eu estranho igualmente a morte de Juscelino, Lacerda e até do Petrônio Portela [ Ministro da Justiça do presidente João Figueiredo. Faleceu de infarto em 6/1/1980 ]. Todas ocorreram em circunstância suspeitas. É possível que o tempo nos venha trazer algum esclarecimentos sobre tais fatos”. Em 1982, quando Brizola concedeu essa entrevista, ainda estávamos na Ditadura Militar e o presidente era o general João Batista Figueiredo. A democracia só voltou em 1985, vinte e um anos depois do golpe de 64. Como previu Brizola, o tempo está trazendo alguns esclarecimentos, como veremos.

Em janeiro de 2004, escrevi um artigo sob o título “O Beijo da Morte, ficção ou realidade?, no qual revelei: “Carlos Heitor Cony e Anna Lee escreveram um “romance”, questionando as mortes de Juscelino (JK), João Goulart (Jango) e Carlos Lacerda [ líder civil do Golpe de 64 ]: natural ou assassinato? O personagem, Repórter, pesquisa as causas dessas mortes ocorridas em pequeno lapso de tempo, quando haviam criado a Frente Ampla, unindo esses três adversários perseguidos pelo Golpe de 64 e visando a volta da democracia. Nesta época, existia a Operação Condor, supostamente responsável pelo assassinato de várias autoridades no Cone Sul. Coincidências ou não? É o que trata o romance O Beijo da Morte. Com alguns assassinatos comprovados!”. Agora, em artigo na Folha (15/1/2008), sob o título “Morte de Jango na Justiça”, Carlos Heitor Cony revela: “A família de João Goulart deu entrada na Justiça a uma ação sobre a morte do ex-presidente, que teria sido assassinado no Uruguai [ na Argentina ] por membros de uma Operação Escorpião, que foi a antecessora da Operação Condor, destinada a eliminar pessoas que pudessem perturbar a paz no Cone Sul da América Latina, então governada por regimes militares”. Janio de Freitas, em artigo à Folha (15/1/2008 ), revela: “As três décadas passadas desde as mortes de João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda mais alimentaram, com a seqüência de esquivas investigações, do que atenuaram as suspeitas de triplo assassinato sobre os quais, enfim, há um ponto de partida substanciosa. Já está entregue à Procuradoria Geral da República. E a recusa a aceitá-lo, para abrir investigação sobre as circunstâncias da morte de João Goulart dificilmente seria compreensível. (…) A longa e até agora inútil batalha da família Goulart pela exumação do ex-presidente, morto no exílio em 1976 e enterrado no Rio Grande do Sul, teve o seu fundamento agora comprovado pela inesperada confissão de um ex-agente uruguaio, em depoimento para um documentário de João Vicente Goulart [ filho de Jango ]. Mario Neira Barreiro, que já dera indicações factuais de sua espionagem à família Goulart, como agente, aos 22 anos, do serviço secreto do Uruguai, deu agora pormenores da inclusão de uma pílula venenosa entre os remédios que, por provável precaução, Jango fazia virem da França para a sua cardiopatia. O veneno foi posto por outro agente, infiltrado como empregado no hotel habitado pelos Goulart em Bueno Aires.” Em vista dessas novas informações, João Vicente, filho de Jango, pediu um inquérito à Procuradoria Geral da República. Será que agora teremos a verdade sobre a morte de João Goulart ( Jango )? Afinal de contas, como disse Janio de Freitas, “a história dos nossos anos [ de chumbo ] ainda está só na superfície”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Janeiro de 2008
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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