ENCALHE

dezembro 30, 2008

Desde quando milhões de idiotas e seus carros invadindo estradas e litorais é notícia?

AS INVASÕES BÁRBARAS NO LITORAL BRASILEIRO
Há um ditado jornalístico bem manjado: “Se um cão morde um homem, não é notícia. Agora, se um homem morde um cão, isso sim é notícia.”
Ou algo assim.
Pois bem: parafraseando meu amigo Vinícius Duarte, hoje mandei o trabalho às favas mas, em vez de ficar lendo blogs e sites, meu cardápio foi um pouco mais indigesto. Fiquei assistindo aos telejornais da Record e Band, a partir das 18:00.
Eu deveria ter ficado surpreso? A mesma cantilena de todo ano: choramingos e resmungos de quem tem – em tese e, de fato – a opção de ficar em casa. Mas não. O narrador descreve a c ena, como se o óbvio fosse absurdo: “O motorista tem que ter paciência.” Com o quê? Com o outro motorista, que faz o mesmo que os outros milhões, naquele exato momento e lugar?
O que essa gente quer, afinal? Entopem as ruas da cidade de automóveis, mas “estranham” não haver espaço para todos.
Faltando poucas horas para a “Cerimônia anual da troca de calendário” ( ou os “shperrtos” do ano inteiro acreditam em mudanças radicais em sua vida vindo imediatamente no último dia do ano, bastando comer lentilhas e vestir calçinhas brancas? ), estas bestas transportam o mar de veículos da cidade para as estradas, e continuam “estranhando” a falta de espaço.
Oras, apenas crianças querem viver o melhor dos mundos e ter tudo ao mesmo tempo.
Tipo isso: às vezes eu pego para ler estes cadernos de imóveis dos jornais, para saber como a especulação anda destruíndo a cidade de São Paulo. Então, de repente, me deparo com textos assim: “Vila Caroço vive boom imobiliário: bairro mescla modernidade e sossego”.
Continua o texto: “A Vila Caroço está na mira dos investidores. Com o lançamento de 34 torres de 15 andares, o bairro vive uma valorização sem precedentes. Jovens casais buscam a modernidade e o sossego que Vila Caroço oferece. De serviços, como bancos, tabacarias, academias, bares, lojas, padarias, supermercados e estacionamentos até o tradicional dominó, jogado por aposentados na praça da Matriz, há uma abundante variedade de opções. O sossego do bairro, formado no começo da década de 20 por imigrantes romenos e magiares é um atrativo a mais. A opinião dos novos moradores é quase unânime: “Aqui a gente tem qualidade de vida”, resume o consultor de investimentos, Edilson Schwartzmann.
A secretária-executiva Maiara Prado tem opinião semelhante: “Aqui você pode sair com o carro para ir até a padaria, sem o stress dos outros bairros.”
De fato, quem vive o corre-corre em bairros como Pinheiros ou Moema pode até estranhar a calma de Vila Caroço.
Juracy Toledo, diretor da Consultimóveis tenta explicar: “Quando viemos [ a empresa ] para cá, o bairro até poderia ser confundido com uma cidade interiorana, tal era a calma do lugar. Quando desenvolvemos e lançamos nossos primeiros projetos, poucos acreditaram que a procura fosse tanta. Em um ano, todas as unidades foram vendidas. De uma hora para outra, aquele bairro pacato foi se transformando num lugar totalmente diferente, mas mantendo ainda aquele ‘espírito’ de cidade do interior”, diz, orgulhoso.
E as mudanças foram se dando em ritmo acelerado: surgiram bancos ( o bairro possuía apenas um, e hoje são seis agências ), academias de ginástica, supermercados, restaurantes. Para dar conta dos automóveis que foram tomando as ruas de Vila Caroço, apareceram 3 estacionamentos, todos funcionando 24 horas.
Mas alguns moradores do bairro não gostaram das mudanças. Franzesko Zuskas, um dos mais antigos, se mostra contrariado: “A associação do bairro tentou embargar várias dessas obras, mas não teve sucesso. Todo dia tem um atropelamento. Assaltos, antes quase não havia. À noite, com os bares que ficam abertos até de madrugada, não há mais sossego aqui. Brigas, até tiros, às vezes. Cada apartamento deste prédio [ aponta para o Condomínio Miami ] tem duas vagas de carro. Faça as contas. Essas ruas, quando surgiram, serviam de passagem para carroceiros, cavalos, charretes. Depois veio o bonde. Hoje, com toda essa gente que veio para cá, os idosos quase nem conseguem atravessar a rua direito. Esse pessoal vem para cá dizendo que aqui é sossegado, mas ninguém parece querer escutar quem já estava aqui antes.” O senhor Franzesko acrescenta que gostaria de se mudar do bairro que viu nascer e crescer, mas não saberia viver longe daqui.
A despeito de queixas como essa, o bairro segue valorizando, e novos empreendimentos estão previstos para o ano de 2009. Silmara Reis, gerente comercial de uma multinacional tenta explicar o charme de Vila Caroço: ‘Quem quer um bairro tranquilo para morar, aqui é o lugar. E quem quer baladas, agitos e serviços estará bem-servido também’, resume.”
Percebem? Isso aí que eu escrevi foi baseado em coisas que eu li, e desenha a seguinte situação: querem sossego e ‘agito’ AO MESMO TEMPO! Impossível, suas mulas.
Pois bem, todo ano é a mesma merda: 90% da população paulistana invade o Litoral, entope as estradas, as ruas dos municípios litorâneos, suja as praias, pega fila no mercado, na padaria, reclama da falta d’água e, depois, vem encher o saco de quem ficou na Capital. NÃO É NOVIDADE, PORRA! São uns porras duns debilóides. Fazem o óbvio, repetem sistematicamente a cagada, e vêm com chorumelas, como quem foi pego desprevenido, uma vítima do acaso.
Dane-se: continuem acreditando em propagandas de carros [ aquelas em que surge uma estrada vazia e exclusiva pro sujeito ], façam a mesma coisa de novo, de novo e de novo. Se cansem para descansar.
Mas fiquem quietos, seus lixos!

dezembro 27, 2008

O dia seguinte ( 26 de dezembro )

( Por descuido, publiquei este post ainda incompleto. Hoje, 28/12 eu consertei. Não sei qual ficou pior. )
Saio de casa, às 13 hs ( + ou – ). Três casas adiante, vejo o verdadeiro significado do Natal, encostado no muro de uma casa: mal acabara a festa, já expulsaram para o destino-lixão uma árvore de Natal, ainda em bom estado, num saco preto de lixo. Dava a impressão de ter sido jogada fora com vaso e tudo. Trata-se, repito, de uma árvore. E, para muita gente, as árvores não têm muita utilidade, a não ser “enfeitar” as casas e só. As natalinas nem isso, já que você pode enfeitar a dita-cuja no dia 23, passa o 24, vem o 25 e, no 26, você já a descarta, pois já “perdeu” a serventia.
Caminho uns 500 m, e vejo um colchão deixado do lado de fora de uma casa. Pelo estado, não estaria ali para que algum necessitado pegasse. Ou seja: estava abandonado pelo antigo dono para que desaparecesse por um passe de mágica. É uma época de muita crença, muita espiritualidade. Se São Pedro mandasse uma chuva como as últimas, aquele colchão ia virar uma jangada, dirigindo-se ao Tamanduateí.
Antes de chegar a este trecho de rua, vejo que um cidadão de bem manobra e entra pela contra mão, segue uns metros, pára, faz umas outras manobras, e coloca o carro na direção correta. Cheguei a pensar que ele tivesse entrado por engano naquela rua, percebido o erro e tentado consertar. Não. Ele pôs o carro na direção que seria a , mas estacionou em frente à uma casa. Desceu e entrou nesta casa. Ou seja, entrou na contramão e, depois, manobrou para que ficasse mais fácil quando fosse sair de lá.
Entro no busão. Sento num banco e olho para o assento a meu lado: vazio, e alguém havia deixado um celular ali, perdido, dando sopa!! Perguntei a um cidadão no banco atrás do meu, se pertencia-lhe aquele aparelho. Diante da negativa, eu tinha duas opções: pegar para vender no mercado negro ( a mais popular ) ou fazer uma vontade pessoal ( tacar a porra do aparelho de Satã num bueiro ). Mas entreguei à cobradora do busão. Por ser um ônibus de cooperativa, acho que, em breve, esse celular vai estar em algum presídio, nas mãos de alguém do PCC.
Mas, por quê eu entreguei o telefone à cobradora e não ao bueiro? Simples. Observando diariamente o comportamento de quem possui esta bosta vejo que, para a grande maioria, trata-se da versão moderna do bezerro de ouro. Ou como se fosse um objeto milagroso, uma pedra filosofal. Uma lâmpada igual a de Aladim. Um falo-gigantêitor ( devo essa ao Casseta ). Ou a “pílula de energia do Vira-Lata”, capaz de garantir a seu possuidor poderes e qualidades especiais. O homem em sua plenitude.
Meu cão, o Tibúrcio, quando perde seu brinquedo, corre por toda a casa, completamente desesperado, ganindo, gemendo, o coitadinho. É como o Linus ( do Charlie Brown, seus apedeutas ), quando perde o cobertor de proteção. Ou eu mesmo, quando estou na rua e percebo que esqueci minha bombinha de asma em casa.
Sendo assim, se uma pessoa consegue perder o celular em algum lugar, é porque esta pessoa trata o aparelho como aquilo que este realmente é: um telefone. Não há nenhum, sei lá, “fetichismo”, relação umbilical, afetiva ou mística entre dono e objeto.
Então, merece ter de volta seu telefone. Vai ver, nem se deu conta de que perdeu-o.
Da minha parte, eu sei que essa pessoa é uma avis rara, e o 2009 será de muito celular para todos: na sala de aula, ouvindo música alto dentro do ônibus ou na sala de espera de hospital ( já presenciei ), e os ( maus ) modos permanecerão e prevalecerão.
Pois não é uma data comemorada de forma distorcida que vai mudar nossa vida, magicamente e sem esforço.

O dia seguinte ( 26 de dezembro )

( Por descuido, publiquei este post ainda incompleto. Hoje, 28/12 eu consertei. Não sei qual ficou pior. )
Saio de casa, às 13 hs ( + ou – ). Três casas adiante, vejo o verdadeiro significado do Natal, encostado no muro de uma casa: mal acabara a festa, já expulsaram para o destino-lixão uma árvore de Natal, ainda em bom estado, num saco preto de lixo. Dava a impressão de ter sido jogada fora com vaso e tudo. Trata-se, repito, de uma árvore. E, para muita gente, as árvores não têm muita utilidade, a não ser “enfeitar” as casas e só. As natalinas nem isso, já que você pode enfeitar a dita-cuja no dia 23, passa o 24, vem o 25 e, no 26, você já a descarta, pois já “perdeu” a serventia.
Caminho uns 500 m, e vejo um colchão deixado do lado de fora de uma casa. Pelo estado, não estaria ali para que algum necessitado pegasse. Ou seja: estava abandonado pelo antigo dono para que desaparecesse por um passe de mágica. É uma época de muita crença, muita espiritualidade. Se São Pedro mandasse uma chuva como as últimas, aquele colchão ia virar uma jangada, dirigindo-se ao Tamanduateí.
Antes de chegar a este trecho de rua, vejo que um cidadão de bem manobra e entra pela contra mão, segue uns metros, pára, faz umas outras manobras, e coloca o carro na direção correta. Cheguei a pensar que ele tivesse entrado por engano naquela rua, percebido o erro e tentado consertar. Não. Ele pôs o carro na direção que seria a , mas estacionou em frente à uma casa. Desceu e entrou nesta casa. Ou seja, entrou na contramão e, depois, manobrou para que ficasse mais fácil quando fosse sair de lá.
Entro no busão. Sento num banco e olho para o assento a meu lado: vazio, e alguém havia deixado um celular ali, perdido, dando sopa!! Perguntei a um cidadão no banco atrás do meu, se pertencia-lhe aquele aparelho. Diante da negativa, eu tinha duas opções: pegar para vender no mercado negro ( a mais popular ) ou fazer uma vontade pessoal ( tacar a porra do aparelho de Satã num bueiro ). Mas entreguei à cobradora do busão. Por ser um ônibus de cooperativa, acho que, em breve, esse celular vai estar em algum presídio, nas mãos de alguém do PCC.
Mas, por quê eu entreguei o telefone à cobradora e não ao bueiro? Simples. Observando diariamente o comportamento de quem possui esta bosta vejo que, para a grande maioria, trata-se da versão moderna do bezerro de ouro. Ou como se fosse um objeto milagroso, uma pedra filosofal. Uma lâmpada igual a de Aladim. Um falo-gigantêitor ( devo essa ao Casseta ). Ou a “pílula de energia do Vira-Lata”, capaz de garantir a seu possuidor poderes e qualidades especiais. O homem em sua plenitude.
Meu cão, o Tibúrcio, quando perde seu brinquedo, corre por toda a casa, completamente desesperado, ganindo, gemendo, o coitadinho. É como o Linus ( do Charlie Brown, seus apedeutas ), quando perde o cobertor de proteção. Ou eu mesmo, quando estou na rua e percebo que esqueci minha bombinha de asma em casa.
Sendo assim, se uma pessoa consegue perder o celular em algum lugar, é porque esta pessoa trata o aparelho como aquilo que este realmente é: um telefone. Não há nenhum, sei lá, “fetichismo”, relação umbilical, afetiva ou mística entre dono e objeto.
Então, merece ter de volta seu telefone. Vai ver, nem se deu conta de que perdeu-o.
Da minha parte, eu sei que essa pessoa é uma avis rara, e o 2009 será de muito celular para todos: na sala de aula, ouvindo música alto dentro do ônibus ou na sala de espera de hospital ( já presenciei ), e os ( maus ) modos permanecerão e prevalecerão.
Pois não é uma data comemorada de forma distorcida que vai mudar nossa vida, magicamente e sem esforço.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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