ENCALHE

agosto 13, 2008

A história da "Máfia dos Fiscais Reloaded" prossegue: vereador Paulo Fiorillo pede abertura de CPI

Máfia dos fiscais: Vereador da região pede abertura de CPI
Folha de Vila Prudente
Ed. 845 – 08 a 14.08.08
Na última terça-feira, dia 5, o vereador Paulo Fiorilo (PT) protocolou na Câmara Municipal proposta para a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia dos Fiscais na Subprefeitura Mooca. O esquema de extorsão contra ambulantes, implantado no Brás por funcionários da unidade municipal, foi revelado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil há um mês.
O documento de Fiorilo conta com 19 assinaturas favoráveis, entre elas, a de outro vereador da região, Adilson Amadeu (PTB), que vem dando declarações públicas nas quais afirma que o subprefeito Eduardo Odloak também tinha conhecimento do esquema.
A expectativa é levar a proposta da CPI para votação já na próxima semana, possivelmente na terça-feira, dia 12, e para ser aprovada, depende dos votos favoráveis de 28 dos 55 vereadores da Casa.
“A partir das investigações ainda em curso no Ministério Público e na Polícia Civil, pretendemos, com a CPI, fazer um debate profundo do problema na Câmara e criar uma legislação que contribua não apenas com a situação atual, mas, evite que este sistema volte a se repetir no futuro”, destacou Fiorilo.
“Já vivenciamos este problema há dez anos (na gestão de Celso Pitta). Queremos apurar como foi naquela época e de que forma aconteceu agora. Cabe a CPI dar um passo a mais nesta questão que envolve R$ 1 milhão em arrecadação ilegal por mês. A Câmara não pode se furtar de apurar”, definiu o vereador.
Fiorilo adiantou que, independente da CPI, na próxima quarta-feira, dia 13, o promotor de Justiça, José Carlos Blat, responsável pelas investigações, será ouvido pela Comissão de Finanças da Câmara.
O vereador Adilson Amadeu, vice-presidente da Câmara, destaca que alguns dos funcionários da Subprefeitura Mooca envolvidos no esquema tinham nomeação política. “Temos que levantar de onde vieram estas indicações. Eles estavam a serviço de quem?”, indaga.
Sobre as duras acusações que vem fazendo ao subprefeito, afirma que Odloak estava sempre acompanhado do ex-assessor político Marcelo Eivazian (atualmente preso por ser um dos cabeças do esquema) e do ex- chefe de gabinete Rogério Lopes (que apesar de não ter seu nome envolvido no escândalo até o momento, foi afastado do cargo pelo secretário Andrea Matararrazo).
“O Eduardo tem que saber o que acontece com seus funcionários. O Marcelo foi preso em um motel em pleno horário de expediente”, acusa. Além de Marcelo Eivazian, seu irmão, Felipe, que era chefe de fiscalização, também foi preso na época, juntamente com outros três funcionários da Subprefeitura Mooca.
Outro lado
Eduardo Odloak encara a proposta da CPI na Câmara e as acusações de Amadeu como questões políticas. “Neste momento eleitoral é natural criar situações para ganhar espaço na mídia”, definiu. “O PT teve todo o governo passado e este também para tentar criar instrumentos que diminuam a vulnerabilidade da fiscalização nas ruas”, rebateu. “Não faltaram oportunidades para discutir esta questão”.
Sobre o trabalho do Ministério Público e da Polícia Civil, Odloak afirmou que os órgãos estão fazendo uma investigação bastante aprofundada e garantiu que está procurando fornecer subsídios para auxiliar no processo. “Também criamos uma comissão interna que vem agindo de forma acelerada para detectar se não sobrou nenhuma ponta do esquema. Até a entrada dos dois coronéis (da Polícia Militar) na estrutura funcional da Subprefeitura é uma busca por mais rigor na atuação interna e externa”, argumentou. O subprefeito lembrou ainda que colocou sua vida em risco nos diversos embates que travou com ambulantes do Brás. “Basta ver como era e como está agora. Não estou afirmando que resolvemos o problema, mas, avançamos muito. Se tivéssemos outras intenções, não teríamos enfrentado da forma como enfrentamos”.

julho 30, 2008

Registros da Alstom revelam tabela de suborno a tucanos

Mesmo constrangidos somos obrigados a informar
Memorando da Alstom documenta partilha do suborno a PSDB de SP
Hora do Povo, 30.07.08
Esquemas no Partido, TCE e Secretaria Estadual de Energia levavam por fora 7,5% do valor do contrato
Em comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec – subsidiária da Alstom – na França, para um superior de nome M. Chamussy, em 23 de setembro de 1997, afirma que o suborno pago pela empresa para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo seria dividido entre “as finanças do partido no poder [PSDB]”, “o tribunal de contas [TCE]” e “a Secretaria de Energia [de São Paulo]”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (RM)”, relata.
Registros da Alstom revelam tabela de suborno a tucanos
De acordo com planilha do PSDB, era do atual secretário de Subprefeiturasde São Paulo, Andrea Matarazzo, a missão de recolher o dinheiro em 98
“As finanças do partido no poder [PSDB]”, “o tribunal de contas [TCE]” e “a Secretaria de Energia [de São Paulo]”. Segundo a correspondência de executivos da Alstom apreendida por autoridades da Suíça, estes órgãos não eram apenas os locais em que alguns tucanos batiam o ponto, mas também o endereço final do suborno pago pela multinacional francesa para obter alguns contratos do Estado.
Os detalhes da operação foram descritos num comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec – subsidiária da Alstom – na França, para um cidadão de nome M. Chamussy. Escrito em 23 de setembro de 1997, o documento se refere a um contrato de R$ 110 milhões a ser firmado com a Eletropaulo. Nele, Botto informa que o suborno foi acertado num “patamar de 7,5 (%)”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (RM)”. De acordo com as investigações, “RM” é Robson Marinho, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Depois de coordenar a campanha eleitoral de Covas em 1994, ele foi chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997.
Cabia a “RM”, neste caso, segundo a correspondência, distribuir a quantia entre o partido, o Tribunal de Contas do Estado e também à Secretaria de Estado de Energia.
O mesmo sistema de comunicação foi utilizado pelos executivos para tratar de outro contrato da Alstom com o governo tucano, desta vez com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE). Trata-se de um aditivo no contrato de cerca de R$ 100 milhões para o fornecimento de equipamentos às subestações Aclimação e Miguel Reale, no Cambuci. Como o primeiro comunicado, este também foi apreendido pelas autoridades suíças.
Embora não discrimine os órgãos, o recente memorando apresenta um novo percentual a ser cobrado, configurando uma espécie de tabela que diferenciava o preço do suborno para contratos e para aditivos.
No contrato da EPTE, os órgãos são substituídos pelas iniciais dos nomes dos envolvidos. O primeiro é um elemento denominado “Neves”. Ao lado deste nome, consta o percentual de “8,5%”, juntamente com a palavra “fait”, “feito” em português. Em seguida, surge a sigla Splendor (1% “fait”) e depois “C.M.”, com 7%, mas sem a rubrica de “feito”. A Splendor foi identificada pelas autoridades francesas como a empresa que intermediou o pagamento da propina. Seu serviço, 1% do valor do contrato.
Segundo suspeitam os promotores brasileiros que investigam o caso, “C.M.” seria Claudio Luiz Petrechen Mendes, um intermediário entre a empresa e o governo do Estado, que chegou a ter seu percentual questionado pelo executivo da Alstom. “Eu não posso dar “ok” para uma pessoa que eu não conheço e da qual eu jamais ouvi falar”, revela outro trecho do bilhete, possivelmente uma resposta escrita por Chamussy.
O total de suborno no aditamento ficaria em 16,5%. “CM” e “Splendor” foram facilmente identificados. “Neves” continua sendo o enigma. Para decifrá-lo, segundo os investigadores brasileiros, é preciso apurar até onde foi a participação do vereador Tião Farias (PSDB), que além de ter sido um dos assessores mais próximos de Mário Covas, foi secretário-adjunto de Robson Marinho na Casa Civil.
Não por acaso as correspondências dos executivos da Alstom são consideradas, tanto pelas autoridades suíças e francesas como pelas brasileiras, peças fundamentais para decifrar o modus operandi do esquema Alstom/PSDB. Além de revelado-res, os memorandos podem ajudar a identificar os mecanismos utilizados em outros casos. Afinal, não foram só dois contratos, mas dezenas.
Segundo a bancada do PT na Assembléia, a empresa firmou 139 contratos com o governo estadual, no período de 1989 a 2007, num total de R$ 7,6 bilhões. De 1993 a 2003, período em que as polícias da França e Suíça investigam, foram firmados 96 contratos que somam R$ 5,2 bilhões. Os contratos são com as empresas Metrô, CESP, Força e Luz, CPTM, CTEEP, Dersa, Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp. A maioria foi firmada na gestão do ex- governador Geraldo Alckmin. No entanto, o atual governador José Serra, não só manteve contratos com a Alstom, vigentes há 20 anos, como fez aditivos no valor de R$ 2 bilhões.
E os valores pagos em suborno variavam de acordo com a modalidade. Partia de 7,5%, podendo chegar a 30%, segundo revelou um ex-funcionário do setor de finanças da Alstom no Brasil em entrevista ao jornal “Estado de São Paulo”.
A forma como estes recursos, desviados dos cofres públicos, alimentavam “as finanças” do PSDB, ou as contas bancárias de pessoas ligadas ao esquema, é a segunda etapa da investigação. Uma pista surgiu na semana passada: a lista do caixa 2 da campanha de Fernando Henrique em 1998. Elaborada por Luiz Carlos Bresser Pereira, então tesoureiro de FHC, a lista diz que caberia ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a responsabilidade de colher a contribuição de duas empresas do grupo francês Alstom, a Cegelec e a ABB, para o caixa 2.

julho 15, 2008

A Nova Máfia dos Fiscais, Dantas, Alstom…

Então eu escuto um bocado de coisas, e algumas têm o poder de me deixar mais irritado que a ingestão de meio bule de café. Uma que merece aparecer aqui: a ação da PF que prendeu Dantas e os outros teria por finalidade ” desviar a nossa atenção da inflação galopante” ( sic!!! )!!
Simplicity: investiga-se durante quatro anos, e espera-se o momento em que a inflação mundial começe a subir, subir, o Meirelles a aumentar os juros e aí, é só dar o bote numa ação espetaculosa!!! Aí ninguém lembra mais da inflação…
Entretanto, este caso do Opportunity fez sumir das páginas – eu, pelo menos, não tenho visto – o escândalo internacional ALSTOM-PDSB.
Outra que escutei/ li: as ações da Polícia Federal são um “espetáculo” de fogos, com cenas de pessoas algemadas e constrangidas ( bem ao estilo “stalinista” ). Bem, só faltariam os efeitos de raio laser, um dirigível gigante, tipo show do Pink Floyd em Pompéia.
Simplicity: a PF deve destinar a maior parte de seu orçamento para seu setor de relações públicas. Mas o que eu não consigo saber é o porquê desta afirmação, pois o caso dos fiscais da Moóca, até onde eu percebo, têm tido um tratamento, a meu ver, desproporcional. E olha que – irônico – até apareceu foto na capa do jornal com um sujeito algemado. Solta ele, Gilmar!! O máximo que o cara pode fazer é se esconder em Itaquaquecetuba. Já o Dantas deve ter um jatinho com o motor esquentando, e um passaporte zerinho, zerinho.
Nem preciso relembrar o que fizeram com o casal Nardoni. Ops, acabei relembrando!
E este caso ( da Moóca, meu ) tem algo que não me convence. Só que, ao contrário destes leitores do Estadão, eu prefiro apenas acompanhar e fazer ( aqui ) meus apontamentos. Que são:
- falei da ALSTOM; o caso já chegou no Andrea Matarazzo e cai, de bandeja, a cabeça de um subprefeito cujo nome não pára de ser mencionado. Pesquisas me mostraram que este subprefeito foi designado para o cargo pelo ex-prefeito José Serra , no começo de 2006. Eu já ia achando ( mas não excluí a hipótese, ainda ) que trata-se de uma rinha interna entre tucanos e tucanos, demos e tucanos e demos e demos. Como já postei, o jornal de bairro da Vila Prudente, pertencente a um deputado ( ex? ) do PSDB publicou um editorial similar a um míssil tele-guiado, tendo por alvo, justamente, o subprefeito Odloak. Envolve o Shopping Capital, na Moóca. E parece haver conflitos de interesses não muito claros.
- a antiga Máfia dos Fiscais, do Pitta, extorquia, também, comerciantes estabelecidos; por enquanto, só se falou de ambulantes.
- Já postei aqui, anteriormente, minhas suspeitas de que havia umas máfias funcionando em subprefeituras; os jornais mostraram casos isolados, é verdade. Mas aí, eu começo a lembrar daquela operação da PF, que teria chegado ao Paulinho da Força. Envolveria um puteirão de luxo, não é? Bem, existia um puteirão desses, na subprefeitura da Vila Mariana, que foi lacrado, acho que há cerca de um ano. Fica ( sim, eu mantive o tempo presente ) na rua Coronel Diogo. Hoje em dia, não há mais vestígios de lacre nos portões, mas toca-se, ali, uma obra que praticamente duplica área construída na propriedade; parece que está seguindo o roteiro manjado, e concluíndo um anexo, talvez um flat. Resta saber se o projeto ( o habite-se ) foi aprovado e se funcionará alguma atividade comercial adequada ao zoneamento do local; sabe como é, a gente tem que ficar de olho, se fosse só um megaputeiro de luxo, tudo bem, eu não quero estragar a festa de ninguém…mas vai que tem político ladrão envolvido. Aí não pode, né?
- recentemente, se cogitou uma anistia ampla, geral e irrestrita, para os comércios irregulares. A proposta mereceu até um editorial negativo por parte do Estadão ( juro!! ).
- a greve dos professores da rede estadual; pouco se falou, até a hora em que não se pôde mais ignorar; aí jogaram para o noticiário do trânsito na capital; o SPTV da Globo, não falou das assembléias que ocorriam às sextas-feiras, em seu noticiário do sábado;
- Repetindo: com o surgimento dos casos “fiscais da Moóca” e Daniel Dantas, não se fala da ALSTOM!! CADÊ A ALSTOM?

junho 5, 2008

Caso Alstom: para José Serra, investigar propinas aos tucanos é “eleitoralismo”

Hora do Povo, 04 e 05.06.08
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou que a proposta da base aliada do governo Lula de criar uma CPI no Congresso para investigar as denúncias de irregularidades nos contratos da Alstom com o governo paulista não passa de ação eleitoreira. “Isso é eleitoralismo, é o kit PT”, disse na segunda-feira, durante evento no Palácio dos Bandeirantes.
Em viagem a Mococa, no interior paulista, sábado passado, o tucano descartou a hipótese do governo do Estado tomar qualquer providência para apurar o envolvimento de membros da sua equipe no caso. “Não há o que investigar”, disse, alegando que o Ministério Público Estadual e Federal, além do Metrô, já investigam as denúncias.
Segundo Serra, o governo estadual pode ajudar nas investigações se for solicitado. “Estamos à disposição das autoridades para os esclarecimentos que forem necessários”, disse. Indagado sobre o envolvimento do atual secretário de Transportes, Mauro Arce, que foi secretário de Energia durante a época em que os repasses foram feitos às empresas “offshores”, o governador respondeu: “Não há o que declarar. O nome dele sequer foi citado”.
Na semana passada, um requerimento do deputado federal Carlos Zarattini (PT/SP), integrante da Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara, convidando algumas autoridades para prestar esclarecimentos sobre o caso foi rejeitado por deputados da oposição. Na lista de convidados estavam o secretário de Transportes Metropolitanos do estado, José Luiz Portela; o presidente do Metrô, José Jorge Fagali; e o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.
Empresário preso pela PF reforça suspeitas de que multinacional regou contas tucanas
O deputado federal João Bacelar (PR/BA) afirmou, na segunda-feira, que está reunindo as assinaturas necessárias para instalar uma CPI na Câmara destinada a investigar os contratos firmados pela multinacional francesa Alstom no Brasil. Ele também encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedido de informações sobre contratos da empresa com o governo de São Paulo que estão sob investigação.
A empresa é acusada de corrupção para obter contratos no governo paulista. O Ministério Público da Suíça enviou documentos ao governo brasileiro indicando que empresas teriam sido utilizadas pela Alstom para repassar propinas para autoridades de São Paulo, durante a gestão dos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin. Um contrato realizado pela Eletropaulo, entre 1997 e 1998, está sob investigação.
As suspeitas de que a multinacional regou as contas dos tucanos foram reforçadas pelo empresário Luiz Geraldo Tourinho Costa, preso pela Polícia Federal, que afirmou ter usado uma conta bancária no Uruguai para a Alstom pagar propina a políticos por negócios feitos com a Petrobrás, em 2002, último ano da gestão Fernando Henrique.
Em depoimento à PF, Tourinho revelou que os depósitos, de US$ 550 mil (R$ 1,6 milhão naquele ano) e 220 mil (R$ 612 mil), tinham relação com o fornecimento de turbinas para a TermoRio, num contrato de US$ 550 milhões (cerca de R$ 1,61 bilhão ao câmbio da época). A Petrobrás detinha 43% da TermoRio em 2002.
Os deputados do PT na Assembléia Legislativa em São Paulo também estão investigando as denúncias e pretendem utilizar a CPI da Eletropaulo, já em andamento, para apurar o caso. A multinacional é acusada de pagar US$ 6,8 milhões em propina por um contrato de US$ 45 milhões no Metrô. A comissão já aprovou a convocação de David Zylberstajn, secretário de Energia do governo Covas.
“Vamos apresentar ainda o requerimento de convocação de Andrea Matarazzo e do Mauro Arce”, assinalou Roberto Felício, líder do partido na Assembléia.
Atual secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Matarazzo ocupou a secretaria de Energia de fevereiro a agosto de 1998, em meio ao processo de privatização da Eletropaulo. Foi sucedido por Arce, que está na secretaria de Transportes do governo Serra.

junho 3, 2008

Serra imita a PF para desviar o foco do escândalo PSDB-Alstom

OS Amigos do Presidente Lula, 03.06.08
Um tucaninho de bico longo, ligado ao grupo de Geraldo Alckmin, me ligou a pouco para me contar a novidade do dia. José Serra providenciou a operação denominada Carta Branca, da polícia civil de São Paulo. A imprensa, especialmente
a Folha, já saiu com a manchete “Delegado está entre os 18 presos suspeitos de emissão ilegal de CNH”…
Tudo muito bom, se não fosse as verdadeiras intenções do governador Paulista José Serra. Desviar o foco PSDB-Alstom que nos últimos dias vem sendo divulgado por blogueiros e mídia. Em outras palavras, Serra está tentando jogar uma cortina de fumaça sobre o escândalo que envolve o tucanato paulista.
O barraco tucano vai pegar fogo
A Eletropaulo, que parecia ter entrado no caso Alstom a reboque do Metrô, pode se revelar problema maior para o PSDB. Quem teve acesso a dados da investigação na Suíça afirma: trata-se de encrenca que, no Brasil, atinge acima de tudo o setor elétrico.
Balanço fiscal da Alstom de 15 de maio de 2001 aponta o interesse na Eletropaulo. O documento cita o contrato “Gisel 2″, com transformadores de R$ 100 milhões, como prioridade no orçamento da empresa, ao lado de subestações de gás em Singapura e Dubai e sistemas de geração de energia na Flórida. Dois tucanos chefiaram a pasta estadual de Energia na época: Mauro Arce, atual secretário de Transportes, e Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras.
Por: Helena™
Eu acrescento: se for este o plano, o escândalo de carteiras de motorista remete a um caso parecido, e muito mais concreto: o do Detran do Rio Grande do Sul, e que envolve, vejam só, uma governadora também do PSDB. Talvez a intenção seja essa: vincular os dois casos, às custas até mesmo de Yeda Crusius, mantendo o interesse da opinião pública e o foco sobre a governadora gaúcha. Mas é apenas ilação minha. ( Humberto )

abril 20, 2008

Só prá lembrar: ss eleições deste ano são para prefeito e vereadores. ( Post gigante. Se for ler, disponha de tempo )

Enquanto a mídia faz a festa com o caso Isabella, o suposto dossiê apócrifo e o vazamento de informações da ANP ( não mencionaria o aumento dos juros, por Henrique Silvério, OPS!, Meirelles que, por esta atitude, tantos elogios rasgados recebeu da vEJA, sempre preocupada com o povão e jamais com os financistas ), temos que seguir pensando em temas mais próximos a nós. Este ano temos as eleições para prefeitos e vereadores, apesar da sucessão de Lula, que ocorrerá somente daqui a dois anos, ocupar atual e prematuramente o espaço.
Aqui em São Paulo, as aparências dizem que os tucanos e demos estariam se estranhando. Parece que, no covil tucano, existem duas tendências: uma que prefere o apoio à reeleição de Gilberto Kassab e outra que deseja lançar o nome de Geraldinho Alckmin.
Eu só acreditaria em ruptura na velha simbiose entre os dois partidos se, repentinamente, o DEMo passasse a apoiar a instalação de CPIs aqui no Estado de São Paulo. Como se sabe, o PSDB ocupa a cadeira do Palácio dos Bandeirantes há mais tempo que Chávez manda na Venezuela. No caso paulista, dão o nome de “continuidade democrática”; no venezuelano, chamam de “ditadura”. Só para informação, os pedidos de CPIs, parados na Assembléia Legislativa pela holding PSDB/DEMos, já passam de 6 dezenas, cerca de 7.
A cidade de São Paulo é dividida, administrativamente ( eu falo como se realmente entendesse disso ), em Subprefeituras. Eu resido num bairro localizado na SUB Vila Prudente/ Sapopemba.
Mas, exceto pelas ilhas de riqueza e feudos classe A, creio que as preocupações dos habitantes de todas as SUBPrefeituras sejam semelhantes ( partindo do princípio que as pessoas tenham alguma preocupação, e que esta não seja apenas sobre si mesmas ). Ou seja: ônibus, posto de saúde, escola.
O porquê delas desejarem estas coisas é simples: elas herdaram estas demandas. Vejam o exemplo do trágico Apagão Educacional Continuado naturalmente e estruturalmente tucano.
Os pais não ligam para a instrução dos filhos. Demoram 5 anos para descobrir – pelos outros – que seus filhos não sabem ler e escrever. Mesmo após esta descoberta, segue-se a vida.
Um dia, abrem o jornal, e vêem que a inguinorânça individual de seus filhos faz parte de algo muito mais amplo. E o que fazem? Vão à escola, tomar providências. E o que farão lá? Ameaçarão os professores, ora. Se o mensageiro traz más notícias, a culpa é do mensageiro. Se o filho tira nota baixa, a culpa é de quem deu nota baixa.
Entendam uma coisa. Nota baixa não é problema, e já há muito tempo, pois o aluno passava de ano mesmo assim.
Só que as coisas são dinâmicas, dizem. O ontem ( 24 horas atrás ) já é obsoleto. É o que se diz.
Passa-se uma motoniveladora, um rolo compressor, e o passado é passado, prá que falar nisso, pombas? Vamos falar do presente, ora.
E o que temos no presente? O governo/ partido que, num passado muito, muito distante, instalou um método pedagógico em que 45 inguinorantes por sala paçavam de ano e as estatísticas “favoráveis” bombavam. A prova do sucesso, não é? Tanto é que a fórmula tem sido repetida ( trocadilho sem intenção ) nos últimos 12 anos. Pais/ eleitores aprovaram e votaram, mantiveram o projeto funcionando. Satisfação garantida. Mas o tempo passa…
Voltando ao presente. O que se tem é um governo testado/ aprovado/ mantido pela população-eleitora que, diante de estatísticas horrendas sobre a Educação do estado que administra, faz o mesmo que os pais acima mencionados fazem: ameaça os professores.
Não que já não fizesse isso. Mas suas diatribes contra os docentes encontram espaço garantido nas páginas dos mesmos jornais e revistas que davam o mesmo amplo espaço para falarem das “maravilhas” que ocorreriam na gestão educacional do estado. E que, como se sabe, jamais foram maravilhosas.
Para os pais, isso é como uma bela e conveniente música para os ouvidos. O governo ( ELE ), já achou o culpado: os professores ( ELES ). O problema está na terceira pessoa, são os outros.
Aparentemente eu me perdi. Quase. Falava sobre herdar as demandas. A questão, um nó, na verdade, é: para quê os pais desejam escolas?
Eu li, em algum lugar que – caso seja verdade – uma das coisas que contribuiu para a alfabetização do povo e disseminação da leitura na Europa, teria sido a Reforma Protestante. Se entendi bem, a produção massiva de Bíblias andou de mãos dadas com o próprio desenvolvimento do processo de impressão. De posse da Palavra de Deus, bastaria aprender a ler para saber o que Deus dizia. Se não me engano, os próprios religiosos se encarregaram de fazer com que o povo aprendesse a decifrar as primeiras letras.
Ficou meio tosco, mas acho que foi mais ou menos isso.
O medo de ir para o Inferno fez os camponeses aprenderem a ler.
Séculos depois disso, quem quiser aprender a ler nem mesmo precisa acreditar em Deus.
Mas não é só leitura. Nas escolas atuais, temos cálculos, História, Biologia, Física. Convencionou-se que o saber deveria ser passado à população. O conhecimento, outrora restrito a sacerdotes e nobres, seria compartilhado e difundido. Fantasmagorias, crenças e superstições perderiam muito de seu efeito.
Mesmo ignorando as razões, o homem de hoje nasce e tem a escola já pronta e esperando por sua futura presença. E quem providencia, geralmente, é o Estado. O Estado ficou a cargo de garantir a instrução da população.
Pula-se milhares de considerações, e chegamos à eleição de 2008. O Estado ( o Executivo e Legislativo municipais, no caso ) terá novos representantes do povo.
Que estará plenamente informado e apto a selecionar aqueles que melhor podem administrar a cidade. Uma das melhores fontes, já que estamos falando de questões locais, são os jornais de bairro. Há dezenas em São Paulo.
Tem dois aqui em VP, acho que os principais: Folha de Vila Prudente e O Paulistano. Este último, de propriedade do deputado Wagner Salustiano, do PSDB. Estes dois jornais cobrem os acontecimentos da região.
Um dos acontecimentos principais, é a vinda do Metrô para cá. Apesar de local, é um tema de interesse maior. Pois aquele craterão da linha 4, mesmo tendo assumido uma importância nacional, para os moradores de Pinheiros é, talvez antes de tudo, um assunto de sua localidade.
Portanto, devemos prestar atenção ao que ocorre em nosso bairro. Num post anterior, eu falei sobre a “opinião pública” ( eu, você, seu vizinho ). Como ela é convencida a votar em alguém. O que fazer para influenciá-la. Ainda estou sem saber.
Mas os jornais do bairro supra citados fazem seu trabalho, e tentam informar os moradores. E convencê-los. Às vezes, e acho que poucos percebem, estes jornais trocam farpas. Sutis.
Um colunista da Folha VP já disse que o jornal não é vinculado à seitas ou religiões. Uma alusão ao fato de o dono do concorrente ser evangélico. O que se insinua, não é que o Paulistano teria alguma outra missão, que não jornalística ( mas de proselitismo religioso ). As entrelinhas estariam dizendo que, sendo vinculado a igrejas “suspeitas” ou “polêmicas”, o jornal seria direta ou indiretamente mantido com a grana dos fiéis. Lembro eu que, uma extinta revista – então de propriedade do mesmo dono do Paulistano – foi acusada de receber verbas publicitárias de forma suspeitadamente generosa do governo estadual, administrado pelo partido ao qual o dono do jornal é filiado. Acho que nem se falou mais nisso.
E apareceu o Paulistano. Vinculado, de alguma forma, a igrejas evangélicas ou ao PSDB, fato é que nesta semana eles estão descendo o ‘reio na administração Kassab. À semelhança do que fazemos com seus pares maiores e mais poderosos, devemos ler com a pulga atrás da orelha. Pois não dá para saber a razão de certas notícias. Já que “não dizer”, também é uma forma de “dizer” algo.
Destaquei uns trechos do Editorial ( “Ninguém se entende”, ed. 129 ) publicado na edição desta semana. Para quem não sabe, há um problema envolvendo um Shopping Center ( o primeiro a surgir ) da região e o Metrô. Disputam uma área que serve de estacionamento. O Metrô quer a posse para instalar uma canteiro de obras no local. Segundo consta, houve uma mudança no traçado já que, originalmente, se previa que a linha passaria 500 metros distante do Shopping. Por isso, essa área passou a ser usada pelo Shopping. Eu não gosto de shoppings, mas me parece que o Central Plaza tem a razão:
” (…) Mas o que mais nos deixa perplexos é a falta de um planejamento sustentado entre os órgãos envolvidos para a chegada do metrô. Perguntamos: para que seja realizada uma obra, seja ela pequena ou vultuosa como esta do Metrô, a Prefeitura não deve estar ciente com bastante antecedência? Pois bem, o projeto do Metrô existe há muito mais tempo do que a autorização dada ao Central Plaza Shopping para que este se instalasse naquele lugar. Perguntamos novamente: por que a Prefeitura permitiu a construção do shopping naquele local se já era previsível a passagem do metrô por aquela localidade? Isso se chama falta de organização, falta de um planejamento sustentado entre os poderes. E quem paga, mais uma vez, é a população que sofre com este tipo de descaso. Deveríamos encontrar o responsável que autorizou a construção do shopping naquela oportunidade, sabendo que por ali passaria o Metrô e demiti-lo, a bem do serviço público. ( …)”;
Ignore-se a demagogia de “quem se ferra é o povo”, e tentemos achar algum dado que nos informe quando, em qual administração municipal, foi permitida a ocupação, do espaço em questão pelo Central Plaza. Não existe. O resto do texto induz um desavisado a pensar que foi agora, com Kassab ( mas não durante o Serra, estranho ). Pode até ser, mas podia estar mais evidente. Mesmo porquê deixou bem claro que não sabe quem foi o responsável – que pode até estar aposentado ou mesmo morto – e lançou mão de uma frase vaga. Mas nem tanto, como veremos mais adiante:
” (…) Outro exemplo de falta de planejamento acontece recentemente em nossa região é a Prefeitura asfaltar uma rua, colocar lombadas e a CET não sinalizar, colocando em uso uma obra incompleta que, consequentemente, traz riscos de acidentes graves. Aliás, falando em CET, a mesma já virou freguesa de carteirinha do nosso jornal, de tantas reclamações que nos chegam a respeito dessa companhia (…)”;
Quem lê este blog sabe que eu considero os “amarelinhos” como irmãos heróicos dos bombeiros. Outro dia estava ouvindo a Rádio “Rock” e o apresentador, tão demagógico quanto possível, veio falar sobre a “Indústria da Multa”, esta lenda urbana sem existência comprovada. Só saiu merda, como sempre ( Mas é assunto para outro dia, quando relatarei a contrangedora entrevista do Mutante Sérgio Dias ao mesmo apresentador. Já dizia Zappa: crianças, não tomem drogas, pois poderão ficar iguais a seus pais ). Voltando ao jornal, acho que é questão de escolha já que, no rival, a sessão de cartas costuma estar completamente tomada por queixas de leitores contra a empresa de ônibus Via Sul.
” (..) Outro grande absurdo noticiado nas páginas do PAULISTANO, é a corrupção existente dentro da Subprefeitura Mooca, conjuminando com a prisão de dois agentes [ Grifo do blog ] fiscais que lá trabalhavam. Segundo o Ministério Público, as investigações prosseguem, porque ainda há muito o que explicar, não parando na prisão somente desses dois fiscais. E mais, segundo fontes, outras Subprefeituras também estão contaminadas e estão sendo alvo de investigações sigilosas. Onde vamos parar? Será que o prefeito Gilberto Kassab espera se reeleger sendo conivente, ou, no mínimo, omisso, com estas situações? Num caso como este, não se pensa duas vezes, é limpeza total, para a apuração dos fatos (…)”;
OPA!!! Essa é grave! Então quer dizer que a SUB/ Moóca é um vasto ninho de corrupção? O quêê? As outras também estão sob suspeita e investigação? É um quadro de infecção generalizada? Muita calma…
Em primeiro lugar, eu até que gostaria de saber, de nossos poucos leitores, se o imprensalão noticiou algo parecido. Até agora eu não vi nada. Coincidentemente, nesta semana o notório José “Corinthiano vota em corinthiano” Izar voltou a ocupar algumas linhas nos jornais, tendo sido condenado a 8 anos de prisão por seu envolvimento com a notória “Máfia dos Fiscais”, revelada na administração Pitta. Justamente, fiscais das antigas Regionais achacavam comerciantes, camelôs, etc, para não cumprir a lei regulamentadora das atividades. Uma gravação, feita a partir de denúncias de uma dona de academia fez desmoronar, a partir da Regional Pinheiros, o esquema. Como se vê, um assunto teoricamente local, e que atingiu repercussão nacional. Voltando à SUB/ Moóca, acho que eu meio que já falei um pouco disso, aqui no blog. A história do “Mensalinho da Bresser”, revelada pelo JT, e sumida do noticiário, por exemplo. Tem também a questão dos bingos, bancando festas beneficentes em subprefeituras.
Só que me ocorreu uma coisa: por quê o nome de Andréa Matarazzo, que até há poucos minutos, tinha importante e influente cargo na administração tão criticada pelo jornal ( mais precisamente o de Secretário de Coordenação das Subprefeituras da Prefeitura de São Paulo ) não surgiu? Será que os fiscais esperaram ele sair para começar a achacar? E, pior, tão rápido quanto esses caras passaram a roubar, foi a prisão deles. Sobrou, então, farpas para Kassab. Como eu quis dizer acima, “o funcionário” que autorizou a implantação do estacionamento no Shopping, em administração municipal ignorada, aparece no mesmo editorial em que “funcionários corruptos de Subprefeitura da administração Kassab” são denunciados e onde, também, o prefeito é chamado de “conivente” ou, eufemisticamente, “omisso”.
Mas eu quero é mostrar isso aqui, retirado do mesmo jornal: um direito de resposta que o concorrente Folha de Vila Prudente conseguiu fazer publicar no Espaço do Leitor, do Paulistano ( só no jornal, já que no site não saiu nada ).
DIREITO DE RESPOSTA ( MATÉRIA NA PÁG. 3 – EDIÇÃO 126 )
Folha de Vila Prudente
O jornal Paulistano omitiu fatos em nota publicada em 28 de março sobre a cobertura da lacração do Shopping Capital. Não é verdade que a jornalista Kátia Leite da Folha de Vila Prudente entrevistou Wagner Salustiano sobre o empreendimento. A jornalista somente se dirigiu ao mesmo depois que ele provocou tumultos na suposta tentativa de defender o shopping. A jornalista indagou Salustiano sobre uma eventual ligação deste com o empreendimento e tendo este senhor respondido que acompanhava o Paulistano, a Folha se limitou a presenciar a seqüência dos fatos entre Salustiano e uma ex-lojista que lavrou boletim de ocorrência no 57º. DP. Desmentindo a nota, a Folha não tirou fotos de Salustiano [ Nota do Blog: "Não pode?" ] e sim da confusão armada, ao contrário do mesmo que ao final solicitou foto ao lado da jornalista. A Folha acompanha o caso do shipping diretamente com as partes responsáveis e em nenhum momento se valeu da opinião de terceiros para desempenhar seu trabalho notadamente reconhecido graças aos 16 anos de serviço em prol da região.
DIREITO DE RESPOSTA ( NOTA NA PÁGINA 4 – EDIÇÃO 126 )
FOLHA
Conforme destacado na pág.3, o jornal Paulistano omitiu fatos em publicação de 28 de março. A Folha de Vila Prudente acompanha o caso do Shopping Capital através das partes diretamente responsáveis. Em nenhum momento se valeu da opinião de terceiros, como Wagner Salustiano, para desempenhar seu trabalho notadamente reconhecido por conta dos 16 anos de serviço em prol da região.
A Folha de Vila Prudente diz que sua tiragem comprovada é de 50.000 exemplares. Deverá chegar a 55.ooo na edição de 9 de maio.
O concorrente Paulistano exibe a mesma marca da Folha: 50.000 exemplares. São números nada desprezíveis, considerando que nove ou dez milhares de votos podem ser suficientes para eleger um vereador paulistano.
Este post ficou enorme. Outra hora eu retomo o assunto.

março 20, 2008

Os segredos da privatização, trazidos a público por Aloysio Biondi ainda em 1998. Profecias cumpridas, aliás…

O consumidor e os segredos da privatização e outros
03/12/98
ALOYSIO BIONDI
Para conquistar o apoio da opinião pública, o governo FHC acenou com hipotéticas vantagens da privatização: concorrência em substituição ao monopólio estatal e, como conseqüência, preços mais baixos, serviços de qualidade _e fim das “filas” de espera, no caso dos telefones. Por trás desse discurso virtuoso, sempre houve “segredos” ou diretrizes pouco divulgadas para o funcionamento das recém-privatizadas, incluindo-se aí um verdadeiro “cartel”, oficializado pelo governo, para as empresas de energia elétrica. Vale a pena então, neste momento em que o país tem a chance de passar a política de privatização a limpo, dissecar melhor alguns desses pontos, a partir de fatos.
1. Serviço público?
Há coisa de um mês, a associação nacional das empresas imobiliárias especializadas em loteamentos (urbanizados, tipo “jardins”, “alphavilles”) apresentou queixa contra a Companhia Paulista de Força e Luz, privatizada, à Secretaria de Defesa Econômica. Motivo: a CPFL não aceita projetos de redes elétricas de terceiros, escritórios especializados. Quer ela própria fazer os projetos. Os escritórios cobravam R$ 18 mil; a CPFL, R$ 210 mil.
Essa não é a principal acusação contra a CPFL, porém: segundo a entidade queixosa, a empresa somente se dispõe a instalar a rede depois de existir, no loteamento, um certo número de casas já construídas e ocupadas, para assegurar um consumo que garanta rentabilidade. Uma exigência que esbarra na realidade, em que a venda de lotes depende da existência de serviços essenciais. Tudo em nome de maiores lucros, já que a rentabilidade de qualquer empresa é assegurada pela “média” de preços e custos.
2. Serviço público?
A Prefeitura de São Paulo praticamente não instalou rede de iluminação pública na periferia este ano, aplicando menos de 5% da verba prevista. Segundo um secretário da municipalidade, a razão é simples: a Eletropaulo Metropolitana, privatizada, não tem interesse em estender a rede a regiões de população pobre, porque o consumo é baixo e, assim, de baixa lucratividade.( Meses atrás, o então secretário de Energia do governo Covas, Andrea Matarazzo, dizia que, com a “privatização” do setor, era preciso “mudar a cabeça”, entender que o serviço passaria a ser regido por regras empresariais e, portanto, não se poderia esperar que as empresas instalassem redes para servir a populações de baixa renda e baixo consumo, como -atenção – produtores rurais ou moradores de favelas e periferia ).
3. Cartel oficial
Senadores, deputados federais e estaduais aprovaram as leis que norteiam as privatizações. Talvez não tenham se apercebido de um detalhe: o Ministério da Energia, a Eletrobrás, isto é, o governo deixou de traçar a política energética do país, inclusive onde construir usinas, regiões e projetos prioritários etc. Quem passou a mandar? Uma entidade integrada pelas empresas privadas do setor, na qual, pasme-se, o governo tem um único representante… E pasme-se mais ainda: sem direito a voto.
4. Cartel oficial
Essa entidade tem poderes, inclusive, para impedir reduções de preços consideradas “prejudiciais” pelas concorrentes – ou, mesmo, impedir “invasões” de mercado. Há três ou quatro semanas, a entidade se reuniu para discutir a política energética. Segundo entrevistas após a reunião, ela foi um caos, sem que se chegasse a decisão alguma, já que cada empresa tentava defender seus interesses, e não havia uma autoridade maior (o governo) para decidir… E a Aneel, a tal agência do setor, apontada como um órgão para defender o consumidor? Pela lei, ela só cuida de fiscalizar tarifas e prestação de serviços ( neste caso, muito mal, como visto nos episódios acima ).
5. E os telefones?
Na campanha publicitária de apoio à privatização do sistema Telebrás, bateu-se na tecla de que uma agência do governo, a Anatel, fiscalizaria preços, cumprimento de metas de instalação de linhas, qualidade dos serviços. Não se disse, ou se escondeu ao máximo, que o desrespeito somente será punido a partir do ano 2000, isto é, durante todo o segundo semestre de 1998 e 1999 inteiro, as empresas “privatizadas” tratarão o consumidor como bem entenderem. No caso de São Paulo, a espanhola Telefonica, compradora da Telesp, anunciou candidamente que não vai entregar cerca de 400 mil linhas compradas e pagas há 24 meses e que já estouraram o prazo de instalação. A quem os assinantes caloteados vão recorrer? Ao Procon? Ao Idec – Instituto de Defesa do Consumidor, entidade privada respeitadíssima?

março 12, 2008

Do you believe rock’n'roll radio?*

*Trocadilho com ” Do you remember rock’n'roll radio? “, dos Ramones.
“(…) Para o Ministério e a Anatel, tudo não passa, simplesmente, de um fato técnico-administrativo. Mas, caso alguma entidade do município de São Paulo queira pleitear uma outorga em algum destes canais ocupados por rádios licenciadas para outra cidade, irá ouvir um “não é possível, o canal já está ocupado”.
Há casos, porém, em que a ocupação dos canais paulistanos por entidades outorgadas para o interior foi questionada. É o caso da concessão dada à empresa Kiss Telecomunicações Ltda..
A outorga está relacionada ao município de Arujá, distante mais de 50 km de São Paulo. A Anatel questionou a transmissão do sinal da rádio para a capital (o estúdio da emissora fica, inclusive, na Avenida Paulista). A Justiça ainda não julgou o mérito da questão, mas concedeu liminar à Kiss para seguir operando.
É importante ressaltar que o levantamento dos dados específicos dos processos referentes a cada uma das 22 emissoras “interioranas” ainda não foi feito. Por esta razão, não é possível sequer afirmar que todas elas têm, de fato,autorização para operar nas condições em que funcionam hoje. Para tal, seria necessário levantar todas os atos e portarias relacionados a cada entidade outorgada (…).”
Mais da metade das rádios não têm outorga da capital“, Portal Rádio Livre, 10/10/07
“(…) Em São Paulo, embora formalmente essa exigência seja cumprida, na prática o princípio é flagrantemente desrespeitado. Dois grandes grupos orgulham-se de ter cinco emissoras em FM transmitindo para a capital, chegando a vender publicidade casada para as diversas emissoras. O Grupo Bandeirantes controla a Band FM, a Bandeirantes (que retransmite a programação da AM), a BandNews, a Nativa e a Sul América Trânsito. Já o grupo CBS (Comunicação BrasilSat), dos irmãos Paulo e José Masci de Abreu, controla a Kiss, a Mundial, a Tupi, a Scalla e a rádio Terra. Embora não constem no site do grupo, a Apollo e a pentecostal Deus é Amor também tem Paulo Masci de Abreu entre os sócios e como dirigente.
Além das cinco rádios declaradas e das duas em que constam como cotistas, os Abreu também controlam, na prática, a Rádio Atual. Nos sistemas da Anatel, estranhamente, não aparecem os nomes dos sócios da emissora que detém a permissão para São Paulo, a Rádio Difusora Atual Ltda. No entanto, há uma outra emissora registrada no sistema da Anatel, a Sistema Atual de Radiodifusão Ltda., sediada no mesmo endereço, mas que não tem outorgas em seu nome. Essa empresa tem como sócios José Masci de Abreu e Maria Cristina Hellmeister de Abreu (…)”.
De forma ilegal, grupos controlam até cinco emissoras”, Portal Rádio Livre, 10/10/07
“(…) Dono da Rádio Atual AM (1.370Khz), o deputado federal José de Abreu (PSDB-SP) mantém no Estado de São Paulo três emissoras irregulares que não têm concessão do governo federal que as autorize a funcionar. Em sociedade com o irmão Paulo Masci de Abreu, o deputado mantém as rádios 94,1 (94,1Mhz) e Apolo AM (1.230Mhz), em São Paulo, e a Difusora de Iguape (750Khz), em Registro, a 185km a sudoeste da capital. Todas são consideradas clandestinas ou piratas pelo ministério das Comunicações (…)”.
A história da pendência judicial da 94 FM“, Rádio Base, 21/03/04
“(…) O vereador paulistano Arselino Tatto (PT) entrará com representação na Promotoria de Justiça e Cidadania contra o secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo.
Matéria publicada no dia 22 de janeiro no jornal Diário de S. Paulo denunciou a participação cativa de Andréa Matarazzo em programas das rádios Capital e Tupi. Coincidentemente, as duas emissoras foram as mais beneficiadas com verba publicitária da Prefeitura de São Paulo no ano de 2006.
O secretário das Subprefeituras, homem forte do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e do governador José Serra (PSDB), é postulante ao cargo de vice-prefeito no pleito de 2008 e sua participação assídua nos programas das rádios pode representar propaganda eleitoral antecipada.
A representação encaminhada por Arselino Tatto pede que sejam apurados eventuais crimes administrativos e eleitorais e que os envolvidos sejam responsabilizados, civil e criminalmente.
O documento sugere ainda suspender eventual participação de Matarazzo em programas das emissoras até que os fatos sejam investigados. Tatto também entrará com requerimento de pedido de informações na Câmara Municipal sobre os gastos com publicidade da Prefeitura no ano de 2007 (…)”.
Petista aciona MP contra secretário de Kassab“, Portal PT, 31/01/08
(…) O vereador paulistano Arselino Tatto (PT) promete dar muita dor de cabeça ao secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Angelo Andréa Matarazzo. Tatto entrará com representação na Promotoria de Justiça e Cidadania contra Matarazzo, para que seja apurada a suposta participação cativa do secretário em programas das rádios Capital e Tupi(…)” ;
“(…) Por ser postulante ao cargo de vice-prefeito no pleito de 2008, a participação de Matarazzo nos programas das rádios poderia representar propaganda eleitoral antecipada. As más línguas questionam a coincidência das duas emissoras terem sido as mais beneficiadas com verba publicitária da Prefeitura de São Paulo no ano de 2006 (…)”.
Representação” e “Coincidência”, Tribuna da Imprensa online, 05/02/08
“(…) A Rádio Capital, emissora que transmite aos sábados programa sobre os problemas da cidade com a participação fixa do secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, não tem licença do governo para exercer sua atividade. Além disso, atualmente está fazendo obra sem autorização da Prefeitura, como confirmou ontem o subprefeito da Vila Mariana, Fábio Augusto Lepique.
Já famoso pelo rigor em emparedar bares, casas noturnas e estabelecimentos comerciais que atuam à margem da lei de uso e ocupação do solo, Matarazzo tem um quadro em que escuta e comenta reclamações dos ouvintes no espaço do apresentador Paulo Barboza, que vai ao ar das 9 horas ao meio-dia dos sábados.
Anteontem, os proprietários do prédio onde ficam os estúdios da Rádio Capital foram multados em R$ 865,60 e intimados a se regularizarem e a apresentarem a papelada em 15 dias. Ontem, fiscais da Subprefeitura voltaram ao edifício, na Praça Rodrigues de Abreu, 228, Paraíso, para confirmar se a solicitada paralisação da construção para troca da antena no telhado também tinha sido seguida.
Como realmente nada estava em andamento, não houve o embargo por parte das autoridades. Mas a Rádio Capital deverá, se quiser continuar a empreitada, requerer a autorização oficial da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). ‘Como eles se comprometeram a colaborar, vamos agora apenas acompanhar e cobrar’, disse Lepique.
Os diretores da empresa não foram encontrados. Já Matarazzo apoiou a medida do subprefeito e assumiu que tem participação no programa aos sábados: ‘Não vou quando não posso.’ O secretário, porém, disse ser ‘impossível’ entrar só em prédios regulares. ‘Não dá para eu saber se todo restaurante que vou tem alvará. Se bem que, em alguns, a gente sai e já pede uma fiscalização’, argumentou (…) “.

“Rádio em que Matarazzo colabora está irregular“,
OESP , 17/01/08
“(…) Floriano Pesaro, da Assistência e Desenvolvimento Social, sairá da prefeitura. Ele não informou detalhes sobre a candidatura e a saída da secretaria (…) O secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, vai sair do secretariado municipal para se candidatar a uma vaga de vereador nas próximas eleições. A mudança foi divulgada na manhã desta sexta-feira (08), pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), logo após reunião realizada com os secretários para determinar a agenda de 2008.
Pesaro confirmou a saída, mas não deu maiores informações sobre sua candidatura ou até quando ele ainda ocupa o cargo de secretário (…)”.

Secretário deixa cargo para tentar vaga de vereador“,
G1, 08/02/08
“(…)O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), responsabilizou o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro (PSDB), pela contratação da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), a R$ 1,1 milhão, ainda que a entidade seja considerada “inidônea pela administração”.
Embora Pesaro admita ter cometido um erro, ele lembra que o contrato teve parecer favorável da Procuradoria do município.
Tanto em nota oficial como em entrevista, Kassab disse que Pesaro errou. “Acho que o secretário errou, tanto que eu de público afirmei isso numa nota. Acho que não é uma decisão correta contratar sem licitação uma fundação que é suspeita por nossa administração”, disse.
Em 2005, a corregedoria da prefeitura apontou irregularidades num contrato superior a R$ 12 milhões firmado com a Finatec pelo governo da antecessora, a hoje ministra Marta Suplicy (PT).
Em novembro de 2007, a secretaria assinou um contrato com a Finatec para consolidação dos dados sobre convênios, a cargo do Observatório de Políticas Sociais -o serviço foi feito por dois meses. Segundo Pesaro, a Finatec foi recomendada pelo chefe do departamento, Marcelo Kawatoko.Até janeiro, a prefeitura tinha empenhado (“carimbado”) R$ 1.105 milhão para a Finatec. Mas, como o dinheiro não tinha sido liberado, foi bloqueado.”O prefeito está correto. O contrato passado estava no currículo da Finatec e não percebi que se tratava da mesma fundação. Mas nada foi pago”, afirmou.
Apesar da retenção dos recursos, o contrato do atual governo com a Finatec foi usado pelo vereador petista Antônio Donato, secretário de Subprefeituras do governo Marta, como prova de que a fundação não tem vínculo com o PT. Informado do contrato pela imprensa, Kassab determinou que seja submetido à corregedoria.”
Kassab culpa secretário por contratação“, Folha de S. Paulo, 25/02/08
E eis que na segunda-feira ( 10 ) eu estava ouvindo rádio, pulando de estação para estação. Funciona assim: Alpha FM, pula, Scalla, pula, Kiss FM. Opa! Dá para escutar…
Acaba a música, começa outra que eu não gosto e o ciclo recomeça: Alpha, Scalla, Antenna 1, OBA!
Acaba a música, retoma o “zapping”, até encontrar algo que eu goste ou não me chateie.
E, às 18 hs, sintonizara a Kiss FM. Para quem não a conhece, é uma emissora que toca, segundo sua própria definição, “Classic Rock”. Aqueles medalhões que, convencionou-se afirmar, seriam o tal “classic rock”: Pink Floyd, Led Zeppelin, Deep Purple, cock-rock, hard-rock, a turma dos anos 70. E de vez em quando Beatles, Rolling Stones, bandas brasileiras, 80′s, Pop, New Wave, etc. Mas o forte é mesmo o som setentista. Acho que, pela questão não apenas de audiência ( sem querer supervalorizar o gosto conservador dos ouvintes da rádio ), mas de direitos autorais, repete-se muito. Demais. Acho que eles pegam coletâneas, botam no carrossel, e programam prá tocá-las. Engraçado que, apesar de se dizer “Classic” ( que significaria, então, “à favor da corrente” ), agride-se naturalmente a própria afirmação. Pego um exemplo: eles tocam Alice Cooper; um apreciador mediano, sem muita informação, saberia que, o hit explosivo de Alice Cooper foi “Eighteen”, que poderia ser considerado um “clássico”. Eu jamais ouvi esta música na rádio, mas “I never cry”, um hit menor, toca direto. Tá certo, às vezes tocam “Billion Dollar Babies”. É pouco. Apesar da banda ter sido tão grande como outros cabeludos que freqüentam o hit parade da rádio, ela não é tão solicitada pelo público “clássico”.
E eis que, às 18 hs, começa o programa “Alternativa Kiss”, onde se ouve música e alguma notícia ( geralmente curiosidades inofensivas, tipo “na Inglaterra, mecânico encontra dentadura dentro de porta-luvas do carro de Ozzy”, e coisas assim ), algumas até “merecendo” comentários pertinentes do locutor. Pertinentíssimos…
Vale lembrar, que é para melhor ilustrar o que estou tentando passar: há muito que um dos anunciantes é a gloriosa Prefeitura de São Paulo. A peça de propaganda institucional que mais me recordo fala sobre o programa “Mãe Paulistana”, que me abstenho de enumerar as qualidades apontadas pela propaganda. Sem vinhetas sonoras, apenas narração do locutor, parece até que se trata de uma notícia. Pega a gente de surpresa mesmo. Aproveito para apontar a ironia de, a mesma Prefeitura que anuncia um programa municipal de Saúde, dirigido às gestantes paulistanas, não faz muito tempo rejeitou a licença-maternidade de 6 meses para seu funcionalismo feminino.
E um convidado especial seria entrevistado no “Alternativa”: o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social do governo Kassab, Floriano Pesaro.
Às vezes há entrevistas no programa. Na semana passada, uma espécie de ONG para portadores de necessidades especiais teve o microfone do programa à disposição. Noutras vezes, uma banda ou um músico marcam presença. Etc.
Bom, sinceramente eu não acompanho o trabalho desta Secretaria, e o Pesaro pareceu ser um cara, deixa ver…, bom, ele não parecia um Arthur Virgílio ou uma Zulaiê. É o máximo de elogio que eu posso conceder a um tucano.
O apresentador, cumpriu um papel previsível, não fazendo perguntas que pudessem constranger nosso convidado, e deixando-o à vontade para fazer seu proselitismo e vender seu peixe: solicitou à população que não despejasse lixo em qualquer lugar; detonou o Bolsa-Família com a velha história do “dar o peixe”, “assistencialismo”; a quantidade de moradores nas ruas da Capital ( 12 mil ).
Não lhe ocorreu que o maior programa assistencialista que este país já teve foi justamente promovido pelo PSDB/ DEM, mas na ocasião era chamado de programa de desestatização, as famigeradas privatizações. Não dava o peixe, mas dava uma estrada e uma rede de pedágios se lançõu sobre o bolso do brasileiro.
Sei lá, foi muito esquisito. É o tipo de coisa que não destoaria na Tupi, Capital ou América, emissoras acostumada à pesença e desenvoltura de tucanos e demos em geral, mas ali estava estranho.
Voltamos do comercial, já com “Que país é esse ?“, da Legião Urbana; escolhida, segundo o apresentador, pelo convidado – que pôde, ainda, dar suas impressões sobre o país.
Não lembro direito a ordenação do set list.
Rolou a arrasa quarteirão “We´re not gonna take it“, do divertido Twisted Sisters. O locutor fez questão de frisar que esta foi tema da vitoriosa campanha de Arnold Schwarzenegger ao governo californiano e perguntou ao candidato, ops, secretário, se este sabia disso. Bastaria dizer “sim” ou “não”, mas depois de alguns segundos de hesitação ( que, no rádio, fazem o silêncio parecer eterno ) tascou: “Maravilha, então”, ou algo assim. Deve ter pensado que, se fizesse alusão a sua candidatura à vereança paulistana, poderia acabar sendo punido por propaganda eleitoral. Afinal, não era para isso que ele estava ali. Responderia perguntas de ouvintes, postadas no site do programa. Nada muito confrontador.
Também ficamos sabendo que Pesaro seria palmeirense e que irá ao show do Ozzy. Rockeirão.
Roy Orbinson, “I drove all night”.
Tears for Fears.
Quando se despediu de sua participação, Pesaro escolheu “Quadrophenia”. Fim da primeira hora do programa e da entrevista.
Não foi argüido sobre o resultado do caso Júlio Lancelotti ( talvez pelo desfecho favorável ao padre? ), ao contrário de quando apareceu, no ano passado, para dar uma entrevista à CBN ( link abaixo ), em pleno calor dos acontecimentos que se sucediam e implicavam mais constrangimentos ao religioso.
Acho que o “titio Marco Antonio” ( o “host” do programa ) nem sabe de quem se trata. Talvez os donos da rádio saibam.
http://pmsp.boxnet.com.br/visualizar/Radio.aspx?ID=7393031&ID_MESA=5
Cumprimentos, despedidas, etc, e o locutor expressou a disposição – ou fez um convite direto – em ter, quem sabe um dia, nos estúdios da rádio, para mais uma entrevista descontraída, o prefeito Gilberto Kassab, “também ouvinte do programa”.
Bom, eu também vou sugerir personagens a serem entrevistados até Outubro: Andrea Matarazzo, que pelo estilo, deve adorar um rock ( Pat Boone, talvez? Não. Muito radical, o homem. O Pat Boone, digo. ).
Acho que Geraldo Alckmin também seria um bom entrevistado. Andrea Matarazzo, de novo. José Serra, sempre muito sumido da mídia.
Júlio Lancelotti, jamais. O rock’n'roll sempre foi coisa do Diabo.

março 6, 2008

Porque Serra apoia Kassab

Jasson de Oliveira Andrade
Fotos: Reprodução
O presidente Vladimir Putin, da Rússia, já reeleito, e não podendo ser candidato pela terceira vez, apoiou Dmitri Medvedev para substituí-lo. Com isso, continuaria no comando do governo russo, o que acontecerá visto que seu pupilo se elegeu com cerca de 70% dos votos. Em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) deseja a mesma coisa. Daí o seu apoio a Kassab (DEM) para prefeito de São Paulo. Gilberto era vice dele e com a eleição do tucano ao governo de São Paulo recebeu de presente a Prefeitura da Capital.
No entanto, quem governa é Serra. Andréa Matarazzo (PSDB) é o prefeito de fato e o demista de direito. O PSDB serrista ocupa 70% da máquina municipal. Entretanto, para contrariedade do governador, Geraldo Alckmin é candidato a prefeito de São Paulo. Segundo o Estadão, “O partido [PSDB] revive a crise de 2006, quando aliados de Alckmin e Serra se digladiaram na disputa para decidir quem seria o candidato do partido à Presidência.

Hoje, o grupo de Serra trabalha a favor de uma candidatura à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Os alckmistas brigam por uma candidatura própria encabeçada pelo ex-governador”. Naquele ano, Alckmin derrotou Serra e se tornou candidato à Presidência. Houve, então, a divisão: o atual governador teve que engolir Alckmin, com a natural animosidade de Serra, que perdura até hoje. Por esse motivo, os serristas preferem Kassab, um aliado, e não desejam o Geraldo, um adversário, embora do mesmo partido. Essa era a perspectiva dele para 2010.

Ao que tudo indica, Serra vai perder mais uma, complicando sua candidatura para Presidência, hoje como favorito. Se perdeu em 2006 e cruzou os braços, preocupando-se com sua eleição ao governo de São Paulo. O medo dele agora é que o mesmo acontecerá caso Alckmin saia vencedor. Em 2010, o Geraldo provavelmente será candidato a governador, repetindo Serra, e cruzará os braços nas eleições à Presidência. Teremos então uma reprise de 2006!

Dora Kramer, em artigo no Estadão (4/3/2008), sob o título “Dois na gangorra”, analisa as candidaturas de Geraldo e Kassab: “Por ora, até o tucanato mais refratário a Alckmin acha que, no fim, ele leva essa. Não se pode dizer que o cenário produza imensa felicidade no grupo, mas trata-se aqui de lidar com a realidade: sem arrumar uma confusão de proporções amazônicas, José Serra e companhia não têm condições políticas nem de comprar a briga para valer com Alckmin nem de convencer Kassab a não concorrer. (…) Bater pé na manutenção da aliança daria aos adversários internos de José Serra a chance de atribuírem a ele a divisão do partido”. A jornalista conclui assim seu artigo: “Nesse quadro, vê-se que a sinuca a ser resolvida na campanha está com o tucanato: o PT concorre como oposição, o DEM como situação, mas o PSDB ainda vai precisar encontrar uma posição”.

Uma outra situação que leva Serra a dar apoio a Kassab. Alckmin, refratário ao governador, é ligado ao Aécio Neves, que também é candidato a Presidência pelo PSDB. Se Geraldo apoiar o governador mineiro, poderá complicar a candidatura de José Serra. Em 2006, as pesquisas mostravam que Serra teria mais voto que Alckmin, mas este é que foi o candidato. Atualmente as pesquisas à Presidência dão, novamente, vantagem ao tucano paulista. Naquela oportunidade, ele não conseguiu sair candidato. E agora, para 20l0? Kassab seria o candidato ideal de Serra à reeleição. Assim continuaria a ter a prefeitura de São Paulo nas mãos. Com a eleição de Alckmin terá um correligionário que lhe é adverso. No entanto, como já disse, ele terá que engolir o Geraldo. Ruim com Alckmin, pior sem ele. Que dilema! Serra gostaria de ser o Putin brasileiro…

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Março de 2008

Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

fevereiro 26, 2008

Caso Padre Júlio Lancelotti X escória, classe média mau-caráter e imprensalão: difamadores poderão ser processados pela Igreja

Azenha: Igreja poderá processar difamadores do Padre Júlio
Por André Lux
26 de Fevereiro de 2008
por Luiz Carlos Azenha, no blog Vi o Mundo.
SÃO PAULO – Tudo indica que os quatro acusados de extorquir o padre Júlio Lancellotti serão julgados já na semana que vem, de acordo com duas fontes próximas ao religioso. Eles são Anderson Batista, de 25 anos, sua mulher Conceição Eleutério, de 44, e os irmãos Evandro e Everson Guimarães. Antes disso o padre não dará entrevistas.
A denúncia original partiu do próprio padre Júlio, em agosto de 2007. Ele afirmou à polícia que sofreu ameaças de agressão e de falsas denúncias de pedofilia caso não fizesse os pagamentos – que podem ter chegado a 150 mil reais. A defesa de Júlio Lancellotti acredita que houve uma combinação de fatores políticos e religiosos impulsionando a tentativa de transformar o acusador em réu, além da falta de rigor jornalístico, sensacionalismo e incompetência.
Em 2007 o padre Júlio se envolveu em uma polêmica pública com políticos ligados ao grupo que controla a Prefeitura de São Paulo. A polêmica se relacionava à implantação, pela prefeitura, de rampas antimendigo sob viadutos da cidade.
No início deste ano o cadeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, disse ao jornal O Globo: “Não afasto a possibilidade de a igreja ir à Justiça exigindo reparos. Nenhuma das acusações foi comprovada até agora. E já estamos no fim das investigações.”
As investigações foram concluídas sem a comprovação de que o padre tenha cometido crime.
O padre Júlio tem dito a amigos que ficou especialmente abalado pela atuação de representantes de um jornal que teriam pedido a Anderson, acusado de extorsão, “para procurar entre os meninos de rua outros que pudessem reforçar acusações de pedofilia contra ele”.
Suposições e ilações de colunistas abriram espaço para comentários anônimos como o que aparece abaixo:
“Anonymous
So cego nao enxerga que essas ONG’s sao sangue sugas do bolso co cidadao. Serve para lavar dinheiro, descivar recursos do governo. Sao verdadeiras quadrilhas estabelecidas ao rigor da lei. Acabem-se os Lancelottis da vidal, pervertidos que exploram a miseria humana e nada fazem. Sao verdadeiros pulhas da sociedade. Fora Lancelotti, voce foi descoberto na pratica de atos vis, sob a imunidade de uma batina. Que a Igreja saiba puni-lo, expulsando de seu meio. Que o MP acione e que a sentenca de condenacao seja de alto valor para desmontar esse falso caridoso.”

fevereiro 6, 2008

Imprensalão: uma via de mão única. Apresento casos.

Olha só isso: catei do já famoso e muito por nós citado jornal O Paulistano, da propriedade de Wagner Salustiano. Na coluna da Redação, de 11/ 01/ 08, falam sobre um bate boca que houve entre o deputado estadual Adriano Diogo, do PT e o subprefeito de Sapopemba, Felipe Sigollo, durante a apresentação da prestação de contas à população, da referida subprefeitura. Isso, para que desconhece, em São Paulo, Capital.
Acontece que Diogo, de acordo com o jornal, chegou com uma turma de comerciantes de Teotônio Vilela ( Z. Leste pobre de São Paulo, onde dona Vanessa Damo não vai presenciar os problemas da população, preferindo ficar enchendo o saco buscando os votos da classe-média alta que veio tomar a outrora pacata Vila Zelina ), que reivindicavam a regularização de suas atividades. Sem entrar no mérito dessa discussão, o que me chamou a atenção mesmo foi o último trecho do artigo: ” (…) Outro caso agitado foi o de uma comerciante que, nervosa, acusou um funcionário da Subprefeitura de COBRAR PROPINA [ destaque meu ], dela e de outros comerciantes (… )”.
Digamos que o prefeito de São Paulo fosse José Dirceu ou Celso Daniel. O script enlatado do imprensalão traria: “Testemunhas afirmam que propina recebida por funcionário de Subprefeitura administrada pelo PT iria para caixa 2 do partido”. Entenderam? Script enlatado. Agora, nem vou procurar aqui no blog, mas quantas acusações de propina envolvendo Subprefeituras aqui de São Paulo eu já mencionei? O “mensalinho da Bresser”, para mim, é o mais famoso. Mas há denúncias da Sub Vila Mariana, Sé, Moóca ( de novo ), Pinheiros, Butantã.
E o silêncio do imprensalão é a prova de que algo ocorre. O prefeito, ou subprefeito “demite os envolvidos” e fica por isso mesmo. Silêncio sepulcral, ao gosto de Conde Nosferatu.
Mas tem mais. E o caso do prefeito de fato de São Paulo, Andrea Matarazzo. Outro dia veio dizer que a Sé estava um “caos” ou “sujeira” – não disse assim – por causa das ONGs que levariam moradores de rua para morar lá. Chiou que, se a prefeitura faz alguma coisa – ou seja, passa o buldôzer – é acusada de higienização.
Calma, senhor. Deixa as torpes acusações conta o pe. Lancelotti dissiparem por força da Justiça, que aí a luta contra seu pogrom higienista será reforçada.
Enquanto isso, o senhor pode continuar com seu posto de radialista cativo da rádio Tupi.
“Os jornais não teriam tocado no assunto, Humberto? Sua paranóia está exagerada!!”
Não, Voz na Minha Cabeça. Acontece que os jornais mostraram “o secretário de Kassab”, como tendo comparecido às rádios, para deitar proselitismo.
Só que o Conde é o procurador de Serra na administração Kassab. Além disso, há rumores de que ele poderia, também, sair candidato à Prefeitura de São Paulo.
Deixaram de falar, inclusive, que a Tupi esteve às voltas com aquela história de recebimento de verba publicitária que Alckmin garantiria a aliados, como a Primeira Leitura e a revista de Fato ( de Wagner Salustiano ). Ou estou me confundindo?
E Matarazzo foi embaixador durante o governo FHC, e havia doado 3 milhões de reais à campanha de Cardoso em 1998. Portanto, o que se fez, foi escamotear a proximidade de Matarazzo com os “Ladrões de Casaca” tucanos e usar o restante do caso para queimar Kassab. O próprio aliado.
Vê só. Peguei o seguinte, que foi publicado no Diário de São Paulo, em 22 de Janeiro, quando o assunto é apresentado ao leitor: No programa “São Paulo Cidadão”, da Rádio Tupi, em 09 de Janeiro, estava Matarazzo. E ele fala sobre as AMAs que Kassab havia inaugurado. Só fala do município.
E o apresentador manda esta: “(…) É a população de São Paulo, ganhando na saúde com a administração de Gilberto Kassab [ olha só o que vem a seguir!!! ] e também José Serra junto com Andrea Matarazzo…(…)”.
“São Paulo Cidadão”, até onde percebo é sobre o município. Não precisa mencionar Serra ou o governo estadual pois, claro, o Governo Federal deveria ser incluído também. Afina, já transcrevi neste blog, no passado, trecho de entrevista com o próprio Kassab, em que este reconhece e elogia o tratamento que o governo Federal dispensa à cidade por ele administrada. Mas no programa da Tupi, parece que não existe a possibilidade de Kassab ser elogiado sozinho, por sua administração, sem trazer junto, à reboque, alguma menção elogiosa a Serra, o presidente ( segundo Paulo Henrique Amorim ).
Eu também ia falar duma matéria do Jornal da Tarde, de 29/01/08, que diz que os impostos que paulistas e paulistanos pagam, andam cada vez maiores. Traz uma tabelinha e pinço dados.
Se, em 2001 – primeiro ano da administração Marta – o munícipe, na média, pagou 845 reais de impostos, em 2004 – seu último ano à frente da prefeitura – o mesmo munícipe desembolsou 1240 reais. Isso, em meio às crises que o governo tucano legava à Nação. E, sem contar que sua administração foi posterior à de Maluf e Pitta. O aumento ( tomando apenas os números que o jornal traz e que servem, tanto para mim como para o leitor-alvo do jornal, que os entenderá da maneira que lhe aprouver ) foi, então, de mais ou menos 400 reais.
Em 2005, primeiro ano de Serra, o paulistano pagou 1416 reais em impostos municipais. Já com a economia estabilizada. E, em 2007, pagamos 1918 reais. 700 reais em 3 anos…e ainda tem mais um ano.
Sabe, a Marta pegou, à semelhança de Pitta, uma situação que Mestre Aloysio Biondi havia descrito, mas que não consigo trazer em detalhes. Ocorreu que as prefeituras ficaram responsáveis por levar a energia elétrica às residências, depois da fatiação da Eletropaulo, obra de tucanos. Taxa do poste, lembram?
E, com tudo isso, quem ganhou a pecha de Martaxa foi a ex-prefeita. Só que nenhum desses velhos e arcaicos leitores do Estadão e JT fazem as contas como esta que eu fiz, mesmo rasteiramente. É claro que as coisas não são simples assim, do ponto de vista contábil. Acontece que eu disponho dos mesmos números e dos mesmos artigos de jornais e revistas que eles.
Eles não sabem que PSDB e DEMO é que aumentam as cargas tributárias, sempre que podem, para, de alguma forma, entregar esse montanhão de grana para a iniciativa privada – que, aliás, sempre contará com algum quadro tucano em seu Conselho de Administração – na caradura?
Foi uma pergunta retórica. É claro que sabem. Os jornais também, só que trata-se de uma via de mão única.
O que me inspirou a escrever isso acima, foi um post do ONIPRESENTE, o qual ele inicia dizendo que procurava dados sobre “José Serra” ou algo assim, relacionando com os tais gastos dos cartões corporativos.
Eu estou de saco cheio. Este blog aqui devia ser uma diversão para mim, e não é o que acontece. Eu reproduzi hoje um post do Vermelho dizendo que os blogs, digamos, pró-Lula, saíram em reação aos ataques que a ex-ministra e o governo vêm sofrendo por causa dos tais gastos, e que o imprensalão e a tucanalha estão fazendo a festa. Os blogueiros estariam, então, fazendo o papel que caberia, em tese, ao próprio governo.
Acho que eu tenho feito isso, à minha maneira. Soubessem vocês a quantidade de jornais, revistas e anotações que tenho em meu quarto, apenas aguardando para servirem de fonte para meus escritos aqui, achariam que eu sou aquela velha espanhola que guardava lixo em casa. Mas eu não fico saindo atrás daquilo QUE O IMPRENSALÃO DIZ QUE É NOTÍCIA. A batalha dos dados – que gente como eu jamais saberia interpretar – me incomoda, porque pouco dá para extrair de uma montanha de números elaborada por gente que dispõe de conhecimentos técnicos. Logo, isso se torna inócuo para mim. E é por isso que eu também não fico reproduzindo os dados pró-governo mesmo que eu, instintivamente, o aprove e o defenda, afinal de contas, neste espaço.
Só que estão chegando as eleições, e eu não estou disposto a gastar energia para disputar, virtualmente, uma eleição, junto a meu candidato. Pois São Paulo não merece. Que eu faça como o ONIPRESENTE, e siga gastando meu dinheiro e saúde para descobrir alguma fenda na reputação dos tucanos, cuidadosamente construída e mantida intacta pelo imprensalão golpista e entreguista.
O paulistano não merece. O selvagem paulistano dorme tranquilo. Ele entucha as ruas da cidade com seus carros poluentes, atropela, mata e quer que a solução caia do céu. Pois seu esforço está concentrado no foco de comprar um carro. E beber cerveja. E comprar celular para, quando estiver no ônibus, ouvir música. E acreditando nas propagandas de cerveja, carros e cartão de crédito, segue cada vez mais egoísta e consumista, além de arrivista.
Eu não tenho filhos, logo não precisaria me preocupar com a qualidade das escolas públicas. Aliás, melhor para mim, não é?
E o trânsito, roubo de carros, sequestros-relâmpago? Ora, nada disso me atinge. Nem as enchentes em São Paulo.
Para o paulistano é fácil sair repetindo o Diogo Mainardi ou o Estadão. E continuar preocupado com seu umbigo.
Por quê deveria eu, então, me preocupar? Mas vamos ver como estará meu estado de espírito nos próximos meses.
Afinal, nada representa melhor o espírito paulistano da gema, como a lamentável batalha do bolo que ocorre todo ano em 25 de Janeiro, no Bexiga. Eis o Símbolo de São Paulo.

Padre Júlio, o desfecho

Pedro Venceslau
Portal Imprensa
30/01/08
No último dia 25 de janeiro, o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, estava se preparando para o início da missa em celebração ao aniversário de São Paulo, quando avistou, na entrada do clero, seu afilhado, padre Júlio Lancellotti. Apesar da saúde debilitada, fez questão de levantar para cumprimentar seu discípulo e amigo. Apenas uma jornalista presente notou este detalhe: a repórter Angélica Pinheiro, da revista IMPRENSA.
Definitivamente, o padre Júlio não estava entre as pautas dos setoristas escalados para trabalhar no feriado prolongado. Mas devia estar. A qualquer momento, o juiz Caio Farto Salles, da 31º Vara Criminal de São Paulo, na Barra Funda, pode promulgar a sentença que vai definir, de uma vez por todas, se o padre foi vítima de extorsão. Desde que foi encerrado, em 8 de novembro, o inquérito policial repousa na mesa do magistrado à espera de uma sentença. Para refrescar a memória: o inquérito policial concluiu que o padre foi, realmente, vítima de extorsão das quatro pessoas presas, preventivamente, após denúncia que o próprio Lancellotti fez, em agosto do ano passado, quando extorquido em cerca de R$ 80 mil. Concluído o inquérito, a polícia indiciou, portanto, o ex-interno da antiga Febem, Anderson Batista, 25; sua mulher, Conceição Eletério, 44; e os irmãos, Evandro e Everson Guimarães. Além desses, a polícia investiga Marcos José de Lima, conhecido de Batista, também acusado de chantagear o padre.
Angélica acompanhou todas as aparições públicas do padre desde 21 de dezembro, quando foi realizada a tradicional ceia anual que precede o “Encontro do Povo da Rua”. No dia seguinte, 22 de dezembro, o presidente Lula foi ao encontro, como faz desde que o evento foi criado, há cinco anos. A imprensa noticiou o fato, mas não mencionou o inquérito. Também não reparou que aquele foi o segundo evento, em menos de quatro meses, em que o padre foi recebido pelo presidente diante das câmeras. No entorno de Júlio Lancellotti, a expectativa é de que o juiz condene a quadrilha. Só quando isso acontecer, o padre, que nunca fugiu de jornalista, vai começar a falar. Será o momento, enfim, da reação.
Para IMPRENSA, Dom Odilo Scherer disse que a Igreja estuda pedir reparações após a conclusão do inquérito. Parou por aí. Não disse nem qual, nem quem. A posição de Dom Odilo, porém, tem um grande significado simbólico. Depois de resistir em silêncio – por orientação de seu advogado – durante seis meses, Júlio Lancellotti vai reaparecer mais forte do que nunca, cercado de amigos, fiéis, entidades, ONG´s. partidos políticos e jornalistas simpáticos à sua causa. Se isso acontecer – e eu aposto que sim – a imprensa sentará no banco dos réus: houve um linchamento? Uma segunda “Escola Base”?
Mas nem a vitória, nem a derrota encerrariam o caso. Existe um outro inquérito em andamento, no qual o padre é acusado, por uma suposta ex-funcionária da Casa Vida, que por ele é coordenada, de assédio sexual a um menor. Esse desfecho ainda vai demorar, ou pode nem acontecer, por falta de provas. Até lá, um grupo de trabalho cuidará da comunicação e da estratégia. A trincheira é um site (
www.padrejulio.com.br), que serve como referência para os fiéis e amigos. São as cenas dos próximos capítulo dessa história baseada em fatos reais.
Pedro Venceslau, 31, é jornalista, editor-executivo da Revista IMPRENSA e apresentador do programa “IMPRENSA na TV”, na ALLTV. veja mais
Posts mais antigos »

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.