A “bola da vez” é o monopólio dos Correios. Na 6a.feira ( acho ) foi noticiado que hoje o STF iria voltar a discutir, hoje, o tema. Uma ação, ajuizada pela Abraed [ ver abaixo ], contesta a lei 6538/78, que regulamenta os serviços postais no Brasil. A Abraed quer a “flexibilização” do monopólio do setor, exercido pelos Correios. A associação pretende, com esta “flexibilização”, restringir a ação dos Correios à simples “entrega de cartas” [ descubra, mais abaixo, a definição da Abraed para "entrega de cartas"].
Passava pela Av. Paulista hoje, e notei o grupo que se concentrava no MASP. Não sei de qual lado da peleja estavam. Duas moças ( uma de amplos óculos escuros ) se postavam atrás de uma faixa e, sorrindo, faziam pose pra foto que uma delas tirava com o celular: “Proletários de todo o mundo … olha o passarinho!”.
A manifestação ocorrida no MASP foi organizada pela Anepei. A ação que rola na Justiça, entretanto, foi apresentada pela Abraed que, até onde eu sei, ainda não organizou manifestações.
Bem, a história parece se repetir: quando privatizaram serviços essenciais como o fornecimento de energia elétrica ou a telefonia, uma das conseqüências foi extemamente nefasta e imediatamente sentida: o fim do chamado subsídio cruzado. Que hoje, pelo que publicou a imprensa em dias recentes, o governo planejaria reestabelecer, no caso da energia elétrica.
Aloysio Biondi descreveu, nO Brasil Privatizado, o efeito do fim dos subsídios cruzados em telefonia e energia sobre o bolso dos mais pobres:
” ( … ) Com a privatização, o governo eliminou – antes mesmo da venda das estatais – os subsídios cruzados nas contas de telefones e de energia. Por isso mesmo, os aumentos mais violentos de tarifas ocorreram para as chamadas locais, ficha telefônica etc. Não há mais tratamento especial para a população mais pobre. Tudo para garantir maiores lucros aos “compradores”. Tratamento que as estatais não recebiam ( … ).”
Uma ficha telefônica na Capital paulistana concedia 3 minutos ( chamada local ) e custava, quando de sua extinção, dez centavos.
Uma ficha telefônica na Capital paulistana concedia 3 minutos ( chamada local ) e custava, quando de sua extinção, dez centavos.
BARATO MESMO
Mas os que desejam “flexibilizar” os Correios são espertos. Els querem o filé-mignon.
Já ouviram falar em “Carta Social”? É uma forma de “subsídio” para os mais pobres ( na verdade, qualquer um pode usar ): pegue uma folha de papel e escreva a carta; ponha num envelope; neste preencha os dados de praxe ( nome do destinatário, endereço etc ) e escreva na frente: CARTA SOCIAL. Leve ao Correio e pague ( preste atenção! ) UM CENTAVO.
NÃO É EXAGERO: a carta vai chegar até no Amapá, e você vai pagar um mísero e ridículo centavo pelo serviço!
Agora me digam: num país deste tamanho, uma carta comum custa uns poucos centavos. Acha mesmo que os Correios sobreviverão APENAS ENTREGANDO CARTAS? Se ficarem restritos a este produto, as tarifas deverão explodir. Senão, não compensará. Carta social? Pfff. Pode esquecer.
A ECT correrá risco de extinguir-se. Ou, então, o Governo terá que ( aí sim ) subsidiar a empresa para que continue funcionando. Enquanto isso, empresas ficarão com o lucrativo. O trabalho terceirizado, precárioe sem garantias trabalhistas predominará. A sonegação dos “custos” trabalhistas ( em oposição aos “caros e dispendiosos” custos do funcionalismo público ) permitirá às empresas oferecer “vantajosos serviços” a população, que terá – pelo menos no começo – preços menores à sua disposição.
Também ( pode-se prever ) as empresas maiores engolirão as micro e menores.
Sobre este “levante” de hoje, registrou o Portal Terra, reproduzido da Ag. Brasil:
Cerca de 200 pessoas participaram, na manhã desta segunda-feira, de um ato pelo fim da exclusividade da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) nos serviços de postagem de encomendas expressas, em frente à sede do Tribunal Regional Federal, em São Paulo.
A manifestação foi organizada pela Associação Nacional dos Entregadores de Pequenas Encomendas e Impressos (Anepei) para chamar a atenção para a retomada do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da ação que pede o fim do monopólio dos Correios nesse setor. O STF retomou as sessões de julgamento no Plenário da Corte nesta segunda-feira.
Com apitos, cornetas, faixas e cartazes, o grupo mostrou o temor da categoria em perder os empregos caso o STF decida pela exclusividade de atuação dos Correios ao analisar hoje a ação que contesta a constitucionalidade da lei que regulamenta os serviços postais no País. “Não ao desemprego”, gritavam os representes dos trabalhadores das empresas do setor.
Segundo a presidente da Anepei, Rita de Cássia Bernardo, o setor tem 15 mil empresas em todo o País, que empregam cerca de l,5 milhão de trabalhadores. “Estamos no mercado há dez anos e queremos a regulamentação da atividade”, disse Rita.
Ela informou que 180 mil motociclistas participam dos trabalhos e cada empresa realiza por dia cerca de 60 mil entregas. Entre as encomendas, estão produtos comprados no comércio eletrônico, cartões de crédito, talões de cheque e correspondências bancárias. “Se os ministros entenderem que isso é de abrangência dos Correios, não teremos mais campo de trabalho”, afirmou.
O STF julgará uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. O recurso foi ajuizado pela Associação Brasileira de Empresas de Distribuição (Abraed) para contestar a constitucionalidade da Lei 6.538/78. A entidade quer restringir o monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos à entrega de cartas.
Alguns ministros se posicionaram a respeito e, por enquanto, a votação está dividida. Os ministros Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto votaram pela manutenção parcial dos serviços sob exclusividade estatal.
Já o relator do processo, ministro Marco Aurélio, manifestou-se favorável à privatização do serviço postal. A ministra Ellen Gracie considerou que o serviço postal deve permanecer exclusivamente com a União. Essa mesma posição foi adotada pelos ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso. Ainda faltam votar quatro ministros.”
- – NOTÍCIA DE SEXTA-FEIRA:
A manifestação foi organizada pela Associação Nacional dos Entregadores de Pequenas Encomendas e Impressos (Anepei) para chamar a atenção para a retomada do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da ação que pede o fim do monopólio dos Correios nesse setor. O STF retomou as sessões de julgamento no Plenário da Corte nesta segunda-feira.
Com apitos, cornetas, faixas e cartazes, o grupo mostrou o temor da categoria em perder os empregos caso o STF decida pela exclusividade de atuação dos Correios ao analisar hoje a ação que contesta a constitucionalidade da lei que regulamenta os serviços postais no País. “Não ao desemprego”, gritavam os representes dos trabalhadores das empresas do setor.
Segundo a presidente da Anepei, Rita de Cássia Bernardo, o setor tem 15 mil empresas em todo o País, que empregam cerca de l,5 milhão de trabalhadores. “Estamos no mercado há dez anos e queremos a regulamentação da atividade”, disse Rita.
Ela informou que 180 mil motociclistas participam dos trabalhos e cada empresa realiza por dia cerca de 60 mil entregas. Entre as encomendas, estão produtos comprados no comércio eletrônico, cartões de crédito, talões de cheque e correspondências bancárias. “Se os ministros entenderem que isso é de abrangência dos Correios, não teremos mais campo de trabalho”, afirmou.
O STF julgará uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. O recurso foi ajuizado pela Associação Brasileira de Empresas de Distribuição (Abraed) para contestar a constitucionalidade da Lei 6.538/78. A entidade quer restringir o monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos à entrega de cartas.
Alguns ministros se posicionaram a respeito e, por enquanto, a votação está dividida. Os ministros Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto votaram pela manutenção parcial dos serviços sob exclusividade estatal.
Já o relator do processo, ministro Marco Aurélio, manifestou-se favorável à privatização do serviço postal. A ministra Ellen Gracie considerou que o serviço postal deve permanecer exclusivamente com a União. Essa mesma posição foi adotada pelos ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso. Ainda faltam votar quatro ministros.”
- – NOTÍCIA DE SEXTA-FEIRA:
“STF retoma julgamento sobre quebra de monopólio dos Correios
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará as sessões de julgamento no Plenário da Corte na segunda-feira, 3, com 12 processos na pauta. O destaque desse dia fica com a análise do chamado monopólio dos Correios, em discussão por meio da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 46. A seção está prevista para começar às 14 horas.
A ADPF 46 questiona a constitucionalidade da Lei 6.538/78, que regulamenta os serviços postais no país. A intenção da Associação Brasileira de Empresas de Distribuição (Abraed) é restringir o monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos à entrega de cartas, limitando seu conceito a papel escrito, envelopado, selado, enviada de uma parte a outra com informações de cunho pessoal, produzido por meio intelectual, e não mecânico.
Até o momento, os ministros Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto votaram pela manutenção de parte dos serviços sob exclusividade estatal e pela privatização de outros. O ministro Marco Aurélio, relator, é favorável à privatização do serviço postal. E aministra Ellen Gracie julgou que o serviço postal deve ser mantido exclusivamente pela União, da mesma forma que os ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso. Restam ainda quatro ministros para votar ( … )”. - DIÁRIO DE NOTÍCIAS
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará as sessões de julgamento no Plenário da Corte na segunda-feira, 3, com 12 processos na pauta. O destaque desse dia fica com a análise do chamado monopólio dos Correios, em discussão por meio da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 46. A seção está prevista para começar às 14 horas.
A ADPF 46 questiona a constitucionalidade da Lei 6.538/78, que regulamenta os serviços postais no país. A intenção da Associação Brasileira de Empresas de Distribuição (Abraed) é restringir o monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos à entrega de cartas, limitando seu conceito a papel escrito, envelopado, selado, enviada de uma parte a outra com informações de cunho pessoal, produzido por meio intelectual, e não mecânico.
Até o momento, os ministros Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto votaram pela manutenção de parte dos serviços sob exclusividade estatal e pela privatização de outros. O ministro Marco Aurélio, relator, é favorável à privatização do serviço postal. E aministra Ellen Gracie julgou que o serviço postal deve ser mantido exclusivamente pela União, da mesma forma que os ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso. Restam ainda quatro ministros para votar ( … )”. - DIÁRIO DE NOTÍCIAS




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