ENCALHE

junho 3, 2008

Quem nunca comeu calorias, quando come, leva o mundo à beira da destruição total!!!

Matérias-primas mais caras e demanda disparam inflação mundial
Folha Online, 09.04.08
“Os preços mais altos das matérias-primas, tanto alimentícias quanto energéticas, acentuados pela forte demanda dos países emergentes, tem provocado aumento da inflação no mundo.
Os preços dos cereais explodiram e o petróleo é vendido acima dos US$ 100 o barril –nesta quarta-feira,
atingiu recorde aos US$ 112,21 –, afetando fortemente a maioria das economias do planeta e o poder aquisitivo das populações.
A grande responsável por estas altas dos preços é a demanda crescente dos países emergentes, com economias em crescimento que necessitam de matéria-prima para alimentar sua produção. A oferta mundial, limitada por recursos ou capacidade de produção, não consegue suprir essa demanda, o que gera tensões nos mercados internacionais e eleva os preços.
Seguindo os passos das matérias-primas, a inflação também começa a bater recordes no mundo, retirando o poder de compra da população. As tensões sobre os preços são particularmente sensíveis nos países em desenvolvimento, onde as famílias dedicam maior parte dos salários para a compra de comida e de combustível. (…)”
Difícil ler essas coisas, sem que surjam mais perguntas, que nos levarão a mais questionamentos. O trecho acima – e eu não vou me dar ao trabalho de ler o restante – , pelo menos uma idéia contida nela, me fez lembrar aquela ironia do Paulo Henrique Amorim: O PAC FAZ MAL À SAÚDE. Ou seja: os países emergentes estão levando o mundo à destruição, devido a seu excesso de consumismo. Onde já se viu? Já dizia o correto ditado: “Quem nunca comeu melado…”.
Quer ver uma coisa? Você acharia bom que o kilo de arroz no supermercado custasse R$ 0,50? Antes de responder, pense no que diria o produtor de arroz, sobre ele produzir o alimento a um custo tal que permitisse ao consumidor final no varejo pagar os cinquenta centavos. Talvez a história de “produzir comida cada vez mais e mais barato” seja um embuste que não considera as “Leis de Mercado” e os interesses dos agentes.
Que as pessoas ( provavelmente mais chineses e indianos, além de uns brazucas ) estejam consumindo mais alimentos, é uma informação a ser comemorada. Mas é justo dizer que isto seja a causa da aludida falta de alimentos e de seu consequente encarecimento, do jeito com está sendo exposto?
Não sei explicar direito o que me vem à cabeça, mas siga com a leitura:
Secretário de Agricultura do Paraná alerta: oligopólio de fertilizantes encarece alimentos
AEN/ PR, 12.05.08
“O pouco número de empresas que produzem fertilizantes aumentou o preço do produto em mais de 50% só este ano, o que vem causando um repasse de custos inaceitável na produção de alimentos. O alerta foi feito nesta segunda-feira (12) pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, durante audiência pública na Assembléia Legislativa, onde defendeu a necessidade de o Brasil discutir os 15 anos de privatização do setor e encontrar soluções alternativas para ampliar o fornecimento do insumo. (…)”
Ora, vejam. O secretário de Agricultura do Paraná traz um dado que merece nosso interesse: em 5 meses, houve um reajuste nos preços dos fertilizantes de cerca de 50%!!
Mas há outras informações excelentes: há, no mercado, um baixo ( “pouco” ) número de empresas que produzem fertilizantes. Um cartel, portanto. Aliás, me parece que o Brasil já foi, até os longínquos anos 90, um produtor de fertilizantes, sem precisar recorrer a importações massivas do produto. O ideal seria pesquisar a respeito. Sei – meio vagamente – que havia empresas estatais, ou subsidiárias das maiores, tipo Petrobrás, com esta função, e acabaram entrando na lista de degola das privatizações. Poderíamos, agora, refletir um pouco sobre a necessidade ou não de um país possuir uma empresa estatal estratégica, para a produção de defensivos, fertilizantes e outros, e que fosse um instrumento de equilíbrio na cadeia de produção agrícola.
Pois o artigo publicado na Folha Online não cogita a existência de um cartel de insumos a determinar os preços de elementos necessários para a produção dos alimentos, e que este seja também um responsável pela crise de abastecimento.
O artigo abaixo pode ser considerado altamente esclarecedor. Talvez haja um ou outro ponto de maior complexidade mas, de um modo geral penso eu, descreve bem a situação. Os grifos e destaques que surgirem são meus:
“Agrocombustíveis e produção de alimentos
ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA
“E as conseqüências, para a produção de alimentos no Brasil, da expansão da cana-de-açúcar nos últimos 15 anos, quais são?
A RELAÇÃO entre a expansão dos agrocombustíveis e a produção de alimentos ganhou a agenda política internacional. A agricultura mundial continua passando por transformações profundas. O avanço da “comoditização” dos alimentos e do controle genético das sementes que sempre foram patrimônio da humanidade foi acelerado.
Dois processos monopolistas comandam a produção agrícola mundial. De um lado, está a territorialização dos monopólios, que atuam simultaneamente no controle da propriedade privada da terra, do processo produtivo no campo e do processamento industrial da produção agropecuária. O principal exemplo é o setor sucroalcooleiro.
De outro lado, está a monopolização do território pelas empresas de comercialização e processamento industrial da produção agropecuária, que, sem produzir absolutamente nada no campo, controlam, por meio de mecanismos de sujeição, camponeses e capitalistas produtores do campo.
As empresas monopolistas do setor de grãos atuam como “players” no mercado futuro das Bolsas de mercadorias do mundo e, muitas vezes, têm também o controle igualmente monopolista da produção dos agrotóxicos e dos fertilizantes.
A crise, portanto, tem dois fundamentos. O primeiro, de reflexo mais limitado, refere-se à alta dos preços internacionais do petróleo e, conseqüentemente, à elevação dos custos dos fertilizantes e agrotóxicos.
O segundo é conseqüência do aumento do consumo, mas não do consumo direto como alimento, como quer fazer crer o governo brasileiro, mas, isto sim, daquele decorrente da opção dos Estados Unidos pela produção do etanol a partir do milho.
Esse caminho levou à redução dos estoques internacionais desse cereal e à elevação de seus preços e dos preços de outros grãos – trigo, arroz, soja.
Assim, a “solução” norte-americana contra o aquecimento global se tornou o paraíso dos ganhos fáceis dos “players” dos monopólios internacionais que nada produzem, mas que sujeitam produtores e consumidores à sua lógica de acumulação.
Certamente, não há caminho de volta para a crise, pois, no caso norte-americano, os solos disponíveis para o cultivo são disputados entre trigo, milho e soja. O avanço de um se reflete inevitavelmente no recuo dos outros. Daí a crítica radical de Jean Ziegler, da ONU (Organização das Nações Unidas), que classificou o etanol como “crime contra a humanidade”.
É no interior dessa crise que o agronegócio do agrocombustível brasileiro quer pegar carona no futuro fundado na reprodução do passado. O governo está pavimentando o caminho.
Por isso, a questão dos agrocombustíveis e a produção de alimentos rebatem diretamente no campo brasileiro. A área plantada de cana-de-açúcar na última safra chegou perto de 7 milhões de hectares e, em São Paulo, onde se concentra mais de 50% do total, já ocupa a quase totalidade dos solos mais férteis existentes.
Em meio à expansão dos agrocombustíveis, uma pergunta se faz necessária: quais foram as conseqüências, para a produção de alimentos no Brasil, da expansão da cultura da cana nos últimos 15 anos?
Os dados do IBGE, entre 1990 e 2006, revelam a redução da produção dos alimentos imposta pela expansão da área plantada de cana-de-açúcar, que cresceu, nesse período, mais de 2,7 milhões de hectares. Tomando-se os municípios que tiveram a expansão de mais de 500 hectares de cana no período, verifica-se que, neles, ocorreu a redução de 261 mil hectares de feijão e 340 mil hectares de arroz.
Essa área reduzida poderia produzir 400 mil toneladas de feijão, ou seja, 12% da produção nacional, e 1 milhão de toneladas de arroz, o que equivale a 9% do total do país. Além disso, reduziram-se nesses municípios a produção de 460 milhões de litros de leite e mais de 4,5 milhões de cabeças de gado bovino.
Embora a expansão esteja mais concentrada em São Paulo, já o está também no Paraná, em Mato Grosso do Sul, no Triângulo Mineiro, em Goiás e em Mato Grosso. Nesses Estados, reduziu-se a área de produção de alimentos agrícolas e se deslocou a pecuária na direção da Amazônia Isso deu, conseqüentemente, em desmatamento. Por isso, a expansão dos agrocombustíveis continuará a gerar a redução da produção de alimentos.
A produção dos três alimentos básicos no país -arroz, feijão e mandioca- também não cresce desde os anos 90, e o Brasil se tornou o maior país importador de trigo do mundo. Portanto, o caminho para a saída da crise e da construção de uma política de soberania alimentar continua sendo a realização de uma reforma agrária ampla, geral e massiva.
ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA, 60, é professor titular de geografia agrária da USP e diretor da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária). Integrou a equipe que elaborou a proposta do Segundo Plano Nacional de Reforma Agrária para o governo Lula (2003).
Fonte: Folha de S.Paulo – 17/4/08 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1704200809.htm)”
Vejam só, eu não estou afirmando coisa alguma ( quem sou eu? ); talvez um simples alerta de que, quando se percebe a vEJA falando sobre inflação, e você sabe ( sem nem mesmo precisar ler a matéria ) que, nas entrelinhas, ela tenta enfiar em nossa goela a impressão de que uma truculenta alta de juros promovida pelo Gabinete do dr. Meirelles seria boa para o Brasil, devemos redobrar a atenção. Pois se, de um limão se fará uma limonada, uma alta de juros – com a desculpa de brecar a inflação “causada pelos alimentos” – poderá não sutir efeito sobre os preços da comida, mas faria a alegria de muito especulador por aí.

maio 12, 2008

Eu disse "não tem arroz, comam batatas". Mas certifiquem que não são transgênicas. É o que a Europa está fazendo.

Milhos, inseticidas e batata transgênica são barrados na Europa

Portal do Consumidor
9/5/2008
A indústria de biotecnologia sofreu mais um revés na última quarta-feira (7), com a decisão da Comissão Européia de pedir à sua agência de segurança alimentar para que analise novamente três cultivos geneticamente modificados, dois de milho e um de batata. Os três produtos estavam para receber a aprovação definitiva, o que não acontece para um cultivo transgênico na Europa há 10 anos.
A decisão é um voto de desconfiança no sistema europeu de aprovação de transgênicos e levanta sérias preocupações sobre a habilidade da agência de conferir a segurança dessas plantações. E também mostra que as autoridades européias estão começando a ter sérias dúvidas sobre a segurança de plantações transgênicas. Especialistas e instituições internacional, como a Organização Mundial de Saúde e o Instituto Pasteur, têm levantado dúvidas sobre os efeitos desses cultivos no meio ambiente e na saúde das pessoas.
A Agência Européia de Segurança Alimentar terá que rever os seguintes itens:
- Opinião prévia sobre a segurança da batata geneticamente modificada (da Basf) depois das preocupações levantadas por instituições internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS), Instituto Pasteur e a Agência de Medicina Européia. A batata transgênica contém um gene que lhe dá resistência a certos antibióticos que são relevantes para a saúde humana e animal.
- Avaliação prévia sobre duas variedades de milho transgênico, criados para produzir seus próprios inseticidas. Apesar da grande controvérsia científica sobre a segurança de transgênicos inseticidas, a Agência de Medicina afirmou que ambas as variedades em questão eram seguras. A Agência então reconheceu que era incapaz de determinar os impactos ambientais indiretos e de longo prazo. No mês passado, a Comissão Européia concordou que a Agência precisaria pelo menos dois anos para desenvolver sua capacidade de avaliar esses impactos dos transgênicos.
O Greenpeace e a ONG Amigos da Terra (Europa) querem que a Agência seja reformada, para assegurar que suas opiniões sejam científicas e imparciais. A agência tem poucos funcionários e carece de especialistas apropriados para cumprir suas obrigações legais na avaliação dos riscos dos transgênicos na Europa.
“O resultado do debate na Comissão Européia é um claro indício de que a Agência não inspira confiança”, afirmou Marco Contiero, diretor da campanha de Transgênicos do Greenpeace Europa.
Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná
Para acessar o site Agência Estadual de Notícias do Paraná, clique aqui.

Membros do glorioso DEVO tinham o corpo batatoso. Uma aberração neo-transgênica!!

abril 19, 2008

Crise alimentar atinge o globo

Os mais pobres do mundo se rebelam contra o aumento dos preços do arroz e do trigo. Desde o Haiti até a República dos Camarões, passando pelo Egito pela Indonésia. De acordo com as Nações Unidas, 37 países registram situação de emergência.
Radio Nederland/ Parceria
14/04/08
Estudos da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, mostram que o crescimento na demanda de alimentos por parte de países em desenvolvimento ocorreu de forma paralela a um aumento nos preços. O impacto dos biocombustíveis para a segurança alimentar, no entanto, será um dos temas centrais da 30ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, que inicia neste 14 de abril, em Brasília.
Fome e Guerra
O Fundo Monetário Internacional também se mostrou preocupado com o tema durante reunião da instituição em Washington, no último final de semana. O diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que caso os preços continuem subindo, mais de 100 mil pessoas no mundo poderão passar fome. “Das experiências passadas aprendemos que esse tipo de crise pode gerar até uma guerra”, adicionou o diretor do FMI.
A crise alimentar atinge principalmente os países em desenvolvimento, segundo Rudy Rabbinge, especialista em segurança alimentar da Universidade de Wageningen, na Holanda: “Nos países desenvolvidos, a população gasta uma média superior a 12% dos rendimentos na alimentação. Nos países em vias de desenvolvimento, metade do salário se destina à comida. Com o aumento dos preços, as pessoas chegam a gastar três quartos do que ganham para comer. É óbvio que isso causa problemas”.
Causas
A crise alimentar é conseqüência de uma série de fatores. Vários países não tiveram boas colheitas devido à mudança climática. O crescente bem estar na China e na Índia também é um fator importante.
Além disso, o sistema alimentar tornou-se mais sensível a mudanças. “Antes, quando havia escassez em uma parte do mundo, era possível utilizar os excedentes de outros lugares. Agora, as sobras diminuíram por causa da necessidade em se produzir biocombustíveis, como é o caso do milho nos Estados Unidos”, afirma Rabbinge.
Há uma queda drástica nos estoques de grãos com a maior demanda da Índia, China e União Européia para o uso desses em programas de combustíveis. Segundo as recentes estimativas do Conselho Internacional de Grãos, com sede em Londres, a produção mundial gira em torno de 1,6 bilhão de toneladas, enquanto a demanda atinge 1,8 bilhão de toneladas.
“Ainda não está claro se esta situação é temporária. Em todo caso, a carência não deixa de ser explosiva em longo prazo”, disse Niek Koning, da Universidade de Wageningen. Segundo o economista, a atual crise alimentar do mundo deixa claro que a política de produção de biocombustíveis na luta contra o efeito estufa, talvez não seja o melhor caminho. O especialista em economia agrícola questiona a queima de grãos, que podem alimentar populações inteiras, nos tanques de gasolina dos ricos proprietários de automóveis do Ocidente.

abril 18, 2008

Lula diz que comida tem aumentado de preço, não graças ao etanol, mas porque as pessoas estão comendo mais. Mas…

Filed under: alimentos, etanol, EUA, fome e miséria, governo Lula — Humberto @ 3:39 pm
…esqueceu de considerar a crise nos EUA. Com isso, os americanos devem estar comendo menos. Muito menos.

abril 4, 2008

Site do Governo do Paraná é fonte de informações sobre transgênicos

AEN/ PR
01/04/2008
A busca de informações atualizadas sobre organismos geneticamente modificados está sendo atendida pelo site www.transgenicos.pr.gov.br, mantido pelo Governo do Paraná. “Além de veicular notícias, atualizadas permanentemente, o site tem um espaço para que os usuários formulem consultas sobre o tema transgênicos”, informa Álvaro Rychuv, coordenador do Grupo de Rotulagem dos Transgênicos.
Rychuv esclarece que na página principal do site existe o link FALE CONOSCO, que responde de imediato, as dúvidas e pedidos de usuários do Paraná e de grande parte do país. “O site recebe cerca de 170 acessos diários, com destaque para professores que solicitam material informativo para pesquisas escolares”, informa.
SEMINÁRIOS – O Grupo de Rotulagem dos Transgênicos iniciou a série de seminários “Os venenos em nossos pratos”, quando especialistas apresentam riscos e ameaças de alimentos para a segurança alimentar. Já foi realizado encontro na Universidade Estadual de Londrina, com mais de 300 inscritos, público formado por professores, estudantes e comunidade local.
O próximo seminário “Os venenos em nossos pratos” terá lugar no próximo dia 7 de maio, a partir das 8h30m, na Faculdade Estadual de Ponta Grossa. Também estão programados encontros em Maringá e Guarapuava.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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