ENCALHE

junho 6, 2007

Alice Cooper

Filed under: Alice Cooper — Humberto @ 5:09 pm
Tenho dois artigos aqui, falando sobre a vinda do cantor ao Brasil, e resumindo brevemente sua carreira. O problema é que falaram do óbvio e são óbvios questionáveis; um dos textos é de Humberto Finatti, para a Gazeta Mercantil ( 01/06 ) e o outro é de Thiago Ney, para a Folha de São Paulo ( Ilustrada, 21/05 ) .
Thiago mencionou que a vinda de Alice em 1974 foi o primeiro mega-show de rock ocorrido no país. Nessa época, a Alice Cooper Group já se desmanchava e a carreira solo do cantor se avizinhava. O último disco dessa formação foi o “Billion Dollar Babies” ( se não me engano, era o nome de um filme de Ronald Reagan ) , seu maior sucesso de vendas, e o quarto álbum gravado num curto espaço de tempo ( dois anos ) ; os demais membros do grupo seguiram em frente, adotando o nome “The Billion Dollar Babies”; mesmo após a dissolução da Alice Cooper Group, o cantor-solo continua executanto os hits desse período.
Não faltou a referência aos shows teatrais que a banda passou a fazer a partir de 70, 71, portanto não vou estender o tema. E a menção ao “glam-rock” é dispensável; o rótulo nos auxilia a melhor situarmos as bandas nos cenários musicais, mas depois os reles copiadores se apropriam desses rótulos e os colam a si mesmos, demonstrando na origem mais elementar, sua falta de criatividade. Outro rótulo vinculado à banda era “shock rock”, de forte significado, pois o flower-power ainda não tinha sido enterrado. Artistas como Alice Cooper, Stooges e Black Sabbath deram um jeito nisso. Apesar de ser geralmente vinculado a personagens de filmecos de terror, tipo Jason, Alice interpretava no início de carreira, na primeira pessoa, desde serial-killers, loucos, personagens angustiados e desjustados ( No more, Mr. Nice Guy ), assassinos e temas como máscaras sociais ( “No Lunger Umpire” ), angústia juvenil ( I´m Eighteen, You Drive me Nervous) , guerra ( School’s out ) , política ( Elected ) , e horrores que pertencem ao campo do real, material e palpável.
Questões importantes, como as primeiras bandas de que Alice ( o cantor, Vincent Furnier, de Detroit, filho de um pastor metodista ) fez parte – Earwigs, The Spiders ou Nazz ( não é a mesma Nazz de Todd Rundgren – em Phoenix, ou a história de ter batizado seu alter-ego após consultar um tabuleiro Ouija não foram lembradas. Nem sua conversão ( born-again ) religiosa.
Serviria para mostrar aos que situam Alice Cooper apenas no universo do heavy metal – o que Alice se encarregou de fazer por si mesmo, posteriormente – suas raízes no rock sessentista, executando covers ou se inspirando nos Beatles, Them, Yardbirds, Jeff Beck, Hollies, Eric Clapton. Sonoramente, em suas gravações nota-se certa versatilidade, percebida em faixas como “Desperado” ( disco “Killer”) na qual se ouve uma decente passagem de “western-spaghetti theme”, jazz ( “Blue Turk”, disco School’s Out ) , caos absoluto ( “Lay Down and Die, Goodbye”, sete minutos e trinta e seis segundos, Easy Action ) , hard-rock-blues ( “Under my Wheels”, Killer ).
A Spiders, de 66, contava com Vincent, Dennis Dunaway, Glen Buxton e o baterista John Speer, quando Michael Bruce veio se juntar ao combo. Um proto-Alice Cooper Group, ainda sem o baterista Neal Smith.
Daí para Los Angeles. As bandas que mandavam eram os Doors, Grateful Dead, Beach Boys, Love. E foi nessa época e lugar que John Speer saiu, sendo substituído por Neal Smith.
Em Venice, Califórnia, Frank Zappa – que já havia ouvido uma fita demo do grupo – viu-os em ação e convidou-os para assinar com seu recém-lançado selo Straight, onde gravaram dois álbuns: Pretties for You ( 1969 ) e Easy Action ( 1970 ) , espetaculares fracassos de venda. L.A. também não era lugar para eles. ” A pior banda do mundo”, foi o apelido carinhoso que ganharam ( mas é desse período até 74 , que me interessa )
Seguiram para Detroit, lar do MC5 e The Stooges. Encontraram um lugar onde seriam realmente ouvidos. A partir daí se tornaram uma das maiores bandas dos anos 70. E das mais problemáticas também, pois já tendo adotado seu “rock-horror-show” teatral com cobras, desmembramentos de bonecas e decapitações, viraram alvo de grupos religiosos e de pais.
Além dos problemas vindos do consumo abusivo de álcool. Um dos membros chegou a dizer que “eles é que mantinham a Seagram´s funcionando”…
De 74 em diante, a única coisa que sei é que Alice quase morreu de tanto beber, gravou new-wave ( Clones ), enveredou pelo cock-rock-metal ( vejam o guitarrista Rambo ), participou de filmes de terror-gore ( tem um em que ele vira lobisomem ), tornou-se Republicano, jogava golfe com Gerald Ford, cogitou em candidatar-se a Governador do Arizona,e sei lá mais o quê. Alguns dos membros daquela época de ouro já faleceram ( de cabeça eu não lembro ).
Enfim: são quarenta anos na estrada, que não podem ser resumidos aqui, mesmo porque eu teria que pesquisar, e não é essa minha pretensão. Mas falei mais coisas que as que constam nas reportagens que mencionei no início.
As informações são da Internet, de uma matéria da Guitar World ( Julho, 99 ) e da memória.

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