Eduardo lançou programa ao lado da viúva de Paulo FreireConfira especial Paulo Freire
Existem no Estado aproximadamente 930 mil analfabetos com 15 anos ou mais de idade, o que representa 11,6% da população. Das 185 cidades pernambucanas, 107, segundo o governador, têm pelo menos 35% dos moradores com 15 anos ou mais analfabetos. No total, 102 municípios já aderiram ao programa e 32 mil alunos estão cadastrados para participar. A iniciativa pernambucana será em parceria com o governo federal e a prioridade será para quem tem entre 15 e 29 anos de idade. Em 10 meses, a meta é que o educando aprenda a ler e escrever. Nos dois meses finais de aula, ele terá formação profissional ( caprinocultura, apicultura, segurança alimentar, gestão e organizações sociais ). As aulas vão ser diárias, com duas horas de duração, e começarão assim que as turmas se formarem. Os professores participarão de encontros semanais de formação.
E, sobretudo, lembre-se: a Editora Abril ( revista vEJA ) sempre tenta queimar o filme de Paulo Freire, apresentando-o a seus consumidores ( pois a vEJA não possui “leitores”; aliás, para a tal editora, o mundo é habitado por dois tipos de pessoas: os “consumidores” e os “não-consumidores ) como sendo um perigoso bolchevique. Ou seja: o que é bom para a vEJA não pode ser bom para o Brasil. A seguir, textos extraídos do site do Instituto Paulo Freire; trata-se da resposta a alguma das habituais tosqueiras perpetradas pela revistinha, como fizeram, por exemplo, tentando – talvez a soldo dos “investidores imobiliários” – denegrir a imagem do pe. Júlio Lancellotti. Prestem atenção: os dirigentes do Instituto detectam que, por trás dos ataques da vEJA, estão interesses privados voltados à educação mercantilizada.
22/08/2008 – Redação
1. Há dois aspectos fundantes do trabalho de Freire que eu gostaria de sublinhar. O primeiro refere-se ao impacto internacional da sua obra na educação de adultos e na alfabetização. Ele recebeu muitos prêmios por este trabalho. O segundo é a criação de um modelo de educação crítica que tem impactado a formação docente e também a política educativa em muitos países do mundo. Freire não é um educador menor e nem tampouco obsoleto. Pelo contrário, os problemas que ele confrontou ainda não foram resolvidos: por isso seu legado é ainda muito atual. Não há nenhuma dúvida: ele é o mais conhecido educador latino-americano, só comparável no mundo inteiro com Dewey.
Carlos Alberto Torres - Diretor Fundador do Instituto Paulo Freire e Professor da Universidade da Califórnia, Los Angeles
2. A Veja desta semana apresenta a figura de Paulo Freire como um educador menor, e defensor de um esquerdismo educacional inconseqüente. Creio que isso tem a ver com alguns pontos visíveis na política educacional brasileira. O país investe pouco na educação pública e nas políticas públicas que lhe dão suporte ( livros, materiais didáticos, valorização do professor, pacto federativos, etc. ). Há um nítido avanço dos grupos privados sobre os recursos públicos, especialmente no ensino superior, onde por meio de vários mecanismos, já chegamos a 75% do alunado desse ramo de educação, matriculados em estabelecimentos privados. Todos sabemos que esta “bolha” já está explodindo e esses grupos, inclusive com ramificações no exterior, não desejam perder os espaços já conquistados. Com respeito ao material didático, por alguns artifícios legais, alguns municípios estão abdicando dos livros adquiridos via MEC e substituindo-os por apostilas confeccionadas por organizações como algumas daquelas mencionadas na matéria da Revista Veja. Esses grupos privados estão ocupando espaços cada vez maiores, seja no Congresso Nacional, no Conselho Nacional de Educação e nos Conselhos Estaduais de Educação. Esse é o contexto da matéria da Veja. Ela defende interesses privados e ataca Freire por que é um defensor da escola pública igualitária, democrática e inclusiva de uma cidadania que forme o novo homem do século XX.
Walter Esteves Garcia - Diretor Fundador do Instituto Paulo Freire
3. Paulo Freire não respondia a ataques pessoais. A Revista Veja é muito coerente com a sua postura ideológica. Há mais de uma década ela vem atacando Freire. Hoje ela faz parte da campanha “Compromisso Todos pela Educação”, ao lado da FIESP e de outras instituições que defendem uma educação com base na ética do mercado, contrária aos princípios pedagógicos freirianos. Creio que a posição da Revista Veja, hoje como ontem, continua firme na defesa da sua ideologia neoliberal, que, segundo Freire, nega o sonho e a utopia. É melhor esta posição firme do que a aquela que se esconde sob o manto de uma pseudo-neutralidade. A Revista Veja não está contente com os docentes que, mesmo em condições tão adversas, buscam educar para um outro mundo possível. Saber que 29% dos professores se identificam com Paulo Freire é uma demonstração evidente de que as suas idéias tem ressonância neles e que nós, do Instituto Paulo Freire, continuando e reinventando Freire, estamos no caminho certo.
Moacir Gadotti - Diretor Fundador do Instituto Paulo Freire
Repercursão
Dialógico
Texto crítico em mídia dura, tanto blog até que fura! “A mídia não diz o que fazer, mas ela diz o que pensar.” B. C. Cohen, 1963. Quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Dedicatória
Procuramos, no Dicionário Paulo Freire [1], algum verbete que tratasse de ‘compostura” e ‘vergonha’, mas não encontramos. De qualquer forma, dedicamos a Monica Weinberg, Camila Pereira, Camila Antunes [ "Ah! Essa é velha de guerra! Foi quem escreveu umas barbaridades sobre o pe. Júlio, conforme mencionei mais acima." - Humberto ] e Marcos Todeschini, tarefeiros da Editora Abril, que emprestaram seus nomes para assinar tamanha idiotice, este trecho retirado do verbete ‘boniteza’ escrito por Euclides Redin para aquele dicionário:
[...] uma das bonitezas do anúncio profético está em que não anuncia o que virá necessariamente, mas o que pode vir ou não. Na real profecia, o futuro não é inexorável, é problemático. Há diferentes possibilidades de futuro [...] contra qualquer tipo de atalismo, o discurso profético insiste no direito que tem o ser humano de comparecer à História não apenas como seu objeto, mas também como sujeito. O ser humano é, naturalmente, um ser da intervenção no mundo à razão de que faz a História. Nela, por isso mesmo, deve deixar suas marcas de sujeito e não pegadas de puro objeto.
Paulo Freire em Pedagogia da Indignação, obra póstuma publicada em 2000, p. 119. [1] Dicionário Paulo Freire. Danilo R. Streck, Euclides Redin, Jaime José Zitkoski (orgs.). Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.
E quem nos livrará do jornalismo das trevas de Veja?
Maria da Conceição Carneiro Oliveira
Como levar a sério uma revista que tem a pretensão de qualificar pejorativamente de ‘arcano’ um dos pensadores mais significativos do século XX , cujas contribuições para a filosofia da educação são reconhecidas entre seus pares no mundo todo? Como levar a sério um periódico que obriga seus leitores a escolherem (sob pena de serem taxados de ultrapassados e equivocados) entre um educador e um físico teórico e que, excetuando o que a revista denomina de ‘civilização ocidental’, não reconhece humanidade no resto do planeta? Como levar a sério uma revista que sequer se dá ao trabalho de conhecer a vasta produção de Paulo Freire e a reduz a ‘um método de doutrinação esquerdista’?
Freire afirma que a pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora é feita de dois momentos distintos: o primeiro, ‘em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação’. E o pensador complementava que em qualquer um destes momentos, fosse nos trabalhos educativos como parte do processo de organização dos oprimidos ou na educação sistemática como projeto político educacional de uma sociedade revolucionária, ‘será sempre a ação profunda, através da qual se enfrentará, culturalmente, a cultura da dominação”. (FREIRE, 1968: 44)
http://sociologia-popular.blogspot.com/2008/08/neutralidade-contraditria-o-caso-da.html
Terça-feira, 19 de agosto de 2008
Neutralidade farsante: o caso da reportagem especial da Revista Veja sobre a educação
http://sociologia-popular.blogspot.com/2008/08/neutralidade-contraditria-o-caso-da.html>_
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=5396136458508701296&postID=8456821985490254101#_ftn3>
Através das teses consubstanciadas pelas jornalistas Mônica Weinberg e Camila Pereira, a Revista Veja deixa transparecer sua orientação teórica, embora não aponte que isso seja algo evidentemente estabelecido. A defesa do livre mercado e do achatamento do Estado enquanto agente pensador da economia; o incentivo ao empreendedorismo, às iniciativas empresariais que buscam sempre o maior lucro; a adoção dos processos privatizantes de antigas empresas estatais; enfim, toda essa gama de perspectivas acerca da organização dos indivíduos em sociedade, constitui o padrão argumentativo explícito na linha editorial do impresso. No entanto, não há em nenhum lugar de suas páginas, tampouco em referências de seus “especialistas”, a imagem esclarecedora dos seus pontos de vista, descritos na ciência social contemporânea como neoliberalismo.
Afinal, quando a educação se insere nessa história? É o que será tratado a adiante, caro leitor. A Revista Veja, definida no espectro ideológico atual, vinculada ao neoliberalismo, disfarçando-o para os seus consumidores, está intrincada numa sociedade específica, localizada no final do século XX e início do XXI. Tal sociedade, por sua vez, advém de um período em que as novas tecnologias da comunicação adentraram fortemente no dinamismo cotidiano das pessoas, passando a cumprir um papel de alta importância nas suas trajetórias.
Sábado, 23 de agosto de 2008
A Educação brasileira sob a ótica de Veja
Por Jéferson Dantas às 16:39
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/08/426822.shtml
Implicações entre as práticas pedagógicas de educadores das redes pública e privada de ensino e a mediação da mídia impressa de massa.
A matéria intitulada “Você sabe o que estão ensinando a ele?” assinada pelas articulistas Monica Weinberg e Camila Pereira no semanário Veja (edição 2074 de 20 de agosto de 2008) é mais uma afronta à inteligência dos/as educadores/as brasileiros/as. Trata-se de uma pesquisa encomendada por Veja ao Instituto CNT/Sensus sobre o panorama educacional do país, tanto na rede educacional pública como na rede privada. Ao todo, segundo a reportagem, foram entrevistadas 3000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, estudantes e educadores.
Surgida em 1968 sob a égide do regime militar no Brasil (1964-1985), o semanário do Grupo Abril tem se superado a cada edição no que se refere à ausência de ética e a um desmedido processo de desqualificação de renomados pensadores nacionais. A última vítima foi Paulo Freire. Escrevem as articulistas: “Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcaicos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização”. Imagino que a esta altura o Instituto Paulo Freire deve estar indignado com uma declaração tão leviana e infame.
Mas, não é só. Veja mostra-se preocupada com a excessiva “ideologização” dos currículos e ao “desprezo” à lógica do capital ensinada pelos/as educadores/as. Desta forma, aventuram-se na avaliação de livros didáticos de História e Geografia, expondo a visão deturpada de seus autores, quase todos presos às utopias ultrapassadas do século XIX ou às teorias do próprio Marx. Repreendem os autores dos livros didáticos com uma legitimidade surpreendente ao afirmarem, categoricamente, que os regimes neoliberais melhoraram, sobremaneira, a vida dos brasileiros e que a venda de estatais aos grupos econômicos estrangeiros tornou a nossa economia mais dinâmica, além de fortalecer o poder aquisitivo da classe média.
Nenhum/a pedagogo/a foi entrevistado/a na reportagem. Dois educadores foram expostos de forma leviana em relação às suas práticas pedagógicas em duas escolas particulares (melhor seria dizer que foram ridicularizados). E, por fim, convocam pais preocupados com a formação educativa de seus filhos a enfrentarem a “esquerdização caduca” do processo ensino-aprendizagem, que fatalmente não leva a lugar algum.
Ora, o campo educacional é um campo de litígio. Sendo assim, evidente que há uma luta ideológica na composição de currículos e na formação do/as educadores/as. Veja há algum tempo tem evidenciado sua opção política e ideológica de forma irresponsável e inconsistente. Opta por uma estratégia desqualificatória a-histórica, desprovida de compreensão do movimento dialético que engendrou a pesquisa e o ensino no Brasil. Veja confunde crítica responsável a um amontoado de opiniões eivadas de senso comum. O pouco cuidado com a relevância do tema, infelizmente, em nada contribui para a ampliação do debate educacional que, evidente, faz-se necessário. A preocupação de Veja tem endereço certo: esmagar definitivamente o dissenso no campo educacional e promover a acolhida ao deus-mercado como última instância de um mundo agora, hegemonicamente, capitalista. Em outras palavras: silenciem os inadaptados! Silenciem os recalcitrantes das causas carcomidas pela “evidência dos fatos”. Veja, o semanário fascista do momento!
clioinsone@gmail.com
URL:: www.clioinsone.blogspot.com
Terça-feira, 26 de agosto
He encontrado el vinculo de la revista Veja y el del articulo en cuestión
http://veja.abril.com.br/200808/p_076.shtml
Se trata de una pieza reaccionaria a más no poder. Copio a continuación un párrafo donde se habla del Che Guevara, Paulo Freire, Lula y Hugo Chávez… No me asombra que en Brasil acusen a Freire y a los profesores progresistas del descalabro educativo. Tambien la acusaron a Emilia Ferreiro del mal endémico que viene siendo el aprendizaje de la lectura y la escritura en las aulas brasileñas. Acabo de leer un informe acerca de la educación en Brasil, y la verdad es que, si hay que empezar a regar culpas, hay que empezar por muchos otros lados. La desigualdad social y educativa de un pais como Brasil es intolerable y tiene muchos arquitectos en el poder.
“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.
Entre as figuras históricas e da atualidade mais citadas em classe está, como não poderia deixar de ser, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As referências a Lula são contidas. O presidente brasileiro obtém aprovação menor entre os professores, segundo relatam os estudantes, do que aquela com que a sociedade brasileira em geral o brinda. Ele tem 70% de avaliação positiva dos brasileiros, mas na boca dos professores esse índice cai para 30% ? com 27% de citações negativas e 43% de neutras. Ressalte-se aqui que é um ponto louvável para os mestres o fato de, como mostram os números relativos a Lula, eles não fazerem proselitismo eleitoral em classe ? mesmo que seja preciso relevar o fato de o ditador venezuelano Hugo Chávez ter merecido 51% de citações positivas. A neutralidade e o comedimento em relação a Lula desautorizam a interpretação de que os professores tentam direcionar o voto dos alunos, o que seria desastroso. É sinal de que sua pregação, mesmo equivocada, se mantém no nível das idéias ? o que é excelente”.
He anotado el e-mail donde se puede enviar cartas a Veja, habria que inundarlos, especialmente los brasileños: veja@abril.com.br
Rosa Maria Torres Instituto Fronesis – Pedagogía, comunicación y sociedad
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Quarta-feira, 27 de agosto
Sobre o olhar de Veja e de Nova Escola a respeito da Educação no Brasil
Carlos Rodrigues Brandão
Como muitas pessoas que estarão lendo isto talvez não sejam, como nós também não somos, leitores costumeiros da revista Veja, possivelmente não terão tomado conta de imediato de uma recente reportagem publicada entre as páginas 72 e 87 do número 33 da edição 2074 correspondente a 20 de agosto de 2008. A reportagem tem este nome: “você sabe o que estão ensinando a ele?”. Escrita a partir de uma pesquisa com a pressa e as lacunas que de modo geral acompanham tais procedimentos em nossa mídia, a reportagem trás, no entanto, alguns dados oportunos e algumas idéias e críticas bastante sugestivas.
Seu propósito é claro demais para ser rediscutido entre estas poucas linhas. Nossa educação está entre as piores do planeta, mas 89% dos pais entrevisados e com filhos em escolas particulares “consideram receber das escolas um bom serviço pelo que pagam” (pg. 73). Em nome de uma educação e de uma escola livres de “doutrinação” ideológica, seus autores parecem advogar aquilo que um estudante de Pedagogia aprende logo nas primeiras aulas de um curso de História da Educação. Em qualquer lugar do mundo e em qualquer época de sua história, educação alguma foi no passado ou segue sendo, hoje, isenta de valores, de visões de mundo e de pessoa humana. Isenta de um olhar próprio sobre o presente e de um projeto qualquer para o destino do futuro. E a pior educação é aquela que em nome de sua eficiência utilitária, afirma não desejar mais do que capacitar instrumentalmente indivíduos competentes para o “sucesso no mercado”.
Na Página 77 um quadro resumo dos dados sumários da pesquisa, ao lado da montagem de uma foto em que um lápis serve de cabo a um martela cruzado com a foice do símbolo comunista cujo cabo é uma caneta, trás também um retrato em tamanho pequeno de Paulo Freire. E ao lado do retrato uma tabela de porcentagens que respondem à pergunta: “com quem os professores mais se identificam?” Os números são estes: Paulo Freire, 29%, Karl Marx, 10%, Gandhi, 10%, Jesus Cristo, 6%, Einstein, 6%. Ao invés de louvarem o fato de Paulo Freire anteceder na lista tais pessoas, ao invés de estar ao lado de Henry Ford, o Rei Jorge VI da Inglaterra, Pôncio Pilatos ou dos cientistas alemães a quem o mundo deve a primeira bomba atômica, a reportagem traça de nosso educador o seguinte retrato.
Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara (…) Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico Albert Einstein, talvez o maior gênio da humanidade. Paulo Freire 26 x 6 Einstein. (pg. 83 e 84).
Acreditamos que talvez um encargo pesado a pessoas que precisam ler e pesquisar depressa demais, sugerir às autoras da reportagem a leitura de pelos menos três livros de Paulo Freire: Pedagogia do oprimido, Pedagogia da esperança, e Pedagogia da autonomia. Estes livros e outros foram traduzidos para dezenas de línguas e costumam ser bastante mais lidos em nações e entre educadores dos paises centrais da “civilização ocidental” e do mundo capitalista, a começar pelos Estados Unidos, do que aqui mesmo no Brasil. Uma leitura destes e de outros livros, mesmo que apenas entre notas de rodapé e as bibliografias ao final, revelaria um pensador e educador cuja principal virtude foi sua atitude dialógica e aberta à diferença, a começar pelos autores que leu e a terminar pelo que escreveu e disse ao longo de toda a sua vida.
Acreditamos também que talvez seja uma outra tarefa espinhosa sugerir a esses jornalistas e a quem neles creia, o realizarem um levantamento completo das obras, escritas pelos mais diferentes educadores de várias escolhas teóricas e pedagógicas e de diferentes nações e continentes, a respeito das idéias de Paulo Freire. Afinal, a menos que estejamos vivendo em um mundo mais alucinado do ele que nos parece, cremos que um educador brasileiro honrosamente convidado a ser Doutor Honoris Causa de quarenta e nove universidades espalhados por todos os continentes, não conseguiria chegar a tanto, enganando tantas pessoas cuja credibilidade é, na maior parte dos casos, internacionalmente reconhecida.
Eles – bem menos do que quem assina a apressada reportagem – não se deixariam enganar durante tantos anos por um “autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização”. De igual maneira, creditar a favorável porcentagem de identificação de professores brasileiros com Paulo Freire, a uma ilusão ideológica igualmente rasteira e acrítica às suas idéias pedagógicas, equivale a uma postura de maldoso desrespeito a profissonais da educação cujas condições cotidianas de formação e de trabalho, estas sim, causariam espanto e desaponto entre educadores de outras nações da “civilização ocidental”.
Se a leitura atenta de algumas obras de Paulo Freire, ou a pesquisa – mesmo apressada – dos estudos que há mais de cinqüenta anos procuram desde todos os cantos do mundo pensar e colocar em prática a sua pedagogia, talvez represente uma dificuldade insuperável para as autoras da reportagem, cremos que, com um esforço bastante menor elas poderiam ler algumas páginas de uma revista que facilmente encontrariam em algum andar do edifício da mesma Editora Abril. Ela se chama Nova Escola. Seu subtítulo sugestivo é: a revista de quem educa, e a edição especial n. 19 de julho de 2008, dedica-se a apresentar “41 grandes pensadores – educadores que fizeram história, da Grécia antiga aos dias de hoje” (1).
A longa – e ainda assim bastante incompleta relação de Nova Escola, começa com Sócrates, condenado a beber a cicuta sob A acusação de corromper a juventude – algo não muito diverso do que os jornalistas de Veja insinuam a respeito dos educadores “de esquerda” de ontem e hoje – e de não crer nos deuses gregos de Atenas. E ela conclui com Howard Gardner, um psicólogo norte-americano que certamente haveria de ser se sentir bastante mais à vontade entre educadores humanistas críticos – como ele mesmo – do que entre aqueles que defendem uma educação inocentemente neutra. Entre os quarenta e um pensadores do dilema do ser humano, da sociedade e da educação, encontramos três brasileiros.
Acompanhados com os seus qualificadores no sub-título do índice, ele são: Anísio Teixeira – o inventor da escola pública no Brasil; Florestan Fernandes – um militante do ensino democrático, e Paulo Freire – o mentor da educação para a consciência. São reconhecidamente todos eles críticos da sociedade brasileira e a nenhum deles haveria de se reconhecer como um pensador “de centro” ou “de direita”, ou um educador isento de uma postura ideológica em favor de uma educação humanista, de qualidade, democrática e essencialmente crítica, algo que a reportagem, ilusória ou maldosamente confunde com “doutrinária”.
O educador Paulo Freire pode ser encontrado entre as páginas 110 e 112, logo a seguir de Hannah Arendt, citada pelas autoras da reportagem de Veja, e de Florestan Fernandes, e logo antes de Edgar Morin. Uma vez mais, ei-lo em boa companhia. Embora originadas de uma mesma empresa de mídia, eis que Escola Nova reserva a Paulo Freire uma imagem provavelmente oposta ao retrato-falado em Veja. Vejamos.
Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. (…) Ao propor uma prática de sala de aulas que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as “escolas burguesas”), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como que deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. “Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade” escreveu o educador (Nova Escola, pg. 110).
Pensamos, com base em palavras de uma revista da própria Editora Abril, acompanhadas de uma passagem de Paulo Freire, que entre o seu pensamento e o de um oportunista doutrinador existe uma considerável distância. Ao contrário, toda a sua pedagogia destina-se a transformar a doutrinação em diálogo, a passividade em participação ativa, a inocência neutra em crítica política (no bom sentido original da palavra: co-responsabilidade da gestão social da polis, o “lugar onde vivemos as nossas vidas”), e a capacitação instrumental destinada à subserviência competente no mundo dos negócios, pela formação consciente destinada a uma presença criativa na transformação da própria sociedade.
Prossegue a mesma revista, como se adivinhasse o que Veja viria a publicar cerca de um mês mais tarde.
No conjunto do pensamento de Paulo Freire encontra-se a idéia de que tudo está em permanente transformação e interação. Por isso, não há futuro a priori, como ele gostava de repetir no fim da vida, como crítica aos intelectuais de esquerda que consideravam a emancipação das classes desfavorecidas como uma inevitabilidade histórica. Esse ponto de vista implica a concepção do ser humano como “histórico e inacabado” e conseqüentemente sempre pronto a aprender. No caso particular dos professores, isso se reflete na necessidade de formação rigorosa e permanente. Freire dizia, numa frase famosa, que “o mundo não é, o mundo está sendo” (Nova Escola, pg. 112).
Dificilmente um tal “pensamento” poderia fundamentar uma postura de doutrinação e de inculcação de idéias e de valores. Na verdade, em direção oposta ao que a reportagem de Veja pretende que seja um exercício docente de doutrinação de crianças e de jovens, como a maioria de nossas e nossos professores estivesse dedicada a menos ensinar do que a doutrinar os seus alunos, tudo o que educadores humanistas, herdeiros ou não das idéias e propostas de Paulo Freire, pretendem, é estabelecer condições docentes para que um ensino instrumental, funcional e apenas capacitador de competências, venha a ser uma educação formadora de pessoas críticas, reflexivas, ativas e participantes da vida de suas sociedades.
A caricatura apresentada na Revista Veja e o retrato desenhado em Nova Escola deveriam ser lidos e “vistos” uma ao lado do outro. Eis a nossa sugestão: que as pessoas da mesma Editora Abril dialoguem umas com as outras. Afinal, não seria esta a prática pedagógica que Veja parece não reconhecer em docentes doutrinadores “de esquerda? Talvez a leitura paralela dos dois textos ajude quem tenha dúvidas a respeito de “quem doutrina quem” a encontrar se não respostas, pelo menos a indicação de onde e junto a quem elas poderiam ser procuradas. Não sei se entre possíveis educadores “neutros” ou democraticamente “de direita”. O que, reconheçamos, não será fácil. Afinal, de Sócrates a Paulo Freire, dificilmente o mundo da educação, tanto quanto o de outras práticas sociais, encontrou em pensadores e em educadores neutros ou isentos de um pensamento fundado diálogos entre valores, éticas, idéias e ideologias a respeito da pessoa humana, da cultura, da possibilidade de criação de mundos de vida e de trabalho mais livres, justos e solidários, e do lugar da educação em tudo “isto” algo que fizesse merecer a sua presença na relação dos “grandes pensadores” de Nova Escola.
O que devemos temer é justamente a doutrinação que não aparece escrita em livros – a não ser no de treinamento de competentes-competitivos para o mundo dos negócios – e nem comparece nos incontáveis encontros, congressos e colóquios em que educadores de um pais ou de vários recantos do mundo se reúnem para pensarem, a partir de suas diferenças e à margem de desejos de doutrinação, como tornar mais humana uma educação em perigo.
Uma educação que para eles vale ainda como formação integral da pessoa. A mesma que a maioria dos que defendem a neutralidade do trabalho do educador prefere deixar a cargo daqueles que, passo a passo, tomam posse da educação brasileira. Os mesmos sócios dos que, reunidos em uma lastimável não tão distante Assembléia Geral da Organização Mundial do Comércio decretaram que previdência social, saúde e educação não valem mais como um direito humano, mas como uma mercadoria entre outras tantas.
Talvez em nome de uma liberdade que não serve mais do que a indivíduos preocupados apenas com suas “carreiras” e a sua (cada vez mais difícil, cada vez mais socialmente seletiva) “trajetória de sucesso”, Veja apresenta como uma conquista de uma sociedade emancipada estes dados e comentários.
A pesquisa realizada pela CNT/Sensus e publicada nesta Veja um verdadeiro divisor de águas na história da discussão educacional brasileira. Porque aqui pela primeira vez se perguntou à sociedade brasileira – os alunos da escola pública e seus pais – qual é o tipo de ensino que ela quer. E a resposta foi clara. E claramente antagônica ao sentido de missão e às práticas dos professores: 70% dos alunos das escolas públicas acham que a função da escola é “preparar para o futuro” ou “ensinar as matérias”. Só 28% defendem a “formação do cidadão”. Alguém vai dizer: mas os alunos são demasiado jovens e não sabem o que querem. OK. Mas seus pais estão do mesmo lado: uma maioria de 56% esperam que a escola “ensine as matérias” e dê formação profissional a seus filhos.” (Veja, pg. 86).
Eis o ideal da Assembléia Geral da OMS realizado afinal. Eis um desejo de que a educação abra mão de ser formação e se reduza a ser uma instrumental e “material” de capacitação. Estamos entre dois dilemas. Se a pesquisa falseia – o que não é difícil em enquête de encomenda deste tipo – então seria preciso descobrir a que interesses serve uma tal longa e custosa reportagem. Se ela traduz alguma verdade, então mais do que nunca precisamos com urgência de uma educação que devolva a pais e a estudantes a consciência e o desejo de que eles aprendam algo mais do que “matérias” solitariamente dirigidas ao individuo profissional – algo que os seus computadores podem fazer por eles. Que eles aprendam solidariamente as integrações de “energias” de um saber dirigido à pessoa cidadã.
Fiel ao ideário da Organização Mundial do Comércio, a reportagem de Veja parece em tudo contrária a um documento que em momento algum cita Anísio Teixeira, Florestan Fernandes ou mesmo Paulo Freire. Um documento cuja leitura recomendamos com insistência a pais, a educadores, às pessoas que realizaram a pesquisa e também a quem escreveu a reportagem. Trata-se de um longo relatório encomendado pela Unesco (a instituição da Organização das Nações Unidas devotada à educação e à cultura) a uma ampla equipe de educadores e de pensadores da pessoa, da sociedade e da educação, nos anos finais do século passado. Este relatório realiza uma ampla avaliação da educação em plano mundial. Depois ele faz recomendações sobre “uma educação para o século XXI”. Transformado em livro e traduzido em vários idiomas, em Português ele tomou este nome: Educação, um tesouro a descobrir2. Boa parte do que poderia ser considerado um exercício de doutrinação, inclusive a partir de iniciativas de nosso Ministério da Educação, deriva das propostas do relatório da Unesco.
Em seu capítulo central, o bem conhecido “capítulo quatro” o documento estabelece os quatro pilares do aprender. Isto é, do “ser educado”. Bem ao contrário do que defende a reportagem de Veja, eles insistem em que a escola forme pessoas através de um: a) aprender a fazer – mas não apenas por meio do exercício funcional competente de uma profissão e, sim, pela criação de contextos cooperativos de trabalho em comum; b) aprender a aprender, isto é, nunca aprender conteúdos prontos de “matérias” ensinadas, mas aprender a pensar reflexivamente através da construção solidária e crítica de saberes; c) aprender a conviver, ou seja, aprender para saber ser algo bastante além de um simples “bom profissional”; aprender para ser, em termos defendidos por Paulo Freire há mais de quarenta anos, a ser uma pessoa solidária, criativa e participante dos dilemas de seu mundo de vida e de trabalho; d) aprender a ser. Sim, e para pasmo de quem creia que “isto é coisa do passado”, um documento de foro internacional ousa colocar na formação integral do ser da pessoa o último e mais essencial pilar do aprender. Mas talvez não seja sequer necessário recorrer à Educação – um tesouro a descobrir. Pois se voltarmos à página de Nova Escola, na sessão “para pensar” que em um box acompanha cada um dos quarenta e um educadores, está escrito o seguinte, com que podemos encerrar este diálogo a partir de dois escritos da mesma Editora Abril.
Um conceito a que Paulo Freire deu a máxima importância, e que nem sempre é abordado pelos teóricos, é o da coerência. Para ele, não é possível adotar diretrizes pedagógicas de modo conseqüente de serem que elas orientam a prática, até em seus aspectos mais corriqueiros. “As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos”, escreveu o educador. “Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se ironizo, s o discrimino, se o inibo com minha arrogância?” Você, professor, tem a preocupação de agir na escola de acordo com os princípios em que acredita? E costuma analisar as próprias atitudes sob este ponto de vista? (Nova Escola, pg. 112).
(1) Trata-se de uma “compilação dos volumes 1 e 2 dos Grandes Pensadores” tal como anunciado na própria capa da revista.
(2) Delors, Jacques (org.). Educação: um tesouro a descobrir. Relatório da Unesco de Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. 2Ed, São Paulo; CORTEZ/MEC/UNESCO, 1999
Quinta-feira, 4 de setembro
Bom dia, meu nome é Flávio Gomes e sou professor em Brasília. Gostaria de compartilhar com vocês toda a minha indignação e repúdio peremptório contra a reportagem da revista veja de 20 de Agosto de 2008 e intitulada, “o inssino no Brasiu é otimo” segundo a revista, foi feita uma pesquisa encomendada por ela mesma. A reportagem de Mônica Weinberg e Camila Pereira, trata os professores Brasileiros com leviandade, vilipêndio e os considera todos esquerdistas, os considera analfabetos e inculcadores do ideais comunistas só pra começar e, vai então ainda mais longe tecendo críticas mordazes ao grande educador Paulo Freire. Assim diz a revista “Ou idolatram personagens /arcanos/ e /sem contribuição efetiva à civilização ocidental/, como o */educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização.” /*Os grifos são meus. Essa rivistinha só se acha com o direito de falar desta forma com o um dos maiores pensadores da a humanidade já teve, isso não pode ficar assim, meus amigos eu peço a vossa ajuda para nós fazermos alguma coisa eles, merecem uma resposta à altura. Por favor não aceitem isso passivamente, isto é um ultraje contra nós todos PROFESSORES BRASILEIROS. Um abraço cordial e aguardo resposta por favor. Prof. Flávio Gomes.
Centro de Referência Paulo Freire
E MAIS: Anísio Teixeira
“A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.” – John Dewey
ALERTA!! O prefeito eleito do RJ, Eduardo Paes escolheu como Secretária de Educação a sra. Cláudia Costin, ex-vice presidente da Fundação Victor Civita ( Nova Escola ) e presença garantida em administrações tucanas.
” ( … ) Mas não basta formar bem o professor. Também é preciso escolher [ !!?! Claro, com as condições que o governo paulista oferece, os professores farão fila, ou melhor, procissão em frente à casa do Serra, para serem "escolhidos" ] os melhores profissionais que vão atuar em sala de aula. Além da presença de muitos professores temporários [ Se isso for um problema para Cláudia, ela deveria chamar o governador de São Paulo às falas, já que houve prova para temporários: "Professores temporários fazem prova hoje" , Portal do Governo SP, 17.12.08 ] constata-se pela pesquisa que os conhecimentos demandados nos concursos públicos [ quais? aonde? ] dão pouco valor à prática e à formação profissional específica. Muitos adotam, como algumas universidades, abordagem academicista e enfatizam legislação educacional, como se pessoas que dominam tais conteúdos pudessem ser os melhores para alfabetizar ou ensinar adição de frações ( … )” – Cláudia Costin, “Formação docente e qualidade do ensino”, Folha de São Paulo, 05.11.08 ( Obs: se você ler o artigo inteiro, perceberá que os professores mal-formados a que ela se refere são provenientes das escolas particulares )
“( … ) Não é para menos que ela [ Editora Abril ] sempre teve relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita. Afora os possíveis apoios “não contabilizados”, que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, a Editora Abril doou, nas eleições de 2002, R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, depois utilizado pelo próprio PT ( … ). “ – Altamiro Borges, “A podridão da revista VEJA“.

TRIVELA
Carta Maior
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Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
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