Começando pelo passado:
Editorial Jornal do Brasil, publicado a 23/10/2001
Delinqüentes da Imprensa
O bando de jornalistas dedicados à produção de “reportagens investigativas”, pressurosamente publicadas por órgãos de imprensa dispostos a surfar nas ondas do denuncismo, assemelha-se a uma matilha de pitbulls. Seus integrantes freqüentemente se lançam com fúria irracional contra inocentes. Basta sentir o cheiro do dono, contudo, para que os espécimes da raça se comportem como os mais dóceis de seus primos muito distantes. Encolhem-se com a delicadeza do cocker spaniel. Quando muito, latem sem sobressaltar ninguém, como um chihuahua.
Prenhes de valentia no momento de ataque a gente que desconhecem, esses talibãs especializados na confecção de notícias explosivas, ainda que escancaradamente falsas, exibem o recato de uma afegã quando lidam com assuntos que envolvem os próprios patrões. Examine-se, para ilustrar a tese, o comportamento dos “guerreiros da investigação” a serviço da revista Veja em relação a dois empresários. Um é Nelson Tanure, acionista da empresa que edita o Jornal do Brasil. Outro é Roberto Civita, presidente da Editora Abril e dono daquela publicação.
Na edição que está nas bancas, o semanário de Civita vale-se da papelada de um conhecido lobista e extorsionário de Brasília, Alexandre Paes dos Santos, para ministrar uma lamentável aula de imprensa marrom, subscrita irresponsavelmente pelo repórter Policarpo Júnior. A vítima é Nelson Tanure, aparentemente condenado à danação eterna por ter-se juntado ao esforço de recuperação financeira do Jornal do Brasil. Sob o título “O baú do lobista”, aparece não a foto de seu inspirador, Alexandre Paes dos Santos. Aparece a de Tanure, citado só duas páginas além, no último parágrafo do texto. Trata-se de uma inversão catalogada como delinqüência ética em qualquer bê-á-bá do jornalismo.
Não é só. A revista anexou à foto do empresário uma página contendo anotações manuscritas pelo extorsionário, vinculadas a Tanure. Homens de boa-fé ali encontram rabiscos que ali misturam trivialidades, todas ao alcance de uma conversa com amigos ou vizinhos do empresário – nome da secretária e número de filhos, por exemplo –, com ilações e insinuações delirantes. Sempre mais atilado que o restante do planeta, o repórter conseguiu enxergar, naquele baú de intrigas e malignidades, informações confiáveis.
Do alto desta dedução, o autor do texto ancorou-se no truque de insultar o empresário com “informações” colhidas na fonte suspeitíssima. Trata-se de um extorsionário, que ressalvara ao repórter jamais ter conversado com Tanure. Nada disso inibiu a ação do pitbull da imprensa. Veja, que se considera uma leitura indispensável, não tardará a descobrir os estragos, morais e econômicos, decorrentes do desprezo pela equanimidade, da discriminação ostensiva, do desrespeito por códigos éticos. Por enquanto, a revista da Editora Abril parece preocupada em preservar exclusivamente a maloca onde se aglomeram seus morubixabas.
Há poucos meses, o jornalista Mino Carta publicou um livro, O Castelo de Âmbar, em que relata, recorrendo a diferentes técnicas narrativas, sua longa e rica experiência. Há quem goste muito de Mino Carta, há quem dele não goste. Uns e outros jamais lhe negaram a condição de homem honrado e o talento profissional. Agudo observador de cabeças, almas e caracteres, a certa altura o jornalista insere na obra um capítulo de livro de memórias e, na terceira pessoa do singular, descreve momentos muito interessantes de seu convívio com Roberto Civita, então vice-presidente da Editora Abril. Mino era diretor de redação da revista Veja, que não publicou uma única palavra sobre O Castelo de Âmbar. Com a credibilidade que extorsionários não merecem, ele oferece informações que um bom repórter investigativo não deixaria passar ao largo. Os de Veja fingiram que não era com eles.
Mino conta que, em 1975, Roberto Civita promoveu manobras internas que resultaram na demissão do teatrólogo Plínio Marcos, titular de uma coluna de esportes na revista, e, depois, no afastamento do próprio diretor de redação, para que o governo militar do presidente Ernesto Geisel fosse mais generoso com a empresa. Civita tinha a promessa de ver a censura suspensa caso fizesse tais concessões. Sobretudo, ele e outros diretores sonhavam com a liberação pela Caixa Econômica Federal do empréstimo solicitado pela Abril, 50 milhões de dólares em valores da época, que daria consistência aos combalidos cofres da editora. Cabeças rolaram, a censura foi suspensa, o dinheiro saiu. E este é apenas um instante numa longa trajetória apimentada por lances indecorosos.
Trata-se de uma leitura pouco edificante, mas muito instrutiva. Como serão instrutivos os efeitos do combate impenitente que o Jornal do Brasil promete travar contra o império da arrogância leviana.
O bando de jornalistas dedicados à produção de “reportagens investigativas”, pressurosamente publicadas por órgãos de imprensa dispostos a surfar nas ondas do denuncismo, assemelha-se a uma matilha de pitbulls. Seus integrantes freqüentemente se lançam com fúria irracional contra inocentes. Basta sentir o cheiro do dono, contudo, para que os espécimes da raça se comportem como os mais dóceis de seus primos muito distantes. Encolhem-se com a delicadeza do cocker spaniel. Quando muito, latem sem sobressaltar ninguém, como um chihuahua.
Prenhes de valentia no momento de ataque a gente que desconhecem, esses talibãs especializados na confecção de notícias explosivas, ainda que escancaradamente falsas, exibem o recato de uma afegã quando lidam com assuntos que envolvem os próprios patrões. Examine-se, para ilustrar a tese, o comportamento dos “guerreiros da investigação” a serviço da revista Veja em relação a dois empresários. Um é Nelson Tanure, acionista da empresa que edita o Jornal do Brasil. Outro é Roberto Civita, presidente da Editora Abril e dono daquela publicação.
Na edição que está nas bancas, o semanário de Civita vale-se da papelada de um conhecido lobista e extorsionário de Brasília, Alexandre Paes dos Santos, para ministrar uma lamentável aula de imprensa marrom, subscrita irresponsavelmente pelo repórter Policarpo Júnior. A vítima é Nelson Tanure, aparentemente condenado à danação eterna por ter-se juntado ao esforço de recuperação financeira do Jornal do Brasil. Sob o título “O baú do lobista”, aparece não a foto de seu inspirador, Alexandre Paes dos Santos. Aparece a de Tanure, citado só duas páginas além, no último parágrafo do texto. Trata-se de uma inversão catalogada como delinqüência ética em qualquer bê-á-bá do jornalismo.
Não é só. A revista anexou à foto do empresário uma página contendo anotações manuscritas pelo extorsionário, vinculadas a Tanure. Homens de boa-fé ali encontram rabiscos que ali misturam trivialidades, todas ao alcance de uma conversa com amigos ou vizinhos do empresário – nome da secretária e número de filhos, por exemplo –, com ilações e insinuações delirantes. Sempre mais atilado que o restante do planeta, o repórter conseguiu enxergar, naquele baú de intrigas e malignidades, informações confiáveis.
Do alto desta dedução, o autor do texto ancorou-se no truque de insultar o empresário com “informações” colhidas na fonte suspeitíssima. Trata-se de um extorsionário, que ressalvara ao repórter jamais ter conversado com Tanure. Nada disso inibiu a ação do pitbull da imprensa. Veja, que se considera uma leitura indispensável, não tardará a descobrir os estragos, morais e econômicos, decorrentes do desprezo pela equanimidade, da discriminação ostensiva, do desrespeito por códigos éticos. Por enquanto, a revista da Editora Abril parece preocupada em preservar exclusivamente a maloca onde se aglomeram seus morubixabas.
Há poucos meses, o jornalista Mino Carta publicou um livro, O Castelo de Âmbar, em que relata, recorrendo a diferentes técnicas narrativas, sua longa e rica experiência. Há quem goste muito de Mino Carta, há quem dele não goste. Uns e outros jamais lhe negaram a condição de homem honrado e o talento profissional. Agudo observador de cabeças, almas e caracteres, a certa altura o jornalista insere na obra um capítulo de livro de memórias e, na terceira pessoa do singular, descreve momentos muito interessantes de seu convívio com Roberto Civita, então vice-presidente da Editora Abril. Mino era diretor de redação da revista Veja, que não publicou uma única palavra sobre O Castelo de Âmbar. Com a credibilidade que extorsionários não merecem, ele oferece informações que um bom repórter investigativo não deixaria passar ao largo. Os de Veja fingiram que não era com eles.
Mino conta que, em 1975, Roberto Civita promoveu manobras internas que resultaram na demissão do teatrólogo Plínio Marcos, titular de uma coluna de esportes na revista, e, depois, no afastamento do próprio diretor de redação, para que o governo militar do presidente Ernesto Geisel fosse mais generoso com a empresa. Civita tinha a promessa de ver a censura suspensa caso fizesse tais concessões. Sobretudo, ele e outros diretores sonhavam com a liberação pela Caixa Econômica Federal do empréstimo solicitado pela Abril, 50 milhões de dólares em valores da época, que daria consistência aos combalidos cofres da editora. Cabeças rolaram, a censura foi suspensa, o dinheiro saiu. E este é apenas um instante numa longa trajetória apimentada por lances indecorosos.
Trata-se de uma leitura pouco edificante, mas muito instrutiva. Como serão instrutivos os efeitos do combate impenitente que o Jornal do Brasil promete travar contra o império da arrogância leviana.
Agora, o presente:
STJ nega direito de resposta à Abril sobre editorial do Jornal do Brasil
Comunique-se, 11.06.08
A Editora Abril não terá direito de resposta por suposta ofensa em editorial do Jornal do Brasil de 23/10/2001, segundo decisão de terça-feira (10/06) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para a editora, o texto, intitulado “Delinqüentes da Imprensa” – sobre reportagem de Veja com a prisão de um lobista com telefones de Nelson Tanure, proprietário do jornal – ofendeu honra da empresa e funcionários com informações inverídicas.
Na decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um editorial não é matéria jornalística. O editorial cita o livro “O Castelo de Âmbar”, de Mino Carta, que relata experiências do jornalista quando trabalhava na Abril. Os fatos comentados foram considerados públicos e não originalmente divulgados pelo jornal, o que fez com que o direito de resposta fosse negado.
A ministra Maria Thereza de Assis Moura manteve a decisão do TJ, argumentando que a controvérsia requere exame de prova, o que não compete ao STJ.
A Editora Abril não terá direito de resposta por suposta ofensa em editorial do Jornal do Brasil de 23/10/2001, segundo decisão de terça-feira (10/06) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para a editora, o texto, intitulado “Delinqüentes da Imprensa” – sobre reportagem de Veja com a prisão de um lobista com telefones de Nelson Tanure, proprietário do jornal – ofendeu honra da empresa e funcionários com informações inverídicas.
Na decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um editorial não é matéria jornalística. O editorial cita o livro “O Castelo de Âmbar”, de Mino Carta, que relata experiências do jornalista quando trabalhava na Abril. Os fatos comentados foram considerados públicos e não originalmente divulgados pelo jornal, o que fez com que o direito de resposta fosse negado.
A ministra Maria Thereza de Assis Moura manteve a decisão do TJ, argumentando que a controvérsia requere exame de prova, o que não compete ao STJ.

TRIVELA
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CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
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