A pressão, vinda de políticos, surgiu após a imprensa alemã divulgar que Becker foi informante do Departamento Federal de Proteção à Constituição, a agência de inteligência do governo alemão, e teria recebido dinheiro para repassar informações.
“Quando os serviços secretos trabalham com fontes, como os informantes, que se põem à disposição para dar informações sobre determinadas questões, como a senhora Becker fez, é sempre garantido o segredo”, disse nesta quarta-feira em Berlim um porta-voz do Ministério do Interior, confirmando que Becker era informante.
Em seguida, a Procuradoria Geral da República da Alemanha requisitou ao Ministério do Interior acesso ao dossiê Becker. Há dois anos, o ministério indeferiu pedido semelhante, alegando “desvantagens que constituiriam uma ameaça para a Alemanha”.
Informante paga
Becker foi detida na semana passada, acusada de envolvimento no assassinato do então procurador-geral da República, Siegfried Buback, em 1977. Na noite desta quarta-feira, o canal de televisão alemão ARD exibiu um documentário no qual um ex-agente secreto afirma que Becker recebeu dinheiro em troca de informações.
O valor não foi revelado, mas, segundo o jornal Bild, seria de 100 mil marcos. As informações repassadas por Becker teriam levado à captura de líderes da RAF, como Brigitte Mohnhaupt e Christian Klar. Ela também teria informado os agentes sobre a quantidade de armas do grupo e planos de assassinatos.
Becker foi presa pela primeira vez em 1977, após tiroteio no qual ela feriu com gravidade um policial. Condenada por tentativa de assassinato, ela deixou a prisão em 1989.
Apesar de sempre ter havido suspeitas de que ela estivesse envolvida no assassinato de Buback, não havia provas. Mas, na semana passada, surgiram evidências que a relacionam ao caso.
Caso sem solução
Após 32 anos, não se sabe quem foi o autor dos disparos que mataram Buback, seu motorista, Wolfgang Göbel, e um segurança do Judiciário, Georg Wurster, em abril de 1977, na cidade de Karlsruhe. Os disparos partiram de uma motocicleta. Os ex-membros da RAF se recusam a comentar o assunto.
Becker afirmou ao Bild pouco antes da sua detenção, na semana passada, em Berlim, não ter sido a autora dos disparos. Três ex-membros da RAF, Knut Folkerts, Christian Klar e Brigitte Mohnhaupt, hoje em liberdade, foram condenados, alguns anos depois do assassinato, à prisão perpétua por terem organizado o atentado.
AS/dpa/ap/rtr/lusa




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