ENCALHE

fevereiro 5, 2008

Plebiscito: população será consultada sobre fechamento de aeroporto na Capital

Filed under: aeroportos, Alemanha, Alemanha nazista, Berlim, Europa — Humberto @ 5:28 pm
Berlim poderá fazer plebiscito sobre fechamento de Tempelhof
DW
03.02.2008
O fechamento do antigo aeroporto central da capital em outubro de 2008 parecia ser fato consumado. Agora, uma petição bem-sucedida pode forçar o governo a realizar um plebiscito para consultar a população da cidade.
Há tempos que se observa uma resistência constante dos habitantes de Berlim ao fechamento completo do aeroporto Tempelhof. De acordo com pesquisas conduzidas pela imprensa local na época da decisão judicial sobre o futuro do aeroporto no ano passado, cerca de 75% dos berlinenses gostariam de mantê-lo em funcionamento e apenas 22% aprovam seu fechamento completo. Uns 40% afirmaram que gostariam que o aeroporto fosse aproveitado pelo menos para vôos corporativos ou médicos.
Quando Friedbert Pflüger, líder da bancada da União Democrata Cristã (CDU) na capital, convocou os cidadãos a assinar uma petição de protesto com o objetivo de forçar o governo de coalizão de esquerda a repensar sua política, eles não hesitaram em fazê-lo. Na última quinta-feira (31/01), duas semanas antes do prazo final, a petição já havia obtido as 170 mil assinaturas necessárias para justificar a realização de um plebiscito.
Especialistas alertam, no entanto, que o referendo não tem força legal e não pode forçar o governo a mudar de estratégia. O prefeito da cidade, o social-democrata Klaus Wowereit, já avisou que não mudará seus planos para o aeroporto.
A declaração causou indignação em diversos políticos, que defendem que um plebiscito bem-sucedido deveria manter o aeroporto aberto – pelo menos, até que terminem as obras de construção do novo Aeroporto Internacional Berlim-Brandemburgo (BBI).
Velhos tempos
Embora ainda esteja em funcionamento, o aeroporto Tempelhof, um amplo complexo arquitetônico nazista situado ao sul da região central da capital, já tem a aura de uma cidade-fantasma, onde visitantes podem ter uma idéia de como voar era uma aventura nos velhos tempos, quando as pessoas ainda vestiam suas melhores roupas para viajar.
Mas Tempelhof também possui um passado notório, tendo sido usado pelos Aliados para suprir os habitantes da cidade com alimentos e outros bens necessários durante o bloqueio soviético de 1948.
Atualmente, de lá decolam apenas alguns vôos corporativos de pequeno porte e uma ponte aérea para Bruxelas. Mas até mesmo estes serão cancelados a partir de outubro, quando o aeroporto fechará definitivamente suas portas para dar lugar ao BBI, onde hoje fica o aeroporto Schönefeld.

novembro 10, 2007

Os brasileiros que lutaram ao lado de Hitler

Há três anos, o professor Dennison de Oliveira, do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), busca uma editora para publicar uma obra no mínimo reveladora sobre a realidade de brasileiros, descendentes de alemães, que lutaram pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Em Os soldados brasileiros de Hitler, o pesquisador relata a história real de seis pessoas que, vivendo na Alemanha e impedidas de voltar ao Brasil por causa da guerra, tiveram de servir às potências do Eixo e viver os conflitos éticos gerados pelo nazismo.
A motivação do autor partiu do curitibano Norberto Toedter, de ascendência alemã, deportado junto com a família depois que seu pai foi acusado de ser espião nazista e convocado a prestar serviços às forças armadas daquele país. Suas memórias, narradas no livro E a guerra continua, serviram de inspiração para que Dennison buscasse mais exemplos de brasileiros que viveram experiência semelhante. “Ele citou que muitas famílias viveram casos como o dele e me passou alguns contatos”, lembra.
As recordações dos entrevistados foram transformadas em livro. Antes de a guerra estourar as famílias desses “soldados” foram para a Alemanha em busca de melhores condições de vida. “Mas, com a eclosão da guerra, ficaram impedidos de voltar”, conta o professor. Enquanto isso, os meninos atingiam a idade de alistamento e, como todo cidadão alemão, tinham de arcar com as obrigações militares.
De acordo com Dennison, centenas de brasileiros passaram por essa situação, mas apenas um relatou um episódio conflituoso ao ser enviado para combater na frente italiana, onde certamente lutaria contra os amigos brasileiros. “Ele deduziu que os colegas estariam lá. Além disso, se fosse capturado e dado como traidor, sofreria represálias”, diz. No entanto, o apelo emocional não foi capaz de tirá-lo da missão. “Quem o livrou foi um médico que, vendo o difícil momento por que passava, na hora do embarque o declarou doente.”
O pesquisador lembra que a motivação desses soldados em estar na Alemanha e participar da guerra estava longe de ser política, segundo seus relatos: era uma questão de sobrevivência e de obrigação com a pátria. Tanto que, de volta ao Brasil, logo após a guerra, eles sofreram as conseqüências da revolta contra o nazismo. “No pós-guerra, tiveram de se evadir do preconceito. Em decorrência disso, elaboraram uma visão de recusa à responsabilidade da Alemanha pela guerra e negaram a perseguição aos judeus”, diz o pesquisador, citando que, ainda assim, alguns dos entrevistados que compõem sua obra reconhecem as atitudes negativas do movimento conduzido por Hitler.
Paraná-Online
09/11/07

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