ENCALHE

setembro 9, 2008

Dependência de Glifosato: transgênico dá prejuízo para produtores na safra 2008/09. Especialista diz que cultivo de milho trans sofrerá desestímulo.

Transgênico dá prejuízo para produtores na safra 2008/09
DCI, 09.09.08
SÃO PAULO - Enquanto os produtores de sementes convencionais irão trabalhar com aumentos moderados, e em algumas regiões até mesmo queda, no preço dos herbicidas na safra 2008/2009, os produtores de sementes geneticamente modificadas terão um aumento significativo nos custos de produção, puxado pelo incremento nos preços dos defensivos à base de glifosato. Segundo levantamento feito pelo Scot Consultoria, o preço da embalagem de 20 litros do Roundup, marca líder de mercado, aumentou de R$ 249,56 em agosto de 2007 para R$ 348,00 em agosto deste ano.
A última tabela com os custos de produção da safra 2008/2009 divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já mostra os efeitos da alta do produto no bolso do agricultor. Os cinco municípios avaliados pela estatal apresentaram aumento nos gastos com agrotóxicos.
“O preço dos defensivos ficou estável nessa safra, com exceção daqueles à base de glifosato. Como o produtor compra muito esse produto ele acabou puxando para cima o preço dos agrotóxicos como um todo”, disse Asdrúbal Jacobina, gerente da gerencia de custo de produção Conab.
O Rio Grande do Sul é o maior estado produtor de soja transgênica. De acordo com a Agroconsult, na Região Sul, a presença de transgênicos foi verificada em 82,1% das amostras de soja. No Brasil, a prevalência de lavouras de soja transgênicas é de 59,1%.
O produtor de transgênicos também arca com um custo maior na aquisição de sementes já que são impedidos de multiplicá-las pela lei de patentes. Para essa safra, a Monsanto já anunciou que aumentará em 17% o royalty da soja transgênica. A cobrança da taxa passará de R$ 0,30 para R$ 0,35 por quilo, já os agricultores que plantarem soja modificada a partir de semente própria deverão repassar 2% do valor de sua colheita para a empresa. Só no Rio Grande do Sul a empresa deve recolher mais de R$ 100 milhões dos agricultores.
Em Cruz Alta (RS), o preço da semente ( já com o custo do royalty incluído ), subiu de R$ 69,95 para R$ 85,29 por hectare.
Sobre o custo do glifosato, a Monsanto esclarece que dois fatores são importantes na avaliação dos preços atuais dos herbicidas: o incremento do preço do petróleo, que interfere diretamente nas matérias-primas que compõem o produto, além do aumento da demanda global do produto. A empresa informou ainda que está investindo mais US$ 150 milhões na fábrica de Camaçari, na Bahia, unidade que produz a matéria-prima do glifosato, para atender à maior demanda do produto.
De acordo com Gabriel Fernandes, agrônomo da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (ASPTA), o aumento na procura pelo por defensivo à base de glifosato não está ligado ao benefício do produto, mas sim à dependência. “Nos dois, três primeiros anos o uso de herbicida cai, mas depois a semente fica mais resistente e o produtor tem que aumentar volume de aplicação”, afirmou.
Para Fernandes, o fato dos produtores de soja não encontrarem na prática os benefícios que as empresas tinham anunciado deve desestimular a expansão do milho transgênico que terá seu primeiro plantio na safra atual.
Acreditando na ampliação do nicho de mercado de sementes convencionais está sendo criada oficialmente hoje a Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados. A entidade reúne empresas como o grupo Maggi, Caramuru Alimentos, Imcopa e Brejeiro.

junho 3, 2008

Quem nunca comeu calorias, quando come, leva o mundo à beira da destruição total!!!

Matérias-primas mais caras e demanda disparam inflação mundial
Folha Online, 09.04.08
“Os preços mais altos das matérias-primas, tanto alimentícias quanto energéticas, acentuados pela forte demanda dos países emergentes, tem provocado aumento da inflação no mundo.
Os preços dos cereais explodiram e o petróleo é vendido acima dos US$ 100 o barril –nesta quarta-feira,
atingiu recorde aos US$ 112,21 –, afetando fortemente a maioria das economias do planeta e o poder aquisitivo das populações.
A grande responsável por estas altas dos preços é a demanda crescente dos países emergentes, com economias em crescimento que necessitam de matéria-prima para alimentar sua produção. A oferta mundial, limitada por recursos ou capacidade de produção, não consegue suprir essa demanda, o que gera tensões nos mercados internacionais e eleva os preços.
Seguindo os passos das matérias-primas, a inflação também começa a bater recordes no mundo, retirando o poder de compra da população. As tensões sobre os preços são particularmente sensíveis nos países em desenvolvimento, onde as famílias dedicam maior parte dos salários para a compra de comida e de combustível. (…)”
Difícil ler essas coisas, sem que surjam mais perguntas, que nos levarão a mais questionamentos. O trecho acima – e eu não vou me dar ao trabalho de ler o restante – , pelo menos uma idéia contida nela, me fez lembrar aquela ironia do Paulo Henrique Amorim: O PAC FAZ MAL À SAÚDE. Ou seja: os países emergentes estão levando o mundo à destruição, devido a seu excesso de consumismo. Onde já se viu? Já dizia o correto ditado: “Quem nunca comeu melado…”.
Quer ver uma coisa? Você acharia bom que o kilo de arroz no supermercado custasse R$ 0,50? Antes de responder, pense no que diria o produtor de arroz, sobre ele produzir o alimento a um custo tal que permitisse ao consumidor final no varejo pagar os cinquenta centavos. Talvez a história de “produzir comida cada vez mais e mais barato” seja um embuste que não considera as “Leis de Mercado” e os interesses dos agentes.
Que as pessoas ( provavelmente mais chineses e indianos, além de uns brazucas ) estejam consumindo mais alimentos, é uma informação a ser comemorada. Mas é justo dizer que isto seja a causa da aludida falta de alimentos e de seu consequente encarecimento, do jeito com está sendo exposto?
Não sei explicar direito o que me vem à cabeça, mas siga com a leitura:
Secretário de Agricultura do Paraná alerta: oligopólio de fertilizantes encarece alimentos
AEN/ PR, 12.05.08
“O pouco número de empresas que produzem fertilizantes aumentou o preço do produto em mais de 50% só este ano, o que vem causando um repasse de custos inaceitável na produção de alimentos. O alerta foi feito nesta segunda-feira (12) pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, durante audiência pública na Assembléia Legislativa, onde defendeu a necessidade de o Brasil discutir os 15 anos de privatização do setor e encontrar soluções alternativas para ampliar o fornecimento do insumo. (…)”
Ora, vejam. O secretário de Agricultura do Paraná traz um dado que merece nosso interesse: em 5 meses, houve um reajuste nos preços dos fertilizantes de cerca de 50%!!
Mas há outras informações excelentes: há, no mercado, um baixo ( “pouco” ) número de empresas que produzem fertilizantes. Um cartel, portanto. Aliás, me parece que o Brasil já foi, até os longínquos anos 90, um produtor de fertilizantes, sem precisar recorrer a importações massivas do produto. O ideal seria pesquisar a respeito. Sei – meio vagamente – que havia empresas estatais, ou subsidiárias das maiores, tipo Petrobrás, com esta função, e acabaram entrando na lista de degola das privatizações. Poderíamos, agora, refletir um pouco sobre a necessidade ou não de um país possuir uma empresa estatal estratégica, para a produção de defensivos, fertilizantes e outros, e que fosse um instrumento de equilíbrio na cadeia de produção agrícola.
Pois o artigo publicado na Folha Online não cogita a existência de um cartel de insumos a determinar os preços de elementos necessários para a produção dos alimentos, e que este seja também um responsável pela crise de abastecimento.
O artigo abaixo pode ser considerado altamente esclarecedor. Talvez haja um ou outro ponto de maior complexidade mas, de um modo geral penso eu, descreve bem a situação. Os grifos e destaques que surgirem são meus:
“Agrocombustíveis e produção de alimentos
ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA
“E as conseqüências, para a produção de alimentos no Brasil, da expansão da cana-de-açúcar nos últimos 15 anos, quais são?
A RELAÇÃO entre a expansão dos agrocombustíveis e a produção de alimentos ganhou a agenda política internacional. A agricultura mundial continua passando por transformações profundas. O avanço da “comoditização” dos alimentos e do controle genético das sementes que sempre foram patrimônio da humanidade foi acelerado.
Dois processos monopolistas comandam a produção agrícola mundial. De um lado, está a territorialização dos monopólios, que atuam simultaneamente no controle da propriedade privada da terra, do processo produtivo no campo e do processamento industrial da produção agropecuária. O principal exemplo é o setor sucroalcooleiro.
De outro lado, está a monopolização do território pelas empresas de comercialização e processamento industrial da produção agropecuária, que, sem produzir absolutamente nada no campo, controlam, por meio de mecanismos de sujeição, camponeses e capitalistas produtores do campo.
As empresas monopolistas do setor de grãos atuam como “players” no mercado futuro das Bolsas de mercadorias do mundo e, muitas vezes, têm também o controle igualmente monopolista da produção dos agrotóxicos e dos fertilizantes.
A crise, portanto, tem dois fundamentos. O primeiro, de reflexo mais limitado, refere-se à alta dos preços internacionais do petróleo e, conseqüentemente, à elevação dos custos dos fertilizantes e agrotóxicos.
O segundo é conseqüência do aumento do consumo, mas não do consumo direto como alimento, como quer fazer crer o governo brasileiro, mas, isto sim, daquele decorrente da opção dos Estados Unidos pela produção do etanol a partir do milho.
Esse caminho levou à redução dos estoques internacionais desse cereal e à elevação de seus preços e dos preços de outros grãos – trigo, arroz, soja.
Assim, a “solução” norte-americana contra o aquecimento global se tornou o paraíso dos ganhos fáceis dos “players” dos monopólios internacionais que nada produzem, mas que sujeitam produtores e consumidores à sua lógica de acumulação.
Certamente, não há caminho de volta para a crise, pois, no caso norte-americano, os solos disponíveis para o cultivo são disputados entre trigo, milho e soja. O avanço de um se reflete inevitavelmente no recuo dos outros. Daí a crítica radical de Jean Ziegler, da ONU (Organização das Nações Unidas), que classificou o etanol como “crime contra a humanidade”.
É no interior dessa crise que o agronegócio do agrocombustível brasileiro quer pegar carona no futuro fundado na reprodução do passado. O governo está pavimentando o caminho.
Por isso, a questão dos agrocombustíveis e a produção de alimentos rebatem diretamente no campo brasileiro. A área plantada de cana-de-açúcar na última safra chegou perto de 7 milhões de hectares e, em São Paulo, onde se concentra mais de 50% do total, já ocupa a quase totalidade dos solos mais férteis existentes.
Em meio à expansão dos agrocombustíveis, uma pergunta se faz necessária: quais foram as conseqüências, para a produção de alimentos no Brasil, da expansão da cultura da cana nos últimos 15 anos?
Os dados do IBGE, entre 1990 e 2006, revelam a redução da produção dos alimentos imposta pela expansão da área plantada de cana-de-açúcar, que cresceu, nesse período, mais de 2,7 milhões de hectares. Tomando-se os municípios que tiveram a expansão de mais de 500 hectares de cana no período, verifica-se que, neles, ocorreu a redução de 261 mil hectares de feijão e 340 mil hectares de arroz.
Essa área reduzida poderia produzir 400 mil toneladas de feijão, ou seja, 12% da produção nacional, e 1 milhão de toneladas de arroz, o que equivale a 9% do total do país. Além disso, reduziram-se nesses municípios a produção de 460 milhões de litros de leite e mais de 4,5 milhões de cabeças de gado bovino.
Embora a expansão esteja mais concentrada em São Paulo, já o está também no Paraná, em Mato Grosso do Sul, no Triângulo Mineiro, em Goiás e em Mato Grosso. Nesses Estados, reduziu-se a área de produção de alimentos agrícolas e se deslocou a pecuária na direção da Amazônia Isso deu, conseqüentemente, em desmatamento. Por isso, a expansão dos agrocombustíveis continuará a gerar a redução da produção de alimentos.
A produção dos três alimentos básicos no país -arroz, feijão e mandioca- também não cresce desde os anos 90, e o Brasil se tornou o maior país importador de trigo do mundo. Portanto, o caminho para a saída da crise e da construção de uma política de soberania alimentar continua sendo a realização de uma reforma agrária ampla, geral e massiva.
ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA, 60, é professor titular de geografia agrária da USP e diretor da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária). Integrou a equipe que elaborou a proposta do Segundo Plano Nacional de Reforma Agrária para o governo Lula (2003).
Fonte: Folha de S.Paulo – 17/4/08 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1704200809.htm)”
Vejam só, eu não estou afirmando coisa alguma ( quem sou eu? ); talvez um simples alerta de que, quando se percebe a vEJA falando sobre inflação, e você sabe ( sem nem mesmo precisar ler a matéria ) que, nas entrelinhas, ela tenta enfiar em nossa goela a impressão de que uma truculenta alta de juros promovida pelo Gabinete do dr. Meirelles seria boa para o Brasil, devemos redobrar a atenção. Pois se, de um limão se fará uma limonada, uma alta de juros – com a desculpa de brecar a inflação “causada pelos alimentos” – poderá não sutir efeito sobre os preços da comida, mas faria a alegria de muito especulador por aí.

maio 14, 2008

Secretário de Agricultura do Paraná alerta: oligopólio de fertilizantes encarece alimentos

AEN/ PR
12/05/2008
O pouco número de empresas que produzem fertilizantes aumentou o preço do produto em mais de 50% só este ano, o que vem causando um repasse de custos inaceitável na produção de alimentos. O alerta foi feito nesta segunda-feira (12) pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, durante audiência pública na Assembléia Legislativa, onde defendeu a necessidade de o Brasil discutir os 15 anos de privatização do setor e encontrar soluções alternativas para ampliar o fornecimento do insumo.
Para Bianchini, a agricultura brasileira está muito dependente de insumos importados derivados do petróleo e, segundo ele, em pouco tempo essa situação não será mais viável.
“Como solução, é preciso que o país crie mais empresas do setor de fertilizantes, sejam estatais ou privadas”, defendeu.
Segundo Bianchini, a Petrobrás deve retirar seus projetos da gaveta e retomar o mercado de insumos agrícolas em nome da soberania nacional.
“Se nada for feito, em breve a sociedade pagará essa conta quando o custo dos alimentos se tornarem ainda mais caros”, alertou.
O secretário sugeriu a ampliação de pesquisas sobre a utilização de insumos, o resgate de técnicas antigas que, com novas matrizes tecnológicas, podem aumentar a eficiência e a competitividade das lavouras como a integração lavoura-pecuária, manejo biológico de pragas, entre outras.
“São técnicas que podem ser repaginadas tecnologicamente e que levam ao cultivo de uma agricultura sustentável”, destacou.
“Para responder ao aumento da demanda mundial de alimentos e para se tornar uma potência na diversificação da matriz energética, o Brasil tem que enfrentar essa situação de extrema dependência da importação de fertilizantes cujo setor está oligopolizado”, ressaltou Bianchini. Atualmente, o Brasil importa cerca de 70% dos fertilizantes que consome, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná.
“A preocupação com o oligopólio é que ele mostra a sua cara justamente em anos em que os preços das principais commodities estão em alta, como neste ano”, disse o secretário. As empresas, disse Bianchini, aumentam os preços dos fertilizantes acima das expectativas de inflação.
Para isso, apontou ainda o secretário, as indústrias alegam uma série de fatores como o impacto dos aumentos no preço do petróleo, o crescimento da demanda mundial e a entrada de países emergentes que estão consumindo mais.
“Mas é claro que numa situação onde há pouca concorrência, predominam os índices que elas decidem”, frisou Bianchini.
ALTA – Um levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento mostra que no período de fevereiro de 2007 ao mesmo mês deste ano, os preços dos fertilizantes subiram 62%, em média no Paraná. Entre os 18 tipos de formulações NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) pesquisadas no Estado, há casos de aumento de 100%, passando de R$ 695,00 a tonelada para R$ 1.390,00 a tonelada.
A fórmula mais barata de NPK, a 4-14-8, fertilizante muito utilizado por pequenos produtores na olericultura, no cultivo de feijão e milho de baixa tecnologia, teve aumento de 50%, passando de R$ 532,00 a tonelada para R$ 798,00 a tonelada.
Esse aumento nos preços dos insumos está provocando impactos no aumento dos custos de produção do milho safrinha e do trigo. Com certeza, também irá impactar os custos de produção da safra de verão 2008/09, informa a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi.
Apesar da queda do dólar de 2004 para cá, o custo da matéria-prima para a formulação do fertilizante subiu muito e passou a pressionar os custos de produção dos principais produtos agrícolas, aponta ainda o levantamento do Deral. Conforme o estudo, o peso dos fertilizantes no custo de produção passou a 12% no caso do feijão, para 25% na produção de milho e 16% na de soja.
“No acumulado de 2000 a 2007, os preços dos fertilizantes subiram mais do que os preços dos alimentos”, disse Bianchini. Ele destacou a disposição da Secretaria da Agricultura do Paraná em firmar parcerias com o governo federal e outras entidades para buscar alternativas para essa situação, desde a necessidade de ampliar a presença de mais misturadoras no País, até convencer a Petrobrás a voltar a investir no setor de fertilizantes.
O secretário destacou ainda a disponibilidade da Seab em discutir novos modelos de agricultura que leve em conta a diversificação e a incorporação de técnicas alternativas para que o País possa aproveitar as oportunidades com o aumento da demanda mundial por alimentos.
“O Brasil tem um papel preponderante na produção de alimentos e precisa ocupar esse espaço com inclusão social, com a preservação da Agricultura Familiar e com a preservação da Amazônia”, finalizou o secretário da Agricultura do Paraná.
FMI: alta do petróleo preocupa mais que a de alimentos
Para além da recessão: No princípio da segunda etapa da crise global

abril 30, 2008

Falta trigo? Milho? Vejam o que o mestre Aloysio Biondi dizia, há DEZ anos, sobre a destruição que FHC causou a nossa agricultura!

 
Extraído do site O Brasil de Aloysio Biondi
Agricultores, “macaquitos” e covardia
Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 16 de abril de 1998
O Brasil já chegou a produzir todo o trigo que consumia, algo como 6 milhões de toneladas por ano, na época. Neste ano, vai colher pouco mais de 2 milhões. Produzia 11 milhões de toneladas de arroz. Agora, recua para 9,5 milhões. Foi um dos maiores exportadores mundiais de algodão. Os produtores locais, inclusive do Nordeste, foram arrasados por importações; a área plantada caiu até 75%, isto é, três quartos das terras foram abandonadas.
Exemplos como esses, do “massacre” da agricultura brasileira nos últimos anos, pela equipe FHC, são infindáveis. Por que a produção de trigo vai recuar novamente neste ano?
Pasme-se: para um consumo de 8 milhões de toneladas, o Brasil importou 6 milhões em 1997 – e agora, época do plantio da nova safra, os produtores brasileiros estão com 1 milhão de toneladas da colheita passada “encalhadas”. De onde vêm as importações? Da Argentina, basicamente. Por quê? Porque o governo argentino garante empréstimos, para os produtores exportarem, com prazo de pagamento de 400 dias (um ano e um mês), a juros de 8% ao ano. Logicamente, os moinhos preferem importar, já que aqui dentro só obtêm empréstimos de curtíssimo prazo, nos bancos – a juros de 5% a 10%. Ao mês.
E o arroz? Por que a produção caiu? Porque em 97 a equipe FHC determinou que o Banco do Brasil cortasse violentamente o crédito: cada produtor só conseguiu dispor de 25% (isto é, um quarto) do crédito a que até então tinha direito. Para plantar. E mais: nas principais regiões produtoras, como Pedro de Toledo, no Rio Grande do Sul, as dívidas dos produtores de porte médio para cima não foram renegociadas.
E o algodão? A mesma história: a equipe FHC reduziu o Imposto de Importação sobre a fibra para apenas 2%, mesmo sabendo que países como os EUA vendem o algodão (e outros produtos) a preços artificialmente baixos, isto é, o governo subsidia a venda, pagando uma “diferença” ao produtor/exportador. Além do corte no imposto, o algodão importado (como outros produtos) oferecia financiamento por 180 ou 360 dias – e taxas de juros de 8% ao ano. Lógico, o algodão nacional não poderia competir.
Promessas, só
Queijos e outros laticínios, frutas frescas, pêssegos em conserva, até o leite de coco – nenhum produto deixou de ser abalado pelas importações em condições que o agricultor brasileiro não tem. A agricultura brasileira poderia gerar empregos, renda e dólares – com exportações maiores e importações menores. Mas tem sido massacrada.
Por força de lei, o governo sempre foi obrigado a comprar as colheitas dos produtores, sempre que os preços despencassem abaixo de certos níveis (os chamados “preços mínimos”) – fosse por causa de uma superprodução ou fosse por manobras de atravessadores e especuladores.
A equipe FHC, além de “escancarar” o mercado, nos últimos anos suspendeu a lei, na prática – e deixou de comprar as colheitas, a pretexto de acabar com o “protecionismo” e forçar a modernização da agricultura. Por isso, sobra hoje 1 milhão de toneladas de trigo do ano passado. Por isso, produtores de milho, feijão e algodão sofrem prejuízos sistemáticos, na hora de vender suas safras. As “inovações” anunciadas para beneficiar a agricultura são sempre pura empulhação.
Há mais crédito? Financiamento? A equipe FHC permitiu que os bancos tomassem dinheiro emprestado no exterior, a juros mais baixos, para emprestar – essa a mentira – à agricultura. Na verdade, o dinheiro da chamada “63 caipira” pode ser aplicado, pelos bancos, em títulos do governo federal com correção cambial (vale dizer: se houver “maxidesvalorização”, os bancos não têm prejuízos…). Resultado: os bilhões da “63 caipira” não estão sendo emprestados aos agricultores, e sim aplicados em títulos.
Outra inovação anunciada como “apoio à agricultura” e que é um espantoso retrocesso: para um número mínimo de três ou quatro produtos, o agricultor ainda tinha a chance de tentar vender sua colheita ao governo, por meio de um esquema “sofisticado” de leilões e uso da Cédula do Produtor Rural. Pois neste ano o sistema passou a beneficiar, com a liberação de dinheiro, as indústrias e beneficiadores que utilizam produtos agrícolas como matéria-prima. Isto é, volta-se à década de 70, quando os “atravessadores” recebiam empréstimos do governo e ficavam em condições de impor preços baixos na hora de comprar a colheita do produtor. Produtor sem crédito.
Em quatro anos, a agricultura da Argentina deu um salto de 20 milhões de toneladas em sua produção, passando da casa dos 40 milhões para 60 milhões de toneladas por ano. O Brasil, no mesmo período, não saiu de faixa dos 75 milhões a 80 milhões de toneladas. Lá existem política agrícola, crédito, prazos, juros baixos. Pelo menos uma vez, poderíamos confirmar a fama de “macaquitos”, e imitar essa política de apoio à agricultura, da Argentina – e outros países. Como está, é covardia. E burrice empetecada.
PAINEL DO LEITOR 27/04/1998 Agricultura em crise
“Não obstantes a frieza e a indiferença daqueles que decidem os destinos do país diante do sufoco que vive, há anos, a agricultura nacional, a Folha, de tantas tradições de informar e de discutir democraticamente as questões que interessam à sociedade, presta, uma vez mais, relevante serviço à agricultura brasileira. Referimo-nos ao artigo ‘Agricultores, macaquitos e covardia’, do ilustre jornalista Aloysio Biondi (Dinheiro, 16/4). Dada a grande repercussão nos meios ligados à atividade rural no país, queremos parabenizar a Folha e Biondi pela excelência e pela oportunidade da matéria contida no artigo.”
Nuri Andraus Gassani, presidente do Sindicato Rural do Distrito Federal (Brasília, DF)

 

novembro 10, 2007

Arroz contaminado causa prejuízo de 1 bilhão de dólares!!! Não dá prá comer mais nada hoje em dia, hein!!!

Arroz transgênico gera prejuízo de US$ 1 bilhão em todo mundo
09/11/2007
A contaminação em 2006 dos estoques de arroz dos Estados Unidos vendidos no mercado internacional por uma variedade transgênica da Bayer pode ter causado prejuízos de mais de US$ 1 bilhão em todo o mundo, segundo informa relatório elaborado por um economista independente e publicado pelo Greenpeace Internacional.
Traços da variedade de arroz geneticamente modificado LL601, da Bayer, foram descobertos nas provisões americanas em 2006. A contaminação teria vindo de campos experimentais do LL601 nos Estados Unidos, que foram encerrados em 2001. A descoberta, lembra o Greenpeace, provocou o maior desastre financeiro e comercial da história da indústria americana de arroz. Pelo menos 30 países foram afetados pela contaminação e muitos deles fecharam seus mercados para o arroz americano, incluindo grandes importadores como a União Européia e as Filipinas.
Estima-se que a contaminação tenha afetado 63% das exportações de arroz dos Estados Unidos. Centenas de agricultores americanos e empresários europeus entraram com ações contra a Bayer para recuperar suas perdas. As futuras punições dadas à empresa podem dobrar ou até triplicar o custo final do incidente de contaminação com arroz transgênico.
Segundo Gabriela Vuolo, do Greenpeace, as lições do escândalo de 2006 são relevantes para os países que estão flertando com a possibilidade de plantar arroz transgênico em escala comercial, como é o caso do Brasil.
“Atualmente, a CTNBio está analisando um pedido da Bayer para cultivo comercial do arroz transgênico LL62. Como a Comissão está proibida de votar os processos de liberação comercial de milho em decorrência de uma medida judicial, há grandes chances das decisões sobre os processos relativos a algodão e arroz serem antecipadas”, revela Vuolo.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, o Brasil consome anualmente cerca de 8 milhões de toneladas de arroz, quantidade muito similar à consumida pelos japoneses. Atualmente, a produção brasileira é destinada exclusivamente ao mercado interno e mais de 60% se concentra no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
“O arroz é peça-chave da dieta dos brasileiros e não podemos permitir que empresas de biotecnologia irresponsáveis modifiquem e contaminem o prato nosso de cada dia”, alerta Gabriela Vuolo.
“Algumas marcas brasileiras, como Camil e Tio João, já sabem que o brasileiro não quer arroz transgênico e declararam que não vão aceitar esse tipo de matéria-prima.”
AEN/ PR
09/11/07

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