Richard Wagner: panfletos anti-semitas abriram caminho para o nazismo
Não são poucos os pesquisadores e cientistas na Alemanha e fora dela que dedicam trabalhos às ligações nem sempre claras entre política e cultura, que questionam os conceitos de poder e moral e apontam, dentro da obra do compositor Richard Wagner, preconceitos anti-semitas. “O jovem Hitler sempre esteve bem à frente em toda apresentação de Wagner que havia”, diz a historiadora Brigitte Hamann, autora do livro Winifred Wagner e a Bayreuth de Hitler.
Fato é que as composições de Wagner estiveram presentes mais que quaisquer outras nos eventos organizados pelo governo de Hitler, que fazia, à vontade, uso das mesmas para os fins políticos que interessavam à propagação da ideologia nazista. A ópera Os Mestres Cantores de Nurembergue (Die Meistersinger von Nürnberg), por exemplo, foi executada com todas as pompas durante a Segunda Guerra Mundial na Festspielhaus de Bayreuth.
Panfleto incitando o anti-semitismo
Tais declarações não eram, no contexto da época, raras. Ou seja, Wagner pertencia ao quadro de conservadores de direita intitulados “nacionalistas alemães” (Deutschnationaler). Dez anos depois da publicação destes panfletos, surgia um texto do historiador Heinrich von Treitschke, que, entre outros, continha os dizeres: “Os judeus são nosso azar”. Tal frase desencadeou um enorme debate sobre a questão do anti-semitismo no século 19, tendo sido, décadas mais tarde, usada pelos nazistas em campanhas populares.
Contato estreito com Hitler
“O mestre de Bayreuth abriu, em parte, o caminho para o nazismo”, escreveu o historiador Saul Friedländer. Segundo ele, o primeiro panfleto de teor anti-semita escrito por Wagner não pode, no entanto, ser interpretado como uma conclamação ao extermínio violento dos judeus, mas sim como um “apelo” contra a influência judaica na vida cultural da época.
Há de se notar, porém, que a família Wagner manteve, já desde 1923, um estreito contato com Adolf Hitler. “Eles convidavam Hitler para visitá-los e chegaram até a levá-lo ao túmulo de Richard. Mostraram tudo a ele. Assim, foi sendo construída uma relação íntima entre a família e o então futuro ditador nazista. A tradição nacionalista alemã já vinha de Richard. Quando Hitler visitou Bayreuth e os Wagner em 1923, todos entraram para seu partido. Eles se tornaram todos adeptos dos nazistas desde muito cedo”, observa a historiadora Hamann.
“Winnie e Wolf”
Eles não mantinham qualquer formalidade na comunicação, tratando-se mutuamente de você (du) e usando coloquialmente os apelidos de Winnie e Wolf. Depois do fim da Segunda Guerra, Winifred foi obrigada a abdicar da direção do Festival de Bayreuth, mas manteria suas reverências a Hitler até a morte, décadas mais tarde, em 1980.
Em 2007, Katharina, bisneta de Wagner, escolheria propositalmente a ópera Os Mestres Cantores de Nurembergue para sua estréia como diretora. “Claro que este local é carregado”, afirmou Katharina na época.
Para a historiadora Hamann, “há tanto peso em função dessa herança nazista em Bayreuth, ainda hoje, que Katharina não tem mesmo outra saída exceto viver repetindo que se distancia [das posturas da família no passado]“.






Outro ditador que explorou o esporte, no caso o futebol, foi o terceiro General-Presidente Emílio Garrastazu Médici, eleito, indiretamente, em 25/10/1969. Ele costumava ir ao Maracanã com um rádio de pilha no ouvido. Em 1983, o jornalista Geneton entrevistou João Saldanha, então treinador da seleção brasileira e depois demitido (Saldanha não quis convocar Dario Maravilha a pedido de Médici. Foi substituído por Zagalo. O Brasil foi campeão naquele ano, 1970). Ele perguntou ao ex-técnico: “A imagem do general Médici naquela época, com o radinho de pilha no ouvido para ganhar popularidade, incomodava João Saldanha?” Resposta: “Devia incomodar a ele aquele rádio desligado. Pois, segundo as pessoas próximas, tratava-se de um rádio sempre desligado, o que era demagógico. Isso podia incomodar a ele, porque é chato ficar com o braço levantado fingindo que ouve rádio… E, francamente, não acho que seja atraente. Mas me incomodar, não. (…) Não tenho nada pessoalmente com ele. Nem o conheço! Só o vi de longe. Não sei direito como é a cara. Nunca falei com ele nem ele comigo. Quando houve uma reunião em Porto Alegre com ele, chamaram a cúpula da seleção, mas não compareci. (…) Eu não teria prazer em apertar a mão de um homem que tinha matado vários amigos meus – ou mandado matar ou deixado matar. Não sei nem se foi ele quem mandou ou deixou. O caso é que, coincidentemente, trezentos e tantos morreram naquele governo, o mais assassino da história do Brasil” (Blog geneton, 4/6/2006). Não apenas os governantes exploram politicamente o esporte. Jogadores e dirigentes também. Vários deles foram eleitos parlamentares (deputados federais, estaduais e vereadores). Entre eles, Eurico Miranda do Vasco da Gama. Como o seu time não estava bem nos campeonatos que disputou, o dirigente vascaíno não se reelegeu. Em 2008, jogadores de futebol e esportistas serão candidatos a vereador na Capital. Alguns, certamente, se elegerão!
Lá estiveram o presidente Lula e mais 12 governadores. Entre eles, os tucanos José Serra, governador de São Paulo, e Aécio Neves, governador de Minas Gerais. Em entrevista ao Estadão, o primeiro está preiteando que o jogo inaugural seja em São Paulo e o segundo no Mineirão. Já é a briga para as eleições de 2010! Lula por sua vez brincou: “O Brasil saberá, orgulhosamente, realizar uma Copa do Mundo perfeita, para argentino nenhum botar defeito”.
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