É isso mesmo!! SENSACIONAL!!
Os poucos leitores de nossos blogs ( muito obrigado, aliás ) já devem conhecer o processo de adensamento pelo qual o bairro onde resido vem passando e a piora na “qualidade de vida” ( puta, que termo infeliz ) de quem já está aqui há bastante tempo. Sob minha ótica, claro, eu não nego. Porém, como não possuo os conhecimentos de urbanismo necessários, sou obrigado a apelar à minha memória e conversar com outros, que tampouco dispõem deste conhecimento especializado. E, inclusive, buscar alguma história semelhante de outros bairros. Um dia eu conto uma pequena situação engraçada que ocorreu comigo, tendo como ponto de partida o imóvel onde foi filmado o “DURVAL DISCOS”. O referido local, próximo a Pinheiros, não existe mais: foi derrubado para a construção de uma ou duas torres de apartamentos; em resumo, quero dizer que, por mais que uma incorporadora ou um investidor venham tentar vender a idéia de que o “progresso” teria que vir, obrigatoriamente, precedido por seus lançamentos e construções, por menor instrução que eu tenha, eu não sou convencido disso nem a pau. Quando comecei a perceber a mudança deste bairro aqui- a Vila Prudente mas, em especial, a Vila Zelina – busquei ver a entrelinha da coisa da forma que eu conseguisse. Para falar a verdade, sucintamente, a derrubada impiedosa de imóveis antigos em bom estado e sua substituição por caixas de concreto não mais para uma, mas duas ( e até três ) famílias foi o que começou a chamar a minha atenção, até por uma questão de interesse pessoal: eu moro aqui, gosto daqui, mas pago aluguel. Com a especulação, os imóveis para aluguel foram encarecendo ou escasseando, de modo que, no caso de uma improvável possibilidade de eu descolar algum dinheiro nos próximos 200 anos para comprar uma residência, com certeza esse valor não será suficiente para continuar por aqui mesmo. Imóveis, aluguéis mais caros…que mais? Ah, aumento do número de automóveis circulando por um bairro de ruas estreitas e habitado – pelo menos estava assim – por idosos, majoritariamente. Quando dei por mim, nos jornais do bairro ( sim, “nos” jornais, existem uns 3 ou 4 que circulam por aqui, semanalmente ) começaram a aparecer insistentemente matérias relatando atropelamentos próximo à praça central do bairro. E, não tardou, surgiram as propostas de se colocar fiscalização da CET no pedaço. Acho que eu nunca tinha visto uma viatura da CET por aqui, sério. Fixar um fiscal de trânsito na praça seria o troféu da derrota. Eu não cheguei a falar aqui da fila dupla que as mães faziam ( fazem ) na frente dum colégio na Avenida Zelina ( Marco Zero )? Parece até matéria do JT falando do DANTE, daquela falta de educação, da carteirada… Engraçado que, nesse lugar onde as infrações são flagrantes, não se ouve exigir uma fiscalização mais atuante.
Bom, daí, tentando entender o que estava se passando, mas com uma certa noção, contatei por email 3 ou 4 vereadores: dois me responderam, deram uma ou duas sugestões, mas daí percebi que era muita areia para meu caminhão. Teria que estudar o Plano Diretor, aprender um bocado de coisa técnica ou especializada até baixei no site da Prefeitura uns mapas cheios de siglas, e aí fudeu… ZEI, ZEI-2, vixi… e até que serviu – um pouco – para entender certas mudanças que se iniciaram há algum tempo, mas se acentuaram ultimamente. Se existiu alguma consulta à gente do bairro eu desconheço, pois um prédio instalado onde até sobrados estavam proibidos de serem levantados, ou a permissão para que em determinado local se possa abrir um estabelecimento, onde só havia residências, implica em mudanças sensíveis no modo de vida do morador.
Se fosse uma construção, eu não tinha nem o alicerce, eu ainda estava fazendo o curso de pedreiro, sem chance. Eu já percebia que isso estava ocorrendo também no Ipiranga e dei conta de que eu não havia ainda sequer considerado a vinda do Metrô para esta região e o que costuma suceder quando isso acontece. Fora o “boom imobiliário” pelo qual o País tem passado. Enfim, é demais para uma pessoa só. Começou com o lamentar por uma casinha derrubada aqui, outra lá; uma suspeita de que uma obra próxima não esteja sendo fiscalizada devidamente ou que nem devesse estar ocorrendo; um prédio de 10 andares brotando, outro ali, e tudo então agigantou-se. Menos, Humberto, menos. Caindo na real, decidi que posso, ao menos, acompanhar de longe o andamento das coisas. Se tiver alguma coisa que eu possa escrever aqui, eu escrevo; fazer isso, acho eu que consigo.
E de repente, apareceu – ou eu finalmente soube – o ( a ) político ( a ) carreirista. Surge do nada, sem raízes no bairro, e já quer liderar.
“Credenciais? Papai prefeito de outro município, por exemplo. Noivo, funcionário de gabinete. Liderança: esse bairro está sendo tomado pelo crime? Não tem problema: me relaciono muito bem com o Governador, e já estou exigindo um posto policial aqui para a comunidade. Ah, sabiam que eu estou ME MUDANDO para cá? Pelo menos, é o que um jornal do bairro disse ( e não é o jornal que pertence ao Wagner Salustiano/WAS/Revista de Fato/ Nossa Caixa não ). Tem um outro que não está MORANDO aqui, mas tem mostrado sua fuça por aqui direto… sabe, acho até que vamos tentar transformar esta localidade em um CURRAL ELEITORAL nosso; o Metrô já está chegando – e nós é que fizemos, apesar do atraso de 10 anos – e isso está causando transformações, sem as quais jamais perceberíamos que este lugar existe; o perfil de classe média/ média alta em que vêm se transformando os bairros daqui é justamente o perfil de nosso eleitorado, então temos que estar MUITO PRÓXIMOS da nossa base; a região pode se tornar uma nova trincheira, tipo a Rebouças, então temos que dar muita atenção a este eleitorado exigente, que paga impostos, não quer ser assaltado, quer andar de carro ou Metrô sem problemas, e exige qualidade de vida. Agora temos motivo para fincar nossa bandeira aqui neste rincão.”
Bom, espero que esse texto, que inicialmente não devia ser tão extenso, torne clara a minha forma de pensar. E, finalmente, servirá para entender o título do post e o significado daquele ditado: “Cuidado com o que deseja, pois pode acabar conseguindo”, que, penso tem a ver com a reportagem abaixo, publicada – aí sim – no jornal de bairro O PAULISTANO, que circula por estes lados, em sua edição de número 105 ( de 11 a 16/10/07 ). Notícia local, mas tema de alcance geral.
Vila Zelina pediu policiamento, agora reclama de multas no trânsito
Saudada por comerciantes e moradores do bairro, a chegada há pouco menos de duas semanas da Base Móvel Comunitária da Polícia Militar na Praça República Lituana, em Vila Zelina, está trazendo maior sensação de segurança e ar de tranqüilidade. As principais manifestações da comunidade são de rasgados elogios pela iniciativa. Por coincidência, porém, desde que no mesmo intervalo de tempo um destacamento especial da Polícia Militar passou a fiscalizar o trânsito em toda a cidade, motoristas da região reclamam do excessivo rigor das multas aplicadas perto da Praça República Lituana, o conhecido Largo de Vila Zelina. Esses PMs habilitados a multar estão identificados com braçadeira de cor branca no ombro. Suas investidas não perdoam os mínimos deslizes de indisciplina no trânsito local. Outros alvos de reclamações são as poucas vagas disponíveis para estacionamento na Avenida Zelina, a falta de sinalização de solo e a ausência de placas de orientação. Enquanto isso, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) anuncia reajuste nos valores das multas, que estão congelados há sete anos.
Depois de assaltos, multas geram reclamações
Comerciantes saúdam presença da Base Comunitária Móvel da PM no Largo de Vila Zelina, mas sobram queixas sobre multas
( Legenda para foto ) Base móvel da Polícia Militar é recebida com elogios, mas multas aplicadas por destacamento especial recebem queixas.
( Legenda para foto ) Mesmo com a ação da polícia, infrações continuam, como parar em local proibido.
Saudada por comerciantes e moradores do bairro, a chegada há pouco menos de duas semanas da base móvel da Polícia Militar na Praça República Lituana, em Vila Zelina, está trazendo maior sensação de segurança e ar de tranqüilidade. As principais manifestações da comunidade são de rasgados elogios pela iniciativa. Por coincidência, porém, desde que no mesmo intervalo de tempo um destacamento especial da Polícia Militar passou a fiscalizar o trânsito em toda a cidade, motoristas da região também reclamam do excessivo rigor das multas aplicadas perto da Praça República Lituana, o conhecido Largo de Vila Zelina. Esses PMs habilitados a multar estão identificados com braçadeira de cor branca no ombro. Suas investidas não perdoam os mínimos deslizes de indisciplina no trânsito local.
“Antes as queixas eram com a falta de policiamento e com os constantes assaltos a clientes de bancos, pois ao sacar valores eles tinham seus passos vigiados para os roubos nas ruas e se tornavam vítimas dos ladrões”, comenta o impressor gráfico aposentado Vitor P. Starkovs, morador no bairro há mais de 40 anos. “Agora, escuto diversas reclamações de motoristas que, ao estacionar em fila dupla ou em local proibido, receberam multas recentemente. O ser humano é complicado”. De acordo com Vitor, isso mostra a grave situação a que chegaram as irregularidades e as indisciplinas no trânsito nessa parte do bairro. “Nos dias da feira-livre [sexta-feira], aqui virava um território livre para abusos e precisava de um basta”, relata. “A lei existe para ser respeitada e para oferecer convivência entre as pessoas”. As situações de risco eram freqüentes, antes da instalação da base da PM. “Somente numa noite tivemos duas ocorrências, uma com um senhor que foi pego na Rua Rio do Peixe e teve que sacar dinheiro no Bradesco e entregar seu carro para os bandidos e outra com uma senhora na Rua Manaias”, relata o dono de uma farmácia da Avenida Zelina, Alexandre Casado. “Hoje, estamos notando que a PM também interpela carros e pessoas em atitudes suspeitas”. Para o comerciante aposentado Leandro Vera Fernandes, de 90 anos, e que sempre está observando a movimentação perto do largo, a situação mudou da água para o vinho. “É sempre boa a presença da polícia, que espanta os bandidos”, comenta o aposentado que mora na Vila Zelina há 47 anos. “Desde que eles chegaram, não tive notícia de ocorrência policial”. Já o gerente de uma famosa padaria da praça, Edmilson Barros dos Santos, afirma que no local havia também muitos roubos de carros. “Precisamos que eles [policiais militares] também possam ficar à noite ou até mesmo 24 horas”, observa. “Sei que estão batalhando para isso virar realidade”.
PAPEL DA POLÍCIA “Não estou pedindo vista grossa, mas tolerância da PM para certas situações, pois não há locais disponíveis para estacionar e comprar remédio na farmácia”, reclama a comerciante Edileuza Peres. Ela reside no Jardim Avelino e vai quase que diariamente aos estabelecimentos comerciais da Vila Zelina. Recentemente, foi multada por estacionar quase na esquina da Rua Inácio com o Largo de Vila Zelina. “Estou pedindo um pouco de compreensão, mesmo porque meu carro não estava atrapalhando o fluxo de trânsito”. O dono de um açougue das proximidades, Valdemar Loureiro Filho, acredita que o policiamento da base móvel é sempre bem-vindo, pois traz mais segurança, mas faz algumas ressalvas na questão do monitoramento do trânsito por outros policiais. “A aplicação de multas deveria continuar exclusiva com os agentes da CET [Companhia de Engenharia de Tráfego], pois o papel da polícia é na questão da segurança pública, no combate aos assaltantes”, argumenta. “A polícia militar deveria sim, ao ver irregularidades, acionar os ‘marronzinhos’ para cuidar do trânsito e até multar quem comete essas infrações”.
Para o vendedor de uma loja das proximidades do largo, Reinaldo Gomes Conrado, as multas estão sendo aplicadas de forma contínua. “O pessoal faz coisas erradas como dirigir sem cinto de segurança, atendendo aos telefonemas nos celulares e parando em locais proibidos. As multas não são de graça”, comenta. “Mas até que melhorou, pois já faz mais de uma semana que são raros os motoristas que param em fila dupla na frente dos bancos”. Uma das pessoas mais indignadas não propriamente com as multas, mas com a falta de coerência da Prefeitura, é o bancário aposentado, Nelson F. Castanho de Bastos. “Se pelo menos o dinheiro arrecadado com as multas fosse investido em melhorar as condições do trânsito, seria justo”, argumenta. “Há anos estamos solicitando pinturas de faixas para travessia e até agora nada”. Já o projetista mecânico Paulino Jorge prefere enaltecer o bom comportamento dos motoristas, mas aponta o mesmo problema da ausência das faixas. “O motorista que obedece à sinalização jamais vai receber multa, mas deve-se considerar que a falta de sinalização [horizontal] e vertical [placas] podem fazer com que elas sejam anuladas”, disse. “A faixa de pedestre é sinal de cidadania e não entendo porque a CET [Companhia de Engenharia de Tráfego] não atende às reivindicações. Afinal, qual o custo da pintura de uma faixa em relação ao montante obtido com as multas?”, questiona.


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