ENCALHE

fevereiro 23, 2009

Depois do Carnaval, a volta às aulas, e os professores "pontozero".

Mais uns dias, e a briga recomeça. Obrigatoriamente o assunto voltará à pauta.
“Como é que um professor tira zero, e vem dar aulas para nossos filhos?”, perguntará uma “mãe de aluno desesperada”.
Acho que é necessário esclarecer – nas minhas possibilidades – uma coisa. Ou relembrá-la.
Quando o governo estadual paulista dos tucanos estabeleceu a “Progressão Continuada” ( ou “Ignorância Continuada”, expressão cunhada pelo renascido-aliado de Serra e Kassab, Orestes Quércia, do PMDB – partido que, segundo o impoluto senador Jarbas Vasconcellos [ o novo Bob Jefferson da Nação ], mantém os quadros políticos mais corruptos do Brasil ), ele simplesmente determinou que os alunos, por mais deficientes e analfabetos que fossem, passariam de ano direto, à revelia dos professores. Ao arrepio e quaisquer avaliações.
Foi simples assim. Ponto. Eles deturparam e distorceram as idéias progressistas de Paulo Freire [ mitológico pedagogo brasileiro, dono de um reconhecimento e prestígio internacional infinitamente superior ao do vaidoso FHC ], que condenava a repetência. Os tucanos viram aí uma mina de ouro ( ou o caminho das Índias, atual moda ): bastava aprovar indiscriminadamente os alunos. Com isso, usurparam a autoridade – ou, sei lá, o papel – professoral, tornando o mestre um cumpridor de ordens, ou um fantoche que, aí sim, “fingiria dar aula” para uma classe que “fingiria estar estudando”. Igualmente claro é que muitos professores gostaram disso. A maioria dos professores é tucana, sabiam? Fontes fidedignas me disseram. A propósito, a atual secretária de educação municipal do Rio, a sra Cláudia Costin [ ex-secretária de Cultura de Covas, ex- Ministra de FHC, ex-Vice-Presidente da Fundação Victor Civita e, parece, personagem de destaque da comunidade judaica paulistana ] sempre fez questão de, digamos, demonizar o professorado, pois este seria muito “esquerdísticamente ligado às idéias de Paulo Freire”. O mestre pedagogo, ao que parece, não gostava muito da idéia de ensinar os alunos apenas os comandos adestradores de ler-e-escrever para trabalharem bem em empregos subalternos, sem questionar. A dona Cláudia gostaria que esse fosse o comportamento padrão de um professor, o de acatar sem questionar e ensinar isso a seus alunos. Se tiverem tempo, disposição e estômago, procurem alguma entrevista com a “gestora” Costin: uma profusão de pajelanças do tipo “foco em qualidade”, “gestão de metas”. Uma frase lapidar da moça: “Alguém que domina a diferença entre Vigotski e Piaget e conhece a fundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não é necessariamente habilitado para ser um bom professor.”
No que não dá para discordar, assim como ser um intelectual da “Teologia da Dependência” não fará ( há casos famosos… ) de você um bom presidente. Ainda assim, não tenho muita certeza de que os professores que ela tanto quer por na rédea curta saibam quem é Vigotsky. Ela, entretanto, fez questão de mostrar que sabe.
CONDIÇÕES
Enfiaram 40 ( às vezes 50 ) alunos dentro de uma sala de aula, fecharam escolas, trocaram os concursos públicos por professores “temporários”, congelaram os salários dos professores ( assim como de todo o funcionalismo ) e instituíram as “cenouras-bonus” ( que não contam na contribuição previdenciária ) o que fez com que o docente fosse obrigado a dar aulas em até 3 escolas, garantiram o silêncio dos funcionários mediante um engenhoso mecanismo: uma lei da “mordaça” da época da ditadura e contaram com o auxílio luxuoso do famigerado imprensalão. E, recentemente, proibiram o professor de faltar, mesmo que seja por problemas de saúde ( coisa que a rede tem se encarregado de danificar ). Sobre as faltas, tão bem divulgadas pelo governo por meio de sua assessoria de imprensa ( ou seja: pela própria imprensa ), fazem-se diversas confusões. Um professor pode “não estar em sala de aula”, mas estar fazendo serviço de “secretaria” dentro da escola. Isso é computado como falta, para ser apresentado ao público. Pelo menos na rede municipal, havia algo assim.
Quer ver outra coisa gozada? Estes “gestores” fechavam escolas, alegando falta de procura. Mas também se utilizaram do “turno da fome como remédio contra a falta de vagas na rede estadual” ( Diário de São Paulo, 07.07.06 ). Confusão? Despreparo? Incompetência?
Tudo isso, eu puxo pela memória, já que não sou professor, não tenho minhas anotações em ordem e não tenho para quem perguntar agora.
Depois de mais de uma década, a merda teria que explodir, não é?
Aí eu pergunto: por quê o governo tucano quer “avaliar” [ da forma tucana, já que concursos públicos também são avaliações ] professores, depois de tanto tempo ordenando-lhes que não reprovassem os alunos? Para aprovar um aluno automaticamente, de acordo com as exigências do gabinete, não precisaria nem saber ler.
Tenham uma coisa em mente, e tudo se tornará cristalino: os governos do PSDB advogam o “Estado mínimo”, o “custo zero”, o pedágio e a privatização. É isso.
( Uma sugestão que eu dou -mas não sigo – é que tentem conhecer também sobre a vida e obra de Anísio Teixeira. Esqueçam um pouco do futebol. )
LEIAM ISSO:
.
PAULO FREIRE
A lógica do encantamento
por Glauco Faria e Nicolau Soares
Seis anos após sua morte, os ensinamentos de Paulo Freire, de que a educação é instrumento de conscientização e libertação, continuam influenciando pessoas em todo o mundo ( … ).

Depois do Carnaval, a volta às aulas, e os professores "pontozero".

Mais uns dias, e a briga recomeça. Obrigatoriamente o assunto voltará à pauta.
“Como é que um professor tira zero, e vem dar aulas para nossos filhos?”, perguntará uma “mãe de aluno desesperada”.
Acho que é necessário esclarecer – nas minhas possibilidades – uma coisa. Ou relembrá-la.
Quando o governo estadual paulista dos tucanos estabeleceu a “Progressão Continuada” ( ou “Ignorância Continuada”, expressão cunhada pelo renascido-aliado de Serra e Kassab, Orestes Quércia, do PMDB – partido que, segundo o impoluto senador Jarbas Vasconcellos [ o novo Bob Jefferson da Nação ], mantém os quadros políticos mais corruptos do Brasil ), ele simplesmente determinou que os alunos, por mais deficientes e analfabetos que fossem, passariam de ano direto, à revelia dos professores. Ao arrepio e quaisquer avaliações.
Foi simples assim. Ponto. Eles deturparam e distorceram as idéias progressistas de Paulo Freire [ mitológico pedagogo brasileiro, dono de um reconhecimento e prestígio internacional infinitamente superior ao do vaidoso FHC ], que condenava a repetência. Os tucanos viram aí uma mina de ouro ( ou o caminho das Índias, atual moda ): bastava aprovar indiscriminadamente os alunos. Com isso, usurparam a autoridade – ou, sei lá, o papel – professoral, tornando o mestre um cumpridor de ordens, ou um fantoche que, aí sim, “fingiria dar aula” para uma classe que “fingiria estar estudando”. Igualmente claro é que muitos professores gostaram disso. A maioria dos professores é tucana, sabiam? Fontes fidedignas me disseram. A propósito, a atual secretária de educação municipal do Rio, a sra Cláudia Costin [ ex-secretária de Cultura de Covas, ex- Ministra de FHC, ex-Vice-Presidente da Fundação Victor Civita e, parece, personagem de destaque da comunidade judaica paulistana ] sempre fez questão de, digamos, demonizar o professorado, pois este seria muito “esquerdísticamente ligado às idéias de Paulo Freire”. O mestre pedagogo, ao que parece, não gostava muito da idéia de ensinar os alunos apenas os comandos adestradores de ler-e-escrever para trabalharem bem em empregos subalternos, sem questionar. A dona Cláudia gostaria que esse fosse o comportamento padrão de um professor, o de acatar sem questionar e ensinar isso a seus alunos. Se tiverem tempo, disposição e estômago, procurem alguma entrevista com a “gestora” Costin: uma profusão de pajelanças do tipo “foco em qualidade”, “gestão de metas”. Uma frase lapidar da moça: “Alguém que domina a diferença entre Vigotski e Piaget e conhece a fundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não é necessariamente habilitado para ser um bom professor.”
No que não dá para discordar, assim como ser um intelectual da “Teologia da Dependência” não fará ( há casos famosos… ) de você um bom presidente. Ainda assim, não tenho muita certeza de que os professores que ela tanto quer por na rédea curta saibam quem é Vigotsky. Ela, entretanto, fez questão de mostrar que sabe.
CONDIÇÕES
Enfiaram 40 ( às vezes 50 ) alunos dentro de uma sala de aula, fecharam escolas, trocaram os concursos públicos por professores “temporários”, congelaram os salários dos professores ( assim como de todo o funcionalismo ) e instituíram as “cenouras-bonus” ( que não contam na contribuição previdenciária ) o que fez com que o docente fosse obrigado a dar aulas em até 3 escolas, garantiram o silêncio dos funcionários mediante um engenhoso mecanismo: uma lei da “mordaça” da época da ditadura e contaram com o auxílio luxuoso do famigerado imprensalão. E, recentemente, proibiram o professor de faltar, mesmo que seja por problemas de saúde ( coisa que a rede tem se encarregado de danificar ). Sobre as faltas, tão bem divulgadas pelo governo por meio de sua assessoria de imprensa ( ou seja: pela própria imprensa ), fazem-se diversas confusões. Um professor pode “não estar em sala de aula”, mas estar fazendo serviço de “secretaria” dentro da escola. Isso é computado como falta, para ser apresentado ao público. Pelo menos na rede municipal, havia algo assim.
Quer ver outra coisa gozada? Estes “gestores” fechavam escolas, alegando falta de procura. Mas também se utilizaram do “turno da fome como remédio contra a falta de vagas na rede estadual” ( Diário de São Paulo, 07.07.06 ). Confusão? Despreparo? Incompetência?
Tudo isso, eu puxo pela memória, já que não sou professor, não tenho minhas anotações em ordem e não tenho para quem perguntar agora.
Depois de mais de uma década, a merda teria que explodir, não é?
Aí eu pergunto: por quê o governo tucano quer “avaliar” [ da forma tucana, já que concursos públicos também são avaliações ] professores, depois de tanto tempo ordenando-lhes que não reprovassem os alunos? Para aprovar um aluno automaticamente, de acordo com as exigências do gabinete, não precisaria nem saber ler.
Tenham uma coisa em mente, e tudo se tornará cristalino: os governos do PSDB advogam o “Estado mínimo”, o “custo zero”, o pedágio e a privatização. É isso.
( Uma sugestão que eu dou -mas não sigo – é que tentem conhecer também sobre a vida e obra de Anísio Teixeira. Esqueçam um pouco do futebol. )
LEIAM ISSO:
.
PAULO FREIRE
A lógica do encantamento
por Glauco Faria e Nicolau Soares
Seis anos após sua morte, os ensinamentos de Paulo Freire, de que a educação é instrumento de conscientização e libertação, continuam influenciando pessoas em todo o mundo ( … ).

Depois do Carnaval, a volta às aulas, e os professores "pontozero".

Mais uns dias, e a briga recomeça. Obrigatoriamente o assunto voltará à pauta.
“Como é que um professor tira zero, e vem dar aulas para nossos filhos?”, perguntará uma “mãe de aluno desesperada”.
Acho que é necessário esclarecer – nas minhas possibilidades – uma coisa. Ou relembrá-la.
Quando o governo estadual paulista dos tucanos estabeleceu a “Progressão Continuada” ( ou “Ignorância Continuada”, expressão cunhada pelo renascido-aliado de Serra e Kassab, Orestes Quércia, do PMDB – partido que, segundo o impoluto senador Jarbas Vasconcellos [ o novo Bob Jefferson da Nação ], mantém os quadros políticos mais corruptos do Brasil ), ele simplesmente determinou que os alunos, por mais deficientes e analfabetos que fossem, passariam de ano direto, à revelia dos professores. Ao arrepio e quaisquer avaliações.
Foi simples assim. Ponto. Eles deturparam e distorceram as idéias progressistas de Paulo Freire [ mitológico pedagogo brasileiro, dono de um reconhecimento e prestígio internacional infinitamente superior ao do vaidoso FHC ], que condenava a repetência. Os tucanos viram aí uma mina de ouro ( ou o caminho das Índias, atual moda ): bastava aprovar indiscriminadamente os alunos. Com isso, usurparam a autoridade – ou, sei lá, o papel – professoral, tornando o mestre um cumpridor de ordens, ou um fantoche que, aí sim, “fingiria dar aula” para uma classe que “fingiria estar estudando”. Igualmente claro é que muitos professores gostaram disso. A maioria dos professores é tucana, sabiam? Fontes fidedignas me disseram. A propósito, a atual secretária de educação municipal do Rio, a sra Cláudia Costin [ ex-secretária de Cultura de Covas, ex- Ministra de FHC, ex-Vice-Presidente da Fundação Victor Civita e, parece, personagem de destaque da comunidade judaica paulistana ] sempre fez questão de, digamos, demonizar o professorado, pois este seria muito “esquerdísticamente ligado às idéias de Paulo Freire”. O mestre pedagogo, ao que parece, não gostava muito da idéia de ensinar os alunos apenas os comandos adestradores de ler-e-escrever para trabalharem bem em empregos subalternos, sem questionar. A dona Cláudia gostaria que esse fosse o comportamento padrão de um professor, o de acatar sem questionar e ensinar isso a seus alunos. Se tiverem tempo, disposição e estômago, procurem alguma entrevista com a “gestora” Costin: uma profusão de pajelanças do tipo “foco em qualidade”, “gestão de metas”. Uma frase lapidar da moça: “Alguém que domina a diferença entre Vigotski e Piaget e conhece a fundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não é necessariamente habilitado para ser um bom professor.”
No que não dá para discordar, assim como ser um intelectual da “Teologia da Dependência” não fará ( há casos famosos… ) de você um bom presidente. Ainda assim, não tenho muita certeza de que os professores que ela tanto quer por na rédea curta saibam quem é Vigotsky. Ela, entretanto, fez questão de mostrar que sabe.
CONDIÇÕES
Enfiaram 40 ( às vezes 50 ) alunos dentro de uma sala de aula, fecharam escolas, trocaram os concursos públicos por professores “temporários”, congelaram os salários dos professores ( assim como de todo o funcionalismo ) e instituíram as “cenouras-bonus” ( que não contam na contribuição previdenciária ) o que fez com que o docente fosse obrigado a dar aulas em até 3 escolas, garantiram o silêncio dos funcionários mediante um engenhoso mecanismo: uma lei da “mordaça” da época da ditadura e contaram com o auxílio luxuoso do famigerado imprensalão. E, recentemente, proibiram o professor de faltar, mesmo que seja por problemas de saúde ( coisa que a rede tem se encarregado de danificar ). Sobre as faltas, tão bem divulgadas pelo governo por meio de sua assessoria de imprensa ( ou seja: pela própria imprensa ), fazem-se diversas confusões. Um professor pode “não estar em sala de aula”, mas estar fazendo serviço de “secretaria” dentro da escola. Isso é computado como falta, para ser apresentado ao público. Pelo menos na rede municipal, havia algo assim.
Quer ver outra coisa gozada? Estes “gestores” fechavam escolas, alegando falta de procura. Mas também se utilizaram do “turno da fome como remédio contra a falta de vagas na rede estadual” ( Diário de São Paulo, 07.07.06 ). Confusão? Despreparo? Incompetência?
Tudo isso, eu puxo pela memória, já que não sou professor, não tenho minhas anotações em ordem e não tenho para quem perguntar agora.
Depois de mais de uma década, a merda teria que explodir, não é?
Aí eu pergunto: por quê o governo tucano quer “avaliar” [ da forma tucana, já que concursos públicos também são avaliações ] professores, depois de tanto tempo ordenando-lhes que não reprovassem os alunos? Para aprovar um aluno automaticamente, de acordo com as exigências do gabinete, não precisaria nem saber ler.
Tenham uma coisa em mente, e tudo se tornará cristalino: os governos do PSDB advogam o “Estado mínimo”, o “custo zero”, o pedágio e a privatização. É isso.
( Uma sugestão que eu dou -mas não sigo – é que tentem conhecer também sobre a vida e obra de Anísio Teixeira. Esqueçam um pouco do futebol. )
LEIAM ISSO:
.
PAULO FREIRE
A lógica do encantamento
por Glauco Faria e Nicolau Soares
Seis anos após sua morte, os ensinamentos de Paulo Freire, de que a educação é instrumento de conscientização e libertação, continuam influenciando pessoas em todo o mundo ( … ).

Depois do Carnaval, a volta às aulas, e os professores "pontozero".

Mais uns dias, e a briga recomeça. Obrigatoriamente o assunto voltará à pauta.
“Como é que um professor tira zero, e vem dar aulas para nossos filhos?”, perguntará uma “mãe de aluno desesperada”.
Acho que é necessário esclarecer – nas minhas possibilidades – uma coisa. Ou relembrá-la.
Quando o governo estadual paulista dos tucanos estabeleceu a “Progressão Continuada” ( ou “Ignorância Continuada”, expressão cunhada pelo renascido-aliado de Serra e Kassab, Orestes Quércia, do PMDB – partido que, segundo o impoluto senador Jarbas Vasconcellos [ o novo Bob Jefferson da Nação ], mantém os quadros políticos mais corruptos do Brasil ), ele simplesmente determinou que os alunos, por mais deficientes e analfabetos que fossem, passariam de ano direto, à revelia dos professores. Ao arrepio e quaisquer avaliações.
Foi simples assim. Ponto. Eles deturparam e distorceram as idéias progressistas de Paulo Freire [ mitológico pedagogo brasileiro, dono de um reconhecimento e prestígio internacional infinitamente superior ao do vaidoso FHC ], que condenava a repetência. Os tucanos viram aí uma mina de ouro ( ou o caminho das Índias, atual moda ): bastava aprovar indiscriminadamente os alunos. Com isso, usurparam a autoridade – ou, sei lá, o papel – professoral, tornando o mestre um cumpridor de ordens, ou um fantoche que, aí sim, “fingiria dar aula” para uma classe que “fingiria estar estudando”. Igualmente claro é que muitos professores gostaram disso. A maioria dos professores é tucana, sabiam? Fontes fidedignas me disseram. A propósito, a atual secretária de educação municipal do Rio, a sra Cláudia Costin [ ex-secretária de Cultura de Covas, ex- Ministra de FHC, ex-Vice-Presidente da Fundação Victor Civita e, parece, personagem de destaque da comunidade judaica paulistana ] sempre fez questão de, digamos, demonizar o professorado, pois este seria muito “esquerdísticamente ligado às idéias de Paulo Freire”. O mestre pedagogo, ao que parece, não gostava muito da idéia de ensinar os alunos apenas os comandos adestradores de ler-e-escrever para trabalharem bem em empregos subalternos, sem questionar. A dona Cláudia gostaria que esse fosse o comportamento padrão de um professor, o de acatar sem questionar e ensinar isso a seus alunos. Se tiverem tempo, disposição e estômago, procurem alguma entrevista com a “gestora” Costin: uma profusão de pajelanças do tipo “foco em qualidade”, “gestão de metas”. Uma frase lapidar da moça: “Alguém que domina a diferença entre Vigotski e Piaget e conhece a fundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não é necessariamente habilitado para ser um bom professor.”
No que não dá para discordar, assim como ser um intelectual da “Teologia da Dependência” não fará ( há casos famosos… ) de você um bom presidente. Ainda assim, não tenho muita certeza de que os professores que ela tanto quer por na rédea curta saibam quem é Vigotsky. Ela, entretanto, fez questão de mostrar que sabe.
CONDIÇÕES
Enfiaram 40 ( às vezes 50 ) alunos dentro de uma sala de aula, fecharam escolas, trocaram os concursos públicos por professores “temporários”, congelaram os salários dos professores ( assim como de todo o funcionalismo ) e instituíram as “cenouras-bonus” ( que não contam na contribuição previdenciária ) o que fez com que o docente fosse obrigado a dar aulas em até 3 escolas, garantiram o silêncio dos funcionários mediante um engenhoso mecanismo: uma lei da “mordaça” da época da ditadura e contaram com o auxílio luxuoso do famigerado imprensalão. E, recentemente, proibiram o professor de faltar, mesmo que seja por problemas de saúde ( coisa que a rede tem se encarregado de danificar ). Sobre as faltas, tão bem divulgadas pelo governo por meio de sua assessoria de imprensa ( ou seja: pela própria imprensa ), fazem-se diversas confusões. Um professor pode “não estar em sala de aula”, mas estar fazendo serviço de “secretaria” dentro da escola. Isso é computado como falta, para ser apresentado ao público. Pelo menos na rede municipal, havia algo assim.
Quer ver outra coisa gozada? Estes “gestores” fechavam escolas, alegando falta de procura. Mas também se utilizaram do “turno da fome como remédio contra a falta de vagas na rede estadual” ( Diário de São Paulo, 07.07.06 ). Confusão? Despreparo? Incompetência?
Tudo isso, eu puxo pela memória, já que não sou professor, não tenho minhas anotações em ordem e não tenho para quem perguntar agora.
Depois de mais de uma década, a merda teria que explodir, não é?
Aí eu pergunto: por quê o governo tucano quer “avaliar” [ da forma tucana, já que concursos públicos também são avaliações ] professores, depois de tanto tempo ordenando-lhes que não reprovassem os alunos? Para aprovar um aluno automaticamente, de acordo com as exigências do gabinete, não precisaria nem saber ler.
Tenham uma coisa em mente, e tudo se tornará cristalino: os governos do PSDB advogam o “Estado mínimo”, o “custo zero”, o pedágio e a privatização. É isso.
( Uma sugestão que eu dou -mas não sigo – é que tentem conhecer também sobre a vida e obra de Anísio Teixeira. Esqueçam um pouco do futebol. )
LEIAM ISSO:
.
PAULO FREIRE
A lógica do encantamento
por Glauco Faria e Nicolau Soares
Seis anos após sua morte, os ensinamentos de Paulo Freire, de que a educação é instrumento de conscientização e libertação, continuam influenciando pessoas em todo o mundo ( … ).

Depois do Carnaval, a volta às aulas, e os professores "pontozero".

Mais uns dias, e a briga recomeça. Obrigatoriamente o assunto voltará à pauta.
“Como é que um professor tira zero, e vem dar aulas para nossos filhos?”, perguntará uma “mãe de aluno desesperada”.
Acho que é necessário esclarecer – nas minhas possibilidades – uma coisa. Ou relembrá-la.
Quando o governo estadual paulista dos tucanos estabeleceu a “Progressão Continuada” ( ou “Ignorância Continuada”, expressão cunhada pelo renascido-aliado de Serra e Kassab, Orestes Quércia, do PMDB – partido que, segundo o impoluto senador Jarbas Vasconcellos [ o novo Bob Jefferson da Nação ], mantém os quadros políticos mais corruptos do Brasil ), ele simplesmente determinou que os alunos, por mais deficientes e analfabetos que fossem, passariam de ano direto, à revelia dos professores. Ao arrepio e quaisquer avaliações.
Foi simples assim. Ponto. Eles deturparam e distorceram as idéias progressistas de Paulo Freire [ mitológico pedagogo brasileiro, dono de um reconhecimento e prestígio internacional infinitamente superior ao do vaidoso FHC ], que condenava a repetência. Os tucanos viram aí uma mina de ouro ( ou o caminho das Índias, atual moda ): bastava aprovar indiscriminadamente os alunos. Com isso, usurparam a autoridade – ou, sei lá, o papel – professoral, tornando o mestre um cumpridor de ordens, ou um fantoche que, aí sim, “fingiria dar aula” para uma classe que “fingiria estar estudando”. Igualmente claro é que muitos professores gostaram disso. A maioria dos professores é tucana, sabiam? Fontes fidedignas me disseram. A propósito, a atual secretária de educação municipal do Rio, a sra Cláudia Costin [ ex-secretária de Cultura de Covas, ex- Ministra de FHC, ex-Vice-Presidente da Fundação Victor Civita e, parece, personagem de destaque da comunidade judaica paulistana ] sempre fez questão de, digamos, demonizar o professorado, pois este seria muito “esquerdísticamente ligado às idéias de Paulo Freire”. O mestre pedagogo, ao que parece, não gostava muito da idéia de ensinar os alunos apenas os comandos adestradores de ler-e-escrever para trabalharem bem em empregos subalternos, sem questionar. A dona Cláudia gostaria que esse fosse o comportamento padrão de um professor, o de acatar sem questionar e ensinar isso a seus alunos. Se tiverem tempo, disposição e estômago, procurem alguma entrevista com a “gestora” Costin: uma profusão de pajelanças do tipo “foco em qualidade”, “gestão de metas”. Uma frase lapidar da moça: “Alguém que domina a diferença entre Vigotski e Piaget e conhece a fundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não é necessariamente habilitado para ser um bom professor.”
No que não dá para discordar, assim como ser um intelectual da “Teologia da Dependência” não fará ( há casos famosos… ) de você um bom presidente. Ainda assim, não tenho muita certeza de que os professores que ela tanto quer por na rédea curta saibam quem é Vigotsky. Ela, entretanto, fez questão de mostrar que sabe.
CONDIÇÕES
Enfiaram 40 ( às vezes 50 ) alunos dentro de uma sala de aula, fecharam escolas, trocaram os concursos públicos por professores “temporários”, congelaram os salários dos professores ( assim como de todo o funcionalismo ) e instituíram as “cenouras-bonus” ( que não contam na contribuição previdenciária ) o que fez com que o docente fosse obrigado a dar aulas em até 3 escolas, garantiram o silêncio dos funcionários mediante um engenhoso mecanismo: uma lei da “mordaça” da época da ditadura e contaram com o auxílio luxuoso do famigerado imprensalão. E, recentemente, proibiram o professor de faltar, mesmo que seja por problemas de saúde ( coisa que a rede tem se encarregado de danificar ). Sobre as faltas, tão bem divulgadas pelo governo por meio de sua assessoria de imprensa ( ou seja: pela própria imprensa ), fazem-se diversas confusões. Um professor pode “não estar em sala de aula”, mas estar fazendo serviço de “secretaria” dentro da escola. Isso é computado como falta, para ser apresentado ao público. Pelo menos na rede municipal, havia algo assim.
Quer ver outra coisa gozada? Estes “gestores” fechavam escolas, alegando falta de procura. Mas também se utilizaram do “turno da fome como remédio contra a falta de vagas na rede estadual” ( Diário de São Paulo, 07.07.06 ). Confusão? Despreparo? Incompetência?
Tudo isso, eu puxo pela memória, já que não sou professor, não tenho minhas anotações em ordem e não tenho para quem perguntar agora.
Depois de mais de uma década, a merda teria que explodir, não é?
Aí eu pergunto: por quê o governo tucano quer “avaliar” [ da forma tucana, já que concursos públicos também são avaliações ] professores, depois de tanto tempo ordenando-lhes que não reprovassem os alunos? Para aprovar um aluno automaticamente, de acordo com as exigências do gabinete, não precisaria nem saber ler.
Tenham uma coisa em mente, e tudo se tornará cristalino: os governos do PSDB advogam o “Estado mínimo”, o “custo zero”, o pedágio e a privatização. É isso.
( Uma sugestão que eu dou -mas não sigo – é que tentem conhecer também sobre a vida e obra de Anísio Teixeira. Esqueçam um pouco do futebol. )
LEIAM ISSO:
.
PAULO FREIRE
A lógica do encantamento
por Glauco Faria e Nicolau Soares
Seis anos após sua morte, os ensinamentos de Paulo Freire, de que a educação é instrumento de conscientização e libertação, continuam influenciando pessoas em todo o mundo ( … ).

fevereiro 13, 2009

Da série "Eu vejo pessoas conspirando. O tempo todo." , e a provinha dos ACT

A quem foi mais interessante o “zero na prova”?
Foi de uma providência desgraçada para o governo estadual do Serra a nota zero que alguns professores “tiraram” na tal provinha. Foi como se caísse do céu a prova daquilo que o governo afirma: os professores são despreparados. Pior: esses “despreparados” contam com a proteção da APEOESP. Ela, sempre contra a avaliação. Daí, para se pensar que a APEOESP conhece o “despreparo” desses docentes ( e que, POR ISSO, é contra a prova: por saber que tudo seria revelado à população ) é um pulo.
O Sindicato dos professores não é contra avaliações, já que prefere o método mais democrático e “filtrador” que existe: basta o governo do PSDB fazer os concursos públicos para preencher os cargos. Mas o projeto demo-tucano de destruição do Estado exige, justamente, o oposto disso. Assim, ficamos à mercê de terceirizações e contratações de emergência para cobrir buracos. Em suma: nas coxas, já que é pros pobres mesmo.
Me passou pela cabeça que os professores “zerados” pudessem ter feito isso de propósito, como forma de protesto ou de ridicularização da prova e do governo. E o governo, mais o imprensalão, tentam capitalizar para o projeto tucano o que pode ter sido apenas uma mensagem de insatisfação por parte de alguns professores.
Uma coisa que merece ser mencionada: a APEOESP DESAFIOU o governo Serra a mostrar as notas das provas. Assim está na nota publicada no site do órgão:
APEOESP DESAFIA SECRETÁRIA A PUBLICAR NOTAS DA PROVINHA
Diante da postura da secretária estadual da Educação,que vem divulgando dados seletivos e parciais sobre os resultados da chamada “provinha dos ACTs”, a APEOESP vem a público desafiá-la a publicar, de imediato, a listagem completa com as notas de todos os participantes do processo.
Consideramos que a divulgação da suposta existência de 1.500 professores que teriam obtido nota zero, num universo de 214 mil professores que participaram da prova, não é um método aceitável, pois macula a imagem de uma categoria que conta com mais de 100 mil professores admitidos em caráter temporário que, apesar de suas precárias condições de trabalho, asseguram a qualidade de ensino existente nas escolas estaduais.
A propósito, como se explicaria o fato do aluno Gerson Tavares de Souza, oriundo de escola pública estadual, ter vencido por quatro vezes a Olimpíada Brasileira de Matemática e ter sido aprovado no vestibular de engenharia elétrica da USP, se fosse verdadeira a avaliação do governador e da secretária da Educação sobre a competência profissional dos professores? Na verdade, parece que a secretária desconhece a realidade da rede de ensino que tem a responsabilidade de gerir.
A secretária da Educação vem procurando manobrar a opinião pública para tentar acobertar sua própria incompetência em enfrentar e administrar os problemas decorrentes da provinha que ela criou. Registre-se, aliás, que a APEOESP a alertou sobre a necessidade de que fosse contratada uma instituição especializada para ministrar um exame deste porte, mas não fomos ouvidos pela secretária.
Finalmente, gostaríamos de ver os meios de comunicação questionarem a secretária da Educação sobre as razões pelas quais divulga apenas alguns dados parciais da provinha. Acreditamos que a divulgação das notas de todos os que participaram do processo é um direito destes professores e da sociedade e a imprensa deveria cobrar esta providência do governo estadual.”
Sem contar que, talvez fosse interessante sabermos quando esses candidatos a ACT se formaram. É bem capaz de serem jovens formados recentemente. Assim, caso tenham eles, inclusive, se formado ( primário e secundário ) em escolas estaduais paulistas, um cálculo provaria que eles seriam TAMBÉM vítimas do Apagão Eduacaional Continuado Tucano. Claro, estou apenas especulando, mas vai saber, já que o chamado “governo” tucano começou a criar seus tentáculos em São Paulo lá por 1994. Nós, população deste Estado, estamos resistindo bem até. Depois desses anos todos de PSDB em São Paulo e oito de FHC no Brasil, uma crise maior que a de 29 ( como dizem ) é mesmo só uma marolinha prá gente.
Prosseguindo. Saiu ontem no BOL, e foi publicado na Folha ( pág . C8 ): Concurso para professor em São Paulo ainda não tem data.
Com esse título, não parece ter coisas interessantes. Mas tem sim. Destaco os trechos:
“( … ) De acordo com o coordenador de pós-graduação da Faculdade de Educação da USP, Romualdo Portela de Oliveira, a existência de uma grande quantidade de profissionais temporários na rede traz dois grandes problemas para o sistema de ensino.
“Primeiro, os professores não conseguem manter um projeto de longo prazo e não integram equipes pedagógicas estáveis. O segundo problema é que o concursado se submeteu a um processo mais criterioso de avaliação“, diz ele.
Oliveira afirma que São Paulo tem tradição em manter um número alto de profissionais temporários na rede e atribui o fato a uma falta de planejamento e a decisões políticas de seguidos governos. “Afinal, um funcionário temporário custa menos, diz o coordenador ( … )”.
Percebem? “Falta de planejamento”, “Decisões políticas de seguidos governos“, “Custa menos”…! Isso quer dizer que o Apagão Educacional etc. é conseqüência direta e previsível ( e prevista ) do famoso corte de custos, Estado Mínimo, manutenção de “um número alto de profissionais temporários na rede”. Quantos são os temporários? A reportagem explica:
“( … ) Dos cerca de 230 mil professores da rede estadual de ensino, apenas 130 mil prestaram concurso público para exercerem suas funções. A última seleção do gênero realizada em São Paulo ocorreu há dois anos, com a abertura de 16 mil vagas ( … ) Os demais professores, cerca de 100 mil, têm contratos temporários. Na distribuição das aulas, os concursados escolhem primeiro (escolas e horários). Aos temporários, restam o que sobrar das aulas ( … ) “.
Fazendo a conta, dá quase metade do quadro. E pode ter sido pior já que, se subtraírmos os 16 mil do concurso realizado há dois anos, e considerando que o número de professores tenha finalmente sido aumentado em período recente, mas apenas com a contratação destes 16 mil, então havia 114 mil professores concursados e, talvez 100 mil temporários. Desconsiderando um quadro pior, já que isso quer dizer que haviam 214 mil professores na rede. Mas é uma conta hipotética, fruto de minha cabeça leiga, e a realidade deve ser explicada pelos especialistas da área.
Concluíndo, um último trecho que achei legal: “( … ) Essa provinha deveria servir não para avaliar os temporários, mas para efetivá-los, até porque eles não têm nada de temporários. Muitos estão nessa condição há 10, 20 anos“, diz o ex-presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro ( … ).”
O porquê de estarem há mais de 10 anos ( período coincidente com a subida do PSDB ao Executivo estadual e, mesmo, federal ) nessa condição é algo que só pode ser explicado da seguinte maneira ( a maneira leiga ): assim permaneciam ( e sem “provinhas” que lhes radiografassem quanto a sua capacidade ), e não foi imediatamente resultando na tragédia que se tornou a Educação em SP. A água começou a subir, atingiu o tórax, o pescoço, chegou no nariz e aí, meu irmão, a conta tinha que sobrar para alguém. O curioso da história é que o partido no governo, auxiliado pelo seu personal marketing bureau, vulgo imprensalão, colou a culpa da tragédia no professor e, pior, sobrou para o professor efetivado. Isso foi um processo de anos. Nem sempre precisou-se de motivos como os unicamente relativos à categoria. Bastava ser funcionário público. Lembram da polícia do Covas / Alckmin espancando professores e – até – transeuntes na Avenida Paulista? Se bem me lembro, os relatos mais horrendos foram aqueles publicados na Caros Amigos. É, foi mesmo. Tá aqui: “PM Promove Barbárie na Paulista – José Arbex Jr., Revista Caros Amigos
A propaganda de descrédito, desestatização, descorporativização, o sucesso do Plano Real, o triunfo da mensagem “neoliberal” de então, a pressão sobre o funcionalismo público. Essa cultura anti-estatal verteu nisso. É ideologia pura. Sempre foi. Não tem essa de “comunista aparelha” e o PSDB-DEMo não. Isso de quadros genuinamente profissionais é lorota para lotear o Estado entre elementos provenientes e ligados à iniciativa privada. Nesse caso, o “Estado Mínimo” vira “Esse Estado é o máximo!”.
O PSDB-DEMo teve 14 anos para mudar de rumo. Um dos causadores diretos deste “estado de coisas”, o Chuchu, está de volta ao governo, ocupando uma pasta. Se este grupo admitir que o que vemos agora é resultado do que foi e tem sido plantado nessa década e meia, então fica ruim pro Serra explicar a razão de porque chamar um dos responsáveis para fazer parte de sua administração. Ou seja: agora eles vão, obrigatoriamente, manter a história até o fim.

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