Mais uns dias, e a briga recomeça. Obrigatoriamente o assunto voltará à pauta.
“Como é que um professor tira zero, e vem dar aulas para nossos filhos?”, perguntará uma “mãe de aluno desesperada”.
Acho que é necessário esclarecer – nas minhas possibilidades – uma coisa. Ou relembrá-la.
Quando o governo estadual paulista dos tucanos estabeleceu a “Progressão Continuada” ( ou “Ignorância Continuada”, expressão cunhada pelo renascido-aliado de Serra e Kassab, Orestes Quércia, do PMDB – partido que, segundo o impoluto senador Jarbas Vasconcellos [ o novo Bob Jefferson da Nação ], mantém os quadros políticos mais corruptos do Brasil ), ele simplesmente determinou que os alunos, por mais deficientes e analfabetos que fossem, passariam de ano direto, à revelia dos professores. Ao arrepio e quaisquer avaliações.
Foi simples assim. Ponto. Eles deturparam e distorceram as idéias progressistas de Paulo Freire [ mitológico pedagogo brasileiro, dono de um reconhecimento e prestígio internacional infinitamente superior ao do vaidoso FHC ], que condenava a repetência. Os tucanos viram aí uma mina de ouro ( ou o caminho das Índias, atual moda ): bastava aprovar indiscriminadamente os alunos. Com isso, usurparam a autoridade – ou, sei lá, o papel – professoral, tornando o mestre um cumpridor de ordens, ou um fantoche que, aí sim, “fingiria dar aula” para uma classe que “fingiria estar estudando”. Igualmente claro é que muitos professores gostaram disso. A maioria dos professores é tucana, sabiam? Fontes fidedignas me disseram. A propósito, a atual secretária de educação municipal do Rio, a sra Cláudia Costin [ ex-secretária de Cultura de Covas, ex- Ministra de FHC, ex-Vice-Presidente da Fundação Victor Civita e, parece, personagem de destaque da comunidade judaica paulistana ] sempre fez questão de, digamos, demonizar o professorado, pois este seria muito “esquerdísticamente ligado às idéias de Paulo Freire”. O mestre pedagogo, ao que parece, não gostava muito da idéia de ensinar os alunos apenas os comandos adestradores de ler-e-escrever para trabalharem bem em empregos subalternos, sem questionar. A dona Cláudia gostaria que esse fosse o comportamento padrão de um professor, o de acatar sem questionar e ensinar isso a seus alunos. Se tiverem tempo, disposição e estômago, procurem alguma entrevista com a “gestora” Costin: uma profusão de pajelanças do tipo “foco em qualidade”, “gestão de metas”. Uma frase lapidar da moça: “Alguém que domina a diferença entre Vigotski e Piaget e conhece a fundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não é necessariamente habilitado para ser um bom professor.”
No que não dá para discordar, assim como ser um intelectual da “Teologia da Dependência” não fará ( há casos famosos… ) de você um bom presidente. Ainda assim, não tenho muita certeza de que os professores que ela tanto quer por na rédea curta saibam quem é Vigotsky. Ela, entretanto, fez questão de mostrar que sabe.
CONDIÇÕES
Enfiaram 40 ( às vezes 50 ) alunos dentro de uma sala de aula, fecharam escolas, trocaram os concursos públicos por professores “temporários”, congelaram os salários dos professores ( assim como de todo o funcionalismo ) e instituíram as “cenouras-bonus” ( que não contam na contribuição previdenciária ) o que fez com que o docente fosse obrigado a dar aulas em até 3 escolas, garantiram o silêncio dos funcionários mediante um engenhoso mecanismo: uma lei da “mordaça” da época da ditadura e contaram com o auxílio luxuoso do famigerado imprensalão. E, recentemente, proibiram o professor de faltar, mesmo que seja por problemas de saúde ( coisa que a rede tem se encarregado de danificar ). Sobre as faltas, tão bem divulgadas pelo governo por meio de sua assessoria de imprensa ( ou seja: pela própria imprensa ), fazem-se diversas confusões. Um professor pode “não estar em sala de aula”, mas estar fazendo serviço de “secretaria” dentro da escola. Isso é computado como falta, para ser apresentado ao público. Pelo menos na rede municipal, havia algo assim.
Quer ver outra coisa gozada? Estes “gestores” fechavam escolas, alegando falta de procura. Mas também se utilizaram do “turno da fome como remédio contra a falta de vagas na rede estadual” ( Diário de São Paulo, 07.07.06 ). Confusão? Despreparo? Incompetência?
Tudo isso, eu puxo pela memória, já que não sou professor, não tenho minhas anotações em ordem e não tenho para quem perguntar agora.
Depois de mais de uma década, a merda teria que explodir, não é?
Aí eu pergunto: por quê o governo tucano quer “avaliar” [ da forma tucana, já que concursos públicos também são avaliações ] professores, depois de tanto tempo ordenando-lhes que não reprovassem os alunos? Para aprovar um aluno automaticamente, de acordo com as exigências do gabinete, não precisaria nem saber ler.
Tenham uma coisa em mente, e tudo se tornará cristalino: os governos do PSDB advogam o “Estado mínimo”, o “custo zero”, o pedágio e a privatização. É isso.
( Uma sugestão que eu dou -mas não sigo – é que tentem conhecer também sobre a vida e obra de Anísio Teixeira. Esqueçam um pouco do futebol. )
LEIAM ISSO:
.
PAULO FREIRE
por Glauco Faria e Nicolau Soares
Seis anos após sua morte, os ensinamentos de Paulo Freire, de que a educação é instrumento de conscientização e libertação, continuam influenciando pessoas em todo o mundo ( … ).

TRIVELA
Carta Maior
CASA VIDA
Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
Dicionário Jurídico – A a Z – Nota Dez
HORA DO POVO
IBGF – Instituto Brasileiro Giovanni Falcone
NOSSA HAPPYLÂNDIA
Portal IBASE
PROFESSOR HARIOVALDO ALMEIDA PRADO
QUERO UM BICHO
REVISTA FÓRUM – Outro mundo em debate
Y. COPRÓFAGOS ANÔNIMOS
YOU TUBE
ALERTA TRANSGÊNICOS ( OBS: BANIDO )
ALTERNATIVE TENTACLES
GREG PALAST
ADSL Residencial
Antivírus
LIVRARIA CULTURA
Virtual Books


- Shoutwire - Internet News for the Masses






