ENCALHE

janeiro 27, 2009

AMEM ISSO, SEUS LIXOS!!

Há alguns dias eu estou rascunhando umas coisas, que deveriam ser postados até ONTEM, já que tratava-se de minha homenagem à amada cidade de São Paulo, coisa linda da mamãe… Só que ocorre que eu não tenho computador, então fiquei a ver navios. Mas, como não sou de jogar nada fora ( quase isso, juro! ), então vai hoje mesmo, e até deu para escrever mais um pouco, uma vez que caiu outro lindo dilúvio na cidade que, entre outras cositas menores, “complicou o trânsito na Capital” ( essa frase é quase um mantra ).
AS PATÉTICAS “HOMENAGENS” A SÃO PAULO
Claro, eu não consigo imaginar que tipo de idiota leve a sério reclames assim, nos quais supostos cidadãos tecem loas e vomitam declarações de amor a esta cidade. Spots de rádio como “Quem olhar São Paulo com outros olhos…” ou “A revendedora GEME, em homenagem aos 400 e tralalá anos de São Paulo, blablabla, está com o fabuloso feirão de carros…”.

Sobre esta última, o que dizer a respeito?

Talvez: “Em homenagem a São Paulo, estamos incentivando você a encher as já entupidas e poluídas ruas da cidade, com ainda mais carros, IPI zero.”

Contrariando, no fim das contas, aquela frase “Quem ama não mata”, eu diria que isto aqui está mais para uma mistura de “A gente estupra, mas procura não matar muito”, “Coração de mãe, sempre cabe mais um” e uma pitadinha esperançosa, quase religiosa de “Lavou, tá novo”. Tá mesmo?

EXAGERADO

Talvez eu esteja sendo um pouco exagerado. Dá para imaginar, sim, o tipo de imbecil individual que se emociona com as tais “homenagens”: afinal, as pessoas não acreditam cegamente naquelas propagandas de TV, onde as ruas de São Paulo ( as locações são aqui, não? ) são vazias ( e o “melhor”, para todos os motoristas que possuem carros da marca divulgada, e ao mesmo tempo ) e você pode atravessar o município de um extremo a outro ( o que quer dizer, pelo que nos mostram, do Teatro Municipal/ Viaduto do Chá à Av. Paulista ) mui rapidamente, já que não existem pedestres, enchendo o saco e muito menos ônibus disputando espaço com seu carro.

Importante: o farol está sempre VERDE para você. Quier dizer, nem sempre.

Quando ocorre do cara parar no farol VERMELHO ( sempre respeitando a faixa de pedestres, percebam só … ), é batata que uma puta ( modo de falar, claro ) duma gata vai olhar lascivamente pro motorista, já que sem carro, ninguém come ninguém nessa po****rra!

Então, são duas coisas mostradas nos comerciais em questão: as vias são liberadas o tempo todo, e as mulheres também. Mas pra isso você deve comprar o carro da marca “X”. Pensando bem, na vida real é diferente?

Mas tem muito mais: as crianças são lindas, engraçadinhas, branquinhas e “já sabem o que querem”, dando lições aos idiotas adultos. Que mais? Ah, as ruas de São Paulo sempre terminam numa praia ( Isso merece um parêntese: parece que certos comerciais, por falar em cenários e situações e scripts, são rigorosamente iguais, pouco importando qual o produto que esteja sendo divulgado. Parece, mesmo, haver certo padrão: reclames de carros parecem com reclames de cerveja que, por sua vez, lembram reclames de operadoras de celular. Muito raramente, pode-se também confundir propagandas de bancos com peças publicitárias do Pão de Açúcar e do Mc Donalds. Mas aí é outra história ).

Saíndo das ilusões televisivas, São Paulo se revela um Leviatã. Não, a comparação ficou esdrúxula, já que eu nem sei direito o que é isso. Sei lá, acho que parece mais com a Oceania de 1984 ( sem o Grande Irmão ), um pouco de “Vinhas da Ira”, outro tanto de “Wall Street, poder e cobiça”. E, o resultado disso, sendo habitado pelos nômades de “Mad Max”, só que de classe média. Alguns moradores daqui bem que lembram “o Talentoso Ripley”.

E o patrono desta mistura “cosmopolita”, “moderna”, “um caldo de cultura”, “lar de todos os povos” e outras frases de merda, seria o Dick Vigarista.

Aliás, podemos acresentar nessa caçarola um pouco do “O Sobrevivente” ( The Running Man ), com o Schwarzenegger ( a platéia do show de TV é encontrada facilmente nas ruas de São Paulo ), aquele outro do Sam Peckinpah, “Sob o domínio do medo” ( Straw Dogs ), em que um pacato professor ( Dustin Hoffman, brilhante como sempre ), depois de comer o pão que o diabo amassou, se vê obrigado a tornar-se um ogro enfurecido, para conseguir sobreviver aos habitantes dum lugar para onde se mudou.
É…São Paulo ( “seu ritmo, suas cores, seus povos…blablabla” ), tudo regado a muito cabotinismo, agressividade, mesquinhez, imaturidade, autismo, por trás de uma caída de podre fachada de “modernidade”, progressismo” ( seja lá o que signifiquem ), coletividade, tolerância, compromisso mútuo e civilidade, há algo de podre nessa cidade. Ou seja, é ela própria.

Perceberam que não tenho muito apreço pelos meus concidadãos, né? Isso aí.

E este ano não teve bolo pros porcos. O imprensalão se apressou em culpar a crise, mas acho que os possíveis patrocinadores não quiseram queimar o filme de suas empresas, apoiando esse espetáculo deplorável anual.

BRASÃO MAIS ADEQUADO

janeiro 22, 2009

"A Cabeça do Paulistano", parte 3 – Mobilidade/ Por quê a Prefeitura destruiu a CET?

MOBILIDADE
Recentemente, houve um trágico atropelamento na Avenida Paulista: um ônibus teria tentado ultrapassar uma ciclista, mas acabou passando por cima dela. A ciclista seria uma ativista pró-bicicletas como transporte alternativo. Sua morte causou certa comoção, e não seria para menos.
Bem, a meu ver, a adoção da bicicleta pela população da cidade como modalidade de transporte seria uma boa. Só que, em primeiro lugar, não devemos esquecer, nunca, que somos pedestres por definição. Reafirmo o que já disse: a forma de pensar do paulistano é muito clara. As pessoas se vêem como pedestres ou usuários dos transportes coletivos ( ônibus, principalmente ) como uma fase, apenas. Elas desejam, planejam e executarão, tão logo tenham condições para tanto, a compra de um carro. Não é apenas a questão do uso. Deve ter uma algo a mais nisso. Prova de sucesso. Macheza. Status. Pior é que, quando se lançam empecilhos para a circulação dos automóveis, seus proprietários se sentem pessoalmente ultrajados. Talvez pelo fato de pagarem um IPVA que cresce a cada ano ( dizem eles ), eles se acham no direito de não sofrer decepções.
A realidade física da cidade, que não comporta mais tanto carro não parece ser problema demasiado insolúvel para tais motoristas/ eleitores. “Tem que dar um jeito, e pronto”. Vão esperando…
Por quê a Prefeitura destruiu a CET?
Antes de procurar a Ouvidoria ou os jornais, quero dar esta informação aqui, primeiro. Porém, vou desenhar uma realidade que já tive o prazer de vivenciar. Peguem a pipoca.
Eu trabalhava num local, e o patrão pedia para que não deixássemos que estacionassem em frente. Não era vaga da firma, mas sim, guia normal. Mas, havia uma placa com o “E” cortado /“.
Se, quando passasse por lá, o chefe via um carro estacionado na vaga em questão, vinha enchendo nosso saco:
“Porra, meu, por quê não pediram pro cara por mais prá frente, meu?”
Enfim, era uma aporrinhação.
Anos depois:
Descobri a Pedra Filosofal! Bastava ligar para a CET, que eles mandavam, quase imediatamente, uma viatura, com um heróico amarelinho ( este profissional tão odiado pelo “Cidadão de Bem Paulistano, que não faz nada de errado, paga os impostos, e blablabla” ) e seu talão de multas vingador! Era só dizer: “Viu, tem um carro num local proibido… sim, tem a placa do tamanho dum bonde, o cara viu, ele que é pilantra… Ah! Tá bom, tô esperando, obrigado!”
Poucos minutos depois, coisa de meia hora ( às vezes nem isso ) chegava o Batmóvel e punia o meliante. Ponto para a Lei e Justiça!
E usei e abusei desse recurso. Os cofres públicos paulistanos jamais viram tanta grana entrar, E GRAÇAS A MIM HA HA HA!!!
Depois, para aumentar ainda mais o meu PRAZER, começaram a mandar GUINCHOS!! O cara estacionava em lugar proibido, e tinha que ir buscar o carro no PÁTIO DA CET HA HA HA!!
A CET levava a lata embora e, em seu lugar deixava um CAVALETE! Lembrava um “ratinho trocador”! HA HA HA!
E não tardou, descobri que podia me divertir muito mais: passei a telefonar para certas pessoas, para assistirem às cenas de sacrifício ao deus TALÃO! A LEI DO TALÃO!!! HA HA HA!!
Fazia platéia, só esperando o espetáculo: o guinho, depois o trouxa: “Ô, cara!! Cadê meu carro?” HA HA HA!
Tinha um colega, o PAVILHÃO que, quando não podia ir até lá, ficava ASSISTINDO DA JANELA DE CASA!!! HA HA HA!
Mas o ponto é: ligava para a CET e eles apareciam logo a seguir.
HOJE EM DIA
Seguinte: eu precisei que a CET mandasse um amarelinho para ficar fiscalizando um determinado cruzamento aqui em São Paulo. Há uma faixa de pedestres, que a rigor, não existe! Os carros estacionam sobre ela, enquanto esperam o sinal verde. AS PESSOAS, OS PEDESTRES passam por entre coisa de 4 carros ( a faixa comporta esse número ). Os motoristas não se fazem de rogados. É, sinceramente, como se a faixa não existisse, de fato!
Aí eu, cidadão exemplar, cônscio de meus deveres para a comunidade, liguei para a outrora gloriosa CET em 02 de Janeiro agora. Estamos em 22 de Janeiro, já fiz e refiz uns 6 protocolos ( “rechamadas” ) e, ATÉ HOJE A CET NÃO MANDOU NINGUÉM!! Ontem eu percebi uma viatura da Companhia flagrar um carro em pleno delito, mas FICOU POR ISSO MESMO! Em seguida, duas motos da PM também flagraram outro larápio bem sobre a porra da faixa! Parece que gesticularam ou falaram algo ao motorista, mas nada da LEI DE TALÃO se fazer mostrar! FICOU POR ISSO MESMO!
ESTÃO DEIXANDO OS MOTORISTAS FAZER O QUE QUISEREM EM SÃO PAULO! SUCATEARAM A SUPOSTA INDÚSTRIA DA MULTA.
Um problema é que os pedestres se mostram compreensivos e cúmplices, já que não planejam permanecer na condição de pedestres eternamente.

janeiro 20, 2009

"A Cabeça do Paulistano" – parte 2 ( Prosseguindo com a homenagem à cidade de São Paulo, tão adorada… )

Se, antes, você quiser ver a parte 1, CLIQUE AQUI
REFORMA VOCABULAR À PAULISTANA
Se você é daqueles que, no decorrer de sua vida, acostumou-se a termos que, hoje em dia, são considerados tão mortos quanto o latim, então entenderá o que escreverei.
A reforma vocabular paulistana veio para ficar, não importa o que você pense, ilustre tipo faceiro.
Extrirparam-se palavras, termos e expressões diversas, justamente aquelas que, quando criadas, serviriam para garantir um mínimo de civilidade e sociabilidade entre os nativos locais. Depois de adotadas amplamente, tais expressões atestariam, por seu simples uso pelos cidadãos, que um certo grau de civilidade havia sido, finalmente atingido.
Mas são outros tempos. Em nome do dinamismo, modernidade e comunicabilidade foram retirados, primeiro do cotidiano e, depois, dos manuais de modos e etiquetas, palavras e expressões excessivamente rococós, cheias de floreios e arcadismos anacrônicos que foram caíndo em desuso devido a sua inadaptabilidade aos tempos atuais.
Foram suprimidos, por exemplo:
“Por favor.”
“Obrigado ( a ).”
“Com licença.”
“Você ( ou: O Sr. ) se incomodaria se…?”
“Tenha a gentileza de…”
“Poderia ter a bondade de…?”
“A sra. ( ou: o sr. ) na frente…”
Como se pode perceber facilmente, são expressões inúteis que mereceram ser suprimidas, pois não cabem mais em nossa sociedade.
Um conhecido meu contou a seguinte situação: se encontrava em determinado lugar ( em São Paulo, Capital, não esqueçam ) quando uma mulher abordou-lhe, pedindo uma informação. E ele, idióóóóta, ajudou a dona.
Ao ouvir as instruções desejadas, deu de costas abruptamente, e saía andando. E ele disse-lhe:
“ÔÔH! De nada, viu?”
Ela escutou e, meio envergonhada, virou-se e respondeu:
“Aii, disculpa, viu? É que eu tou tão com a cabeça…essa correria…a gente acaba esquecendo…!”
Seja o que for que ela queria comunicar com esses balbuciares, ele pensou o seguinte: acho que as pessoas que aboliram o “Obrigado” e o “Faz favor” de seu vocabulário simplesmente pensam [ sic ] que os indivíduos que criaram essa forma de tratamento viviam num mundo onde não se tinha mais o que pensar, não havia correrias e nem dificuldades na vida. Ou seja, tais pessoas viviam num mundo de tédio e ócio, e passavam o tempo criando expressões e frases pseudo-polidas apenas para matar o tempo, na falta de emoções e aventuras.
Em resumo, a polidez no trato com o próximo seria coisa de desocupados.
( Fim da parte 2 )

janeiro 13, 2009

Blog BFI lança o maior e melhor estudo sobre a cidade de São Paulo, traçando o perfil incontestável de sua população: " A CABEÇA DO PAULISTANO"!!

Este blog fez uma acurada e bem-sucedida pesquisa, comparecendo in loco e municiando-se de milhares de dados empíricos. Tudo para desenhar o mais fiel e honesto perfil do povo paulistano. Colhendo informações e opiniões, aqui e acolá, estamos tranquilos e podemos encostar a cabeça no travesseiro, sem temor de insônia, causada por possíveis injustiças que pudéssemos ter cometido. Não. Neste blog, a ciência é coisa séria. Sem contarmos com benesses pecuniárias ou subvenções de organismos públicos para pesquisas, conseguimos fazer na marra. Tudo em nome do mais profundo amor que sentimos por esta metrópole e, principalmente, por seus habitantes / eleitores. Então, deleite-se e saiba mais sobre a “Noça São Paulo”. Nem estes habituais comerciais de bancos ou do Pão de Açucar, declarando todo o amor do mundo por São Paulo, deixarão você tão tocado, tão sentimental, tão orgulhoso de ser um “paulistano”.
SÍMBOLO
Sabe quando, no dia 25 de Janeiro, o Bexiga faz aquele puta bolo e as pessoas se matam ( ou melhor, matam quem estiver em volta ) para arrancar o melhor naco da iguaria e enfiar na sacola? Então:
NÃO HÁ IMAGEM QUE REPRESENTE MELHOR O ESPÍRITO DO PAULISTANO! É assim o ano todo!
Se você não tiver ainda participado, e deseja comparecer este ano, lembre-se de levar ( além da sacolinha de plástico de supermercado onde você vai depositar o butim amealhado na peleja ) um colete a prova de balas, soco-inglês e spray de pimenta e aquelas máquinas de choque. Um teaser tem bastante eficácia. Não é para se proteger. É necessário levar estes ítens, se você quer realmente conseguir pegar o maior pedação de bolo que todo mundo!
E lembre-se: um ou outro pedaço pode vir “batizado”, com um tufo de cabelos ou uma lasca de dente. Por isso, mastigue bem o doce.
Outra coisa: se você não quer ser visto como um “caipira”, um “turista”, um estranho, enfim, como alguém que não é daqui, faça o seguinte: após comer todo o bolo que estava na sacola de plástico de supermercado, jogue-a sem cerimônias na rua. Em São Paulo, faça como os paulistanos. Se você esquecer de jogá-la na rua imediatamente, então lance-a pela janela do carro ou do ônibus. Legítima tradição dos paulistanos. Do tempo do onça. E piorou nos últimos anos.
( Fim do Primeiro Capítulo )

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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