AS PATÉTICAS “HOMENAGENS” A SÃO PAULO
Sobre esta última, o que dizer a respeito?
Talvez: “Em homenagem a São Paulo, estamos incentivando você a encher as já entupidas e poluídas ruas da cidade, com ainda mais carros, IPI zero.”
Contrariando, no fim das contas, aquela frase “Quem ama não mata”, eu diria que isto aqui está mais para uma mistura de “A gente estupra, mas procura não matar muito”, “Coração de mãe, sempre cabe mais um” e uma pitadinha esperançosa, quase religiosa de “Lavou, tá novo”. Tá mesmo?
EXAGERADO
Talvez eu esteja sendo um pouco exagerado. Dá para imaginar, sim, o tipo de imbecil individual que se emociona com as tais “homenagens”: afinal, as pessoas não acreditam cegamente naquelas propagandas de TV, onde as ruas de São Paulo ( as locações são aqui, não? ) são vazias ( e o “melhor”, para todos os motoristas que possuem carros da marca divulgada, e ao mesmo tempo ) e você pode atravessar o município de um extremo a outro ( o que quer dizer, pelo que nos mostram, do Teatro Municipal/ Viaduto do Chá à Av. Paulista ) mui rapidamente, já que não existem pedestres, enchendo o saco e muito menos ônibus disputando espaço com seu carro.
Importante: o farol está sempre VERDE para você. Quier dizer, nem sempre.
Quando ocorre do cara parar no farol VERMELHO ( sempre respeitando a faixa de pedestres, percebam só … ), é batata que uma puta ( modo de falar, claro ) duma gata vai olhar lascivamente pro motorista, já que sem carro, ninguém come ninguém nessa po****rra!
Então, são duas coisas mostradas nos comerciais em questão: as vias são liberadas o tempo todo, e as mulheres também. Mas pra isso você deve comprar o carro da marca “X”. Pensando bem, na vida real é diferente?
Mas tem muito mais: as crianças são lindas, engraçadinhas, branquinhas e “já sabem o que querem”, dando lições aos idiotas adultos. Que mais? Ah, as ruas de São Paulo sempre terminam numa praia ( Isso merece um parêntese: parece que certos comerciais, por falar em cenários e situações e scripts, são rigorosamente iguais, pouco importando qual o produto que esteja sendo divulgado. Parece, mesmo, haver certo padrão: reclames de carros parecem com reclames de cerveja que, por sua vez, lembram reclames de operadoras de celular. Muito raramente, pode-se também confundir propagandas de bancos com peças publicitárias do Pão de Açúcar e do Mc Donalds. Mas aí é outra história ).
Saíndo das ilusões televisivas, São Paulo se revela um Leviatã. Não, a comparação ficou esdrúxula, já que eu nem sei direito o que é isso. Sei lá, acho que parece mais com a Oceania de 1984 ( sem o Grande Irmão ), um pouco de “Vinhas da Ira”, outro tanto de “Wall Street, poder e cobiça”. E, o resultado disso, sendo habitado pelos nômades de “Mad Max”, só que de classe média. Alguns moradores daqui bem que lembram “o Talentoso Ripley”.
E o patrono desta mistura “cosmopolita”, “moderna”, “um caldo de cultura”, “lar de todos os povos” e outras frases de merda, seria o Dick Vigarista.
Aliás, podemos acresentar nessa caçarola um pouco do “O Sobrevivente” ( The Running Man ), com o Schwarzenegger ( a platéia do show de TV é encontrada facilmente nas ruas de São Paulo ), aquele outro do Sam Peckinpah, “Sob o domínio do medo” ( Straw Dogs ), em que um pacato professor ( Dustin Hoffman, brilhante como sempre ), depois de comer o pão que o diabo amassou, se vê obrigado a tornar-se um ogro enfurecido, para conseguir sobreviver aos habitantes dum lugar para onde se mudou.
É…São Paulo ( “seu ritmo, suas cores, seus povos…blablabla” ), tudo regado a muito cabotinismo, agressividade, mesquinhez, imaturidade, autismo, por trás de uma caída de podre fachada de “modernidade”, progressismo” ( seja lá o que signifiquem ), coletividade, tolerância, compromisso mútuo e civilidade, há algo de podre nessa cidade. Ou seja, é ela própria.
Perceberam que não tenho muito apreço pelos meus concidadãos, né? Isso aí.
E este ano não teve bolo pros porcos. O imprensalão se apressou em culpar a crise, mas acho que os possíveis patrocinadores não quiseram queimar o filme de suas empresas, apoiando esse espetáculo deplorável anual.
BRASÃO MAIS ADEQUADO


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