ENCALHE

dezembro 31, 2008

"Com a crise, como será 2009?", por Jasson de Oliveira Andrade

Antes de entrar no assunto deste artigo, um pouco de história. Em 1991, tivemos o fim da União Soviética, até então o país comunista mais potente, mais forte. O fato foi assim narrado por Jacob Gorender, escritor e historiador: “Na noite de 25 de dezembro de 1991, em pronunciamento transmitido pela televisão, Mikhail Gorbatchov tornou pública a renúncia à presidência da União Soviética, entidade já inexistente. A bandeira vermelha da foice e do martelo foi descida do mastro do Kremlin, onde tremulou durante dezenas de anos [74 anos, de 1917 a 1991] e, ao seu lugar, subiu a bandeira tricolor da Rússia”.
Com o fim da União Soviética e também da “Guerra Fria”, entre este país e os Estados Unidos, esperava-se que o capitalismo iria predominar soberanamente, uma vez que o outro país comunista, a China, tornou-se uma potência pacífica, adotando mesmo alguns modelos ocidentais ( capitalista ). Realmente isso aconteceu até pouco tempo. No entanto, neste ano de 2008, os Estados Unidos, graças ao desastrado governo Bush, após sete anos presidindo este país, estão passando por uma crise econômica, igual ou pior do que aquela que passaram em 1929. Para vencer a crise, Bush socorreu os bancos, depois a política habitacional (os adquirentes de casas, não tinham dinheiro para pagar as prestações) e agora, depois da eleição presidencial, as companhias automobilísticas. O jornalista Antonio Luiz M. C. Costa, na reportagem O FIM DE UMA ERA, publicada pela CartaCapital, revela o que está acontecendo no setor: “A crise da GM é também a do modelo de sociedade de consumo que a empresa ajudou a construir em seu país”. Faz ainda essa surpreendente constatação: “Mais de 50% dos carros vendidos nos EUA já são de empresas estrangeiras”. Isso era impensável até pouco tempo. Já Nouriel Roubini, economista e professor da Universidade de Nova York, é pessimista: “O que nos aguarda em 2009? O ano que vem será doloroso, com recessão global, mais desgaste financeiro, prejuízos e falências”.
Com o desastre do governo Bush, com um fim de administração tumultuada, como a sapatada de um iraquiano, que por pouco não lhe acertou ( o jornalista protestava contra a invasão do Iraque ), o resultado da eleição presidencial não poderia ser outro: vitória fácil de Obama, o primeiro negro a ser eleito presidente, confirmando a previsão de Monteiro Lobato, escritor brasileiro. Agora ele terá que enfrentar essa dificílima situação. Sairá bem? Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia em 2001, observou: “Caso Obama siga seus instintos, preste mais atenção ao país do que a Wall Street e aja com ousadia, existe a perspectiva de que a economia comece a emergir de sua crise pelo final de 2009. Se não, as perspectivas de longo prazo para os EUA, e para o mundo, são sombrias”. Torcemos, então, para que Obama siga seus instintos e seja ousado!
E no Brasil como será a crise em 2009? A mídia noticia, diariamente, que a situação em nosso país é ruim e tende a piorar. O presidente Lula e o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, esperam que a situação não seja tão alarmante como apregoam a mídia e a oposição.
O mais otimista é o senador José Sarney, ex-presidente da República. Em artigo à Folha, sob o título QUE VENHA UM ANO BOM, faz essa previsão: “Acho que 2009 não vai ser nada disso que estão alardeando, pois é um ano ímpar, e este anos ímpares não costumam ser de catástrofes”. Como diria o jornalista Walter Abrucez: OREMOS!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
30 de dezembro de 2008

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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