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agosto 8, 2012

Veja nega autoria de dossiê contra juiz do caso Cachoeira feito por seu redator-chefe


Enrolou sete dias para dar uma versão sobre seu papel no escândalo
Relação com a ‘fonte’ está meio promíscua
A revista Veja levou uma semana para dar sua versão sobre a chantagem feita pela mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, contra o juiz Alderico Rocha Santos, ameaçando-o com um dossiê feito pelo editor-chefe da revista, Policarpo Jr, caso o magistrado não soltasse o contraventor. A revista classificou a chantagem como uma “manobra desesperada e ilegal de Andressa”. A primeira reação da revista tinha sido mandar Reinaldo Azevedo atacar todo mundo, inclusive o juiz.
( HORA DO POVO )
Com 7 dias de atraso, Veja diz que não publica dossiês
Mas não esclareceu se Policarpo foi contratado ou não por Cachoeira, como revelou Andressa
Depois que a mulher de Carlos Cachoeira, Andressa Mendonça, abriu o jogo dizendo ao juiz Alderico Rocha Santos, responsável pela prisão do contraventor, que seu marido tinha contratado o redator-chefe da revista Veja, Policarpo Jr., para fazer um dossiê contra ele, a revista ficou ruminando uma semana sem saber o que dizer. A primeira reação da revista tinha sido mandar o inepto Reinaldo Azevedo atacar todo mundo, inclusive o juiz. Se a situação já estava ruim, ficou pior ainda.
A decisão de convocar Policarpo para depor na CPMI do Cachoeira, anunciada pelo vice-presidente, deputado Paulo Teixeira, logo no reinício dos trabalhos do segundo semestre, fez a revista tentar dar uma explicação. Numa matéria intitulada “Uma bela de uma farsa”, lá pela página 82, a revista decidiu colocar toda a culpa em Andressa. “A mulher de Cachoeira invocou indevidamente o nome de Veja para chantagear o juiz do caso”, disse a revista. “Veja não publica dossiês”, completou.
Mas, ninguém acredita nessa história. Policarpo e Cachoeira não fizeram outra coisa nesses últimos anos a não ser produzir dossiês. Quase todos para tentar desestabilizar o governo e defender os interesses das empresas do contraventor e de seus sócios. Não é à toa que Policarpo e Cachoeira trocaram mais de duzentos telefonemas nesse período. Sintomaticamente a revista está longe de ser enfática pois em relação a Policarpo Jr. ela não nega com veemência, pois o que Andressa disse, segundo o relato do juiz, foi que “o Carlos [Cachoeira] contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor”.
Veja apenas faz uma alusão ao seu redator-chefe quando diz que “obscuros parlamentares” tentaram “criminalizar o trabalho de um jornalista da revista que teve Carlos Cachoeira como fonte de informação”. E em seguida se apoia de forma capciosa nos depoimentos dos delegados da PF que, segundo a revista, descreveram os contatos de Policarpo com Cachoeira como “legítimos” entre “jornalista e fonte”. Na verdade, os delegados deram depoimentos sigilosos na CPMI do Cachoeira e o que se sabe é por meio de relatos de quem acompanhou as oitivas e muitos dos parlamentares dizem que eles não tinham como afirmar se Policarpo cometeu crime ou não porque não era o foco do que estavam investigando.
Nos telefonemas entre Cachoeira e Policarpo, o contraventor definia, como ocorreu em várias ocasiões, até onde determinadas matérias deviam sair. Quem deveria ser atacado, quem seria protegido, etc. Em vários diálogos, gravados legalmente pela Polícia Federal, há uma associação clara entre Cachoeira e Policarpo. A ponto do contraventor chamá-lo intimamente de “Poli”. Os dois produziram dossiê contra Agnelo para tentar manter os interesses da Delta em Brasília. Foi feito dossiê contra o Ministro dos Transportes, quando a Delta foi apertada pelos técnicos do Ministério. Só para lembrar, Cachoeira era intimamente ligado à Delta, principalmente à sua diretoria do Centroeste. Também foi iniciado uma série de dossiês contra José Dirceu, quando este vetou o nome de Demóstenes Torres para um cargo no Ministério da Justiça. A associação entre os dois era total. “Porque os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos”, disse Cachoeira para o araponga Jairo Martins em um dos diálogos gravados pela PF.
Agora que a Andressa deixou escapar que havia um contrato de Policarpo Jr. com Carlos Cachoeira, a revista, depois de um tempo sem saber o que fazer, resolveu atacar furiosamente a mulher do contraventor. Mas, é evidente que ela não inventou o contrato e nem o dossiê. E não será com essa matéria tentando tirar o corpo fora que a revista vai escapar da CPMI.
Na verdade a convocação do diretor da sucursal Brasília da revista Veja, Policarpo Jr, para explicar suas relações com o grupo criminoso de Carlinhos Cachoeira ficou mais perto de acontecer depois que Andressa Mendonça, tentou chantagear o juiz Alderico Rocha Santos. A ameaça de publicar o dossiê na Veja contra o magistrado, se o bicheiro não fosse solto, é a prova da ligação ilegítima. Por causa disso, Andressa foi presa na segunda-feira (30) e solta sob pagamento de fiança de R$ 100 mil. Só falta agora ouvir Policarpo.
Andressa será ouvida pela Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) mista nesta terça-feira. Mas quem tem que prestar depoimento à CPMI não é só ela. É o Policarpo que tem que ir. A justificativa fajuta da revista de que Policarpo e Cachoeira tinham uma relação de repórter e fonte caiu por terra.
A revista também diz ainda que o “departamento jurídico da Editora Abril, que edita a Veja, busca esclarecimentos sobre a farsa com vistas a processar seus responsáveis”. “ Que “esclarecimentos sobre a farsa” ainda precisam ser feitos? E quem são os reponssáveis que a publicação vai processar, Andressa e Cachoeira?

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2 Comentários »

  1. [...] A revista Veja é reconhecidamente dada a chantagens. Um dos casos mais recentes e famosos é este: Veja nega autoria de dossiê contra juiz do caso Cachoeira feito por seu redator-chefe; Em 1999, em discurso no Senado Federal, o então senador peemedebista Roberto Requião ( PR ) [...]

    Pingback por Carta aberta ao meu caro amigo Ricardo Noblat, Por Leonardo Attuch « ENCALHE — setembro 24, 2012 @ 7:20 pm

  2. [...] uma repórter “enviada especial” a Goiânia para cobrir o casamento de um mafioso com uma mulher indiciada por chantagear um juiz federal para tirá-lo da prisão, e sequer citar esse fato. Carlinhos Cachoeira, vocês sabem, tem trânsito livre na imprensa [...]

    Pingback por Casamento de Cachoeira, Jornalismo à moda de Al Capone, Por Leandro Fortes « ENCALHE — dezembro 29, 2012 @ 5:53 pm


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