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julho 13, 2012

‘Veja’ perde seu valete no Senado


O senador do Dem de Goiás, Demóstenes Torres, braço direito de Carlos Cachoeira e mosqueteiro da revista Veja, bem que tentou, mas não conseguiu enganar novamente seus pares do Senado. Foi cassado com 56 votos a favor e 19 contra. Cinco senadores se abstiveram e um não compareceu à sessão. Seus crimes foram tantos que ele passou a ser conhecido como o “despachante de luxo” do contraventor e, disse hoje, na sessão, que está se sentindo como um “cão sarnento”. Com a decisão, Demóstenes ficará inelegível por oito anos. O mosqueteiro disse, após a cassação, que apelará para o STF, na esperança que Gilmar Mendes faça algo por ele.
Senado varre Demóstenes ‘Veja’ Torres por 56 votos contra 19
Após a sessão do Senado que o cassou ele disse que vai recuperar seu mandato no STF
O senador eleito pelo Dem de Goiás e atualmente sem partido, Demóstenes Torres, braço direito de Carlinhos Cachoeira e “mosqueteiro” da revista Veja, bem que tentou, mas não conseguiu enganar novamente seus pares do Senado. Foi cassado na quarta-feira (11) por 56 votos a favor e 19 contra. Cinco senadores se abstiveram e um não compareceu à sessão.
Sua sociedade com os crimes de Cachoeira ficou tão explícita que ele passou a ser conhecido como o “despachante de luxo” do contraventor. Isolado, disse em discurso na sessão que o cassou que estava se sentindo como um “cão sarnento”. Com a decisão do Senado, Demóstenes ficará inelegível por oito anos contados a partir do fim do mandato (fevereiro de 2019).
Numa das últimas gravações divulgadas esta semana, Demóstenes aparece dizendo a Cachoeira que este tem que ajudar o Policarpo Jr., diretor da revista Veja, porque “ele [Policarpo] é de confiança”. A fala compromete ainda mais a revista com o crime organizado. “Ele [Policarpo] nunca furou com a gente”, arrematou Demóstenes. E o senador cassado, que chegou a defender durante a semana que mentir não é quebrar o decoro, insistiu em dizer que não mentiu aos senadores. “Mas, se tivesse mentido, não seria quebra de decoro”, afirmou.
O argumento de que não houve mentira foi demolido pelo relator do processo, na sua sustentação para o plenário da Casa. Bastou um exemplo do senador Humberto Costa para demonstrar que Demóstenes não só mentiu, como tentou fazer os senadores de bobo. Ele fez isso, lembrou Costa, quando disse, da tribuna do Senado, que sua relação com Cachoeira possuía somente caráter pessoal e que o principal assunto de suas conversas se referia a uma crise conjugal. Demóstenes se referia ao fato de Cachoeira ter tomado a mulher de seu suplente de senador. E que as conversas com o contraventor giravam em torno desse assunto. “Mas, em mais de 300 ligações telefônicas, não há qualquer referência a uma crise conjugal”, ressaltou Costa.
Quase todos os assuntos relacionados às atividades criminosas foram tratados por Demóstenes e Cachoeira nas gravações obtidas pela Polícia Federal. Em mais de dez mil horas de gravação não houve nenhuma referência à tal “crise conjugal”. Os senadores que por ventura ainda estivessem em dúvida, devem ter caído na real com a lembrança do relator. E aqueles que no dia do primeiro discurso de Demóstenes saíram em sua defesa, devem ter ficado ainda mais constrangidos com a enxurrada de mentiras do senador. O tucano Aécio Neves, por exemplo, chegou a fazer um discurso inflamado em sua defesa, logo que Demóstenes começou a ser julgado pelo Conselho de Ética.
Os assuntos que foram grampeados pela PF vão desde a análise de um projeto de lei sobre jogo onde Demóstenes alerta Cachoeira que “inclusive, te pega, né?”, até armação com Policarpo Jr para invadir o quarto de hotel onde José Dirceu costumava se hospedar em Brasília e onde ele recebia alguns políticos. As conversas passaram ainda pela derrubada de ministros do governo Dilma e pela viagem de Demóstenes à Itália – acertada pelo contraventor – para pedir desculpas a [Silvio] Berlusconi (ex-primeiro-ministro da Itália) pela decisão de Lula de dar asilo a Cesare Battisti, até uso de chantagens em favor da empresa Delta e para tentar desestabilizar Agnelo Queiroz. Além disso, a lista de órgãos que receberam a visita de Demóstenes para fazer lobby a favor de Cachoeira e da Delta é interminável. Mas, sobre crise conjugal, não apareceu nada. É por isso que Humberto Costa disse que “quem está punindo o senador Demóstenes não somos nós, é o seu passado”.
Ao repetir que Demóstenes utilizou o mandato para defender os interesses do contraventor Carlos Cachoeira, Humberto Costa citou diversos pontos apresentados em seu parecer para justificar o pedido de cassação. Um deles foi o caso do aparelho de celular e rádio da marca Nextel doado por Cachoeira a Demóstenes. Humberto lembrou que o contraventor ofereceu esse tipo de aparelho “a um seleto grupo de pessoas que compunha a cúpula da organização criminosa comandada por ele”.
O senador também mencionou o diálogo em que Demóstenes avisa Cachoeira sobre uma operação da Polícia Federal de combate a jogos de azar no estado de Goiás. Costa explicou que, nesse caso, a operação era uma simulação que tinha justamente o objetivo de descobrir quem estava vazando informações sobre as ações da polícia. E, ao refutar a alegação de Demóstenes de que não conhecia as atividades ilícitas de Cachoeira, Costa recordou que o senador acusado já foi procurador-geral de justiça e secretário de Segurança Pública de Goiás, além de ter sido integrante da CPI dos Bingos (que apontou o envolvimento de Cachoeira em diversos crimes, como o de formação de quadrilha).
A revista Veja deu amplo respaldo e divulgação aos crimes de Demóstenes. Ela sabia das ligações dele com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. E transformou o senador em herói, chegando até a considerá-lo como um dos “mosqueteiros da ética” (matéria da edição de 4 de julho de 2007). A intimidade de Cachoeira com a Veja e com Policarpo Jr era tanta que em um dos diálogos gravados pela PF, com autorização judicial, o bicheiro escolhe até a seção da revista Veja para colocar uma matéria de seu interesse. São mais de 200 ligações telefônicas trocadas entre Cachoeira e o diretor da revista em Brasília, Policarpo Jr.
À noite, pelo twitter, o senador cassado disse que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo seu mandato. “Vou recuperar no STF o mandato que o povo de Goiás me concedeu”, escreveu. Segundo ele, há “motivos suficientes” para tentar recuperar o mandato porque foi “cassado sem provas, sem direito a ampla defesa e sem ter quebrado o decoro”. Será que ele acha que o voto do seu amigo Gilmar Mendes, com o qual perambulou pela Europa juntos, vale mais do que os dos outros 10 ministros do STF? ( HORA DO POVO )

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