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julho 28, 2012

Membros da oposição-rebelde síria também trocam de lado, mas mídia ocidental esconde isso

Arquivado em: WordPress — Tags: — Humberto @ 7:50 pm

A oposição síria vista de dentro
Cada nova passagem de um alto funcionário sírio para o lado da oposição se torna notícia na mídia ocidental. No entanto, aqueles que fogem em direção contrária são ignorados intencionalmente.
A Voz da Rússia dispõe de uma entrevista exclusiva de Iussef Naami – ex-combatente do Exército Sírio Livre, que passou recentemente para o lado das autoridades.
Iussef Naami tem 27 anos, ele combateu contra as forças do Governo na região de Hama. Lá o Exército Sírio Livre sente-se mais à vontade. Ele se tornou combatente da oposição por ingenuidade:
“Entre os jovens com quem eu cresci estava o conhecido xeque Ayman Al-Halid. Ele conversou connosco e disse que nós devíamos trabalhar para o bem da pátria, pela fé, que nos mandou uma importante missão. Ela supostamente consiste no combate ao pecador que está no poder. Como consequência dessas palestras tivemos a ideia de que era necessário fazer alguma coisa, declarar em voz alta nossa discordância, ir a comícios, dizer a todas as pessoas que nós não precisamos de tais autoridades, que é preciso salvar o país. Nós pensávamos assim e acreditávamos sinceramente nisso”.
O xeque Ayman apresentou os jovens a um homem que prometeu 2 mil liras (pouco mais de 30 dólares) por participação em um comício. Mas na realidade os rapazes receberam 500 liras cada um, o que representa 8 dólares. Às vezes não davam nada, diziam: depois. Os jovens não gostavam disto e então compravam-nos pela segunda vez, dizendo que iriam receber realmente dinheiro e muito mais se fossem disparar contra militares e policiais. O treinamento era feito em uma das bases. Depois disto, começaram a participar em combates com o exército, sequestravam pessoas, supostamente partidários do regime. Também acontecia as matarem. Por isto prometiam 10 mil liras, até 160 dólares. Mas na realidade pagavam dez vezes menos e com frequência não pagavam nada.
Por que motivo decidiu Iussef Naami acabar com o passado de combates?
“Em uma das operações capturaram um meu amigo. Em seu celular estava o meu número e algum tempo depois telefonou-me um homem não me lembro de seu nome, e disse que ele era da União da Juventude Síria e queria simplesmente falar comigo. Começou a fazer perguntas do tipo: “Por que você age assim, pois vocês, jovens, devem construir seu país”. No começo, eu desligava o telefone. Mas ele ligava de novo e falava gentilmente. Gradualmente eu comecei a refletir sobre o que ele dizia. Certa vez nós combinamos por telefone ir a um encontro perto de Hama. Eu fui e encontrei os rapazes da União da Juventude Síria e seu presidente Mohammad Ad-Deri. Nós conversamos durante muito tempo, fizemos perguntas uns aos outros e contámos alguma coisa. Depois disto não quis mais ser combatente.”
Os jovens disseram que acreditavam na declaração do presidente Bashar Assad sobre a anistia em caso de arrependimento e entrega voluntária das armas. Vinte e quatro horas depois da entrega das armas, as autoridades tiraram os jovens da lista negra.
Iussef Naami confessa que hoje ele se sente como que renascido. Agora ele trabalha na companhia de abastecimento de água. Alguns de seus camaradas também conseguiram encontrar um trabalho normal. ( VOZ DA RÚSSIA )

Gilmar Mendes: Juíz? Não! RÉU!

Valerioduto – O ministro Gilmar Mendes aparece entre os beneficiários do caixa 2 da campanha da reeleição de Eduardo Azeredo em 1998, operado por Marcos Valério
Na quinta-feira, dia 2, quando se iniciar o julgamento do chamado mensalão no STF, Gilmar Mendes estará com sua toga ao lado dos dez colegas da Corte. Seu protagonismo nesse episódio está mais do que evidenciado. Há cerca de um mês, o ministro tornou-se o assunto principal no País ao denunciar uma suposta pressão do ex-presidente Lula para que o STF aliviasse os petistas envolvidos no escândalo, “bandidos”, segundo a definição de Mendes.
À época, imaginava-se que a maior preocupação do magistrado fosse a natureza de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres. Mas isso é o de menos. Gilmar Mendes tem muito mais a explicar sobre as menções a seu nome no valerioduto tucano, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998 e que mais tarde serviria de modelo ao PT.
O nome do ministro aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha. Há um abismo entre a contabilidade oficial e a paralela. Azeredo, à época, declarou ter gasto 8 milhões de reais. Na documentação assinada e registrada em cartório, o valor chega a 104,3 milhões de reais. Gilmar Mendes teria recebido 185 mil.
A lista está metodicamente organizada. Sob o enunciado “Relatório de movimentação financeira da campanha da reeleição do governador Eduardo Brandão de Azeredo”, são perfilados em ordem alfabética doadores da campanha e os beneficiários dos recursos. São quase 30 páginas, escoradas em cerca de 20 comprovantes de depósitos que confirmam boa parte da movimentação financeira. Os repasses foram feitos por meio do Banco de Crédito Nacional (BCN) e do Banco Rural, cujos dirigentes são réus do “mensalão” petista.
Esse pacote de documentos foi entregue na quinta-feira, dia 26, à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Além de Mendes, entre doadores e receptores, aparecem algumas das maiores empresas do País, governadores, deputados, senadores, prefeitos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A papelada desnuda o submundo das campanhas eleitorais inalcançado pela Justiça. Há registros de doações de prefeituras, estatais e outros órgãos públicos impedidos por lei de irrigar disputas políticas.
Os pagamentos foram feitos pela SMP&B Comunicação, empresa do ecumênico Marcos Valério de Souza. Todas as páginas são rubricadas pelo publicitário mineiro, com assinatura reconhecida em cartório no final do documento datado de 28 de março de 1999. Há ainda uma declaração assinada por Souza de 12 de setembro de 2007 e apresentada à Justiça de Minas Gerais. Souza informa um repasse de 4,5 milhões de reais a Azeredo. Intitulado “Declaração para fins de prova judicial ou extrajudicial”, o documento de apresentação assinado pelo publicitário afirma que o depósito milionário a favor de Azeredo foi feito “com autorização” dos coordenadores financeiros da campanha tucana Cláudio Roberto Mourão e Walfrido dos Mares Guia. As origens da quantia, diz o texto, são o Banco do Estado de Minas Gerais (BRMGE), Banco Rural, Comig (atual Codemig, estatal de infraestrutura mineira), Copasa (companhia estadual de saneamento), Loteria Mineira (estatal de loterias) e as construtoras Andrade Gutierrez e ARG, “conforme declaração de reembolso assinada pelo declarante”.
Segundo a papelada, Souza afirma ter elaborado a lista em comum acordo com Mourão, principal tesoureiro da campanha de Azeredo, no mesmo dia 28 de março de 1999 que consta ao lado de sua assinatura. Chamada formalmente de “Relatório de movimentação financeira”, a lista teria sido montada “sob a administração financeira” das agências SMP&B Comunicação e DNA Propaganda. No fim, o publicitário faz questão de isentar o lobista Nilton Monteiro, apontado como autor da famosa lista de Furnas, de ter participado da confecção do documento.

Monteiro provavelmente tem alguma ligação com a história. Há muitas semelhanças entre os dois documentos. A lista de Furnas, cuja autenticidade foi comprovada pela perícia técnica da Polícia Federal, igualmente trazia uma lista de nomes de políticos, a maioria do PSDB e do ex-PFL (atual DEM), todos beneficiados por recursos de Caixa 2. Além de Monteiro, assinava o documento Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, que até hoje nega ter rubricado aqueles papéis. A diferença agora são os comprovantes de depósitos, as autenticações em cartório e uma riqueza de detalhes raramente vista em documentos desse tipo.
Quem entregou a papelada à Polícia Federal foi Dino Miraglia Filho, advogado criminalista de Belo Horizonte. Miraglia chegou à lista por conta de sua atuação na defesa da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000. Filha de um funcionário aposentado da Companhia Energética de Minas Gerais, (Cemig), Cristiana, de 24 anos, tinha ligações com diversos políticos mineiros. No inquérito policial sobre o crime, é descrita como garota de programa, mas os investigadores desconfiam que sua principal ocupação fosse entregar malas de dinheiro do valerioduto mineiro. Na lista assinada por Souza, ela aparece como beneficiária de 1,8 milhão de reais, com a seguinte ressalva: “Via Carlos Eloy/Mares Guia”.
Carlos Eloy, ex-presidente da Cemig entre 1991 e 1998, foi um dos coordenadores da campanha de reeleição de Azeredo. É um dos principais envolvidos no esquema e, segundo Miraglia, pode estar por trás do assassinato de Cristiana Ferreira. “Não tenho dúvida de que foi queima de arquivo”, acusa o advogado.
Mares Guia foi ministro do Turismo no primeiro governo Lula e coordenou a fracassada campanha à reeleição de Azeredo. Apontado como ex-amante da modelo, o ex-ministro chegou a ser arrolado como testemunha no julgamento de Cristina, em 2009, mas não compareceu por estar em viagem aos Estados Unidos. Na ocasião, o detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato. Desde então, está foragido. “Não há nenhum esforço da polícia mineira em prendê-lo, claro”, diz Miraglia.
Na lista, Eloy aparece quase sempre como intermediário dos pagamentos do caixa 2 operado pelo publicitário, mas não deixa de se beneficiar diretamente. Há quatro depósitos registrados em seu nome no valor total de 377,6 mil reais. Os intermediários dos pagamentos a Eloy, segundo a documentação, foram Mourão, Mares Guia, Azeredo, o senador Clésio Andrade (PMDB/MG) e uma prima do tesoureiro, Vera Mourão, funcionária do escritório de arrecadação do ex-governador tucano.
Mares Guia, além de aparecer como intermediário de quase todos os pagamentos, consta como beneficiário de 2,6 milhões de reais. Sua mulher, Sheila dos Mares Guia (116 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guias”), e seu filho, Leonardo dos Mares Guia (158 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guia”), são citados. Na mesma linha segue Clésio Andrade. Presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Andrade foi vice-governador do estado no primeiro governo do atual senador Aécio Neves e aparece como intermediário de centenas de pagamentos.
O documento tem potencial para tornar a situação de Azeredo, hoje deputado federal, ainda mais crítica. O processo do valerioduto mineiro está no Supremo sob a guarda do relator Joaquim Barbosa. Ao contrário de seu similar petista, foi desmembrado para que somente os réus com direito a foro privilegiado, Azeredo e Andrade, sejam julgados na mais alta Corte. O destino dos demais envolvidos está nas mãos da 9a. Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na denúncia apresentada ao STF em novembro de 2007 pelo ex-procurador-geral da República Antônio Fernado de Souza, o ex-governador Azeredo é acusado de ser “um dos principais mentores e principal beneficiário do esquema implantado”. O deputado tucano foi denunciado por peculato (apropriação de dinheiro por funcionário público) e lavagem de dinheiro. “Embora negue conhecer os fatos, as provas colhidas desmentem sua versão defensiva”, aponta Souza na denúncia. “Há uma série de telefonemas entre Eduardo Azeredo e Marcos Valério, demonstrando intenso relacionamento do primeiro (Azeredo) com os integrantes do núcleo que operou o esquema criminoso de repasse de recursos para a sua campanha”.
O ex-procurador-geral chamou o esquema mineiro de “laboratório do mensalão nacional”. Outro citado pelo Ministério Público Federal é Danilo de Castro, secretário estadual no governo Aécio Neves e no mandato do sucessor, o também tucano Antônio Anastasia. Castro teria recebido, via Clésio Andrade e Azeredo, 350 mil reais. As origens dos recursos teriam sido a Cemig, a Comig e a Copasa.
Somam-se 35 registros de valores arrecadados a partir de órgãos públicos no valor de 14,4 milhões de reais. Apenas no Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), que Azeredo privatizaria ainda em 1998, saíram 1,2 milhão de reais para a campanha, segundo a lista do publicitário. A Petrobras teria repassado 1,3 milhão de reais, dos quais 157 mil reais foram desviados do patrocínio do Enduro Internacional da Independência, um evento de motociclismo.
A lista encadeia ainda uma arrecadação total de 530 mil reais feita por prefeituras mineiras comandadas por tucanos e aliados (Governador Valadares, Juiz de Fora, Mariana, Ouro Preto e Ponte Nova). De Juiz de Fora vieram 100 mil reais repassados pelo prefeito Custódio de Mattos, que teve um retorno interessante do investimento. Como beneficiário do esquema, Mattos recebeu 120 mil reais, segundo a lista, embora seu nome apareça em um dos depósitos do Banco Rural com um valor de 20 mil reais. A discrepância, nesse e noutros casos, acreditam os investigadores, pode se dever a saques feitos na boca do caixa. Quem desponta na lista de doadores, sem nenhuma surpresa, é o banqueiro Daniel Dantas. Foram 4,2 milhões de reais por meio da Cemig. Desses, 750 mil reais chegaram “via Daniel Dantas/Elena Landau/Mares Guia” numa rubrica “AES/Cemig”. O dono do Opportunity aparece ainda no registro “Southern/Cemig” (590 mil reais) ao lado de Elena Landau e Mares Guia, e seu banco é citado num repasse de 1,4 milhão de reais via Telemig Celular.
Elena Landau foi uma das principais operadoras das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. Casada com o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, ex-sócio do Opportunity, foi diretora de desestatização do BNDES. E uma das representantes do grupo Southern Electric Participações do Brasil, consórcio formado pela Southern, AES e Opportunity. O banco de Dantas adquiriu, com financiamento do BNDES, 33% das ações da Cemig em 1997.
O documento entregue à PF lista um total de 13 governadores e ex-governadores beneficiários do esquema, dos quais sete são do PSDB, quatro do ex-PFL e dois do PMDB. Os tucanos são: Albano Franco (SE, 60,8 mil reais), Almir Gabriel (PA, 78 mil reais), Dante de Oliveira (MT, já falecido, 70 mil reais), Eduardo Azeredo (MG, 4,7 milhões de reais), José Ignácio Ferreira (ES, 150 mil reais), Marconi Perillo (GO, 150 mil reais) e Tasso Jereissatti (CE, 30 mil reais).
Do ex-PFL são listados César Borges (BA, 100 mil reais), Jaime Lerner (PR, 100 mil reais), Jorge Bornhausen (SC, 190 mil reais) e Paulo Souto (BA, 75 mil reais). Do PMDB constam Hélio Garcia (MG, 500 mil reais) e Joaquim Roriz (DF, 100 mil reais).
Na distribuição política, os interessados, segundo a lista, são quase sempre Azeredo ou Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações e um dos coordenadores das campanhas presidenciais de FHC em 1994 e 1998. Pimenta da Veiga aparece no documento como destinatário de 2,8 milhões de reais para a “campanha de Fernando Henrique Cardoso”. O ex-presidente está na lista em outra altura, ao lado do filho, Paulo Henrique Cardoso. À dupla, diz a lista do valerioduto, teria sido repassado o valor de 573 mil reais, “via Eduardo Azeredo e Pimenta da Veiga”. Eduardo Jorge, ex-ministro e grão-tucano, teria recebido 1,5 milhão re reais.
Parlamentares não faltam. A começar pelo deputado Paulo Abi-Ackel, a quem foram destinados 100 mil reais, segundo registro do documento. Seu pai, o ex-deputado e ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi Ackel, aparece como destinatário de 280 mil reais. Entre os locais estão os deputados estaduais Alencar Magalhães da Silveira Junior (PDT), com um registro de pagamento de 10 mil reais, e Ermínio Batista Filho (PSDB), com 25 mil reais. Melhor sorte parece ter tido o ex-deputado tucano Elmo Braz Soares, ex-presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais. Soares, também registrado nos depósitos da SMP&B, teve direito a uma bolada de 145 mil reais. As benesses do valerioduto mineiro alcançaram lideranças nacionais do tucanato. Um deles foi o ex-senador Arthur Virgílio Filho, do Amazonas. Pela lista de Marcos Valério, Virgílio recebeu 90,5 mil reais do esquema. Outro tucano, o ex-senador Antero Paes de Barros (MT), ex-presidente da CPI do Banestado, aparece como beneficiário de 70 mil reais. Também consta da lista o ex-senador Heráclito Fortes (DEM-PI), conhecido por ter liderado a bancada de Daniel Dantas no Senado. O parlamentar piauiense teria recebido 60 mil reais. O petista Delcidio Amaral (MS), ex-tucano e ex-presidente da CPI dos Correios, teria embolsado 50 mil reais.
As acusações também atingem o Judiciário mineiro. São citados quatro desembargadores no documento, todos como beneficiários do esquema. Corrêa de Marins (55 mil reais) foi corregedor regional eleitoral, vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral e presidente do Tribunal de Justiça. Faleceu em 2009. Rubens Xavier Ferreira (55 mil reais) presidiu o TJ-MG entre 1998 e 2000. Ângela Catão (20 mil reais) era juíza em 1998 e foi investigada por crimes de corrupção e formação de quadrilha pela Operação Pasárgada, da PF. Apesar disso, foi promovida a desembargadora do Tribunal Regional Federal de Brasília em 2009. A magistrada é acusada de ter participado de desvios de recursos de prefeituras de Minas e do Rio de Janeiro. Também juíza à época da confecção da lista, Maria das Graças Albergaria Costa (20 mil reais) foi do TRE de Minas e atualmente é desembargadora do TJ-MG. Dos tribunais superiores, além de Mendes consta o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nilson Naves (58,5 mil reais).
Um dado a ser considerado é o fato de que, em janeiro de 2009, Gilmar Mendes ter concedido o habeas corpus que libertou Souza da cadeia. Também foi libertado, no mesmo ato, Rogério Lanza Tolentino, que aparece na lista do valerioduto como beneficiário de 250,8 mil reais “via Clésio Andrade/ Eduardo Azeredo”. O ministro do Supremo entendeu que o decreto de prisão preventiva da dupla não apresentava “fundamentação suficiente”.
Chamam a atenção alguns repasses a meios de comunicação. Entre os beneficiários da mídia aparecem a Editora Abril, destinatária de 49,3 mil reais “via Clésio Andrade/Usiminas/Mares Guia”, e Grupo Abril, com o mesmo valor, mas sem a intermediação da Usiminas. Há ainda um registro de 300 mil reais para a Bloch Editora, assim como um de 5 mil reais para o Correio Brasiliense. O principal jornal de Brasília não é o único beneficiário do grupo Diários Associados. O jornal Estado de Minas recebeu 7 mil reais, assim como o jornal mineiro O Tempo (76 mil reais), de propriedade do ex-deputado tucano Vittorio Medioli que, como pessoa física, segundo a lista, recebeu 370 mil reais.
As novas informações encaminhadas à Polícia Federal, acredita Miraglia, não só poderão levar à reabertura do caso da morte da modelo como podem ampliar a denúncia do valerioduto tucano. O grupo sem foro privilegiado, sobretudo os intermediários do esquema, ficam mais vulneráveis a condenações na Justiça comum, como é o caso de Mourão e de sua assistente, Denise Pereira Landim, beneficiária de 527,5 mil reais, segundo o documento.
Nos bons tempos, os dois se divertiam alegremente em passeios de iate ao lado de Cleitom Melo de Almeida, dono da gráfica Graffar, fornecedora de notas frias do esquema. Almeida aparece como beneficiário de 50 mil reais. A Graffar, de 1,6 milhão de reais.

( TEXTO EXTRAÍDO DO BLOG LIMPINHO & CHEIROSO )

EUA admitem que Al-Qaeda participa dos grupos “rebeldes-oposicionistas” na Síria

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 4:07 pm

Al-Qaeda junta-se a grupos rebeldes
Numa altura em que os rebeldes sírios travam batalhas decisivas contra o regime em Aleppo e Damasco, os EUA admitem que combatentes da al-Qaeda estão infiltrados nos grupos da oposição. As afirmações confirmam a denúncia do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, que acusou a organização terrorista de ter tomado o controlo de postos fronteiriços com a Turquia.
Altos funcionários do Departamento de Estado norte-americano falam de células jihadistas estrangeiras, e Bruce Riedel, veterano da CIA, confirma: “Fazem ataques suicidas e empregam explosivos, técnicas testadas em países como o Iraque.”
Os rebeldes negam, mas desde o início da revolta contra Bashar al-Assad, há 17 meses, as redes islâmicas reúnem “voluntários para a jihad na Síria”. Hoje, há no país guerrilheiros da Argélia, Marrocos, Tunísia, Arábia Saudita, Egipto, Líbia e até da Tchetchénia e da Somália.
Em Janeiro, foi criado na Síria o grupo Jabhat al–Nusra, responsável por inúmeros atentados, mas analistas dizem que os rebeldes desconhecem muitas das acções destes grupos. Além disso, a presença estrangeira cria tensões. “Nunca deixaremos a al-Qaeda criar aqui um ponto de apoio, e mataremos esses combatentes se tentarem fazê-lo. A revolução pertence aos sírios”, afirmou Abu Ammar, do Exército Livre da Síria (ELS).
A presença terrorista é denunciada há muito por Assad, que nega a existência de uma revolta interna.
Entretanto, o primeiro-ministro turco, Tayyp Erdogan, acusou ontem o regime de Damasco de ter entregue várias zonas do norte da Síria às milícias do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e ameaçou que a Turquia poderá exercer o seu direito de perseguir os rebeldes curdos em território sírio, como fez anteriormente no Iraque. “Haverá, necessariamente, uma resposta da nossa parte”, ameaçou o chefe do governo turco. ( CM )

A Monsanto e o golpe de Estado no Paraguai, Por Ludovic Voet

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 3:42 pm

A empresa americana especializada em biotecnologia vegetal não tem as mãos limpas nos eventos recentes no Paraguai.
No dia 21 de outubro de 2011 o Ministro da Agricultura, o liberal Enzo Cardozo, permitiu ilegalmente a plantação da semente de algodão transgênica Bollgard Bt da companhia Monsanto para uso comercial no Paraguai. As reações dos movimentos camponeses e ecologistas foram imediatas.
Na Índia, já em 2009, a organização Navdanya publicava um relatório no qual afirmava que “o algodão Bt deixa os solos inférteis reduzindo a atividade microbiana”. Esse algodão transgênico contém uma bactéria tóxica. Mas para assegurar a si própria o máximo de lucro Monsanto está pronta para tudo. A empresa não respeitou decisão do escritório paraguaio do Comitê de Proteção das Plantas do Cone Sul (SENAVE) que reúne Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e Brasil dirigida por Miguel Lovera, de não registrar essa semente transgênica porque ela não respeitava as regras do Ministério da Saúde Pública.
Durante o mês precedente ao golpe de Estado no Paraguai a Monsanto – através do lobby dos grandes proprietários de terras da UGP (União dos Grêmios de Produção) em coordenação com a mídia dominante – lançou uma campanha encarniçada exigindo a demissão de Lovera. Em 8 de junho a UGP fazia aparecer no jornal ABC, em seis colunas “12 argumentos para destituir Lovera”. A ministra da Saúde Esperanza Martinez e o ministro do Clima Osmar Rios não vinham mais aceitando as ordens da Monsanto. Lovera e eles foram acusados de corrupção pelo jornal ABC de propriedade de Aldo Zuccolillo, um dos membros de seu grupo de empresas (Grupo Zuccolillo), não é outro senão Hector Cristaldo, o presidente da UGP. A lista das ligações entre os grandes capitalistas no Paraguai é longa para se descrever…
Em 2011 a Monsanto fez negócios de 30 milhões de dólares, livres de impostos, somente pelos royalties pelo uso das sementes de soja transgênica no Paraguai. Ao mesmo tempo a Monsanto vende sementes transgênicas que são utilizadas pela cultura de soja sobre mais de três milhões de hectares. As transnacionais do agrobusiness não pagam quase nenhum imposto no Paraguai protegidas pela maioria de direita no Congresso. 60% do orçamento nacional vem da T.V.A. e 13% dos impostos são essencialmente pagos pelos trabalhadores. Entretanto a quantidade dos negócios das grandes multinacionais do agrobusiness é de 6 bilhões de dólares anuais, perto de 30% do PIB.
A gota d’água teria sido que o governo Lugo tinha acabado de criar um organismo de biossegurança sob a direção do Ministro da Agricultura a quem competia arbitrar sobre o uso de tal ou qual semente, o que significaria que o governo poderia tocar nos interesses e nos lucros desmedidos da Monsanto e seus associados no setor.
A UGP convocou para o dia 25 de junho um “Tratoraço”, uma manifestação para parar o país com a ajuda das máquinas agrícolas dirigida contra o governo Lugo e exigindo a destituição de Lovera. Os eventos de Curuguaty teriam sido a ocasião ideal para se desembaraçar do presidente embaraçoso. Em 22 de junho face aos fatos a Ministra da Saúde Esperanza Martinez remetia sua demissão ao “presidente Franco” por não sustentar o golpe de Estado recentemente realizado.

*Ludovic Voet publicou este artigo no jornal “Solidaire”, órgão do Partido do Trabalho da Bélgica.

( HORA DO POVO, 27.07.12 )

julho 27, 2012

Em defesa da Globosfera, Serra põe o bico na janela, Por Leonardo Severo

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 5:09 pm

Escoltado pelos grandes conglomerados de comunicação, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo esbraveja e acusa a blogosfera de estar em campanha “nazista” contra a sua candidatura.
Apóstolo da globosfera, da folhosfera e de outras esferas igualmente sacrossantas, democráticas e plurais, fala diante do silêncio sepulcral dos barões da mídia, que tanta solidariedade prestaram ao atentado que sofreu com a bolinha de papel. Novamente diz ser atingido de forma covarde e reage contra os blogueiros “sujos”, “verdadeira tropa de assalto na internet”.
A tática é tão antiga quanto a do batedor de carteiras que sai gritando “pega ladrão”. Infelizmente, quem a está utilizando tem condições de fazer estragos imensamente maiores com uma simples caneta: privatizações, concessões, arrocho salarial, precarização…
Blindado por emissoras de rádio e televisão, além de publicações muito bem nutridas por anúncios que potencializam suas armas de manipulação em massa (a Veja que o diga, com oito páginas do Ministério da Educação na última edição), o tucano investe na promiscuidade desta relação.
Enquanto isso, as supostas “tropas” que o enfrentam encaram, de peito aberto e bolsos vazios, a ferocidade da luta pela democratização da comunicação, pela verdade e a justiça. A mídia alternativa que o diga.
Diante do desafio de manter em alto a bandeira da verdadeira e ‘efetiva liberdade de expressão, é preciso refletir sobre o seu real significado, sem o que tal “liberdade” continuará restrita a umas poucas famílias de proprietários que decidem o que ver e ouvir. É exatamente isso o que está ocorrendo na atual campanha eleitoral, onde respaldados pela “objetividade” de “pesquisas”, promovem candidatos nanicos a “gigantes” e gigantes a “nanicos”.
Como bem demonstraram os professores paulistas ao denunciar um policial infiltrado numa manifestação contrária ao governo do Estado de São Paulo para fazer provocações – a fim de culpabilizar os que defendiam a melhoria da educação pública – é preciso, sempre, fazer e refazer uma leitura crítica. Afinal, já nos alertou Mia Couto, “entre parecer e ser vai menos que um passo, a diferença entre um tropeço e uma trapaça”.
Aos que sobrevivem do caldo da incultura de seus cachoeiras, paulopretos e policarpos, ensurdecidos pelo seu próprio aplauso, a blogosfera é um contagioso exemplo a ser segregado, enquanto não possa ser corrompido ou definitivamente banido.
Infelizmente, para o candidato do PSDB, os tempos são outros. Ainda que certos anúncios publicitários continuem favorecendo a mordaça e a lambança, contra a mudança, a verdade é tesouro e tesoura a cortar as asas das aves de mau agouro.
O candidato que tão bem representa os lúgubres anos de FHC estancou e, mais cedo ou mais tarde, verá a realidade lhe sorrir. Então terá de encarar a ladeira. Como o general imperialista, ridicularizado por Eduardo Galeano, que se media ao despertar e a cada dia se achava mais alto. Até que uma bala interrompeu seu crescimento.
A candidatura da grande mídia pôs o bico na janela. ( HORA DO POVO )

julho 26, 2012

Raúl Castro: “Cuba debaterá com EUA sobre qualquer assunto, até mesmo direitos humanos, desde que em pé de igualdade, pois não somos seus subordinados. Basta marcar a data.”

Arquivado em: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 5:01 pm

Presidente cubano discursou nas cerimónias do Dia da Revolução
Raúl Castro quer dialogar com os EUA “de igual para igual”
A poucos quilómetros da base naval norte-americana na ilha de Guantánamo, Raúl Castro ofereceu-se para debater todos os temas com os Estados Unidos, “de igual para igual”. O Presidente cubano disse estar preparado para discutir “os problemas da democracia e dos direitos humanos”.
“No dia que quiserem a mesa está servida. Isso já foi dito pelos canais diplomáticos. Se querem discutir, discutiremos”, disse Raúl Castro na cerimónia em que foi assinalado o Dia da Revolução em Cuba. “Discutiremos as nossas divergências, discutiremos tudo o que diz respeito a Cuba, mas de igual para igual”, adiantou.
O Presidente cubano não fez qualquer referência à morte do opositor Oswaldo Payá num desastre de carro, no domingo, que já levou vários dissidentes e a própria viúva, Ofelia Acevedo Maura, a pôr em causa a versão de que se tratou de um acidente.
Os filhos de Payá já disseram que o desastre foi “provocado” por outro veículo. E também os Estados Unidos pediram que seja realizado “uma investigação profunda e transparente” sobre a morte do opositor cubano que em 2002 foi galardoado com o Prémio com Prémio Sakharov do Parlamento Europeu para a liberdade de expressão.
Em Cuba o dia 26 de Julho é celebrado todos os anos para lembrar o assalto ao quartel da Moncada em 1953, liderado por Fidel Castro, líder histórico da revolução cubana e irmão do actual Presidente, que deu início à luta armada contra a ditadura de Fulgêncio Batista. Desta vez, esse ataque foi recriado por um grupo de crianças cubanas e Raúl Castro lembrou a “vocação pacífica” de Cuba, ainda que tenha referido que a ilha “sabe defender-se”.
“Os cubanos são gente pacífica que gosta de dançar e de cantar, e de estabelecer amizade com todos, incluindo os Estados Unidos”, disse Raúl Castro, citado pela agência espanhola EFE. “Se querem discutir os problemas da democracia, como dizem eles, liberdade de imprensa, direitos humanos, vamos discutir Cuba”, adiantou. “Mas em igualdade de condições, porque não somos subordinados, nem colónia de ninguém, vamos discutir os mesmos temas em relação aos Estados Unidos. Discutiremos tudo o que quiserem: Cuba, os EUA e os seus aliados na Europa Ocidental, fundamentalmente”.
Se os Estados Unidos querem “confrontação” com Cuba, disse Castro, “que seja apenas no beisebol ou em qualquer outro desporto”. E adiantou: “Preferivelmente beisebol, porque às vezes ganham eles e outras ganhamos nós”. Este não foi o primeiro apelo das autoridades cubanas ao diálogo com os EUA, que desde 1962 mantém um embargo a Cuba.
Há dois anos que Raúl Castro não discursava nas cerimónias do Dia da Revolução. Na sua intervenção desta quinta-feira, que terá sido improvisada, denunciou ainda os “grupúsculos” que, disse, tentam criar as bases “para que um dia aconteça em Cuba o que sucedeu na Líbia ou que pretendem fazer na Síria”. ( PUBLICO )

“Apoio do Ocidente a ‘oposição’ terrorista é que impede ações humanitárias na Síria”, denuncia ministro russo

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 4:42 pm

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov
Síria: Apoio ao terrorismo impede acções humanitárias
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, considerou que não se pode falar de acções humanitárias enquanto a comunidade internacional continuar a apoiar actos terroristas na Síria.
“Propomos coisas que permitem pôr fim imediato à violência. A outra parte diz: ou capitulação do regime, ou continuaremos a apoiar as mais diversas formas, nomeadamente, a luta armada da oposição, a justificar actos terroristas”, declarou, no final de um encontro com o homólogo sérvio, Vuk Jeremic.
“Nisso reside a questão essencial: enquanto semelhante apoio continuar, não se pode falar de qualquer missão humanitária, principalmente pelos que não deixam acalmar esse incêndio”, acrescentou.
O comité de ministros da Liga Árabe sobre a Síria, que se reuniu no Qatar em 23 de Julho, defendeu a necessidade da realização de uma sessão extraordinária da Assembleia Geral da ONU para criar “zonas de segurança” e “corredores humanitários” na Síria.
Serguei Lavrov frisou que Moscovo não recebeu qualquer informação oficial sobre essa proposta da Liga Árabe.
“Continuamos convencidos de que aquilo a que chegámos a acordo em Genebra, a 30 de Junho, constitui a base firme do apoio aos esforços de Kofi Annan, aos esforços dos observadores e, principalmente, uma base firme para que o Conselho de Segurança [da ONU] aprove as abordagens lá propostas e não reveja o que lá foi acordado”, frisou.
O ministro russo disse esperar que seja prolongado o mandato da missão de observadores da ONU na Síria.
“Estamos firmemente convictos que ambas as partes irão respeitar o apelo do Conselho de Segurança da ONU de respeitar a segurança dos observadores da ONU e espero que, dentro de 25 dias, quando terminar o prazo de 30 dias, o Conselho de Segurança da ONU consiga prolongar a missão e, quem sabe, restabelecer o seu número ou mesmo aumentá-lo”, concluiu. ( CM )

julho 25, 2012

PSDB: O Estado-anunciante e a liberdade suja, Por Saul Leblon

A representação do PSDB ao Procurador Geral Eleitoral contra blogs que criticam suas lideranças e agenda partidária, é um pastel revelador. O recheio exala as prendas do quituteiro; a oleosidade da fritura qualifica o estado geral da cozinha. Na primeira mordida fica explícito que a referência de ‘bom’ jornalismo do PSDB é a revista VEJA, uma ferradura editorial adestrada para escoicear três dimensões da sociedade: agendas progressistas; lideranças que as representem; governos que lhes sejam receptivos.
Curto e grosso, o poder tucano pleiteia a asfixia publicitária – com supressão de publicidade estatal – de qualquer outra forma de imprensa que não se encaixe no tripé que o espelha. A singular concepção de pluralidade afronta boa parte dos sites e blogs alternativos que se reservam o direito de exercer a crítica política da sociedade e do desenvolvimento de uma perspectiva não conservadora. ‘São blogs sujos’, fuzila a representação tucana, cuja coerência não pode ser subestimada. Há esférica sintonia entre a forma como o PSDB se exprime e o higienismo de uma prática que São Paulo, a ‘cidade limpa’, tão bem conhece.
O tema da publicidade estatal mereceria um discernimento mais amplo do que o reducionismo estreito do interesse eleitoral tucano. O Estado deve se comunicar com a sociedade. A comunicação deve se pautar pelo interesse público. Campanhas educativas e institucionais não podem ser confundidas com propaganda partidária, nem servir aos seus interesses, sejam eles quais forem. Dito isso, resta o ponto sensível ao PSDB: quem merece veicular tais mensagens de pertinência pública reconhecida?
O tucanato e certos ‘especialistas em comunicação’ parecem convergir, ainda que por caminhos diversos, a um consenso: a mídia alternativa deve ser alijada dessa tarefa. O ‘Estado anunciante’, uma corruptela do cacoete neoliberal ‘Estado interventor’, teria atingido, asseguram, uma hipertrofia perigosa; deslizamos a centímetros do abismo anti-democrático. No país que tem um dispositivo com o poder intromissor da Rede Globo, insinua-se que a principal ameaça à democracia é o Estado impor seu ‘monólogo’ à sociedade. Afirma-se isso com ares de equidistância acadêmica e engajamento liberal,.
Passemos.
Evitar essa derrocada exigiria um veto cabal a toda e qualquer publicidade oriunda da esfera pública? Em termos. Na verdade, não seria exatamente essa essa a malha do coador tucano. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo esclarecedor no ‘Estadão’, de 3 de junho último, foi ao ponto: “Será que é democrático”, disse ele, “deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? (…) O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.”
É isso. O grão tucano adiciona nuances na investida contra o Estado anunciante. Nas páginas de ‘Veja’, e sucedâneos, não haveria risco de influencia editorial. Ali a ‘voz do consumidor e a concorrência’ preservam a ‘isenção do jornalismo’. “Mas nas mídias locais e regionais…’ Quais? Sobretudo aquelas que incomodam ao engenho e à arte tucana de governar e fazer política.
‘Especialistas em comunicação’ com passagem pelo governo Lula – experiência descrita sempre como ‘traumática, mas de uso conveniente nos salões conservadores – reivindicam, é bem verdade, uma intolerância mais abrangente contra o ‘Estado-anunciante’. No limite, advertem, o uso da máquina publicitária instrumentalizaria um poder de coerção de tal forma desproporcional que ameaçaria a própria alternância no poder. A evocação colegial de um ambiente quase-nazista sob o terceiro Reich petista tem, como se sabe, audiência cativa em certos veículos e tertúlias filosóficas de endinheirados. Mas o libelo anti-totalitário tropeça nos seus próprios termos ao não adotar idêntica ênfase na denúncia de uma oligárquica estrutura de propriedade do sistema de comunicação que, esta sim, instituiu um verdadeiro diretório paralelo no país, arvorado em corregedor das urnas, da economia e da ética.
A hipocrisia que perpassa esse descuido pertence a mesma matriz ideológica que inspirou agora a representação tucana contra os ‘blogs sujos’. Contra ela Brecht resolveu cunhar um dia a metáfora de hígida atualidade: ‘O que é assaltar um banco, em comparação com fundar um banco?’ Leia neste endereço, a íntegra da sugestiva representação do PSDB que pede, especificamente, a investigação dos blogs de Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim.

Saul Leblon é jornalista e escreve para a Agência Carta Maior.

( CORREIO DO BRASIL )

“Arábia Saudita, pior ditadura teocrática do mundo, aquela que faz o Irã parecer uma democracia escandinava, continua firme com o apoio irrestrito dos defensores ocidentais” ( Vladimir Safatle )

Ensaio geral
A chamada Primavera Árabe foi, para muitos, o início de um movimento de reafirmação da força de transformação do campo político. Ela teria sido também a prova de que as sociedades árabes não estavam imersas em alguma forma de arcaísmo teológico antimodernizador que se manifestaria através de tendências latentes de constituição de sociedades teocráticas. Como se eles estivessem fadados a viver entre regimes laicos ditatoriais e sociedades que usam a religião como motor cego de mobilização popular.
No entanto, a análise da situação atual do mundo árabe pode parecer desoladora. Por enquanto, quatro países tiveram mudanças de regime: Tunísia, Líbia, Egito e Iêmen. Um quinto está em via de ver a sua ditadura cair, a Síria. Outro que teve grandes manifestações por mudanças, o Bahrein, está cirurgicamente longe dos noticiários internacionais.
Aliado importante do mundo ocidental, sede de uma base militar dos EUA, o Bahrein foi invadido por tropas sauditas a fim de garantir a perpetuação de uma monarquia absoluta. Nada disso causou indignação na opinião pública internacional com sua sensibilidade democrática seletiva e sua tendência a cobrar respeito aos direitos humanos apenas dos inimigos.
Outros países que tiveram manifestações, como o Marrocos, parecem agora imunes a revoltas. Da mesma forma, a pior ditadura teocrática do mundo, aquela que faz o Irã parecer uma democracia escandinava, continua firme com o apoio irrestrito dos defensores ocidentais da democracia. Na verdade, a Arábia Saudita continua sendo um foco de desestabilização de todo movimento democrático na região, já que financia generosamente movimentos salafitas pelo mundo.
Se levarmos tudo isso em conta e olharmos para os países onde a Primavera Árabe desabrochou, teremos a impressão de que o mundo árabe, de fato, tem uma tendência subterrânea à regressão. Na Tunísia, a queda do governo Ben Ali colocou no poder um partido islâmico, o Ennahda. Setores da sociedade tunisiana lutam diariamente para o país não regredir em matéria de laicidade e liberdade de expressão. Grupos salafistas invadem exposições de artes para destruir obras que julgam ofensivas aos preceitos islâmicos, além de paralisar universidades por exigir o direito de mulheres frequentarem aulas de burqa.
No Egito, a Irmandade Muçulmana lidera o governo e a frente que ainda luta por tirar os militares do poder. Embora já tenha dito não querer islamizar a sociedade egípcia, é fato que isso não seria necessário: o Egito já é um país onde é possível processar um ator por ele ter representado um papel ofensivo ao Islã, onde cristãos não podem ser governadores de estado ou reitores de universidade e onde tomar uma cerveja em um bar não é exatamente algo simples.
Tal situação nos leva a duas reflexões. Primeira, o que vimos em 2011 foi um ensaio geral. Os grupos que deram início à sequência da Primavera Árabe não eram islâmicos, mas jovens diplomados desempregados e sindicalistas. No Egito, por exemplo, foi o Movimento 6 de abril, composto por jovens das mais variadas tendências, a iniciar o processo de ocupação da Praça Tahir. Esses grupos ainda não encontraram uma forma institucional que os fortaleça. Eles não têm unidade. Na ausência disto, o grupo mais organizado e disciplinado é, no caso, os muçulmanos, que conduz o processo.
A história conhece vários exemplos de revoluções traídas. Tais exemplos não podem ser lidos como meros fracassos, são movimentos duros de compreensão de limites de ação política. A espontaneidade impressionante da Primavera Árabe demonstrou sua força e sua fraqueza. Sua força fica clara quando a revolução ganha. Sua fraqueza aparece quando os embates em torno do saldo da revolução entram em cena.
Por outro lado, é inegável que a força dos movimentos muçulmanos vem principalmente do sentimento de humilhação que os povos árabes nutrem em relação ao Ocidente. Há um ressentimento profundo vindo de promessas de modernização não cumpridas, continuidade de sistemas de influência colonial e xenofobia internacional contra os árabes, muitas vezes tratados implicitamente como “povo terrorista”. Os muçulmanos sabem instrumentalizar bem tal afeto, dando a esses povos um sentimento de orgulho.
A única maneira de quebrar tal força viria da capacidade de setores dos países árabes em encontrar, dentro de sua própria tradição, correntes que constituam promessas de formas de vida distantes dos preceitos religiosos do islamismo conservador. Isso passa por saber explorar de maneira mais radical o caráter liberal de várias tradições do nacionalismo árabe. A Primavera Árabe aparece como a abertura de uma sequência imprevisível. E a maneira mais certa de garantir o pior é deixando-se tragar pelo imediatismo do derrotismo. ( CARTA CAPITAL )

Obrador: “fraude de Peña inclui lavagem de dinheiro”

Arquivado em: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:06 pm

O candidato à presidência do México pela coalizão Movimento Progressista, Andrés Manuel López Obrador, apresentou “ao Tribunal Eleitoral e à opinião pública” informações documentadas sobre operações financeiras ilícitas da candidatura do candidato do PRI, Enrique Peña Nieto, que envolveram dezenas de milhões de pesos para a compra de votos. Como as provas apontam que a eleição presidencial foi viciada, marcada pela desigualdade, onde não foi garantida nem a autenticidade nem a liberdade de voto, Obrador pediu a imediata anulação do pleito.
O atropelo foi tão grande que, conforme projeções, a candidatura direitista foi impulsionada por recursos ilegais que ultrapassaram o limite de gasto da campanha em quatro bilhões de pesos, mais de 300 milhões de dólares.
Às provas apresentadas por Obrador se somam à denúncia, que já havia sido realizada pelo Partido Ação Nacional (PAN), contra o PRI “pela farta distribuição de dinheiro por meio de cartões de débito da empresa Monex”, em contabilidade paralela discrepante da declarada ao Instituto Federal Eleitoral. Além das massivas operações de compra de votos realizadas pelo PRI no escândalo popularizado como Monexgate, tanto o Movimento Progressista como o PAN denunciam a manipulação dos principais meios de comunicação e das “pesquisas” em prol da candidatura de Peña Nieto, após terem sido beneficiados por contratos milionários.
Conforme os documentos já reunidos por López Obrador, Monex foi vitaminada com mais de 100 milhões de pesos (7,5 milhões de dólares) pelas empresas Inizzio e Efra, que por sua vez teriam recebido esse montante de uma pessoa física e três corporações: o particular Rodrigo Fernández Noriega e as empresas Atama, Koleos e Tiguan. O jornal La Jornada destaca que chamou a atenção o fato de que Koleos e Tiguan tenham sido constituídas exatamente no mesmo dia – 8 de setembro de 2001 –, ante o mesmo escrivão, situação que se repete com Inizzio e Atama, cujos domicílios fiscais também eram inexistentes. Já o endereço de uma das empresas que fundaram a empresa Comercializadora Efra é o mesmo de um escritório de advogados próximos ao PRI e ao próprio Peña Nieto, o que aponta para uma óbvia triangulação que desnuda a criminosa lavagem de dinheiro.
Entre os abusos comprovados até o momento está a utilização de mais de 9 mil tarjetas de Monex por “operadores” do PRI, entre coordenadores e fiscais de urna, com saldos entre 15 a 20 mil pesos (dois mil a dois mil e seiscentos dólares) em cada cartão, coletados via triangulação, o que desnuda a lavagem de dinheiro.
Centenas de pessoas continuam chegando ao comitê de campanha de López Obrador para apresentar “provas e testemunhos” contra Peña Nieto, afirmando que receberam recursos para votar pela candidatura do PRI. ( HORA DO POVO )

Não houve dinheiro público no suposto ‘mensalão’, diz TCU

A sentença reduz a acusação enviada ao STF à peça ficcional
Por unanimidade, o TCU concluiu que foram legais os contratos da agência de publicidade DNA com o Banco do Brasil. Os ministros do TCU consideraram que as chamadas “bonificações de volume”, uma espécie de gratificação paga pelos veículos de comunicação, são propriedade da agência. O acórdão, assinado no dia 4 de julho pelo TCU, derrubou a principal alegação da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que teria havido uso ilegal de dinheiro público no processo que a mídia golpista e a oposição tucana rotula como “mensalão”.
( HORA DO POVO )
TCU mostra que não houve desvio de verbas nos contratos com a DNA
Legislação atual confirma que BB atuoudentro dos limites, decidiu por unanimidade o tribunal
Por unanimidade o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que foram legais os contratos da agência de publicidade DNA, de Marcos Valério Fernandes, com o Banco do Brasil, investigados desde o final do primeiro mandado do ex-presidente Lula.
Os ministros do TCU, seguindo o voto da relatora, ministra Ana Arraes, consideraram que as chamadas “bonificações de volume”, uma espécie de gratificação paga pelos veículos de comunicação, podem ficar com a agência de propaganda.
O acórdão, assinado no dia 4 de julho pelo TCU, esvaziou o principal argumento da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que teria havido uso ilegal de dinheiro público no processo que a mídia golpista e a oposição tucana chama de “mensalão”. De acordo com o TCU, os contratos seguiram o padrão de normalidade do Banco do Brasil e não diferem dos que foram fechados com outras agências de publicidade.
A decisão dos ministros levou em consideração dois artigos da lei nº 12.232, sancionada pelo ex-presidente Lula em 29 de abril de 2010. A lei trata sobre as regras gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda. Em seu artigo 19, a lei considera facultativa a devolução das bonificações para os clientes das agências de publicidade. Já o artigo 20 diz que as regras alcançam também os “contratos já encerrados”. Baseado nesses artigos, o TCU considerou “regulares” as prestações de contas do contrato do Banco do Brasil com a DNA Propaganda Ltda.
Em nota, o TCU esclareceu que embora o tribunal tenha admitido em 2005 que pudesse haver violação de contrato, com a adoção da lei n.º 12.232/2010 (art. 19), “os valores correspondentes a esses descontos – conhecidos como bônus de volume – passaram a ser legalmente receita das agências de publicidade”. E que a divergência entre os pareceres técnicos e as deliberações do TCU “residiu unicamente na questão jurídica da incidência dessa lei aos contratos já encerrados”. “Essa questão foi detidamente analisada no Acórdão nº 638/2012 – Plenário. Decidiu-se pelo respeito à Lei nº 12.232/2010, que, em seu art. 20, determinou que essa norma fosse aplicada aos contratos em fase de execução e aos efeitos pendentes dos contratos já encerrados na data de publicação dessa lei”, diz a nota. “Do exposto, o Acórdão nº 1.716/2012 meramente reproduziu entendimento anterior do TCU que aplicou disposição explícita de lei aprovada pelo Congresso Nacional”, conclui.
De acordo com a tese do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contratos das agências de publicidade da DNA com órgãos públicos e estatais teriam servido de garantia e fonte de recursos para financiar um suposto esquema de pagamentos de políticos aliados do governo do ex-presidente Lula. Segundo Roberto Gurgel, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Essa tese, agora ainda mais esvaziada, era a essência do escândalo fabricado em 2005 pela mídia, com base nas acusações esdrúxulas do então presidente do PTB, Roberto Jefferson. Com base nelas e no alarido promovido pela mídia pró-tucana o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi cassado, além de Roberto Jefferson. Dirceu deixou a Casa Civil e retomou o cargo de deputado federal, mas com a cassação perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015. O PT sustentou que não houve compra de votos, mas apenas caixa 2 de campanha, comprovado agora pela decisão do TCU.
Na época, o diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, foi acusado de ter permitido a apropriação indevida pela agência mineira do dinheiro correspondente ao bônus de volume e ter abastecido o valerioduto com dinheiro público. Agora o TCU isentou Pizzolato de responsabilidade no desvio de dinheiro do BB para a DNA Propaganda.
Advogados de defesa avaliam que a decisão do TCU reforça suas teses e pode enfraquecer a acusação no Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado Marthius Sávio Lobato, que representa o ex-diretor do BB Henrique Pizzolato, disse que “(a decisão do TCU) reforçou a tese de defesa”, mas “como o julgamento está próximo, não iria se manifestar”.
Diante dos rumores que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não levará em consideração a decisão do TCU no julgamento que terá início de agosto, os advogados de defesa pretendem recorrer. “Vamos requerer ao ministro relator (Joaquim Barbosa) que requisite esse acórdão (do TCU) para os autos”, afirmou o criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Para o advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende o ex-deputado José Genoino, a decisão “é uma notícia boa no plano geral, mas em particular nada tem a ver (com Genoino)”. “Genoino nada tinha a ver com as tratativas financeiras do PT”.

A blogofobia de José Serra, Por Leandro Fortes

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, online, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina.
A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra.
Ainda em 2010, Serra tentou montar uma tropa de trolls na internet comandada pelo tucano Eduardo Graeff, ex-secretário-geral do governo Fernando Henrique Cardoso. Este exército de brucutus, organizado de forma primária na rede, foi facilmente desarticulado, primeiro, por uma reportagem de CartaCapital, depois, por uma investigação do Tijolaço.com, blog noticioso, atualmente desativado, do ministro Brizola Neto, do Trabalho.
Desde então, a única estratégia possível para José Serra foi a de desqualificar a atuação da blogosfera a partir da acusação, iniciada por alguns acólitos ainda mantidos por ele nas redações, de que os blogueiros “sujos” são financiados pelo governo do PT para injuriá-lo. Tenta, assim, generalizar para todo o movimento de blogs uma realidade de poucos, pouquíssimos blogueiros que conseguiram montar um esquema comercial minimamente viável e, é preciso que se diga, absolutamente legítimo.
Nos encontros nacionais e regionais de blogueiros dos quais participo, há pelo menos três anos, costumo dar boas risadas com a rapaziada da blogosfera que enfrenta sozinha coronéis da política e o Poder Judiciário sobre essa acusação de financiamento estatal. Como 99% dos chamados blogueiros progressistas (de esquerda, os “sujos”) se bancam pelo próprio bolso, e com muita dificuldade, essa discussão soa não somente surreal, mas intelectualmente desonesta. Isso porque nada é mais financiado por propaganda governamental e estatal do que a velha mídia nacional, esta mesma que perfila incondicionalmente com Serra e para ele produz, não raramente, óbvias reportagens manipuladas. Sem a propaganda oficial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, todos esses gigantes que se unem para defender a liberdade de imprensa e expressão nos convescotes do Instituto Millenium estariam mendigando patrocínio de açougues e padarias de bairro para sobreviver.
Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos.
Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto. ( CARTA CAPITAL )

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