27 milhões são dependentes de heroína e cocaína
Cerca de 230 milhões de pessoas consomem drogas em todo mundo, e 27 milhões [ 1 ] são dependentes de cocaína e heroína [ 4 ], revela a agência da ONU para as drogas e o crime (UNODOC), no seu relatório anual, divulgado nesta terça-feira.
O diretor da agência, Yuir Fedotov, afirmou, na apresentação do documento, que «a heroína, cocaína e outras drogas continuam a matar cerca de 200 mil pessoas por ano», contribuindo também para o aumento da insegurança e para a disseminação do HIV.
O canábis continua a ser a droga mais «popular», com um número de consumidores que pode atingir 220 milhões [ 1 ] e um aumento da produção da forma herbácea da droga, a marijuana, na Europa.
A resina de canábis, vulgarmente conhecida como haxixe, vem principalmente do norte de África e é consumida maioritariamente na Europa, mas o Afeganistão [ 2 ] começa a impor-se como país fornecedor do mercado europeu, com o canábis a transformar-se no cultivo mais lucrativo naquele país.
Esta é uma conclusão apoiada pelo relatório do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), cujo diretor, Wolfgang Götz, disse à agência Lusa que o aumento da produção doméstica na Europa diminui os riscos para os produtores, que não têm tantos problemas em fazer circular a droga.
A esta produção «caseira» associam-se «violentos grupos de crime organizado», indicou, apontando que as polícias europeias estão cada vez mais bem equipadas para detetar estas explorações, normalmente situadas em «zonas industriais ou agrícolas abandonadas», e quase sempre detetadas pelos consumos elevados de água ou eletricidade, usados no cultivo intensivo.
No relatório, destaca-se o aumento de produção de ópio [ 2 ] no Afeganistão, com mais de 80 por cento da produção mundial em 2011 concentrada naquele país, onde se tinha registado uma quebra acentuada em 2010, devido a doenças das plantas.
Em 2011 produziram-se no Afeganistão 5800 das 7000 toneladas a nível mundial, um aumento de 61 por cento em relação ao ano anterior. Birmânia, com 610 toneladas, e Laos, com 25 toneladas, são outros dos maiores produtores mundiais de ópio.
A ONU conclui que o consumo de opiáceos na América do Norte e na Europa está estável ou a decair, mas quanto à África e Ásia, onde são consumidos cerca de 70% dos opiáceos [ 3 ], não há dados que permitam tirar conclusões.
Quanto à cocaína, no relatório coloca-se o número de consumidores entre os 13,3 e os 19,7 milhões, sobretudo na Europa, América do Norte e Austrália, onde o consumo sobe.
A oferta mundial de cocaína proveniente da Colômbia desceu com a diminuição da área de cultivo de 2007 para 2010, mas a produção deslocou-se para a Bolívia e Peru.
As anfetaminas e estimulantes análogos, «o segundo tipo de droga mais utilizada no mundo», viram o consumo estabilizar e as apreensões aumentar, com 45 toneladas de meta-anfetaminas apanhadas pelas autoridades em 2010 (mais do dobro do que se verificou em 2008), e 1,3 toneladas de Ecstasy (em 2009 foram apreendidos 595 quilogramas).
Yuri Fedotov apelou aos países produtores e consumidores para participarem na luta «contra este flagelo», alertando que o consumo «provavelmente irá aumentar à medida que os países em desenvolvimento começarem a imitar o estilo de vida das nações industrializadas».
«Atualmente, apenas cerca de um quarto de todos os agricultores envolvidos em culturas de drogas ilícitas, em todo o mundo, têm acesso à assistência para ao desenvolvimento. Se quisermos oferecer novas oportunidades e alternativas genuínas, isto precisa de mudar», defendeu. ( TVI24)
NOTAS DO BLOG:
[1]: Deixa ver se entendi: são 230 milhões de consumidores de drogas em geral, sendo que 220 milhões são chegados num baseado e 27 milhões são dependentes de cocaína e heroína. Portanto, obviamente tem gente que consome tanto maconha como as “opiácias”, correto? Aqui não se faz somas, e sim, intersecção, imagino.
[2]: Não é o Afeganistão que os EUA foram salvar? Nesse caso, bem nas barbas dos ianques, além da produção de ópio ter aumentado em mais de sessenta por cento, agora o país começa a “se impor como fornecedor” de maconha para a Europa, sendo este o cultivo “mais lucrativo”. Na cara dos gringos?
[3]: Então esse aumento da produção de ópio no Afeganistão é, essencialmente, para consumo interno, creio.
[4]: O grosso dos depedentes deve estar, concluo, no Afeganistão.
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SINOPSE: Neste livro, o autor expõe que, das muitas guerras que o mundo enfrenta, a chamada guerra contra as drogas mobiliza ações militares e policiais em diversas partes do globo, em combates que acontecem simultaneamente em favelas, periferias, fronteiras remotas, montanhas distantes e selvas inóspitas. O autor explica que, apesar de ser guerra que há décadas se mostra fracassada para alcançar sua meta, é bem-sucedida para a indústria bélica, para o sistema financeiro internacional, para a indústria da segurança privada e para justificar políticas punitivas dentro dos países e estratégias de intervenção diplomático-militar internacionais. Qual é, então, a relação entre tráfico de drogas e os conflitos internacionais na atualidade? Existe uma geopolítica específica para essa nova forma de guerra, veloz e sem trincheiras? Como o narcotráfico se conecta com guerrilhas, terrorismos, corrupções e agências de inteligência? Em ‘Geopolítica das drogas’, Labrousse apresenta mapas que mostram um mundo com guerras cotidianas que acontecem tanto em paisagens exóticas quanto em grandes centros urbanos. ( LIVRARIA CULTURA )


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