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junho 18, 2012

Nova percepção do Holocausto, Por Arthur Meucci


O Oriente Médio sofre sua mais nova tensão após a Primavera Árabe, um conflito diplomático entre as autoridades israelenses e os líderes do Irã. Israel acusa o país persa de ter um programa nuclear com objetivos de desenvolver armas atômicas. Preocupação um tanto risível, pois Israel não só produz armas atômicas de destruição em massa como também as vende, a exemplo do comércio de mísseis nucleares com o regime do Apartheid na África do sul em 1975. Também acusam o governo de Teerã de antissemitismo ao difamar o estado israelense e negar o Holocausto.
Neste conflito ético/discursivo, os iranianos responderam à altura às acusações de seus inimigos. O site holocartoons, com textos e charges criticando a idéia de Holocausto que sustenta a opinião pública pró-Israel, deixou muitos intelectuais ocidentais intrigados. Seria uma tática insana de negar um “fato” amplamente reconhecido e documentado? Deveríamos acreditar piamente nos relatos históricos? Não. “A verdadeira Filosofia é reaprender a ver o mundo”, ensinava Merleau-Ponty.
Ao analisarmos os primeiros argumentos da crítica iraniana ao Holocausto, constatamos que os árabes fazem uma classificação da realidade diferenciando judeus e sionistas. Por judeus eles entendem um povo santo, que segue os mandamentos ditados a Moisés por Deus e que se distinguem por não aceitarem Jesus e Mohammed como profetas. Já por sionismo entendem como um movimento político radical, não religioso, que surgiu no século XIX defendendo a criação de um Estado territorial autônomo e independente para os judeus. Para os árabes, eles são responsáveis pela ocupação armada e ilegal da Palestina e pela morte de inúmeros muçulmanos que viviam na região. Os iranianos diferenciam os sionistas, seus inimigos, dos judeus, povo que deve ser protegido segundo os mandamentos do Corão. O Irã abriga a maior comunidade judaica do mundo [ N.do Blog: Não achamos nada que corroborasse essa informação. Provavelmente Arthur tenha desejado dizer que o Irã abriga a maior comunidade judaica do mundo islâmico ou, talvez, do Oriente Médio ], tendo judeus no parlamento, no judiciário e no exército.
O primeiro ponto levantado pelos críticos do Holocausto são as acusações sionistas de antissemitismo por parte dos árabes. Ela soa por si só infundada, pois tanto os árabes como os judeus são descendentes de Sem ( filho de Noé ) e de Abraão – os árabes são filhos do primogênito Ismael ( pai Abraão e mãe Agar ) e os judeus filhos de Isaac ( pai Abraão e mãe Sara ) – ou seja, possuem laços de irmandade.
A segunda crítica foca na construção da idéia de Holocausto. Os sionistas alegaram, ao defenderem um país para os judeus na ONU, terem contabilizados um genocídio de mais de 6 milhões de judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial. Os críticos do Holocausto nõ negam que muitos judeus morreram e que esse episódio foi um ato cruel e lastimável. Suas críticas se baseiam numa possível fraude nos números e relatos. Os dados oficiais contabilizavam, antes da guerra, 5,4 milhões de judeus na Europa e uma fuga de 2 milhões de judeus dos territórios invadidos pela Alemanha. Se aceitarmos que todos os judeus europeus que não fugiram foram mortos, sobram 3,4 milhões de vítimas. Porém, havia judeus europeus em países não invadidos, como na Inglaterra, por exemplo. Concluindo, os números mostram que não seria possível matar sequer a metade dos judeus divulgados na contagem apresentada no pós-guerra.
Um terceiro dado que contesta os números de mortos e coloca em xeque a concepção antissemita generalizada dos alemães foi divulgado pelo historiador americano Bryan Mark Rigg, que revelou mais de cem mil judeus alistados no exército alemão em todos os níveis do exército. Dois importantes oficiais do alto comando alemão e assessores de Hitler, o Almirante Bernhard Rogge e o Marechal Erhard Milch, eram notórios judeus. Os escritores do holocartoons também afirmam que Yitzhak Shamir, ex-primeiro ministro de Israel, apoiava Hitler.
Os iranianos questionam o Holocausto como instrumeno ideológico usado para beneficiar Israel e para justificar as atrocidades cometidas contra o povo palestino. Inúmeros filmes e livros são lançados sobre o assunto quando os interesses americanos e israelenses estão em xeque no Oriente Médio. O país dos Aiatolás desconfia da política sexista de perseguição aos muçulmanos, da guerra de expansão promovida por Israel e sua aliança com os Estados Unidos ao patrocinar ditadores na região com a finalidade de explorar o povo árabe e seus recursos naturais. Não podemos nos esquecer que Saddam Hussein foi posto no poder pelos EUA para guerrear contra o Irã, do Aiatolá Khomeini, líder religioso e político que em 1979 derrubou o governo tirânico do Xá Pahlevi, patrocinado por Washington desde 1953.
Analisando a história do Oriente Médio com cuidado, não me espanta que Teerã não veja Washington e os sionistas de Jerusalém com bons olhos. É evidente que o discurso do Holocausto foi construído para beneficiar a construção do Estado de Israel e que ele ainda hoje é usado como fonte histórica para defender os interesses dos capitalistas americanso e israelenses. Os argumentos apresentados não querem, em hipótese alguma, negar a morte de muitos judeus pelo nazismo. Porém, acredito que devemos rever os chamados “fatos históricos” para entender a questão judaica na Segunda Guerra Mundial e como a idéia de Holocausto serve de discurso ético para camuflar interesses excusos.
ARTHUR MEUCCI É MESTRE EM FILOSOFIA PELA USP
( Artigo publicado na revista FILOSOFIA CIÊNCIA & VIDA, EDIÇÃO 70 )

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