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junho 29, 2012

Renato Lessa: ‘O Facebook não vai democratizar a sociedade’

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‘O Facebook não vai democratizar a sociedade’, diz cientista político no Senado
A ideia da internet como panaceia para os males do sistema representativo é ilusória, no entender do professor de ciências políticas da Universidade Federal Fluminense (UFF) Renato Lessa.
A ideia de que a internet possa curar os males do sistema político representativo, e levar ao paraíso da democracia direta é uma ilusão, no entender do professor de filosofia política da Universidade Federal Fluminense (UFF) Renato Lessa. Ele proferiu na noite de quarta-feira (27) a sexta palestra do Fórum Senado Brasil 2012, que segue até o dia 7 de agosto no auditório do Interlegis.
“O Egito é uma prova de que não é o Facebook quem vai democratizar a sociedade” disse Lessa perante uma audiência composta na sua maioria por estudantes universitários e servidores do Senado. O conferencista justificou seu ceticismo, ao lembrar que as redes sociais virtuais são consideradas as grandes responsáveis por viabilizar as campanhas políticas contra os governos ditatoriais em muitos países do Oriente Médio e do Norte da África, no que se consagrou chamar de Primavera Árabe. Entretanto, a força mobilizadora dessas redes não logrou converter à região à democracia. No Egito, por exemplo, foi eleito um novo governo para suceder o ditador Hosni Mubarak, mas num quadro institucional ainda controlado pelas forças armadas.
As declarações de Renato Lessa a respeito do papel da internet foram dadas como contraponto à sua explanação sobre o sistema representativo e seus dilemas. Tanto no Brasil quanto em outros países tem sido usual se falar numa crise de legitimidade dos parlamentos, provocada pelo que seria o divórcio entre a vontade dos eleitores (os representados) e os políticos (representantes).
Para o professor e também diretor-presidente do Instituto Ciência Hoje, o sistema representativo já nasceu com uma imperfeição: o representante não espelha o representado, como seria o caso da pintura figurativa, em que o artista busca o máximo de semelhança entre a realidade e o que desenvolve na tela. Além disso, imaginar que um indivíduo possa de fato representar os anseios de uma multidão de indivíduos é algo que está no terreno “da alucinação”, falando do ponto de vista filosófico.
“A representação, desde seu início, foi caracterizada por uma imensa tensão constitutiva. Ela foi criada como uma ficção segundo a qual muitos podem se fazer presentes em poucos”, conceituou. O que há, segundo o cientista, é uma relação de sentido prático, uma vez que dos antigos sistemas de democracia direta, com destaque para a assembleia grega, passou-se a modelos que conferissem direitos eleitorais a contingentes cada vez maiores de pessoas, e em sociedades que marchavam em direção ao sistema capitalista. Quando surgiu, entre os séculos 17 e 18, o sistema representativo não se encaixava no conceito contemporâneo de democracia. Em geral, o direito a voto era oligárquico, privilégio de poucas pessoas e poucos grupos.
Em certos países, o direito ao voto foi conquistado com luta, embora isso não impeça que hoje os cidadãos estejam desanimados com seus representantes. No Brasil, assinalou Lessa, a descrença também é notada, embora o direito ao voto tenha sido muito mais uma concessão ao povo.
Seja lá como for, o cientista político recomenda que a melhoria do sistema representativo venha de fora para dentro, vale dizer, do seio da sociedade para o parlamento, de modo a diminuir a distância entre a identidade política dos eleitores e dos políticos.
Lessa se preocupa com a despolitização dos cidadãos, justamente por levar a um desligamento entre representados e representantes. Em entrevista após a palestra, o professor da UFF comentou os desdobramentos dos recentes movimentos anti-corrupção, que exibiram bastante vigor nas redes sociais, e chegaram a levar manifestações às ruas, mas que até o momento não se constituíram numa força política operante nos dois planos da política: o da praça pública e o do parlamento.
“É um movimento mais moral do que político, por vezes contra o parlamento”, alertou o cientista político, ao analisar, entre outros aspectos, a tendência daqueles grupos a fugirem da estrutura de lideranças habitual e da criação ou adesão a um partido.
Quanto ao caráter dispersivo da internet, abrigo de uma miríade de interesses específicos, e distante das grandes bandeiras que mobilizavam as multidões até os anos 80, Lessa prefere não saltar do ceticismo quanto ao real poder de transformação do novo meio para um pessimismo que veria nas redes sociais mais um espaço de manipulação e esvaziamento político. “Não há computador que vá além do voto. É preciso que se crie um ambiente de discussão, mas a internet pode exercer um papel mobilizador muito interessante”, ponderou.
Ao observar de forma bem humorada que “o melhor sistema político é sempre o do vizinho”, Lessa disse considerar perda de tempo a procura da fórmula certa para a reforma política no Brasil. O cientista político contou sobre o grande entusiasmo de estudiosos portugueses pelas regras eleitorais brasileiras, que muitos no Brasil querem trocar pelas portuguesas, como o voto em lista.
Para ele, um dos problemas centrais no Brasil é a formação de partidos cujo objetivo é apenas a busca de votos, e não a criação de uma forte identidade com o eleitor. Isso é agravado pela falta de investimento na qualificação cívica da própria classe política e pela baixa escolaridade do eleitorado.
Por essa razão é que Lessa insiste numa pressão por mudanças com origem em movimentos políticos dotados de forte identidade. “O processo político não se esgota em eleições. É preciso uma energização cívica extrainstitucional”, aconselhou.
(Agência Senado)

junho 28, 2012

“Crime organizado financiou Perillo”, diz relator da CPMI

Para o deputado Odair Cunha, caso é grave
Governador tirou R$ 40 mil do frigobar para me pagar’, disse jornalista
O relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou na quarta-feira, após o depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni, que a campanha à reeleição do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em 2010, “foi financiada pelo crime organizado”. “Fica evidente que a sua campanha foi financiada pelo crime organizado. É uma questão grave e será analisada por nós”, acrescentou o relator, ao comentar as denúncias feitas pelo ex-assessor de imprensa de Perillo.
( HORA DO POVO )
“Com certeza, Perillo mentiu”, diz o relator da CPMI do Cachoeira
Odair Cunha revelou na CPMI que o bicheiro já morava na casa do tucano antes da venda
O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou nesta quarta-feira (27), após o depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni, que a campanha à reeleição do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em 2010, “foi financiada pelo crime organizado”. “Fica evidente que a sua campanha foi financiada pelo crime organizado. É uma questão grave e será analisada por nós”, acrescentou o relator, ao comentar as denúncias feitas pelo ex-assessor de imprensa de Perillo.
Odair Cunha disse que “prefere acreditar na versão” de Bordoni sobre o pagamento de recursos da campanha de Perillo. O governador tinha dito aos integrantes da CPMI que pagou ao jornalista apenas R$ 33 mil durante a campanha e que depois o tesoureiro teria entregue mais R$ 10 mil ao ex-assessor. O jornalista desmentiu o governador e informou que recebeu R$ 170 mil da campanha, sendo R$ 120 mil durante o processo eleitoral e mais R$ 50 mil de bônus pela vitória, como havia sido acertado antes.
Bordoni disse que só depois é que ficou sabendo que grande parte do dinheiro que recebeu por seus serviços foi paga através de caixa dois. De acordo com o jornalista, dois depósitos no valor de R$ 45 mil cada foram feitos na conta da sua filha Bruna por duas empresas ligadas ao esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, a Alberto & Pantoja Construções e a Décio e Rafael Construção e Terraplenagem. Segundo ele, o número da conta bancária da sua filha, Bruna, e a sua foram repassados a Lúcio Fiúza, ex-assessor pessoal do gabinete de Marconi Perillo. O depósito, contudo, não foi efetuado pelo assessor do governador.
“Quando Bruna foi citada como laranja do senador [Demóstenes], evidente que isso nos causou imensa indignação. Jamais saberíamos que o número da conta teria sido passado a empresas ligadas ao Cachoeira”, afirmou. Bordoni propôs à CPMI a quebra de seus sigilos bancário e telefônico, de sua filha e dos assessores de Perillo. Os cheques, segundo o jornalista, foram depositados na conta de Bruna, por Lúcio Fiúza, ex-assessor de Marconi Perillo, mas eram das duas empresas de Cachoeira.
CASA
Odair Cunha já havia dito na terça-feira (26) que o governador Marconi Perillo mentiu à comissão ao explicar a conturbada venda da sua casa no ano passado. Sua convicção foi consolidada ainda mais após o depoimento do arquiteto Alexandre Milhomem, que reformou a casa. “Foi mais de R$ 500 mil (gastos na reforma da casa que Perillo vendeu a Cachoeira). Cada um investe no que pode”, respondeu o arquiteto ao ser questionado na CPI. Segundo ele, houve apenas decoração na casa. “Foi feita uma pintura externa, mudança no jardim, no papel de parede, compra de móveis”. “Com certeza, o governador mentiu. Está evidente que a história [da casa] foi uma história montada. Toda a história da casa é para negar a relação do governador com o senhor Carlinhos Cachoeira”, afirmou Odair.
Segundo o relator, Cachoeira tenta “o tempo inteiro” esconder de quem havia comprado a casa. O relator revelou que há novas interceptações telefônicas feitas legalmente pela Polícia Federal, no curso da Operação Monte Carlo, que mostram que ele mandou rasgar um contrato de compra e venda firmado entre ele e Marconi Perillo. Que Cachoeira já morava na casa antes da venda do imóvel.
A casa, vendida por R$ 1,4 milhão, foi paga com três cheques de uma empresa que tem como sócio um dos sobrinhos de Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos. À CPI, Perillo negou saber quem havia comprado a casa, tendo transferido toda a negociação para o ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB). O relator poderá sugerir ao final dos trabalhos que a CPMI indicie Perillo pelo crime de perjúrio, que é quando alguém mente em um depoimento.
Para Odair Cunha, outra prova da transação envolvendo Perillo é a de que a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, contratou o arquiteto Alexandre Milhomem para trabalhar no projeto de decoração da casa antes dela ser vendida. O arquiteto recebeu R$ 10 mil em cinco parcelas, uma das quais paga com recursos da Alberto e Pantoja, empresa do esquema do contraventor. O relator da CPI questionou ainda o fato de Cachoeira ter gasto R$ 500 mil para mobiliar uma casa somente para habitá-la por alguns meses, como foi alegado. O arquiteto afirmou à comissão que Andressa disse a ele que o casal iria morar lá provisoriamente. Milhomem informou que conheceu Andressa e Cachoeira no início de maio do ano passado (o regfistro da venda da casa foi feito no final de junho) e que eles lhe pediram sigilo. Assim, ele nunca tratava Andressa pelo nome, mas como a “assessora”.
Cunha disse que não será obrigatória a volta de Perillo à CPI. Mas, segundo ele, a comissão vai buscar “meios de prova para desmontar a tese aqui desenhada”. O relator observou que, se tivesse interesse em esclarecer o fato, Lúcio Fiúza Gouthier, ex-assessor especial do governador goiano, não teria pedido um habeas corpus para permanecer em silêncio nesta terça na comissão. Fiúza participou da negociação da venda da casa de Perillo.
Quanto mais os depoimentos traziam detalhes que complicavam o governador de Goiás, mais os tucanos membros da CPMI ficavam nervosos e esbreavejavam contra a condução das inquirições e procuravam desqualificar os depoentes na tentativa de abafar os malfeitos do governador Marconi Perillo. Extremamente exaltados, os tucanos Carlos Sampaio (SP) e Álvaro Dias (PR) diziam que a CPMI estavam perdendo tempo inquirindo “um arquiteto” e falando de “reforma”. Que a comissão deveria convocar era Fernando Cavendish, dono da Delta, e Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit. Sem dúvida, a CPMI já deveria ter convocados ambos, assim como o diretor da revista Veja, Policarpo Jr, cuja relação com Cachoeira tem muito que ser esclarecida. Mas não dá para jogar para baixo do tapete um escândalo como esse, no qual governador de Goiás é protagonista. A sociedade não aceita um abafa desse caso.
Deputada da CPI denuncia ameaças de gente do governo de Goiás: “diziam que ia ser metralhada”
A deputada Íris de Araújo (PMDB/GO) afirmou que tem recebido ameaças de integrantes do governo de Marconi Perillo (PSDB), devido ao seu comportamento na CPI do Cachoeira. “(São) recadinhos. ‘Ó, fulano disse – sempre alguém do governo – que o tratamento aqui vai ser de acordo com o comportamento na CPI’”, relatou a peemedebista. Ela contou que são “mensagens esporádicas”.
“Numa festa uma amiga chega e diz: ‘Olha, alguém me falou que é melhor maneirar, porque é perigoso. Você está mexendo com pessoal envolvido com o crime. Isso eu recebi várias, mas não dei importância”, revelou Íris.
Segundo a deputada, as principais mensagens intimidatórias se deram de forma anônima, pelo Twitter. Íris de Araújo ressaltou que recebeu pelo menos dez mensagens ofensivas por meio da rede social, após a deflagração da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que resultou na prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira. “Algumas diziam que ia ser metralhada, apagada”, frisou.
“Dei importância às que recebi no Twitter porque na época fazia discursos fortes em relação ao envolvimento do governador de Goiás com o jogo do bicho”, contou. Na quarta-feira (27), ela entregou os documentos ao presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB/PB). “Ele disse que tomaria as providências cabíveis”, informou.
Íris de Araújo decidiu revelar as ameaças, após saber das intimidações a procuradores e juízes. O juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, responsável por mandados de prisão executados na Operação Monte Carlo, se afastou de suas funções alegando “cansaço”, mas admitiu a desistência por “ameaças veladas”. A procuradora Léa Batista de Oliveira também teria sofrido intimidação, após o término das investigações.

Monopólio da Abril se reforça: Grupo Estado encerra distribuição de revistas não editadas pela empresa

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , , — Humberto @ 7:00 pm

O mercado de distribuição de revistas ficou mais concentrado. Desde o dia 31 de maio, a ECSL (Estadão Comercial e Solução Logística), do Grupo Estado, que publica o jornal O Estado de S. Paulo, deixou de distribuir as revistas que não são editadas pela empresa. Com isto, revistas publicadas por editoras independentes tiveram sua distribuição prejudicada. Entre as editoras prejudicadas estão a Escala, que publica as revistas Geo, Atrevida (feminina) e Atrevidinha (infanto-juvenil), e Última Instância, que publica a revista Samuel.
Num comunicado distribuído em abril, o Grupo Estado não informou as razões da suspensão da distribuição.
A decisão do Grupo Estado aprofunda ainda mais a situação de concentração criada em 2007 com a fusão das duas maiores distribuidoras de revistas, a Dinap e a Fernando Chinaglia — hoje, ambas controladas pelo Grupo Abril. A fusão das duas principais distribuidoras de revista do país foi aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) dois anos depois.
Estima-se que atualmente a Treelog — braço logístico do Grupo Abril criada na fusão da Dinap com a Fernando Chinaglia — controle cerca de 85% do mercado nacional de vendas avulsas. Entre bancas de jornais, revistarias, postos de gasolina, farmácias e gôndolas dos check-outs de supermercados, a Treelog abrange cerca de 30 mil pontos de varejo em mais de 2.600 municípios, envolvendo 205 distribuidoras regionais.
Durante os debates em torno da fusão, a existência da ECSL — empresa do Grupo Estado e do Grupo Folha que distribui os jornais jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo — foi usada na defesa da Treelog, holding das distribuidoras do grupo Abril, como argumento em favor da fusão. As editoras que abriram o processo no Cade, entre elas a Editora Globo, a Editora Três, Escala e a Carta Editorial, argumentaram que o Grupo Estado, por meio da SPDL (S. Paulo Distribuição e Logística), até então, só distribuía jornais. A operação de distribuição de revistas pelo Grupo Estado passou a se fortalecer depois da união da Dinap com a Chinaglia.
De acordo com Renato Rovai, presidente da Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação) e editor da revista Fórum, o encerramento das operações afeta perifericamente o mercado de distribuição de revistas. “É uma notícia ruim, mas que não tem grande impacto no sistema como um todo”, afirmou. Wagner Nabuco, diretor-geral da Editora Casa Amarela, disse que o impacto é maior na Grande São Paulo, pois o grupo não tinha grande penetração nacional.
Apesar disto, após o Grupo Estado fechar as portas, ficam ainda mais reduzidas as opções para distribuição de revistas e outras publicações, como livros de bolso, fascículos, gibis e álbuns de figurinhas. “É uma situação de monopólio profundo”, descreve Nabuco.
Para Nabuco, a concentração do mercado de distribuição deveria exigir maior atenção do Poder Público, cuja linha de ação poderia consistir em crédito mais fácil e rápido aos empreendedores, além de apoio para treinamento e gestão. “Falta política pública para apoiar os pequenos negócios”, diagnostica o editor.
Aprovada pelo Cade
Embora a fusão da Dinap e da Fernando Chinaglia tenha sido anunciada em outubro de 2007, só foi aprovada pelo Cade dois anos depois. O Conselho, entretanto, não validou integralmente o ato de incorporação e impôs algumas restrições.
À época, os conselheiros procuraram garantir a existência de uma estrutura de distribuição autônoma ao Grupo Abril. O relator do caso, conselheiro Paulo Furquim de Azevedo, salientou que o ato não poderia ser aprovado sem restrições, “sob pena da concretização de graves prejuízos à livre concorrência e ao bem-estar dos consumidores dos mercados afetados pela operação”.
Entre as principais medidas exigidas estava a venda das filias da Chinaglia em São Paulo e no Rio de Janeiro, devendo o Grupo Abril assegurar o mesmo volume de títulos aos compradores das filiais. A restrição procurou atenuar os efeitos do ato de concentração no eixo Rio-São Paulo, onde o monopólio ficaria mais manifestado.
A TreeLog também ficou proibida de adotar quaisquer formas de exclusividade entre a distribuidora e as editoras ou entre as distribuidoras nacionais e os distribuidores regionais.
O advogado e professor de direito econômico da Universidade Presbiteriana Mackenzie Vicente Bagnoli explica que, ao fazer a análise de um ato de concentração, o Cade leva em conta uma série de fatores. Quais as justificativas das empresas para fusão? Quais eficiências serão aprofundadas com a transação? De que forma os ganhos em escala serão revertidos para o público consumidor?
“De maneira geral, quando não há ganhos para a sociedade, o Cade impõe restrições, ou, o que é mais raro, veta totalmente”, esclarece. ( Última Instância )

junho 26, 2012

A NSA [ aquela, do ECHELON ] pode espionar através do Google (e não somente)

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A NSA (Agência de Segurança Nacional) não tem obrigação de revelar a natureza da sua relação com Google, confirmou a justiça dos Estados Unidos em 11 de Maio de 2012.
A corte de apelo de Washington decidiu que o status especial da Agência de Segurança Nacional lhe permite de manter secreto qualquer acordo com o gigante da internet.
Qualquer informação sobre a relação entre Google e NSA iria revelar informações confidenciais sobre a NSA“, decretou a juíza Janice Rogers Brown.
Esta decisão veio em resposta a um pedido apresentado por uma associação que defende os direitos à privacidade on-line. O Centro de informações dos dados particulares eletrônicos (EPIC) queria que os acordos entre Google e NSA fossem tornados públicos, em nome do direito dos cidadãos de saber se eles estão sendo monitorados.
Oficialmente, a parceria entre as duas partes foi desenvolvido para detectar pontos fracos do Google no confronto com hackers e avaliar o grau de sofisticação destes últimos, bem como para determinar se as defesas postas em prática são adequadas. Mas defensores do respeito à privacidade temem que este acordo secreto exponha usuários a violação dos seus dados pessoais.
Na realidade, todos os usuários dos serviços do Google ao redor do mundo são susceptíveis de ver o segredo de seus dados pessoais violado pela agência de espionagem dos EUA. Conforme revelado pela revista alemã WirtschaftsWoche, há muito tempo Google tem sido solicitado a transmitir dados de seus usuários à inteligência dos Estados Unidos.
Como todas as empresas norte-americanas, a empresa de Mountain View está legalmente obrigada, no âmbito da lei “antiterrorista” Patriot Act, a divulgar os seus dados às autoridades, em particular a Agência de Segurança Nacional.
Servidores em solo europeu não garante a confidencialidade desses dados frente ao governo dos Estados Unidos, que tem “o direito de acessar igualmente os dados armazenados fora dos Estados Unidos” [1]
Da mesma forma, tendo a agência trabalhado diretamente com a Microsoft para desenvolver o Windows 7, como foi reconhecido oficialmente por Richard Schaeffer em 17 de novembro de 2009 . [2] a NSA tem acesso total aos dados de usuário do Windows.
A fim de processar a massa de dados a que tenha acesso, a NSA está construindo o maior centro de espionagem informática e de armazenamento de dados do mundo (100 000m²), a ser concluído em 2013 e localizado nas montanhas de Utah. [3]
Objetivo da NSA é ser capaz de decifrar o AES (Advanced Encryption Standard ou standard de criptografia avançada). Esse algoritmo de criptografia atualmente protege transações financeiras, e-mails de multinacionais, acordos econômicos e intercâmbios diplomáticos internacionais.
Em suma, a NSA estará em breve em condições de interceptar, armazenar, analisar e decifrar todo o tráfego global da Internet. ( REDE VOLTAIRE )

 

UNODOC: Há 230 milhões de consumidores de droga no mundo. Produção de ópio no Afeganistão em 2011 teve aumento de 61 por cento em relação ao ano anterior.

27 milhões são dependentes de heroína e cocaína
Cerca de 230 milhões de pessoas consomem drogas em todo mundo, e 27 milhões [ 1 ] são dependentes de cocaína e heroína [ 4 ], revela a agência da ONU para as drogas e o crime (UNODOC), no seu relatório anual, divulgado nesta terça-feira.
O diretor da agência, Yuir Fedotov, afirmou, na apresentação do documento, que «a heroína, cocaína e outras drogas continuam a matar cerca de 200 mil pessoas por ano», contribuindo também para o aumento da insegurança e para a disseminação do HIV.
O canábis continua a ser a droga mais «popular», com um número de consumidores que pode atingir 220 milhões [ 1 ] e um aumento da produção da forma herbácea da droga, a marijuana, na Europa.
A resina de canábis, vulgarmente conhecida como haxixe, vem principalmente do norte de África e é consumida maioritariamente na Europa, mas o Afeganistão [ 2 ] começa a impor-se como país fornecedor do mercado europeu, com o canábis a transformar-se no cultivo mais lucrativo naquele país.
Esta é uma conclusão apoiada pelo relatório do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), cujo diretor, Wolfgang Götz, disse à agência Lusa que o aumento da produção doméstica na Europa diminui os riscos para os produtores, que não têm tantos problemas em fazer circular a droga.
A esta produção «caseira» associam-se «violentos grupos de crime organizado», indicou, apontando que as polícias europeias estão cada vez mais bem equipadas para detetar estas explorações, normalmente situadas em «zonas industriais ou agrícolas abandonadas», e quase sempre detetadas pelos consumos elevados de água ou eletricidade, usados no cultivo intensivo.
No relatório, destaca-se o aumento de produção de ópio [ 2 ] no Afeganistão, com mais de 80 por cento da produção mundial em 2011 concentrada naquele país, onde se tinha registado uma quebra acentuada em 2010, devido a doenças das plantas.
Em 2011 produziram-se no Afeganistão 5800 das 7000 toneladas a nível mundial, um aumento de 61 por cento em relação ao ano anterior. Birmânia, com 610 toneladas, e Laos, com 25 toneladas, são outros dos maiores produtores mundiais de ópio.
A ONU conclui que o consumo de opiáceos na América do Norte e na Europa está estável ou a decair, mas quanto à África e Ásia, onde são consumidos cerca de 70% dos opiáceos [ 3 ], não há dados que permitam tirar conclusões.
Quanto à cocaína, no relatório coloca-se o número de consumidores entre os 13,3 e os 19,7 milhões, sobretudo na Europa, América do Norte e Austrália, onde o consumo sobe.
A oferta mundial de cocaína proveniente da Colômbia desceu com a diminuição da área de cultivo de 2007 para 2010, mas a produção deslocou-se para a Bolívia e Peru.
As anfetaminas e estimulantes análogos, «o segundo tipo de droga mais utilizada no mundo», viram o consumo estabilizar e as apreensões aumentar, com 45 toneladas de meta-anfetaminas apanhadas pelas autoridades em 2010 (mais do dobro do que se verificou em 2008), e 1,3 toneladas de Ecstasy (em 2009 foram apreendidos 595 quilogramas).
Yuri Fedotov apelou aos países produtores e consumidores para participarem na luta «contra este flagelo», alertando que o consumo «provavelmente irá aumentar à medida que os países em desenvolvimento começarem a imitar o estilo de vida das nações industrializadas».
«Atualmente, apenas cerca de um quarto de todos os agricultores envolvidos em culturas de drogas ilícitas, em todo o mundo, têm acesso à assistência para ao desenvolvimento. Se quisermos oferecer novas oportunidades e alternativas genuínas, isto precisa de mudar», defendeu. ( TVI24)

NOTAS DO BLOG:
[1]:  Deixa ver se entendi: são 230 milhões de consumidores de drogas em geral, sendo que 220 milhões são chegados num baseado e 27 milhões são dependentes de cocaína e heroína. Portanto, obviamente tem gente que consome tanto maconha como as “opiácias”, correto? Aqui não se faz somas, e sim, intersecção, imagino.
[2]: Não é o Afeganistão que os EUA foram salvar? Nesse caso, bem nas barbas dos ianques, além da produção de ópio ter aumentado em mais de sessenta por cento, agora o país começa a “se impor como fornecedor” de maconha para a Europa, sendo este o cultivo “mais lucrativo”. Na cara dos gringos?
[3]: Então esse aumento da produção de ópio no Afeganistão é, essencialmente, para consumo interno, creio.
[4]: O grosso dos depedentes deve estar, concluo, no Afeganistão.

LEITURA RECOMENDADA:

SINOPSE: Neste livro, o autor expõe que, das muitas guerras que o mundo enfrenta, a chamada guerra contra as drogas mobiliza ações militares e policiais em diversas partes do globo, em combates que acontecem simultaneamente em favelas, periferias, fronteiras remotas, montanhas distantes e selvas inóspitas. O autor explica que, apesar de ser guerra que há décadas se mostra fracassada para alcançar sua meta, é bem-sucedida para a indústria bélica, para o sistema financeiro internacional, para a indústria da segurança privada e para justificar políticas punitivas dentro dos países e estratégias de intervenção diplomático-militar internacionais. Qual é, então, a relação entre tráfico de drogas e os conflitos internacionais na atualidade? Existe uma geopolítica específica para essa nova forma de guerra, veloz e sem trincheiras? Como o narcotráfico se conecta com guerrilhas, terrorismos, corrupções e agências de inteligência? Em ‘Geopolítica das drogas’, Labrousse apresenta mapas que mostram um mundo com guerras cotidianas que acontecem tanto em paisagens exóticas quanto em grandes centros urbanos. ( LIVRARIA CULTURA )

junho 25, 2012

Golpe no Paraguai já estava no forno desde 2009, revela Wikileaks

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 8:26 pm

WIKILEAKS: GOLPE ERA PLANEJADO DESDE 2009
Despacho sigiloso da Embaixada dos EUA em Assunção, dirigido ao Departamento de Estado, em Whashington, já informava, em 28 de março de 2009, a intenção da direita paraguaia de organizar um ‘golpe democrático’ no Congresso para destituir Lugo, como o simulacro de impeachment consumado na última 6ª feira. O comunicado da embaixada, divulgado pelo WikiLeaks em 30-08-2011 (http://wikileaks.org/cable/2009/03/09ASUNCION189.html) mostra  que já então o plano era  substituir Lugo pelo vice, Federico Franco, que assumiu agora. 
O texto enviado a Washingnton faz várias ressalvas. Argumenta que as condições políticas não estavam maduras para um golpe, ademais de mostrar reticências em relação a seus idealizadores naquele momento. Dos planos participavam então o general Lino Oviedo ( ligado a interesses do agronegócio brasileiro no Paraguai, que agora pressionam Dilma a reconhecer a legitimidade de Federico Franco, simpático ao setor ) e o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos. Em seu governo (2003-2008), o colorado Nicanor Duarte Frutos foi duramente criticado por vários governos latino americanos por ter permitido o ingresso de tropas norte-americanas no territorio paraguaio para exercícios conjuntos com o Exército do país; foi em seu mandato também que os EUA tiveram permissão para construir uma base militar na zona da Tríplice Fronteira,com gigantesca pista de pouso, supostamente para combater narcotráfico e o terrorismo islâmico. http://wikileaks.org/cable/2009/03/09ASUNCION189.html
( MARIA FRO )

Impeachment de Fernando Lugo foi, sim, um golpe, Por Pedro Estevam Serrano

O caso de Honduras em 2009, quando o presidente eleito Manuel Zelaya foi deposto, acendeu um claro sinal de alerta em todo continente latino-americano. A democracia como método de escolha majoritária e forma popular de decisão politica pode ser assolada por mandatários parlamentares e juízes togados que usam de seus poderes como afronta a Constituição, com o fim de destituir lideres eleitos democraticamente.
Em regimes presidencialistas, presidentes podem sofrer impedimento de seu mandato pelo Parlamento, mas isso apenas após a comprovação de condutas caracterizadoras de ilícitos e anteriormente previstas nas respectivas constituições ou em leis aprovadas pelos congressistas, após sua comprovação consistente por métodos processuais que garantam ampla defesa com o consequente contraditório e ampla defesa.
O Parlamento, quando realiza impedimento do mandato do presidente sem observância do devido processo legal e dos direitos do acusado, age com inegável abuso de poder, promovendo o que, no âmbito da ciência política, se alcunha como “golpe de estado” – ou seja, interrupção autoritária e, ao menos institucionalmente, violenta do ciclo democrático regular.
Quando se usa a expressão “julgamento político” para tal forma de juízo, não se quer dizer julgamento segundo a vontade integralmente autônoma e livre do julgador, inclusive com eventual dispensa do devido processo legal.
Em um estado democrático de direito não existem juízos imperiais, que se caracterizam pela formação autônoma da vontade do julgador. Para ser tido como tal, qualquer julgamento, por mais discricionário que seja, é pautado no que Kant e a moderna teoria constitucional chamam de juízo “heterônomo”, qual seja, no sentido jurídico, vontade constituída a partir dos fins e processos estipulados na ordem jurídica e não no juízo absolutamente subjetivo do julgador.
Um presidente de um regime presidencialista, portanto, não se confunde com o primeiro ministro de um regime parlamentarista. Não pode ser afastado da função por mero juízo de conveniência e oportunidade do Parlamento, mas apenas pelo cometimento de delitos previstos anteriormente na ordem jurídicas e demonstrados pelo devido processo legal.
Por óbvio, o devido processo legal não é uma mera pantomima formal. Há que se oferecer prazo razoável de defesa e a devida dilação probatória, os direitos do acusado hão de ser respeitados, a conduta tida como delitiva não deve ser circunscrita a mera decisão subjetiva quanto ao cumprimento de certos valores ideológicos. Ao eleitor cabe o juízo ideológico do governo, não ao parlamento.
No caso de Zelaya, sequer direito de defesa anterior ao afastamento foi oferecido pelo Parlamento e pela jurisdição. No caso de Fernando Lugo no Paraguai, o que houve foi um “julgamento” a jato e de exceção. O prazo de defesa foi exíguo, sem a oferta da devida dilação probatória, as acusações têm caráter preponderantemente ideológico e não de juízo de ilicitude na conduta. A decisão já se encontrava decidida e escrita antes da apresentação da defesa. Ou seja: trata-se de mais um caso de ofensa grave a constituição nacional, perpetrada pelo respectivo Parlamento, que tira do poder um governante democraticamente eleito
O jovem jurista Luis Regules me observou que a quase totalidade de golpes de Estado na América Latina se deram com apoio parlamentar. É uma história de tristes resultados que insiste em se repetir cada vez mais como farsa.
A decisão aprovada nesta sexta-feira 22 pelo Senado do Paraguai, a nosso ver, tem evidente caráter de golpe de Estado e não pode ser aceita pelos organismos internacionais que, segundo tratados multilaterais, velam pela democracia no continente.
O Brasil precisa renovar a coragem democrática demonstrada no episódio do golpe contra o governo de Zelaya e apoiar abertamente o presidente do Paraguai democraticamente eleito e inconstitucionalmente declarado impedido.
Se nos aquietarmos face a tal ofensa praticada no país vizinho, a vítima amanhã pode ser a nossa democracia. ( CARTA CAPITAL )

O Bolsa Família e seus inimigos, Por Marcos Coimbra

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O pensamento conservador brasileiro – na política, na midia, no meio acadêmico, na sociedade – tem horror ao Bolsa Família.
É só colocar dois conservadores para conversar que , mais cedo ou mais tarde, acabam falando mal do programa.
Não é apenas no Brasil que conservadores abominam iniciativas desse tipo. No mundo inteiro, a expansão da cidadania social e a consolidação do chamado “Estado do Bem-estar” aconteceu, apesar de sua reação.
Costumamos nos esquecer dos “sólidos argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da Previdência social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e na educação continuada?
Mas todas já foram consideradas áreas interditas ao Estado. Que melhor funcionariam se permanecessem regidas, exclusivamente, pela “dinâmica do mercado”.
Tem quem pode, paga quem consegue. Mesmo se bem-intencionado, o “estatismo” terminaria por desencorajar o esforço individual e provocar o agravamento – em vez da solução – do problema original.
O axioma do pensamento conservador é simples: a cada vez que se “ajuda” um pobre, fabricam-se mais pobres.
Passaram-se os tempos e ninguém mais diz essas barbaridades [1] , ainda que muitos continuem a acreditar nelas.
Hoje, o alvo principal das críticas conservadoras são os programas de transferência direta de renda. Naturalmente, os que crescem e e se consolidam. Se permanecerem pequenos, são vistos até com simpatia, uma espécie de aceno que sinaliza a “preocupação social de seus formuladores”.
MAS É UMA RELAÇÃO AMBÍGUA: ao mesmo tempo que criticam os programas de larga escala, dizem-se seus mentores. Da versão “correta”.
Veja-se a polêmica a respeito de quem inventou o Bolsa Família: irrelevante para a opinião pública, mas central para as oposições. À medida que o programa avançou e se expandiu ao longo do primeiro governo Lula, tornando-se sua marca mais conhecida e aprovada, sua paternidade começou a ser reivindicada pelo PSDB. Argumentaram que sua origem era um programa instituído pelo prefeito tucano de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, em 1994 [2].
Ele criou de fato o Programa de Renda Mínima, que complementava a receita de pessoas em situação de miséria. Por razões evidentes, limita-va-se à cidade e beneficiava apenas 2,5 mil famílias, com uma administração tão complexa que era impossível expandí-lo com os recursos da prefeitura.
Tem sentido dizer que o Bolsa Família nasceu assim? Que esse pequeno experimento local é a matriz do que temos hoje? O maior e mais bem avaliado programa do gênero existente no mundo e que serve de modelo para países ricos e pobres?
O que a discussão sobre o Renda Mínima de Campinas levanta é uma pergunta: se o PSDB estava convencido da necessidade de elaborar um programa nacional baseado nele, por que não o fez?
Não foi Fernando Henrique Cardoso quem venceu a eleição de 1994? O novo presidente não era amigo e corrligionário do prefeito? Ou será que FHC não levou o programa do companheiro para o nível federal por ignorá-lo [3]?
Quem sabe conhecesse a iniciativa e até a aplaudisse, mas não fazia parte do arsenal de medidas que achava adequadas para enfrentar o problema da pobreza. Não eram “coisas desse tipo” que o Brasil precisava.
GOSTE-SE OU NÃO DE LULA, o fato é que o Bolsa Família só nasceu quando ele chegou à Presidência. E é muito provável que não existisse se José Serra tivesse vencido aquela eleição [4].
Fazer a arqueologia do programa é bizantino. Para as pessoas comuns não quer dizer nada. Como se vê nas pesquisas, acham até engraçado sustentar que o Bolsa Família não tem a cara de Lula.
Não é isso, no entanto, o que pensam os conservadores. para eles, continua a ser necessário evitar que essa bandeira permaneça nas mãos do ex-presidente.
O curioso é que não gostam do programa. E que, toda vez que o discutem, só conseguem pensar no que fazer para excluir beneficiários: são obcecados pela idéia de “porta de saída”.
Outro dia, tudo isso estava em um editorial de O Globo intitulado “Efeitos colaterais do Bolsa Familia”: a tese da ancestralidade tucana, a depreciação do programa – apresentado como reunião de “linhas de sustentação social ( ? ) já existentes” – a opinião de que teriaficado “grande demais”, a crítica de que causaria escassez de mão de obra no Nordeste, e por aí vai ( em momento revelador, escreveu “Era FHC” e “período Lula” – como se somente o primeiro merecesse a maiúscula ).
Para a oposição – especialmente a menos informada – o Bolsa Família é o grande culpado pela reeleição de Lula e a vitória de Dilma Roussef. Não admiraque o deteste.
Para os políticos, as coisas são, porém, mais complicadas. Como hostilizar um programa que a população apóia?
Por isso, quando vão à rua disputar eleições, se apresentam como seus defensores. Como na inesquecível campanha de
Serra em 2010: “Eu sou o Zé que vai continuar a obra do Lula!”
Alguém acredita?
( Publicado em CARTA CAPITAL, edição 703, 27 de Junho de 2012 )

NOTAS DESTE BLOG:
[1]: Não, é?
[2]: da mesma maneira que tucanos implantaram a tal “Taxa do Lixo” nas cidades que governavam antes ( ou, pelo menos, em períodos próximos ) de Marta suplicy fazê-lo em São Paulo, mas não gostariam desta paternidade; o pior é que estou pesquisando – inutilmente – há dias, tentando lembrar qual foi a cidade do interior paulista [ acho que foi Americana ou Barretos, mas não consigo ter certeza ], pioneira na implantação da tal taxa, que era governada por um tucano na ocasião; de mais longínquo, só a revelação do Dep Dr. Rosinha, do Paraná, alertando para o fato de que o cacique tucano Beto Richa, quando no cargo de vice-prefeito de Cássio Taniguchi [ 1997-2004], em Curitiba, “enviou à Câmara de Vereadores projeto para aumentar impostos como o IPTU ( em exorbitantes 800%), o ISS e a taxa do lixo”. De qualquer forma, dados do IBGE de 2006 informavam que o Brasil possuía 5564 municipios , a taxa de luz existia em 3.893 municípios, e a taxa do lixo em 2.753 ( nenhum deles governado pelo PSDB/DEM? )
[3]: Vai ver, foi por inveja, por não ter sido o criador do programa. Já que não criou, o invejoso boicotou. Pode ser, não pode?
[4]: Ou que o programa sobreviva a uma apocalíptica volta dos tucanos ao Planalto

junho 21, 2012

“Confessei até a morte do Kennedy”, diz último condenado à morte na Grã-Bretanha. Torturado por militares para admitir culpa por morte de soldado, é inocentado depois de 40 anos.

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 8:20 pm

Último condenado à morte no Reino Unido absolvido 40 anos depois
Liam Holden diz que foi torturado: «Até admitia que matei o Kennedy.»
O Tribunal de Apelo de Belfast anulou nesta quinta-feira a acusação de homicídio que perseguia Liam Holden há quase 40 anos. Ele foi a última pessoa condenada à morte no Reino Unido e essa sentença já tinha sido convertida em prisão perpétua, mas agora vê-se definitivamente ilibado, depois de o tribunal dar como provado que confessou sob tortura.
Holden foi acusado em Setembro de 1972 pela morte do soldado Frank Bell, de 18 anos, que foi atingido a tiro em Belfast por um sniper do IRA, o Exército Republicano Irlandês, e morreu três dias mais tarde.
Holden, que tinha 19 anos na altura, conta que os militares britânicos o foram buscar a casa e o levaram para uma base militar, onde o detiveram durante cinco horas. «Agrediram-me e disseram-me para admitir que tinha morto o soldado. Eu disse que não era verdade», relata, contando depois como foi torturado com água, um método semelhante ao que terá sido usado recentemente pela CIA.
«Seis soldados vieram ao cubículo onde eu estava, deitaram-me no chão e um deles colocou uma toalha na minha cara, onde iam deitando água. Se tentava respirar pela boca engolia água, se tentava respirar pelo nariz inspirava água», descreve, citado pela BBC: «Depois daquilo até admitia que matei o Kennedy.»
Na altura foi condenado com base nessa confissão, apesar de até ter um álibi para a hora do crime. Foi inicialmente sentenciado a pena de morte por enforcamento, mas quando a pena capital foi abolida na Irlanda do Norte, em 1973, a sentença foi comutada. Passou 17 anos na prisão, até sair em liberdade condicional em 1989.
Desde então lutou para limpar o seu nome e recentemente a Comissão de Revisão de Casos Criminais, criada para investigar eventuais erros judiciais, considerou que o caso tinha agora bases para ser levado ao Tribunal de Apelo.
O caso de Holden foi reforçado desta vez pela investigação de um jornalista do «Guardian», Ian Cobain, precisamente sobre o uso de tortura com relação a água pelo exército militar na altura.
Agora, Holden espera que o seu caso possa servir de exemplo a outras pessoas que tenham passado por experiências parecidas às mãos do exército britânico. ( TVI )

EUA e Israel são os responsáveis pela criação do vírus Flame, gestado pela NSA [ aquela, do ECHELON ] e tendo com alvo o Irã

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , , , — Humberto @ 6:04 pm

Detectado recentemente e considerado uma ‘bomba atómica informática’, o vírus Flame é uma invenção norte-americana e israelita que tem como objectivo atrasar o programa nuclear iraniano. De acordo com altos oficiais norte-americanos citados pelo The Washington Post, o Flame ‘rouba’ dados importantes aos sistemas informáticos onde penetra e é a mais potente ciberarma utilizada até hoje para sabotar as supostas pretensões nucleares de Teerão.
Orla Cox, uma analista de segurança de uma conhecida empresa produtora de anti-vírus, explica que os alvos do Flame foram, especificamente, iranianos e que «a forma como este vírus foi desenvolvido está para lá de qualquer coisa até hoje conhecida». Há algumas semanas atrás, quando se descobriu o vírus, esta especialista da Symantec disse ao The Guardian que o ataques detectados principalmente no Irão, e que agora se sabe serem da autoria dos EUA e Israel, foram «como utilizar uma arma atómica para abrir uma noz».
Apesar de nenhum dos países envolvidos admitir responsabilidades no ataque, um alto responsável norte-americano afirmou ao Post que isto poderá ser apenas o início de uma ciber-guerra coordenada entre os dois países cujo objectivo é sabotar o programa nuclear do Irão, de forma a reduzir a pressão para um ataque militar convencional e a aumentar a janela de tempo para os esforços diplomáticos.
O Flame foi desenhado pelos melhores criptomatemáticos do mundo, os da NSA (National Security Agency) norte-americana, e consegue entrar mesmo nas redes mais seguras. Uma vez dentro do sistema, é capaz de controlar todas as funções dos computadores, enviando os segredos de volta para os seus criadores. Mas não só, pode activar os microfones e cameras incorporados no computador que infecta, regista as passwords introduzidas no teclado, faz ‘print-screens’, extrai dados de geolocalização a partir de imagens e envia e recebe dados através de Bluetooth. E, ainda, faz tudo isto enquanto se disfarça de uma inofensiva actualização do Windows.
O alto oficial dos serviços de inteligência norte-americana que falou ao Post explicou que o Flame é apenas uma das armas que estão em utilização e que, apesar de ter sido descoberto, o ataque no qual esteve integrado ainda está em acção. ( SOL )

LEIA TAMBÉM: EUA e Israel foram os criadores do vírus Flame

>>> NUNCA ESCUTOU FALAR DO ECHELON? SAIBA AGORA, ENTÃO, AQUI

junho 18, 2012

Nova percepção do Holocausto, Por Arthur Meucci

O Oriente Médio sofre sua mais nova tensão após a Primavera Árabe, um conflito diplomático entre as autoridades israelenses e os líderes do Irã. Israel acusa o país persa de ter um programa nuclear com objetivos de desenvolver armas atômicas. Preocupação um tanto risível, pois Israel não só produz armas atômicas de destruição em massa como também as vende, a exemplo do comércio de mísseis nucleares com o regime do Apartheid na África do sul em 1975. Também acusam o governo de Teerã de antissemitismo ao difamar o estado israelense e negar o Holocausto.
Neste conflito ético/discursivo, os iranianos responderam à altura às acusações de seus inimigos. O site holocartoons, com textos e charges criticando a idéia de Holocausto que sustenta a opinião pública pró-Israel, deixou muitos intelectuais ocidentais intrigados. Seria uma tática insana de negar um “fato” amplamente reconhecido e documentado? Deveríamos acreditar piamente nos relatos históricos? Não. “A verdadeira Filosofia é reaprender a ver o mundo”, ensinava Merleau-Ponty.
Ao analisarmos os primeiros argumentos da crítica iraniana ao Holocausto, constatamos que os árabes fazem uma classificação da realidade diferenciando judeus e sionistas. Por judeus eles entendem um povo santo, que segue os mandamentos ditados a Moisés por Deus e que se distinguem por não aceitarem Jesus e Mohammed como profetas. Já por sionismo entendem como um movimento político radical, não religioso, que surgiu no século XIX defendendo a criação de um Estado territorial autônomo e independente para os judeus. Para os árabes, eles são responsáveis pela ocupação armada e ilegal da Palestina e pela morte de inúmeros muçulmanos que viviam na região. Os iranianos diferenciam os sionistas, seus inimigos, dos judeus, povo que deve ser protegido segundo os mandamentos do Corão. O Irã abriga a maior comunidade judaica do mundo [ N.do Blog: Não achamos nada que corroborasse essa informação. Provavelmente Arthur tenha desejado dizer que o Irã abriga a maior comunidade judaica do mundo islâmico ou, talvez, do Oriente Médio ], tendo judeus no parlamento, no judiciário e no exército.
O primeiro ponto levantado pelos críticos do Holocausto são as acusações sionistas de antissemitismo por parte dos árabes. Ela soa por si só infundada, pois tanto os árabes como os judeus são descendentes de Sem ( filho de Noé ) e de Abraão – os árabes são filhos do primogênito Ismael ( pai Abraão e mãe Agar ) e os judeus filhos de Isaac ( pai Abraão e mãe Sara ) – ou seja, possuem laços de irmandade.
A segunda crítica foca na construção da idéia de Holocausto. Os sionistas alegaram, ao defenderem um país para os judeus na ONU, terem contabilizados um genocídio de mais de 6 milhões de judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial. Os críticos do Holocausto nõ negam que muitos judeus morreram e que esse episódio foi um ato cruel e lastimável. Suas críticas se baseiam numa possível fraude nos números e relatos. Os dados oficiais contabilizavam, antes da guerra, 5,4 milhões de judeus na Europa e uma fuga de 2 milhões de judeus dos territórios invadidos pela Alemanha. Se aceitarmos que todos os judeus europeus que não fugiram foram mortos, sobram 3,4 milhões de vítimas. Porém, havia judeus europeus em países não invadidos, como na Inglaterra, por exemplo. Concluindo, os números mostram que não seria possível matar sequer a metade dos judeus divulgados na contagem apresentada no pós-guerra.
Um terceiro dado que contesta os números de mortos e coloca em xeque a concepção antissemita generalizada dos alemães foi divulgado pelo historiador americano Bryan Mark Rigg, que revelou mais de cem mil judeus alistados no exército alemão em todos os níveis do exército. Dois importantes oficiais do alto comando alemão e assessores de Hitler, o Almirante Bernhard Rogge e o Marechal Erhard Milch, eram notórios judeus. Os escritores do holocartoons também afirmam que Yitzhak Shamir, ex-primeiro ministro de Israel, apoiava Hitler.
Os iranianos questionam o Holocausto como instrumeno ideológico usado para beneficiar Israel e para justificar as atrocidades cometidas contra o povo palestino. Inúmeros filmes e livros são lançados sobre o assunto quando os interesses americanos e israelenses estão em xeque no Oriente Médio. O país dos Aiatolás desconfia da política sexista de perseguição aos muçulmanos, da guerra de expansão promovida por Israel e sua aliança com os Estados Unidos ao patrocinar ditadores na região com a finalidade de explorar o povo árabe e seus recursos naturais. Não podemos nos esquecer que Saddam Hussein foi posto no poder pelos EUA para guerrear contra o Irã, do Aiatolá Khomeini, líder religioso e político que em 1979 derrubou o governo tirânico do Xá Pahlevi, patrocinado por Washington desde 1953.
Analisando a história do Oriente Médio com cuidado, não me espanta que Teerã não veja Washington e os sionistas de Jerusalém com bons olhos. É evidente que o discurso do Holocausto foi construído para beneficiar a construção do Estado de Israel e que ele ainda hoje é usado como fonte histórica para defender os interesses dos capitalistas americanso e israelenses. Os argumentos apresentados não querem, em hipótese alguma, negar a morte de muitos judeus pelo nazismo. Porém, acredito que devemos rever os chamados “fatos históricos” para entender a questão judaica na Segunda Guerra Mundial e como a idéia de Holocausto serve de discurso ético para camuflar interesses excusos.
ARTHUR MEUCCI É MESTRE EM FILOSOFIA PELA USP
( Artigo publicado na revista FILOSOFIA CIÊNCIA & VIDA, EDIÇÃO 70 )

junho 16, 2012

( Demóstenes Torres e a ) Lei do retorno, Por Maurício Pestana

Desde muito cedo, ainda criança, ouço a expressão: “a lei de retorno existe” ou frases correlatas como: “aqui se faz, aqui se paga”. O ceticismo de afrodescendente num país subdesenvolvido, no qual a lei de Gerson é a que mais prevalece em todas as instâncias, principalmente na área política, me fizeram, por vezes, desacreditar nessa tal “lei do retorno”. Este ceticismo talvez se deva às diversas desilusões políticas, em que pude constatar a ação de indivíduos comprovadamente desonestos serem eleitos e reeleitos de forma contínua, e sempre se dando bem, sem que nada os abalassem, colocando por terra qualquer esperança vitoriosa da tal lei do retorno.
Aliás, toda vez que a invocam, digo sempre que, caso realmente ela exista, deve ter sido obra de algum autor dessas novelas televisivas que, em geral, enaltecem por mais ou menos seis meses vilões, corruptos, bandidos, megeras e, no último capítulo, o herói e a mocinha se casam e são felizes para sempre (no nosso imaginário, é claro!), uma vez que as novelas diferentemente do cotidiano realista acabam nesse capítulo.
Esta encenação da vida real nos dá a impressão que mais vale a pena ser mau a vida inteira, já que só no último capítulo é que alguma coisa pode dar errado (e olha que nem isso tem acontecido mais, vide o final da trama Fina Estampa). Assim sendo, arriscaria dizer que o Brasil está no meio de sua novela, afinal, somos um país jovem, que, dos poucos mais de 500 anos de vida, 380 foram sob regime de escravidão, seguidos por quase um século de ditaduras, como a de 1964, a da era Vargas entre outras, e uma “merrequinha” de democracia estável nos últimos 20 anos, abalada por escândalos de corrupção intermináveis.
Por esses e outros motivos, quando, em meio a tantas tragédias, conseguimos assistir de camarote a lei do retorno vigorar, é algo que nos enche de esperança e, portanto, tem que ser ressaltado, enaltecido, aplaudido e muito divulgado, porque isso não acontece todo o dia em terras tupiniquins! Ver um sujeito que em pouco tempo saiu dos holofotes e dos berços esplêndidos da mídia brasileira como uma das grandes lideranças da oposição, para a condição daquele que ninguém quer chegar perto, abandonado pelos amigos, pela imprensa pelo partido e até pelos cúmplices de falcatruas, é raro no cenário brasileiro.
Para nós, afrodescendentes, este caso em especial tem um gostinho a mais, pois foi esse cidadão que declarou em pleno Congresso Nacional que os estupros ocorridos pelos senhores de escravos no Brasil era de livre consentimento das escravas oprimidas.
Pelo preço de gozar espaço e prestígio em nossa imprensa, foi um árduo combatente das cotas raciais no Brasil, fiel aliado do que há de mais reacionário e atrasado na política brasileira, grande defensor das oligarquias e dos pensamentos mais retrógrados que se tem notícia, descendo ao ponto de declarar que os negros foram os responsáveis pelos séculos de escravidão nas Américas e no velho mundo.
Questionou e emperrou o quanto pôde o Estatuto da Igualdade Racial e, sob o seu comando o DEM “partido”, primeiro a abandoná-lo, mas que há poucas semanas o tinha como principal representante e, nessa posição, entrou com ação de inconstitucionalidade das cotas no Brasil.
É, senador! Sua ruína foi desrespeitá-las, as oxuns – mãe das cachoeiras e, por isso, o senhor acabou derrotado exatamente por uma…
Como tem sido bom assistir o seu calvário, Demóstenes Torres!
Maurício Pestana é diretor executivo da RAÇA BRASIL
( PORTAL GELEDÉS )

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