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maio 23, 2012

Decisão de convocar Veja a explicar o elo com Cachoeira e seu bando avança na CPI


Liberdade de imprensa não dá salvo-conduto a organização criminosa
Primeiro embate mostrou despreparo da oposição
Cresce na CPMI a convicção da necessidade de investigar a associação de Policarpo Jr, diretor da revista Veja, com a quadrilha de Cachoeira. “Esse jornalista teve uma relação de dez anos com o esquema criminoso, relação essa permanente. O que nós queremos é investigá-lo”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Já se pronunciaram pela convocação os deputados Iris de Araújo (PMDB-GO), Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), Chico Alencar (Psol-RJ), Fernando Ferro (PT-PE) e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). “A CPI sem a Delta ou a CPI sem a Veja não é CPI nenhuma. Não serve para nada”, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR).
( HORA DO POVO )
Parlamentares defendem na CPMI rigor e apuração sem privilégios
Até no Reino Unido, Murdoch foi investigado e chamado para dar explicações no parlamento
Cresce entre os parlamentares do Congresso Nacional, e particularmente entre os integrantes da CPMI, a convicção da necessidade de investigar a associação de Policarpo Jr, diretor da revista Veja, com a quadrilha de Carlos Cachoeira. As últimas revelações das armações entre Policarpo e Cachoeira, entre elas a que mostra Cachoeira plantando na Veja ataques ao Ministro dos Transportes por este ter tomado medidas de controle sobre obras da Delta, são cada vez mais comprometedoras.
“Todos devem ser investigados no setor público, privado e na imprensa. Sem paixões e sem arroubos. Nós vamos descobrir muitas coisas quando forem feitas as quebras de sigilo – o fiscal, por exemplo. Devemos apoiar sempre a liberdade de expressão. Mas, não podemos confundi-la com uma organização criminosa. Para o bem da sociedade e da própria liberdade de expressão”, declarou o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-SP).
Na mesma direção argumentou também o senador Roberto Requião (PMDB-PR). “A CPI sem a Delta ou a CPI sem a Veja não é CPI nenhuma. Não serve para nada”, disse o senador, em aparte ao discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS). O senador Fernando Collor, por sua vez, chegou a apresentar, na quinta-feira (17), atabalhoadamente é certo, um requerimento solicitando todas as gravações feitas entre Policarpo e Cachoeira. O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), argumentou que as gravações de Policarpo já estão incluídas no HD bruto, já solicitado ao STF e à PF, contendo todas as gravações feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça. A proposta não chegou a ser votada.
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) considerou o requerimento de caráter “persecutório” e reforçou sua tese, já diversas vezes manifesta, de que a “convocação de um jornalista constitui atentado à liberdade de imprensa”. Somaram-se a dele às defesas do líder o PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR) e do senador Pedro Taques (PDT-MT). O último considerou o requerimento como “inconstitucional”. Se dentro da CPMI cresce a ideia de convocar a Veja e o Policarpo para testemunharem, fora dela a revista continua fazendo carga pesada contra as investigações de Policarpo tendo neste tema “O globo” e a “Folha” como cúmplices. O pretexto usado por eles, e repetido pela oposição tucana, e até por oportunistas como Miro Teixeira, é de que isso seria um ataque à liberdade de imprensa.
Respondendo à essa afirmação, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), afirmou que há liberdade de imprensa no Brasil, mas que não se pode confundir liberdade de imprensa com cometer crimes. “Políticos que cometem crimes têm que ser investigados. Nenhuma profissão pode cometer crime. O que nós estamos fazendo aqui é investigar um jornalista que manteve permanentemente relação com um criminoso. Esse jornalista teve uma relação de dez anos com o esquema criminoso, relação essa permanente. O que nós queremos é investigá-lo”, ponderou.
“O Reino Unido acabou de julgar o seu jornal e o seu jornalista e quem o fez? Foi o parlamento. E o parlamento brasileiro hoje tem poderes judiciais e não pode deixar de investigar”, destacou. “Esse jornalista está sendo investigado. Não há pré-julgamento. Se não estivesse sendo investigado não haveria as ligações reveladas pela Polícia entre ele e o contraventor. Esse jornalista há sete anos esteve numa comissão do Conselho de Ética da Câmara para depor a favor de quem? Depôs aqui nesta Câmara a favor do senhor Carlinhos Cachoeira”, prosseguiu Teixeira.
O senador Humberto Costa (PT-PE), líder da bancada do PT no Senado, criticou o fato de parte da Comissão querer blindar o jornalista. “Não há intocáveis aqui. Tudo virá à tona”, acrescentou. Mais tarde, ao fazer a defesa da quebra dos sigilos da filial da construtora Delta no Centro-Oeste, foi a vez do deputado Cândido Vacarezza se posicionar: “Se, no decorrer dos trabalhos, encontrarmos links com qualquer pessoa que seja, inclusive o Policarpo, nós vamos investigar”.
Líder do PSOL na Câmara, o deputado Chico Alencar (RJ) se somou aos parlamentares como Fernando Ferro (PT-PE), Protógenes Queiroz (PCdoB), Iris de Araujo (PMDB-GO) e outros e disse que “se ficar comprovado que há um esquema espúrio de seleções de matérias para atender aos interesses do crime organizado, aí sim o jornalista terá que ser investigado pela CPMI”. Já o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) saiu em defesa da associação da Veja com o crime e considerou o requerimento de caráter “persecutório”.
Para Requião, livrar grupo Abril da CPI é acobertar crime organizado
“Tem que quebrar o sigilo da “Veja”, Civita e Policarpo”, diz
Em pronunciamento no plenário do Senado, na sexta-feira (18), o senador Roberto Requião (PMDB/PR) condenou a rede de proteção armada em torno da chamada “grande imprensa”, notadamente da revista “Veja” e de seu diretor em Brasília, o jornalista Policarpo Júnior que, segundo as interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, era um frequente interlocutor do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
“Não posso concordar que o jornalista passe a ser um agente do diabo, um seletor de informações, um participante de uma quadrilha de desinformação para motivar a opinião pública no sentido de apoiar os interesses que representa. E os interesses da grande imprensa brasileira são conhecidos, ligados aos grandes grupos econômicos e aos grandes bancos”, afirmou.
Requião lembrou do período da CPI dos Precatórios, quando foi agredido, e sem direito de resposta pela “Veja” e “IstoÉ”. “Que história é essa de confundirmos a liberdade do repórter com a liberdade da calúnia, da difamação, para, seletivamente, denunciar determinadas pessoas, desviando a opinião pública do que importa. Tem que quebrar o sigilo da “Veja”, de Roberto Civita, de Policarpo, para sabermos até que ponto estavam envolvidos num conluio organizado para depredação dos recursos públicos, a quem protegiam e o que denunciavam, a que interesse serviam”, defendeu.
Para o senador não é admissível a exclusão da “Veja” e afirma que a “investigação tem que ser completa”. Para ele, deixar a revista de fora da CPMI “é o desejo de acobertar uma imprensa ligada em conluio evidente e claro com o crime organizado, com interesses econômicos, com interesses financeiros do grande capital”.
TV Record repele falácia da “Veja” com mais denúncias contra diretor da revista
A revista Veja desta semana publicou, na seção chamada Radar, uma nota insinuando que a TV Record encontra-se em dificuldades financeiras. Há alguns dias, a emissora repercutiu, no programa Domingo Espetacular, trechos de conversas gravadas pela Polícia Federal (PF) com autorização da Justiça, que mostram o envolvimento do diretor da revista em Brasília, Policarpo Júnior, com o bando de Carlinhos Cachoeira.
As gravações, feitas durante a Operação Monte Carlo, desencadeada pela PF no dia 29 de fevereiro, revelam a ligação do diretor de Veja com o esquema criminoso do bicheiro, mostrando enorme intimidade entre ambos. Policarpo Júnior informa a Cachoeira sobre a publicação de matérias de interesse do contraventor, compartilham informações e combinam armações.
No domingo passado (20), o jornalismo da TV Record rebateu os ataques da revista da Editora Abril contra a emissora. A reportagem do programa, apresentado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, lembrou que a nota de Veja foi publicada na mesma seção que aparece nas gravações da operação Monte Carlo como destino das informações de interesse do contraventor Carlos Cachoeira.
O programa mostrou os trechos já publicados pela Hora do Povo, na edição do dia 18 de maio, apresentando uma conversa entre o bicheiro e o ex-diretor da Construtora Delta, Cláudio Abreu, ambos presos na operação Monte Carlo. Eles são acusados de 15 crimes, entre eles corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, contrabando e formação de quadrilha.
Na conversa, Cachoeira relata que Policarpo Júnior queria comprovar que o ex-ministro José Dirceu ajudou a Delta a fechar contratos.
Cachoeira: Rapaz… Falei: “Vocês erraram, Zé Dirceu não estava”.
Cláudio Abreu: Ah… Essa informação está totalmente furada, eu conheço bem a história. Não tem nada disso, cara.
Cachoeira: “Ô, Policarpo, você acredita mesmo nisso? Ele: “acredito”. Então, “pelos meus filhos, eu estou falando para você. Não existiu essa reunião. Esqueça, esqueça, entendeu?”
Em gravações de 10 de maio do ano passado, Cachoeira diz a Cláudio Abreu que Policarpo prometeu não prejudicar a construtora.
Cachoeira: O Policarpo, ele não alivia nada, mas também não te põe em roubada, entendeu? Eu falei, ó, inclusive vou te apresentar depois, Policarpo, o Cláudio. Eu sou amigo. Eu falei que era amigo seu de infância. “Então ele trabalha na sua empresa?” Ele falou assim: “Vai me contar que você tem uma ligação com ele.” Sabia de tudo. Falei: “Olha, não vou esconder nada de você, Policarpo. O Cláudio é meu amigo irmão, rapaz”.
Cláudio Abreu chegou a manifestar preocupação, mas foi tranqüilizado pelo bicheiro.
Cachoeira: Aquela hora eu estava com o Policarpo, rapaz. Antes do almoço ele me chamou para conversar. Mil e uma pergunta. Perguntava se a Delta tinha gravação. Eu defendi pra c… vocês, viu? O Policarpo, confia muito em mim. Vou até te mostrar a mensagem que ele mandou antes, 10h da manhã, pra ‘mim’ encontrar com ele aqui em Brasília. Eu estava aqui e fui me encontrar com ele.
A seguir, há também uma conversa entre Policarpo Júnior e o contraventor.
Policarpo: Alô.
Cachoeira: O rapaz está aí, você quer falar com ele?
Policarpo: Ah, tá. Aqui em Brasília?
Cachoeira: é, lá no 1103.
Policarpo: Ah, tá, beleza.

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O silêncio do contraventor coloca a CPI em xeque
( CARTA CAPITAL )
A falta de respostas de Carlinhos Cachoeira na sessão de terça-feira na CPI que o investiga coloca em xeque a utilidade dos próximos depoimentos na comissão.
Os deputados e senadores da CPI ouvirão na quinta-feira 24 três aliados do bicheiro: Jairo Martins de Souza, Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, e Wladimir Garcez. Caso os supostos integrantes da quadrilha também fiquem calados, a comissão dará sequência a uma série de sessões até agora inúteis (e constrangedoras) para a investigação
Após o não-depoimento de Cachoeira, o pivô do escândalo, os congressistas já defendem outro foco na atuação da CPI. Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), os congressistas deveriam se debruçar sobre os documentos da Polícia Federal em vez de esperar alguma confissão de culpa improvável nos depoimentos. Já o senador Pedro Taques (PDT-MT) defende a quebra de sigilos dos envolvidos o quanto antes.
Segundo reportagem do site Congresso em Foco, o presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), pretende conversar com o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), para propor uma mudança no rumo das investigações. Sua proposta seria diminuir o peso dos depoimentos e adiantar decisões administrativas como a quebra do sigilo da empreiteira Delta em território nacional.
Apesar da vontade de alguns integrantes da comissão em mudarem o rumo das investigações, até agora não há sinais da queda da blindagem em torno dos três governadores supostamente ligados ao grupo de Cachoeira ou à Delta – Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

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