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maio 3, 2012

CPI chama Cachoeira e Demóstenes. Agora falta convocar a Veja


Um calunia, outro repercute, o terceiro arrecada
“Vamos detonar aquele trem na Veja, aí o povo vai ficar com medo”, diz o bicheiro ao telefone
A CPMI do Cachoeira começou seus trabalhos na quarta-feira, quando foi aprovado o plano inicial de ação proposto pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). Dos três pivôs da organização criminosa, dois já têm dia marcado para depôr: Carlos Cachoeira, no dia 15, e Demóstenes Torres, dia 31. Falta a CPMI marcar o depoimento de Policarpo Jr, o PJ, que figura nos arquivos da PF com mais de 200 telefonemas trocados com Cachoeira.
( HORA DO POVO )
CPI pede a quebra dos sigilos e convoca Cachoeira para dia 15
Policarpo (diretor de Veja) vai detonar aquela associação, entendeu?”, diz o bicheiro Cachoeira
A CPI do Cachoeira começou seus trabalhos na quarta-feira (02/05), quando foi aprovado o plano inicial de ação proposto pelo relator, deputado Odair Cunha (PT/MG), e aprovou também os requerimentos para ouvir os policiais federais e procuradores responsáveis pelas Operações Las Vegas e Monte Carlo. Serão ouvidos principalmente Carlos Cachoeira, Demóstenes Torres e outros integrantes da quadrilha. Aguarda-se para breve a convocação de Policarpo Jr., diretor de Veja, flagrado em íntima associação com a organização criminosa. Foram gravados pela Polícia Federal 200 telefonemas entre Cachoeira e Policarpo Jr.
As convocações para depor aprovadas foram as seguintes: 8 de maio – delegado da Polícia Federal (PF) Raul Alexandre Marques Souza, responsável pela Operação Vegas; 10 de maio – delegado da PF Mateus Rodrigues e procuradores Daniel Salgado e Lea Batista de Oliveira, responsáveis pela Operação Monte Carlo; 15 de maio – Carlos Cachoeira; 22 de maio – Jose Olímpio de Queiroga, Gleib Ferreira da Cruz, Geovani Pereira da Silva, Vladimir Garcez e Lenine de Sousa, integrantes da organização criminosa de Cachoeira; 24 de maio – Idalberto Matias e Jairo Martins – considerados “espiões” do esquema de Cachoeira; 29 de maio – Cláudio Abreu, ex-diretor da Construtora Delta no Centro Oeste, membro do bando de Cachoeira; 31 de maio – senador Demóstenes Torres (ex-líder do Dem-GO), flagrado em diversas ações criminosas com Cachoeira e seus capangas.
Os parlamentares vão ter agora mais detalhes ao ouvirem as mais de 200 ligações de Cachoeira e Policarpo Jr., conhecido também, na quadrilha por “PJ’ ou “Poli”, mas, com o que já veio a público sobre a associação dos Civita com Cachoeira, não há como Veja não ser convocada para dar explicações ao país. O próprio deputado Marco Maia, presidente da Câmara, afirmou recentemente que, por muito menos, o jornal do Rupert Murdock deixou de circular na Inglaterra.
Para se ter uma pequena idéia de como funcionava a ação criminosa do trio Cachoeira, Veja e Demóstenes vamos reproduzir alguns – entre muitos – diálogos gravados pela PF obtidos de forma legal, com autorização da Justiça. O primeiro é um trecho de uma conversa entre Cachoeira e Demóstenes, ocorrida em agosto de 2011, onde ele conta ao senador que Veja foi abastecida com material produzido por seu capanga, Jairo Martins, contra o ex-ministro José Dirceu.
Cachoeira: “Fala Doutor”.
Demóstenes: “Fala professor, e ai? Tranqüilo?”.
Cachoeira: ‘Beleza, novidade ai?”.
Demóstenes: “Fiquei o dia inteiro fora do ar aí, sem saber se tem alguma coisa”.
Cachoeira: “Não, só o Policarpo que vai estourar aí, o Jairo arrumou uma fita pra ele lá do hotel lá, onde o Dirceu recebia o pessoal na época do tombo do Palocci. Aí ele vai demonstrar, mas não vai ser esse final-de-semana não, tá? Vai ser umas duas vezes aí pra frente, que ele planejou a queda do Palocci também, recebia só gente graúda lá. Isso quer dizer que os momentos importantes da República, o Dirceu que comanda”.
Demóstenes: “Exatamente, aí é bom de mais, uai, o que que é isso?”
Cachoeira: “É vai sair aí, já falou com o Jairo, hoje almoçou com o Jairo, e perguntou pro Jairo se podia, quando for estourar, pôr a fita na “Veja Online” e o Jairo veio perguntar pra mim. Ai eu falei pra ele: ‘não deixa não. Manda ele pedir pra mim’.
Num outro diálogo, publicado na última edição do HP, Cachoeira e Demóstenes mancomunados com a revista Veja buscam meios para extorquir, pressionar o governador do DF, Agnelo Queiroz, em favor dos interesses da empreiteira Delta. As conversas são de Cachoeira com seu capanga Idalberto Matias, o Dadá, e com Claudio Abreu, ex-diretor da Delta.
Cachoeira: “Então o trem tá feio aí?”
Dadá: “Tá, bicho. A Globo bateu pesado nele. Record. Ele tá dando as explicações aqui, mas os caras não estão se convencendo, não, entendeu? Ta gaguejando aqui na televisão”.
Cachoeira: “Então libera o gordinho (Demóstenes), né?”
Dadá: “(…) falei com ele agora, com o Cláudio (…) Porra, a gente tem que resolver isso”. (…) resolve e vai ser hasteada a bandeira branca, bicho”
Cachoeira: “É. Eles pediram mais alguma coisa procê, não?”
Dadá: “Não. Pediu pro gordinho, entendeu? Receber o cara bem e parar de bater”.
Cachoeira: “Você tem que avisar que eles vão apanhar, entendeu? Vão continuar apanhando”.
Dadá: “Não, lógico. Vou avisar. Daqui a pouco eu vou ligar para eles”.
Cachoeira: “Porque é o seguinte, não vai perder uma oportunidade dessa não, uai”.
Dadá: “Pro cara cair é 3, 4 meses. É o tempo que vence aquele negócio”.
Carlos Cachoeira conversa depois com Cláudio Abreu sobre como deve ser a chantagem:
Cláudio: “Deixa eu falar, o Dadá me posicionou aqui. Aquela história, nós não pedimos nem nada, mas, deu uma reviravolta na turma lá. Ta tudo desesperado, né? O Dadá já me falou que você falou prá ele ‘botou a cabeça, agora deixa’, eles que têm que resolver, não resolvem minhas coisas lá, bicho.
Cachoeira: “Falei pro Dadá, eu liguei pro nosso amigo, falei: ó, solta o bete (…) é ao contrário, vai bater, depois de arrumar os seus negócios, ele para, entendeu?”.
“Vamos detonar aquele trem na Veja”, avisa Cachoeira
Por fim, vai ser impossível o Policarpo Jr. e a Veja deixarem de comparecer à CPMI para explicar sua participação nesse outro esquema, mostrado nessa conversa entre Cachoeira e Claudio Abreu, sobre um ataque às tais “empresas do IBV” que, ao que parece, se interpuseram aos interesses da quadrilha. Também, em matéria nessa página, detalhes da armação de Cachoeira, repercutidas na Veja, sobre a ida de Demóstenes à Itália para um encontro com Berlusconi. Tudo isso deverá ser apurado pela CPMI.
Cachoeira: “cadê aquele documento aonde divide Brasil vou dar pro Policarpo. Ele vai detonar aquela associação, entendeu?”.
Claudio: “eu tenho ela aqui ué, eu tenho a cópia, você fala as empresas do IBV?”.
Cachoeira: “exatamente, pega a data da reunião, como é que ficou dividido o Brasil, vamos detonar aquele trem na Veja, semana que vem lá, ai o povo aí vai ficar com medo vai, entendeu?”.
Claudio: “é exatamente. Aí não entra o IBV. Aí essa primeira ideia aí, show de bola, mas até segunda feira ta dentro da minha gaveta lá, até segunda-feira a gente já discute isso eu vou ficar quarta e quinta em Brasília e na quarta-feira conforme for a gente senta com o Policarpo, mas vamos pensar primeiro porque é aquela história né amigo, nos estamos sufocado e precisamos fazer logo o negócio, fazer acontecer e o limite é primeiro de janeiro pra começar a operar, se a gente ficar nesse imbróglio aí, vai derrubando, vai demorando nós tínhamos é que derrubar os outros lá e ficar com os vinte e cinco por cento que o lBV ta querendo ficar e a gente não vai permitir né
Cachoeira: “exatamente, mas nós vamos, pensa ai, mas vamos detonar, porque o nosso amigo lá achou em detonar, tá bom?”

LEIA TAMBÉM:

O xadrez da CPI
Revista Carta Capital – 30/04/2012
A disputa entre petistas e tucanos, as ameaças dos meios de comunicação e os prováveis protagonistas da investigação
Leandro Fortes
Em volta nas bravatas de sempre e nos clichês de discursos de arrebatamento mais que previsíveis, a instalação da CPI para investigar as negociatas do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, reabriu o abismo político entre oposição e governo no Congresso Nacional. Exércitos novamente perfilados, os blocos liderados por PT e PSDB vão outra vez se enfrentar no Parlamento, quase com as mesmas armas: aos tucanos, a mídia tradicional e a banda udenista um pouco desfalcada pela falência do DEM. Aos petistas, a rara disposição do Palácio de Planalto de comprar uma briga de verdade e a força das redes sociais e da blogosfera na internet. Diferentemente de 2005, quando a CPI dos Correios pretendia fazer sangrar o governo Lula a partir do escândalo do chamado mensalão, a CPI do Cachoeira faz tremer de medo os arautos de então e, sobretudo, os setores da mídia que desde sempre os têm apoiado.
Fácil notar essa circunstância pelo tom do noticiário subsequente à instalação da comissão, no plenário do Senado Federal, na manhã da quarta-feira 25. De tão afinados, os editoriais e reportagens dos grandes grupos de comunicação pareciam ter sido redigidos por um mesmo escriba de plantão. Em uníssono, reverberaram primeiro a tese de que a presidenta Dilma Rousseff temia os rumos da CPI, versão na qual naufragaram em coletivo abraço de afogados. No dia seguinte, alma revigorada, vieram os disparos múltiplos, ora sobre o controle total do Palácio do Planalto por conta da indicação do deputado Odair Cunha (PT-MG) para a relatoria da comissão, ora pela presença “maligna” do senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) nos quadros da comissão, Sem falar na desgastada tese da “vingança”, como se não houvesse fatos graves a ser investigados e tudo não passasse de um capricho do ex-presidente Lula.
Além da espuma das promessas de investigação ampla e isenta, naturalmente proferidas pelo presidente da CPI, o senador Vital do Rego (PMDB-PB), foi possível visualizar o primeiro escândalo no universo da comissão criada para esmiuçar o movimentado mundo de negócios e influências de Cachoeira: o sumiço da mídia como um dos pontos, se não o mais importante, das investigações. De repente, as 200 ligações telefônicas trocadas entre Cachoeira e o jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, desapareceram sem deixar vestígios do noticiário. Dos mais de 170 requerimentos no primeiro dia, nenhum tinha o objetivo de ouvir representantes dos meios de comunicação.
Business as usual A semanal da Editora Abril conta com o apoio explícito de suas coirmãs de repercussão nacional. O Palácio do Planalto foi informado por um qualificado mensageiro das Organizações Globo que, caso o empresário Roberto Civita, dono da Abril, seja mesmo convocado para depor na CPI, o governo terá de enfrentar a fúria do baronato dos meios de comunicação, numa guerra sem limites. As razões do pânico são muitas. Além das ligações explícitas de Veja com Cachoeira, pai, como ele mesmo diz, de “todos os furos” da revista, há ainda a boataria sobre a existência de outros jornalistas na contabilidade do bicheiro goiano. Pior ainda: Cachoeira, transferido para o presídio da Papuda, em Brasília, após uma temporada numa prisão-fornalha em Mossoró (RN), estaria muito disposto a contar tudo a respeito à Polícia Federal.
Apegada a uma incrível política de descolamento da realidade, boa parte da mídia decidiu se concentrar na batida estratégia de vincular os rumos da CPI do Cachoeira ao destino da construtora Delta, campeã de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAG) do governo federal, e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. De fato, as bandeiras de protesto nas manifestações de rua que pedem o afastamento do governador. Na última, uma multidão calculada em 6 mil goianos pela Polícia Militar, fotocópias da capa da revista foram usadas pelos manifestantes ao lado de faixas e cartazes onde se lia “Fora Marconi Perillo”. Disfarçar os elos entre o governador tucano com o bicheiro Cachoeira, portanto, tornou-se uma missão praticamente impossível.
O jornalista Mino Pedrosa iniciou em seu blog Quid Novi uma abertura gradual e devastadora de arquivos ainda desconhecidos da Operação Monte Carlo em que as ligações entre Perillo e o bicheiro se tornam ainda mais transparentes. A mais recente revelação diz respeito à informação, captada pelos grampos da PF, do envio de um pacote de dinheiro com 500 mil reais, acondicionado em uma caixa de computador, recebido no Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano. No diálogo interceptado, Cachoeira diz a alguns capangas que o dinheiro era parte do pagamento de “negócios” seus com Perillo. O dinheiro teria sido entregue por Wladimir Garcez, preso na Monte Carlo, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia.
Por essas e outras, a nova estratégia dos oposicionistas é a de defender que o relatório da CPI não seja conduzido apenas pelo deputado Odair Cunha, reconhecidamente leal às vontades do PT e do Palácio do Planalto. O senador Álvaro Dias foi o porta-voz da novidade, aliás, nem tão nova assim, de dividir os trabalhos em sub relatorias, a exemplo da CPI dos Correios. Em 2005, essas subdivisões serviam para um amplo esquema de filtragem e seleção de vazamentos para a mídia. Dessa vez no comando, o PT nem pensa em cair nessa esparrela, “Essa é uma tentativa da oposição de esvaziar o trabalho do relator”, analisa o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), integrante da comissão.
Em tempo: o magnata Rupert Murdoch, maior barão da mídia, teve de explicar recentemente a uma comissão do Parlamento britânico a participação de seu grupo na divulgação de grampos ilegais. Murdoch admitiu “falhas” e pediu desculpas. Não consta que a convocação do empresário tenha atentado contra a democracia e a liberdade de imprensa no Reino Unido, terra onde, aliás, o conceito foi inventado. Ao contrário. É só mais uma prova de quanto os dois conceitos – democracia e liberdade de imprensa – são realmente valorizados em um país desenvolvido.

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