ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

outubro 13, 2010

Serra se irrita com jornalista que teve a ousadia de perguntar-lhe sobre Paulo Preto. Mais um a perder o emprego, na calada da noite, por meio de telefonemas obscuros

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:35 pm

Serra se irrita com jornalista ao ser questionado sobre ex-assessor
O presidenciável tucano José Serra teria se irritado, na tarde desta quarta-feira (13), diante do questionamento de jornalistas sobre o caso do ex-assessor Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, acusado por dirigentes do PSDB de ter arrecado dinheiro utilizando o nome do partido. O embate com a imprensa aconteceu na saída de uma reunião com o candidato derrotado do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, José Fogaça.
“Considero um preconceito odiento (sic) se referirem a uma pessoa com este apelido”, declarou o candidato depois de afirmar que não teria nada a dizer sobre Paulo Preto, ex-diretor de Engenharia da Dersa (Companhia de Desenvolvimento Rodoviário S/A).
Supostamente irritado com a indagação do caso de Paulo Preto, Serra teria atacado o jornalista Sérgio Bueno, do Valor Econômico, que o questionou sobre o episódio. “Eu sei que no caso vocês não têm interesse na Casa Civil, naquilo que foi desviado e etc. O seu jornal pelo menos não tem”, afirmou Serra.
Segundo informa o portal Terra, após as declarações, a assessora de Serra pôs fim a conversa. Fogaça, que estava a lado do presidenciável, fez um comentário ao candidato, que respondeu em voz alta. “Mas o Valor também é meio assim (gesticulou). Não é só ele (o jornalista), não”.
Bueno rebateu a crítica de Serra o acusando de discriminação com o jornal. “Isso é preconceito, candidato”. Serra respondeu: “não é preconceito. Vocês fazem manchete para o PT botar no horário eleitoral”.
Antes de se encontrar com Fogaça, Serra fez um discurso defendendo a liberdade de imprensa junto a apoiadores no Hotel Everest. Ainda segundo o Terra, no evento, o tucano se esquivou de perguntas sobre Paulo Preto.
“Para nós, liberdade e democracia não são instrumento de retórica e a liberdade de imprensa é indispensável. Eu reclamo da imprensa às vezes, mas vou lutar até a morte para que sejam livres no que dizem. Democracia é respeitar aqueles que não estão de acordo”, afirmou.
( Redação Portal IMPRENSA )

“Serra é somente farsa, embuste e pouca vergonha” ( Hora do Povo, Outubro de 2004 ) – Esplendidamente didático

Flávio Bierrenbach, ministro do Superior Tribunal Militar, em 1988: “Uma ambição sem limite. Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente”
As carradas de cinismo, mentira, encenação e embuste do programa de Serra na TV conseguiram bater seu próprio recorde na campanha eleitoral de 2002. O que é de causar vômitos aos homens honrados, mas não é de se estranhar: para ter limites é preciso ter caráter. E o de Serra já foi muito bem retratado há 16 anos – no horário eleitoral da campanha de 1988 – pelo então deputado e hoje ministro do Superior Tribunal Militar, Flávio Bierrenbach: “Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico. Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente. Poucos o conhecem. Engana muita gente. Prejudicou a muitos dos seus companheiros. Uma ambição sem limite. Uma sede de poder sem nenhum freio”.
DOSSIÊS
O ministro Bierrenbach foi, durante muitos anos, o melhor amigo que Serra teve, até que descobriu que Serra não era seu amigo, nem era amigo de ninguém. Trata-se, portanto, de um testemunho com inequívoco conhecimento de causa, ou seja, do pulha. Os quase 20 anos já passados desde que Bierrenbach fez sua denúncia só confirmaram a exatidão do retrato: outros seus correligionários logo aprenderiam quem é Serra. Que o diga o ex-ministro Paulo Renato, contra o qual Serra, na época competindo com ele pela candidatura a presidente pelo PSDB, confeccionou um dossiê, atribuindo-lhe atos corruptos quando funcionário do Bird. Que o diga a aliada – do PFL – Roseana Sarney, cuja candidatura foi derrubada pela ação de um sequaz de Serra, um certo Santoro, que forjou um flagrante em São Luís, supostamente de corrupção, acusação da qual, depois, a senadora maranhense foi absolvida.
Se foi assim com seus próprios correligionários, pior ainda com adversários. Vide o caso do ministro José Dirceu, homem de coragem e integridade comprovadas. Foi o mesmo Santoro que foi flagrado, através de uma gravação, tentando pressionar um bicheiro a envolver Dirceu num caso sujo. E lá estava o sequaz de Serra, na calada da noite, chantageando o bicheiro para que “colaborasse”.
Porém, basta ver o seu programa eleitoral no primeiro e no segundo turno destas eleições. Nenhuma proposta de absolutamente nada. Apenas insultos, difamações e calúnias em relação à adversária. Mentiras por atacado em relação aos adversários e a si próprio.
MENTIRAS
Nada é tão revelador da falta de caráter quanto aquela nojeira de encenar que está sendo “perseguido” quando os adversários dizem alguma verdade sobre ele – verdades, diga-se de passagem, até agora muito modestas em relação à realidade da podridão moral de Serra. Como é próprio dos répteis, ele quer agredir da forma mais peçonhenta, cavilosa, sibilina e tortuosa, e proibir os adversários de falar a verdade, afetando aquele ar de vítima, que disputa em asco com os sorrisinhos cínicos e hipócritas.
O que fez Serra na vida – que nos seja perdoada a impropriedade de usar a palavra “vida” – além de caluniar, de infamar, de prosternar-se diante de magnatas estrangeiros, assaltar o patrimônio público, arrasar com o atendimento à população? O que fez Serra como secretário de Planejamento do governador Montoro, além das atividades muito bem resumidas por Bierrenbach? Paralisou o governo, e a primeira coisa a ser paralisada foi, precisamente, a continuação das obras do metrô de São Paulo.
Pois, em seu programa, Serra se atribui a construção do metrô, que, segundo ele, antes de sua profícua gestão na secretaria de Planejamento, estava parado. É mentira. Maluf havia construído a linha norte-sul e iniciado a linha leste-oeste. Quem parou as obras do metrô foi Serra. Somente no governo Quércia a construção do metrô retomaria o impulso. Serra, no entanto, citou até a estação do Tatuapé como obra sua, estação que foi construída por Maluf. E quanto à estação Marechal Deodoro, citada no seu programa de segunda-feira, foi construída e inaugurada por Quércia.
Tudo o que ele diz que fez, foi exatamente o que não fez, da mesma forma que tudo o que diz que fará, é exatamente o que não fará, é exatamente o contrário do que fará. Ele sempre destruiu, jamais construiu nada. Assim, agora, pretende, supostamente, fazer as coisas que já foram feitas pela sua adversária. Como sempre, o que ele pretende é desfazê-las.
Daí a ridícula história de que Marta deveria ter investido no metrô, e não nos ônibus. Logo o metrô, que pertence ao Estado, e não à Prefeitura. Além disso, se o povo de São Paulo fosse esperar que houvesse metrô em todos os lugares da terceira maior cidade do mundo, andaria a pé por décadas, talvez até pela eternidade. Pois nem em Paris, onde o metrô foi construído no século XIX e desde lá continua sendo ampliado, os ônibus deixaram de existir, simplesmente porque não é possível ter metrô em todo e qualquer lugar da cidade. O amigo leitor talvez conclua que o plano de Serra é afundar São Paulo debaixo da terra, construindo tantos túneis para o metrô que os alicerces dos edifícios e das casas ficarão sem ter onde se apoiar. Não, leitor, Serra não pretende abrir túnel nenhum.
O que ele quer com essa conversa ridícula é apagar a revolução nos transportes urbanos que a prefeita realizou em São Paulo. O que ele acha é que gastar dinheiro com o povo é besteira, pois Serra odeia o povo. Aliás, tanto como secretário de Montoro, como quando ministro de Fernando Henrique, o que ele fez foi dar o dinheiro do povo aos banqueiros, sobretudo aos estrangeiros. É para isso que ele acha que o povo deve pagar impostos, e não para que o dinheiro público seja utilizado em benefício da coletividade – isto é, do próprio povo – como a prefeita Marta fez.
CINISMO
Por falar em impostos, é de um cinismo psicopático essa acusação estúpida de que Marta criou taxas, como se a taxa do lixo não tivesse sido necessária exatamente pela situação de penúria que o governo do qual Serra era o segundo deixou São Paulo, seqüestrando mensalmente 13% do orçamento municipal para pagar juros. E o dinheiro dessa taxa de R$ 6,00 foi empregado para construir uma usina de reciclar lixo, resolvendo um problema que era crítico em São Paulo, o dos aterros sanitários já superlotados. Quanto à taxa de iluminação pública, ela existe em quase todas as cidades do Brasil. São Paulo é, aliás, uma das cidades do país com menos taxas municipais. Quanto aos impostos, Marta concedeu uma ampla isenção de IPTU às camadas mais pobres, como não existe em nenhuma outra cidade.
Já Serra, é responsável, com Fernando Henrique, Malan e outros bandidos, pelo aumento da carga tributária de todo o Brasil de 29,8% do PIB (1994) para 35,9% do PIB (2002), o maior salto dos impostos em 500 anos de História – maior do que as derramas de Dona Maria Louca, que iam até 20%. Serra também desviou a CPMF da área da Saúde para os cofres dos bancos. E também foi um dos que impuseram ao povo uma estúpida tabela de imposto de renda, pela qual um cidadão que ganha mais do que R$ 2.200,00 mensais está sujeito a uma tributação de 27,5% sobre o seu salário.
LOBISTA
E para que foi essa escorcha fiscal? Para construir usinas de reciclagem de lixo? Para construir hospitais? Para construir escolas? Não, leitor, somente para pagar juros estratosféricos – juros que o próprio governo colocava lá em cima – aos banqueiros, isto é, para doar o dinheiro dos impostos aos especuladores. Só para isso e para nada mais. Quanto à iluminação, a privatização, pela qual ele foi responsável direto, das distribuidoras de energia, fez com que o consumidor hoje tenha aumentos de tarifas determinados pelo dólar, o que fez as contas de luz subirem para o espaço. É esse sujeito que vem falar das mínimas taxas da Prefeitura, como se fosse paladino do contribuinte.
Serra também não criou os genéricos – que foram concebidos pelo ministro Jamil Hadad no governo do presidente Itamar Franco. O que Serra fez com os genéricos foi depravá-los em instrumento de lucro e exploração dos monopólios farmacêuticos estrangeiros, exatamente o oposto do objetivo que tinham, com eles, o ministro Hadad e o presidente Itamar. Lobista das patentes das multinacionais da indústria farmacêutica quando era parlamentar, Serra obrigou as empresas nacionais que quisessem fabricar genéricos a comprar os insumos dos monopólios farmacêuticos estrangeiros. Esta é a razão pela qual os próprios genéricos são tão caros. Tão caros que os preços de alguns chegam a oscilar acima dos preços dos medicamentos “de marca”.
Como ministro da Saúde, ele tornou o Ministério um antro de concessão de privilégios às empresas estrangeiras, sobretudo às norte-americanas. Inclusive, dispensou-as de análises para aprovar seus medicamentos: bastava que tivessem sido aprovados pela FDA, órgão do governo americano, aliás, muito competente – já aprovou a talidomida para grávidas, o Vioxx para cardíacos, e outras grandes tacadas científicas semelhantes. Quanto aos laboratórios nacionais, eram obrigados a uma série de custosas análises, que tinham de pagar do seu bolso. Ao mesmo tempo, sob o seu acoitamento, instalou-se uma máfia da área de compras de hemoderivados, que só foi desbaratada pelo atual governo, que mandou seus integrantes para a cadeia.
Além disso, Serra, depois de demitir 5 mil mata-mosquitos, aumentou os casos de dengue de 180 mil (1997), quando assumiu o Ministério da Saúde, para 794 mil (2002). Tornou o Brasil o campeão em casos de lepra e proliferou a tuberculose. É com esse currículo que ele se apresenta como “o maior ministro da Saúde que o Brasil já teve”.
Ministro do Planejamento, Serra nunca planejou nada. O que ele fez foi se submeter como lacaio aos ditames da especulação forasteira, aos cartéis e aos monopólios financeiros privados, principalmente os com sede nos EUA, promovendo o maior desemprego da História do país, torrando e entregando aos monopólios externos o patrimônio público que gerações de brasileiros construíram, falindo e desnacionalizando as empresas privadas nacionais. As gordas comissões na torrefação das estatais apareceram nas contas de seu caixa de campanha Ricardo Sérgio, e nas de Gregorio Marin Preciado, sócio de Serra e casado com uma prima sua.
ANTI-SOCIAL
Para onde se olhar com atenção na carreira de Serra, se encontrará um malfeito, um crime contra o povo, uma traição, uma delinquência, uma atividade anti-social. O lugar de Serra não é entre os homens e mulheres de bem. Não é à toa que ele vive repetindo que “é do bem”. Quem é, não precisa repeti-lo. O povo sabe. Mas ele entoa essa ladainha exatamente porque, ao contrário da época em que Bierrenbach disse que ele “engana muita gente”, hoje ele engana cada vez menos gente. E, ainda que procure escondê-lo até de si mesmo, no fundo, ele sabe disso.
( Publicado no HORA DO POVO, Outubro de 2004 )

Justiça cega e efeito Serra, por Wálter Fanganiello Maierovitch

Recebi um telefonema do jornalista Paulo Henrique Amorim, cujo site, Conversa Afiada, está na relação dos meus favoritos. Diante dos escândalos no Senado e com os temas da ética e transparência em destaque na mídia, Paulo Henrique queria saber sobre uma decisão minha do início dos anos 90, quando juiz titular da segunda zona eleitoral de São Paulo. Para tanto, ingressei em um túnel do tempo com algumas cinzas decorrentes do efeito estufa, as quais os italianos chamam de indesejável efeito serra, ou effetto serra.
Com efeito, no ano de 1988, quando João Leiva, Paulo Maluf e José Serra disputavam a prefeitura de São Paulo, o procurador Flavio Flores da Cunha Bierrenbach resolveu dar um alerta aos eleitores paulistanos, no horário reservado aos partidos políticos. Bierrenbach é hoje ministro do Superior Tribunal Militar.
Na tevê, Bierrenbach disse o seguinte: “No dia 15 de novembro, João Leiva vai derrotar dois Malufes. Um não engana mais ninguém, todo mundo conhece e é assumido. É a síntese do regime de exceção. Alguém já disse que Paulo Maluf foi uma flor que nasceu no lodo da ditadura. O outro, entretanto, poucos conhecem. Engana muita gente. Chama-se José Serra. Entrou pobre na Secretaria do Planejamento do governo Montoro, saiu rico. Fez uma campanha para deputado federal miliardária. Prejudicou a muitos dos seus companheiros. Esses homens têm algo em comum. Uma ambição sem limites. Uma sede de poder sem nenhum freio. E pelo poder eles são capazes de tudo. Usam o poder de forma cruel, corrupta e prepotente”.
Ao então candidato Serra concedeu-se o direito de resposta. Ainda inconformado e amargando o resultado eleitoral desfavorável, o referido Serra, então deputado federal, insistiu, junto ao juízo da segunda zona eleitoral, em enviar peças para o representante do Ministério Público eleitoral (MP). Serra afirmava ter sido ofendido em sua honra por Bierrenbach, ou seja, definindo-se expressamente como caluniado, difamado e injuriado. O MP, com base no Código Eleitoral e tendo em vista que os delitos contra a honra no âmbito eleitoral são de ação pública, denunciou Bierrenbach por crimes de calúnia, injúria e difamação, duas- vezes cada um deles. Depois da ação penal instaurada, o deputado Serra requereu, por meio do advogado Mário Covas Neto, a sua habilitação como assistente de acusação, frisando sua condição de vítima de calúnias, difamações e injúrias.
Bierrenbach, na sua defesa, apresentou uma exceção da verdade. Ou seja, queria provar que havia dito a pura verdade sobre Serra. A exceção foi recebida judicialmente e as provas, deferidas. Como o processo penal é orientado pela busca da verdade real, e deveria, depois de instruído, ser remetido ao Supremo Tribunal Federal para julgamento por força do foro privilegiado do então deputado Serra, várias diligências foram determinadas judicialmente: ofício a bancos para futuro cotejo sobre evolução patrimonial, etc.
O deputado federal Serra, imediatamente depois da exceção da verdade apresentada por Bierrenbach, pretendeu modificar as acusações, feitas por ele e endossadas pelo Ministério Público. Passou, então, a entender que havia sido apenas injuriado. Jamais, caluniado ou difamado. E, frisou, uma vez afastadas judicialmente as imputações sobre os crimes de calúnia e difamação, que a exceção da verdade deveria ser rejeitada liminarmente. Qual a razão? É que a lei eleitoral só admitia exceção da verdade em casos de calúnia e difamação. Nunca na hipótese de crimes de injúrias, menos grave por ser genérica.
Com a decisão anterior sobre calúnias e injúrias mantida (as difamações foram afastadas), Serra postulou, então, a remessa dos autos ao STF, sem sucesso, pois a jurisprudência não o favorecia.
Na sequência, impetrou um mandado de segurança para se ver livre de decisões judiciais consideradas abusivas e ilegais. O mandado de segurança foi elaborado pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, em substituição a Mário Covas Neto. Uma liminar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) paralisou o processo e determinou, a pedido do deputado Serra, os recolhimentos dos ofícios judiciais, para não haver quebra do segredo bancário e fiscal do deputado Serra.
Depois de muitos anos na posse dos autos do mandado de segurança, o relator Francisco Prado, guindado ao TRE pela classe dos juristas-advogados e mercê de sua larga experiência de vida como ex-prefeito e prefeito de Santos (quando deixou o TRE foi secretário de Covas e Alckmin), lançou decisão, no ano de 1997. O TRE entendeu que o exame do mandado de segurança estava prejudicado, pois os crimes estavam todos prescritos. Arquivou-se o processo iniciado em 1990, por não ter sido julgado no tempo devido.
Pano rápido. Como dizia Mario Quintana, “a Justiça é cega. Isso explica muita coisa”.
Jurista, professor, ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, ex-juiz eleitoral. O texto acima foi publicado na revista CartaCapital.
( Texto publicado no HORA DO POVO, em Agosto de 2009 )

O que Serra fez para abafar denúncia de Bierrenbach

Arquivado em: WordPress — Tags:, — Humberto @ 6:46 pm
Flavio Bierrenbach: Serrra usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente

ACUSAÇÕES NA GELADEIRA
Os caminhos que transformaram em ódio a antiga amizade de José Serra e Flavio Bierrenbach, numa trama que envolve honra e denúncias de corrupção.
Eles foram amigos desde os tempos da universidade. José Serra na Politécnica, em São Paulo, Flavio Flores da Cunha Bierrenbach, na Faculdade de Direito, também em São Paulo. Quando Serra estava em Princeton, na porção norte-americana do seu exílio, Bierrenbach o visitou. Jantaram juntos, na casa de Serra. Quando o hoje pré-candidato do PSDB à sucessão presidencial desembarcou de volta do exílio, a mão do primeiro amigo que apertou no aeroporto de Viracopos, Campinas, foi a de Flavio Bierrenbach. Outros tempos. Desde 1988, ambos não se falam, não se cumprimentam. E um processo, já prescrito, movido por Serra e contestado por Bierrenbach é uma sombra.
Os amigos começaram a se tornar ex-amigos no governo Montoro (1983 a 1987). Serra, o secretário de Planejamento. Bierrenbach, deputado federal pelo mesmo PMDB.
Do que se conhece da porção social, digamos assim, da briga, tratou-se de um excesso de apetite de Serra na ocupação de espaços. A porção política e judicial é bem mais contundente.
As acusações eram pesadas. Ofensivas à dignidade, reputação e ao decoro de qualquer mortal. Bierrenbach as fez num programa eleitoral gratuito, nos dias 28 e 29 de outubro daquele ano. Disse, com todas as letras:
- José Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico… Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente.
Disse ainda Bierrenbach:
- Poucos o conhecem. Engana muita gente. Chama-se José Serra. Fez uma campanha para deputado federal miliardária. Prejudicou a muitos dos seus companheiros.
Na mais branda das imputações feitas a Serra comparou-o a Paulo Maluf:
- Esses homens têm algo em comum. Uma ambição sem limites. Uma sede de poder sem nenhum freio. E pelo poder eles são capazes de tudo.
Procurador do Estado por concurso público, Bierrenbach integrara o seleto grupo de autênticos do MDB, com passagens, antes da Câmara, pela Assembléia de São Paulo.
Bierrenbach não se dedica mais à política partidária. Há dois anos tornou-se membro do Poder Judiciário. Nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, é ministro do Superior Tribunal Militar (STM).
As acusações de Bierrenbach em 1988 foram transmitidas pela televisão. Em horário nobre. Serra disputava a prefeitura de São Paulo. Bierrenbach falou no programa de propaganda do PFL, cujo candidato era João Leiva.
Em razão da contundência de Bierrenbach e como era da democrática regra eleitoral, Serra conseguiu o direito de resposta, com igual tempo e horário na mídia.
Serra foi além. Procurou os tribunais. Alegou ofensa à sua honra. Pelo seu advogado, Mário Covas Neto, pediu a abertura de um processo penal contra Bierrenbach, cuja iniciativa era privativa do Ministério Público.
Sustentou Serra haver sido caluniado, difamado e injuriado por Bierrenbach. Colocou-se como vítima de três crimes eleitorais contra a honra: calúnia, difamação e injúria.
Mostrando intenção de ver o seu ofensor processado pelo Ministério Público da Justiça Eleitoral, conseguiu Serra, junto ao juiz da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, sua aceitação como assistente da acusação. Uma função de auxiliar do Ministério Público.
O entendimento de Serra começou a mudar em face da reação de Bierrenbach. No processo instaurado por calúnia, injúria e difamação, o então réu Bierrenbach pediu espaço para comprovar a verdade das acusações feitas.
Frisou Bierrenbach que eram verdadeiras as afirmações e, por conseqüência, não ofendera a honra de Serra. Apresentou uma peça de defesa que, no mundo jurídico, chama-se exceção da verdade. ( Pede-se a oportunidade para provar a veracidade das acusações. )
A exceção da verdade foi aceita pelo então juiz da 2ª Zona Eleitoral, Wálter Fanganiello Maierovitch, que permitiu a produção de provas pleiteadas por Bierrenbach.
Pretendia o hoje ministro do STM uma investigação financeira, com levantamentos nos gastos, fontes de receita e movimentações financeiras de Serra.
Serra alterou sua tese jurídica. Ressaltou que a acusação do Ministério Público deveria ser mudada. Retificada, pois apenas tinha sido injuriado, não caluniado e difamado.
Outra conseqüência jurídica entrou em jogo. Segundo a lei, não cabe a exceção da verdade na hipótese de injúria. A exceção da verdade só pode ser aceita nos casos de acusações por calúnia e difamação.
Pela ação da defesa de Serra, o opositor Bierrenbach não mais poderia tentar comprovar o que via como verdade em suas afirmações nem realizar uma devassa financeira.
O processo da 2ª Zona Eleitoral mostra que o então juiz Maierovitch manteve sua posição de acolhimento da exceção e destacou que a decisão final caberia ao Supremo Tribunal Federal, pelo foro privilegiado de Serra, que era deputado federal.
Teve início, então, uma nova fase da batalha judiciária, com Serra contratando advogados renomados, como Marcio Thomaz Bastos e Arnaldo Malheiros. Da parte de Bierrenbach, também um advogado de peso e renome, José Roberto Leal.
A defesa de Serra buscou uma liminar em mandado de segurança, junto ao TRE. Para transformar em injúrias os anteriores enquadramentos legais – calúnia e difamação – sob a alegação de erros do juiz e da promotora.
A liminar foi concedida pelo presidente do Tribunal Eleitoral, desembargador Carlos Ortiz, em 18 de maio de 1993. Perduraria até o julgamento do mérito do mandado de segurança e, na prática, interrompeu o andamento da exceção da verdade. O caso Serra-Bierrenbach ficou sem solução. Os alegados crimes prescreveram.
Tempo demais se passou para o TRE apreciar a controvérsia. Aliás, foi impedido de apreciar o tema principal em razão da prescrição.
Procurados por CartaCapital, os funcionários da Justiça Eleitoral não comentaram o atraso. Sugeriram que se pedisse certidão a respeito do tempo que o processo ficou na posse do juiz Francisco Prado de Oliveira Ribeiro, que é o atual secretário de Estado da Habitação do governo de São Paulo. Integra o governo Covas desde julho de 1998.
Prado não era juiz de carreira. Representava, perante o Tribunal, a classe dos advogados-juristas, chegou a ser reconduzido ao cargo para um segundo mandato.
Alguns bombeiros entraram em ação à época. Entre eles, políticos, Almino Afonso. Serra, quando da indicação de Bierrenbach para o STM, não tentou torpedeá-la. Os ex-ministros e amigos de ambos, José Carlos Dias e José Gregori, atuaram nos bastidores.
Serra, 60 anos, Bierrenbach, 62, têm muitos amigos em comum. De quando em quando, em jantares, reuniões, festas nas casas desses amigos, um se depara com o outro. É um momento de constrangimento, relatam próximos dos dois.
Eles não se falam, sequer se cumprimentam. Muito menos tocam, com ninguém, na pá de cal da amizade. Serra, um dia, em meio à tempestade, escreveu uma carta para Bierrenbach. Este escreveu outra carta para Serra. Ambas as cartas, duríssimas. Esse foi o último gesto de ligação entre os ex-amigos.
Bierrenbach, procurado por CartaCapital, apenas confirmou a existência do processo hoje prescrito. E só disse uma frase para publicação:
- A única possibilidade de conversa civilizada que eu tenho com José Serra é o silêncio.
( Fonte: CartaCapital* )

( * ) Enviado pelo sempre atento e mui especial colaborador deste blog JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE, acrescido do comentário que reproduzo: “SERRA DIZ QUE TEM A FICHA LIMPA. E COM RAZÃO: O PROCESSO RELATADO ABAIXO ENCONTRA-SE PRESCRITO! JASSON”

Serra nega conhecer Preto mas posa para uma foto ao lado dele

Serra diz que não conhece um dos principais tocadores de obras de sua gestão

O presidenciável tucano José Serra, embora tenha negado conhecer o ex-diretor de Engenharia da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, aparece ao lado dele em uma foto de outubro do ano passado. Paulo Preto estava no governo de São Paulo desde 2005. Foi o coordenador de obras viárias que eram prioritárias para Serra: Nova Marginal Tietê, Jacu-Pêssego e Rodoanel. Foi ele também que tentou explicar na TV o acidente no Rodoanel em 2009, quando um dos viadutos desabou. Há suspeita de superfaturamento na obra e utilização de materiais de baixa qualidade.
Outra acusação que pesa sobre o “homem-bomba” tucano, segundo definição da revista semanal de ultradireita Veja, é o envolvimento do seu nome na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investigou a empreiteira Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. Embora não tenha sido indiciado, Paulo Preto é citado em uma série de documentos. Um dos papéis indica que o ex-diretor da Dersa teria recebido quatro pagamentos mensais de pouco mais de R$ 400 mil, o que ele nega.
( Publicado no site CORREIO DO BRASIL )

Serra diz que não conhece Paulo Preto, mas Paulo Preto torna público seu voto a José Serra

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 5:54 pm
http://www.serra45.com.br/eu-voto-serra

Eu voto Serra | Serra 45 Presidente do Brasil via kwout

Talvez seja um homônimo ou uma infeliz coincidência. O fato é que um cidadão que se apresenta sob a alcunha de “PAULO PRETO” torna público seu voto a #serramilcaras no próprio site de #serramilcaras. Se for o punguista da Dersa…que papelão, heim, Serra? Dizer que “não conhece” um apoiador de primeira hora, é de partir o coração…Tsk, tsk!
( Tirado do site http://www.serra45.com.br/eu-voto-serra )

De costas, um cidadão identificado por testemunhas como sendo o desconhecido Paulo Preto, junto a Serra, na inauguração de alguma coisa do Roubo, digo, Rodoanel

( Foto reproduzida do site Luis Nassif Online )

O tema Silver is the New Black Blog no WordPress.com.

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