Só o cigarro? Há muito o que proibir, creiam.
Não tenho o menor motivo para simpatizar com os fumantes que serão atingidos pela lei anti-tabaco do José Serra. Mas, dado que me parece uma – perdõe-me, por favor – “cortina de fumaça” para esconder o péssimo governo tucano, então estou com vocês, meus caros bodes expiatórios.
Entrementes, falando em “poluição” e “qualidade de vida”, se tivesse possibilidade de sugerir ao estimado governador, pediria que ele penssse seriamente em combater, sem fraquejar, um outro tipo de poluição que, no meu dicionário, também figura nos verbetes “agressão” e “violência”: a poluição sonora, mais especificamente as provenientes de escapamentos de motos e carros.
Sabemos que é quase impossível um motor ou um construto mecânico funcionar sem emitir ruídos, certo? Mas isso não quer dizer que devamos aceitar as agressões cotidianas que sofremos de indivíduos com problemas de auto-estima. No meu entender, um escapamento “aberto” ou motor “mexido”, que não contribuam com a “performance” do veículo [ isso me leva a outra questão ], são preparados apenas para fazer barulho. Só que, até onde sei, mesmo um entusiasta de automobilismo, por exemplo, sabe reconhecer quando está diante de barulho puro e simples. E, não deve gostar de ficar exposto a isso. Pois então, a questão: por quê alguém abriria um escapamento de moto para que o ruído proveniente seja apenas “mais alto” ou “tenha um nível de decibéis mais alto” que o motor quando sai da fábrica? Qual a finalidade?
Da mesma forma que existe a “comunicação não-verbal” numa conversa ( gestos inconscientes, por exemplo ), deve haver aí, na questão dos motores, uma “mensagem” para os outros, mensagem esta “dita” pelo dono do veículo, na forma de um escapamento barulhento e – por quê não – agressivo?
Não sei se servirá de exemplo: pensem no mundo animal, nas suas maiores e bestiais feras, e pensem em seus rugidos. Qual a função dos gritos, roncos e rugidos neste ambiente? Um som alto adverte os predadores? Um rugido potente avisa as demais espécies que há no pedaço um animal mais forte, maior, mais bestial e todos o outros deverão respeitá-lo e se submeter a ele?
Acho que esse é o princípio da coisa. Estes sujeitos estão nos “avisando” de que chegaram e estão bravos.
Mas isso é problema destes complexados, não nosso. Nosso papel é querer que esse barulho desnecessário desapareça. E o papel das autoridades constituídas é dar um jeito de acabar com isso. Só que essas autoridades sabem que estão lidando com bebês e crianças birrentas disfarçadas de cidadãos eleitores. Assim, não mexerão com os brinquedos destes eleitores, que continuarão perturbando o pacífico cidadão que deseja apenas um pouco mais de sossego ao seus tímpanos, numa cidade muitas vezes desnecessariamente barulhenta.
Eu também seria a favor de pedágios urbanos, não fosse o fato de que a tucanalha usaria a proposta de redução de automóveis em circulação como desculpa para colocar em prática objetivos menos nobres: a implantação de pedágios seria feita pela Prefeitura, mas depois a cobrança seria entregue à iniciativa privada, e haveria, no fim das contas, uma espécie de classe especial de motoristas, com capacidade de pagar os pedágios e bastante espaço para continuarem circulando, em um trecho exclusivo de cidade, dada a eles de bandeja. Portanto, no momento, sou contra.
Para terminar, há uma lei municipal em São Paulo, que data de 1965, proibindo o uso de aparelhos sonoros no interior dos ônibus urbanos. Com o advento do MP3, do celular e do “cada um, cada um”, muita gente desafia abertamente esta proibição, obrigando os demais passageiros a ouvir músicas ( nem sempre ) a contragosto.
Não sei que tipo de “aparelho sonoro” as pessoas poderiam levar consigo dentro de um ônibus, em 1965 ( em casa eu tinha um rádio de válvula, cujo gabinete era de madeira. Era enorme. ), mas parece que a lei tornou-se um ancronismo. E acabou criando uma classe privilegiada, cuja maior característica é a cara-de-pau e o desprezo pelo próximo.
Então, eu podeia sugerir o seguinte: da mesma maneira que o governo estadual recrutou “agentes” que terão a função de fiscalizar os estabelecimentos, para que a lei anti-tabaco seja cumprida, o mesmo deveria ser feito pela municipalidade, destacando agentes que zelariam pelo silêncio nos ônibus. Ou então, a Prefeitura manda para a Câmara Municipal a proposta de extinção da lei proibidora. Assim, qualquer um poderá escutar o som que desejar no busão, sabendo que não estará infringindo nenhuma lei, que não estará obrigando os demais passageiros a escutarem apenas o que ele quiser e, sobretudo, não estará fazendo papel de otário por respeitar uma lei razoável.
A música que eu sempre vou escutar dentro do busão, quando a lei cair, será L.A. Blues, dos STOOGES.
Junho 26, 2009 às 4:19 am
Humberto, sobre o pedágio urbano, também é incrível ver como tucanos raivosos, que babavam quando precisavam pagar migalhas na "taxadolixo" da Marta, agora derretem-se e aceitam, mansos como cordeirinhos, essa cobrança de pedágio, acreditando que resolverá todos os seus problemas (claro, incluindo aí os famosos taxistas-fascistas)… imagina se o pedágio urbano fosse proposto por alguém do PT… é dose. Só aqui em SP, mesmo!
Junho 26, 2009 às 4:19 am
Humberto, sobre o pedágio urbano, também é incrível ver como tucanos raivosos, que babavam quando precisavam pagar migalhas na "taxadolixo" da Marta, agora derretem-se e aceitam, mansos como cordeirinhos, essa cobrança de pedágio, acreditando que resolverá todos os seus problemas (claro, incluindo aí os famosos taxistas-fascistas)… imagina se o pedágio urbano fosse proposto por alguém do PT… é dose. Só aqui em SP, mesmo!
Junho 26, 2009 às 4:19 am
Humberto, sobre o pedágio urbano, também é incrível ver como tucanos raivosos, que babavam quando precisavam pagar migalhas na "taxadolixo" da Marta, agora derretem-se e aceitam, mansos como cordeirinhos, essa cobrança de pedágio, acreditando que resolverá todos os seus problemas (claro, incluindo aí os famosos taxistas-fascistas)… imagina se o pedágio urbano fosse proposto por alguém do PT… é dose. Só aqui em SP, mesmo!