ENCALHE

junho 30, 2009

Jornal brasileiro atropela imprensa mundial e revela, em primeira mão, a CAUSA DA MORTE DO CANTOR MICHAEL JACKSON! EXCLUSIVO!

Filed under: esportes, Futebol, Lance ( jornal ), Michael Jackson, soccer — Humberto @ 1:55 am
Da série “Mas o que isso tem a ver com aquilo?”
Eu estava numa banca de jornais filando o que desse para filar, e veio o assunto de repercussão do momento. A certa altura, discutíamos sobre a possibilidade de o cantor Michael Jackson ter sido vítima de uma ardilosa conspiração cujos mentores seriam José Sarney e o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, com o claro objetivo de desviar as atenções das denúncias que ambos estão sendo alvos.
Aí o jornaleiro começou a folhear o glorioso jornal de esportes, o Lance. E o mundo, mais uma vez, se curva à imprensa brasileira. Observem aquilo que o Lance escreveu na capa da edição de sábado ( 26.06 ), sobre a morte de Michael Jackson:
A MORTE DO PELÉ DO POP
Michael Jackson morre nos EUA após sofrer parada cardíaca, um dia após a histórica classificação americana para a final da Copa das Confederações”

Trata-se, descobriu o jornal, de uma claríssima relação de causa e conseqüência: devido à histórica classificação da seleção americana de futebol à final da Copa das Confederações, o coração do torcedor fanático de soccer Michael Jackson pifou. Não aguentou a emoção! Caput!

Após a classificação ( e não antes ), o cantor faleceu. O advérbio “após”, aqui empregado, denota “consequência”, e não “período de tempo”. Quer dizer, ficou meio ambíguo. Os jornais – os sérios, os “formadores de opinião” – costumam fazer esse tipo de coisa direto. Este exemplo, a meu ver, é bem didático. Por isso, merece o destaque aqui em nosso blog. Uma lição empírica do jornalismo praticado aqui na terrinha.

junho 27, 2009

Jaz São Paulo: Entenda a sua cidade

Talvez eu tenha exagerado nesse título…Bom, agora já foi e não dá mais para apagar.
Alguém aí leu o Relatório do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, referente a 2008?
Eu também não. São 455 páginas!! E cheias de um monte de termos contábeis e legais, estatísticas, números que torna impossível de ser lida por um leigo, como é o caso deste que vos tecla.
Mas, na base da “muita raça e pouca técnica”, dá para tirar algumas informações bacanas. Ali explica-se, por exemplo, de onde vem ( ou “vêm”? ) as receitas do Município, indicando as diversas fontes. Por exemplo, diz o calhamaço:
“O maior destaque cabe ao ISS, cuja evolução superou o crescimento econômico do período, passando de segunda maior arrecadação para a primeira entre as receitas da PMSP. Os recursos do ISS, nos três últimos exercícios, superaram com folga a arrecadação da cota-parte do ICMS. Essa evolução decorreu, além do crescimento econômico, de medidas adotadas pela PMSP para evitar a evasão tributária, como a Nota Fiscal Eletrônica – NF-e e a mudança efetuada na legislação do ISS para evitar que prestadoras de serviços na capital criassem sedes em outras cidades da Grande São Paulo que cobravam menores alíquotas do imposto.”
Entenderam? Indica o relatório que o Imposto Sobre Serviços foi a campeã de receitas da Prefeitura. O que fazer com essa informação? Oras, sei lá. O importante é saber que veio de fonte oficial, e não via jornais. Outras:
- “As receitas realizadas em 2008 concentraram-se em quatro rubricas: ISS, 25,1% do total arrecadado; ICMS, 20,1%; IPTU, 13,1%; e IPVA, 6,7%, a soma das quatro corresponde a 65% do total.”;
- “Em 2008, final do quadriênio da gestão, os gastos da PMSP tiveram um incremento de 20,4% (R$3,8 bilhões), mais que o triplo da inflação do período (5,90% medida pelo IPCA), com destaque para as Secretarias de Saúde, Educação, Encargos Gerais do Município (EGM), Transportes e Serviços.” [ Essa preciosidade aqui, se fosse durante a gestão Marta e caísse nas mãos dos responsáveis pela propaganda dos tucanosdemos que passou esses dias, viraria: "Marta gasta 20% a mais em período eleitoral...Uso da máquina a todo vapor, para enganar o eleitor...etc" ];
- “Verificou-se também que, nas vistorias realizadas pela SPTrans, os índices de reprovação dos veículos são alarmantes, representando sério risco à incolumidade das pessoas. Tendo por base algumas informações obtidas relacionadas às inspeções de veículos realizadas pela SPTrans nas 8 (oito) áreas do subsistema local, evidenciam-se altos índices de reprovação. Os principais itens de reprovação referem-se, principalmente, a: freio; suspensão; eixo e tração. Consideramos gravíssima a conduta temerária da SMT ao prever no edital e no contrato o recolhimento de contribuição previdenciária, deixando de recolhê-la ao longo de 5 anos, sem adotar qualquer providência corretiva, o que pode vir a gerar elevados prejuízos ao Poder Público, tendo em vista a possibilidade de incidir em responsabilidade subsidiária.” [ Essa daqui, se entendi direito, é sobre os ônibus. E não parece nada bom. ].
E por aí vai.
Enfim, colegas, peguem este fim-de-semana frio e chuvoso, e dediquem-se a destrinchar este documento. A cidade se revelará em suas mais intincadas conexões, e a realidade se descortinará diante de vossos olhos.
Tenho dito.

junho 26, 2009

Que nojo foi esse horário político do PSDB no rádio

Filed under: entreguismo, governo FHC, Horário Eleitoral, PSDB/ DEM — Humberto @ 3:40 pm
Acho que eles tiveram apenas três escolhas:
- Vomitar um monte de acusações generalizadas ( “A Saúde tá mal”, “O PAC não existe”, “Os empregos sumiram e não foi marolinha” e, a mais cara-de-pau de todas: “Enquanto o Brasil cresce 1% os outros emergentes cresceram 100000%!!!” – bom, Cuba e Venezuela cresceram bastante, e nem por isso a tucanalha mencionou estes casos );
- Pegar estas acusações e compará-las, ponto por ponto, com o governo do FHC, a fim de provar, definitiva e inapelavemente que os 8 inacabáveis anos do governo tucano foram melhores que estes últimos têm sido;
- Mostrar ao Brasil a maravilhosa gestão do José Serra.
Ressucitaram a mentira de que o Plano Real saiu de suas cabeças iluminadas ( teimam em não dar o crédito devido ao Itamar Franco ) e celebraram os trocentos milhões de celulares vendidos aos brasileiros ( comemorando, portanto, ainda que de forma disfarçada, a privatização da Telebrás, mas bem cuidadosamente, para não dar na cara que eles planejam o mesmo para a Petrobrás ). Também, mas não menos importante, “denunciaram” a “alta carga tributária” do governo Lula, esquecendo-se, deliberadamente, de dizer quem deu o fermento pro monstro assumir a forma e o tamanho que ele tem hoje.
Esqueceram, sobretudo, de celebrar o fato deles terem quebrado o país por 3 vezes, um recorde mundial, um feito tucano. Mas a rapaziada é muito modesta.

junho 25, 2009

Merendagate da Prefeitura de São Paulo: Ilegal, imoral. E escolas estaduais perdem dezenas de funcionários por vencimento de contratos.

“Estudos já comprovaram que esse modelo de terceirização da merenda ( mantido pela Prefeitura ) é ilegal e mais caro [ grifo deste blog ]. O caso será agora decidido na Justiça.”
Sílvio Marques, promotor do Patrimônio Público e Social, citado na coluna “Diário Paulista”, do Diário de São Paulo, 24.06.09
De acordo com a referida coluna, “a Secretaria da Educação alega que é ‘inviável’ produzir a merenda diretamente porque, para isso, seria necessário contratar e treinar 6 mil funcionários de uma hora para outra [ sic ].” Para quem não gosta de contratar funcionário público, o problema não é esse “de uma hora para outra”, mas sim “uma hora vai ter que contratar”.
Prossegue o “Diário Paulista”, resumindo o caso: as 6 empresas que eram responsáveis pelo fornecimento da merenda na cidade são acusadas de fazer um acordo entre si para dividir os lotes do contrato de fonecimento, cujo valor é R$ 250 milhões por ano. O Ministério Público, diz o “Diário”, acusa que 10% dos valores foram pagos a agentes públicos [ grifo deste blog ], a título de propina.
E NO ESTADO?
O jornal de bairro “O Paulistano” ( sempre citado aqui ) traz, na edição desta semana, a seguinte denúncia: na Escola Estadual Annita Atalla – Escola de Tempo Integral, que fica em Vila Prudente ( Zona Leste ), em fins de maio, funcionários não concursados da “área operacional” ( não sei o que vem a ser isso ) tiveram seus contratos vencidos e, com isso, passaram a debandar ( “EE Annita Atalla: faltam funcionários, sobram reclamações”, O Paulistano, edição 187 ). De acordo com a matéria, isso colocou em risco o funcionamento “em tempo integral” da escola: cerca de 380 alunos entram na escola às 7 da matina, saindo às 16 hs; ao longo da jornada, tomam café da manhã, duas merendas e ainda um almoço.
Ocorre que, entre os funcionários que debandaram, havia a merendeira que preparava o rango. Sem aparente solução, o que direção escolar fez?
Simples: começou a pedir, via bilhete [ ou seja: deverá servir como prova documental ], uma “colaboração espontânea” aos pais, no valor de R$ 10, 00, com a finalidade de manter a profissional ali, fazendo o rango da molecada. Alguns pais concederam. A maioria, no entanto, diz o jornal, se põe contra. Os relatos de pais dão a medida da tragédia: além da merendeira, saíram faxineira e inspetor. E o turno da tarde perigaria de acabar, fazendo com que pais “que não têm onde deixar os filhos” fiquem apreensivos.
Outros relatos dão conta de que, entre as sugestões de alternativas apresentadas pela diretoria do colégio, está a de os pais buscarem os filhos para estes almoçarem em casa [ !! ]. Há outra: que os alunos passassem a levar o almoço de casa [ alguém leu o livro "Cazuza", do Viriato Correa? Um garoto levava a lata de comida pro colégio e, na hora do lanche, ia se esconder "para comer", solitariamente. Outros alunos - se lembro bem - ficaram intrigados com o "egoísmo" do garoto e armaram um surpresa pro unha de fome. Na hora H - NHAC! - atacaram o fominha, para ver o que é que tinha de tão especial na marmita, que ele não repartia com ninguém. Descobriram que o garoto levava a lata vazia para a escola, não havia o que comer. É foda... ].
Prosseguindo com os testemunhos: uma das faxineiras está ajudando no preparo das refeições; também foi pedido aos pais que ajudassem na limpeza do estabelecimento. Há um outro testemunho, de alguém que não quis se identificar [ um motorista de transporte escolar ] , muito interessante: a falta de funcionários estaria afetando, também, outras escolas [ !!! ]
OUTRA ESCOLA COM PROBLEMAS
Detonando com a versão largamente divulgada pelo governo do Serra, e devidamente papagaiada pelos jornais simpatizantes tucanos, há o caso de um colégio, o José Pantoja, também na Vila Prudente, cuja falta [ e faltas ] de professores está prejudicando sobremaneira os estudantes. Lembram-se daquela lei das faltas, que tanto se falou, chegam a mostrar números que provariam o “acerto” da lei, que teria diminuído as ausências dos professores? Pois é. Talvez no começo, o professor passasse a frequentar a escola e dar aulas doente mesmo. Só que há limite pra tudo, né? Provavelmente haverá também uma “fuga” de professores da rede estadual. Só que não se enganem: é isso que os tucanalhas querem. Eles querem entregar a Educação à iniciativa privada.

junho 24, 2009

Só o cigarro? Há muito o que proibir, creiam.

Não tenho o menor motivo para simpatizar com os fumantes que serão atingidos pela lei anti-tabaco do José Serra. Mas, dado que me parece uma – perdõe-me, por favor – “cortina de fumaça” para esconder o péssimo governo tucano, então estou com vocês, meus caros bodes expiatórios.
Entrementes, falando em “poluição” e “qualidade de vida”, se tivesse possibilidade de sugerir ao estimado governador, pediria que ele penssse seriamente em combater, sem fraquejar, um outro tipo de poluição que, no meu dicionário, também figura nos verbetes “agressão” e “violência”: a poluição sonora, mais especificamente as provenientes de escapamentos de motos e carros.
Sabemos que é quase impossível um motor ou um construto mecânico funcionar sem emitir ruídos, certo? Mas isso não quer dizer que devamos aceitar as agressões cotidianas que sofremos de indivíduos com problemas de auto-estima. No meu entender, um escapamento “aberto” ou motor “mexido”, que não contribuam com a “performance” do veículo [ isso me leva a outra questão ], são preparados apenas para fazer barulho. Só que, até onde sei, mesmo um entusiasta de automobilismo, por exemplo, sabe reconhecer quando está diante de barulho puro e simples. E, não deve gostar de ficar exposto a isso. Pois então, a questão: por quê alguém abriria um escapamento de moto para que o ruído proveniente seja apenas “mais alto” ou “tenha um nível de decibéis mais alto” que o motor quando sai da fábrica? Qual a finalidade?
Da mesma forma que existe a “comunicação não-verbal” numa conversa ( gestos inconscientes, por exemplo ), deve haver aí, na questão dos motores, uma “mensagem” para os outros, mensagem esta “dita” pelo dono do veículo, na forma de um escapamento barulhento e – por quê não – agressivo?
Não sei se servirá de exemplo: pensem no mundo animal, nas suas maiores e bestiais feras, e pensem em seus rugidos. Qual a função dos gritos, roncos e rugidos neste ambiente? Um som alto adverte os predadores? Um rugido potente avisa as demais espécies que há no pedaço um animal mais forte, maior, mais bestial e todos o outros deverão respeitá-lo e se submeter a ele?
Acho que esse é o princípio da coisa. Estes sujeitos estão nos “avisando” de que chegaram e estão bravos.
Mas isso é problema destes complexados, não nosso. Nosso papel é querer que esse barulho desnecessário desapareça. E o papel das autoridades constituídas é dar um jeito de acabar com isso. Só que essas autoridades sabem que estão lidando com bebês e crianças birrentas disfarçadas de cidadãos eleitores. Assim, não mexerão com os brinquedos destes eleitores, que continuarão perturbando o pacífico cidadão que deseja apenas um pouco mais de sossego ao seus tímpanos, numa cidade muitas vezes desnecessariamente barulhenta.
Eu também seria a favor de pedágios urbanos, não fosse o fato de que a tucanalha usaria a proposta de redução de automóveis em circulação como desculpa para colocar em prática objetivos menos nobres: a implantação de pedágios seria feita pela Prefeitura, mas depois a cobrança seria entregue à iniciativa privada, e haveria, no fim das contas, uma espécie de classe especial de motoristas, com capacidade de pagar os pedágios e bastante espaço para continuarem circulando, em um trecho exclusivo de cidade, dada a eles de bandeja. Portanto, no momento, sou contra.
Para terminar, há uma lei municipal em São Paulo, que data de 1965, proibindo o uso de aparelhos sonoros no interior dos ônibus urbanos. Com o advento do MP3, do celular e do “cada um, cada um”, muita gente desafia abertamente esta proibição, obrigando os demais passageiros a ouvir músicas ( nem sempre ) a contragosto.
Não sei que tipo de “aparelho sonoro” as pessoas poderiam levar consigo dentro de um ônibus, em 1965 ( em casa eu tinha um rádio de válvula, cujo gabinete era de madeira. Era enorme. ), mas parece que a lei tornou-se um ancronismo. E acabou criando uma classe privilegiada, cuja maior característica é a cara-de-pau e o desprezo pelo próximo.
Então, eu podeia sugerir o seguinte: da mesma maneira que o governo estadual recrutou “agentes” que terão a função de fiscalizar os estabelecimentos, para que a lei anti-tabaco seja cumprida, o mesmo deveria ser feito pela municipalidade, destacando agentes que zelariam pelo silêncio nos ônibus. Ou então, a Prefeitura manda para a Câmara Municipal a proposta de extinção da lei proibidora. Assim, qualquer um poderá escutar o som que desejar no busão, sabendo que não estará infringindo nenhuma lei, que não estará obrigando os demais passageiros a escutarem apenas o que ele quiser e, sobretudo, não estará fazendo papel de otário por respeitar uma lei razoável.
A música que eu sempre vou escutar dentro do busão, quando a lei cair, será L.A. Blues, dos STOOGES.

EXCLUSIVO – Como funciona a imprensa brasileira, ilustrado!!! [ ORGANOGRAMA ]

EXCELENTE! Surrupiei devidamente esta jóia do blog “Quanto tempo dura?“. É só clicar em cima.

Minha contribuição para a "CPI da conta de luz": município "estatiza" serviços confiados à AES Eletropaulo, pois a empresa transborda em reclamações

Na verdade, nem é minha, já que são textos copiados ( rsrsrs ). Ops, também não trata, exatamente, da conta de luz residencial, que parece ser o alvo desta CPI. Mas trata-se de assunto correlato, portanto suscita interesse.
Fica a recomendação de sempre: quer saber das consequências das privatizações tucanas que, entre outras coisas, encareceu a energia elétrica e o telefone? Leia “O Brasil Privatizado”, o Aloysio Biondi. E, também, visite o site que homenageia sua obra, “O Brasil de Aloysio Biondi”, onde você encontrará praticamente tudo o que ele escreveu em seus anos de jornalismo.
No texto a seguir, descobriremos que o municípío de Didema ( Grande São Paulo ), municipalizará os serviços outrora entregues à gloriosa [ e privatizada ] AES ELETROPAULO; no texto em seguida, de Aloysio Biondi, o ítem de número dois é o mais importante, e será destacado em vermelho.
MUNICIPALIZAÇÃO
Prefeitura assume serviço executado pela AES Eletropaulo
ABCDMaior
, 17.06.09
Diadema iniciou processo de licitação para realizar manutenção e extensão de iluminação pública
Na tarde desta quarta-feira (17/06), os vereadores de Diadema e representantes da Prefeitura ficaram horas discutindo, a portas fechadas, como cobrar da AES Eletropaulo soluções às reclamações feitas pela população. Porém, no encontro, os secretários municipais, Luiz Carlos Theóphilo (Serviços e Obras) e Airton Germano (Assuntos Jurídicos) informaram que os serviços de manutenção e extensão de iluminação pública serão de responsabilidade da Prefeitura.
A Administração iniciou o processo de licitação e no segundo semestre os serviços serão municipalizados. “A Prefeitura vai licitar todo o sistema de manutenção e extensão da iluminação pública, ou seja, ruas e equipamentos públicos, por exemplo. A empresa que ganhar a concorrência terá de cumprir as regras do município”, explicou Germano.
Atualmente a Eletropaulo é responsável pelos serviços de manutenção e expansão. A Prefeitura paga cerca de R$ 100 mil por mês pelos atendimentos, que de acordo com a Administração são alvos de inúmeras reclamações.
“A Eletropaulo pode concorrer e vencer a licitação, mas terá de respeitar as regras da Prefeitura”, acrescentou o secretário de Assuntos Jurídicos.
Para os munícipes, não terá mudança, pois a Eletropaulo continuará sendo a responsável pelo fornecimento de energia para Diadema. A Prefeitura terá o encargo apenas de fazer a manutenção e extensão de iluminação pública, como, por exemplo, troca de lâmpadas de ruas e avenida, reposição de cabos furtados, entre outros serviços.
A ação da Prefeitura de assumir a manutenção dos serviços não precisa passar pela aprovação dos 17 vereadores. “Os secretários explicaram como será o processo e tenho certeza que vai melhorar muito para população”, opinou o presidente da Câmara, Manoel Eduardo Marinho (PT), o Maninho.
Duas cidades da Região: São Bernardo, desde junho de 2007, e Santo André, a partir de agosto de 2007, são responsáveis pelos serviços de extensão e manutenção da iluminação pública.
A assessoria da Eletropaulo informou que em Diadema o serviço de manutenção de iluminação pública é feito em até dois dias úteis a partir da data de notificação e não tem atrasos. A partir da finalização do processo de licitação, este serviço será de responsabilidade do município.
A Eletropaulo ressaltou ainda que Diadema é a cidade da Região (das atendidas pela Eletropaulo) com maior índice de furto de cabos de iluminação pública. De acordo com a empresa, de janeiro a maio deste ano, mais de 2,7 mil metros de cabos foram furtados. “Atualmente, a Eletropaulo é a responsável pela substituição”, destacou.
O consumidor e os segredos da privatização e outros
03/12/98
ALOYSIO BIONDI
Para conquistar o apoio da opinião pública, o governo FHC acenou com hipotéticas vantagens da privatização: concorrência em substituição ao monopólio estatal e, como conseqüência, preços mais baixos, serviços de qualidade _e fim das “filas” de espera, no caso dos telefones. Por trás desse discurso virtuoso, sempre houve “segredos” ou diretrizes pouco divulgadas para o funcionamento das recém-privatizadas, incluindo-se aí um verdadeiro “cartel”, oficializado pelo governo, para as empresas de energia elétrica. Vale a pena então, neste momento em que o país tem a chance de passar a política de privatização a limpo, dissecar melhor alguns desses pontos, a partir de fatos.
1. Serviço público?
Há coisa de um mês, a associação nacional das empresas imobiliárias especializadas em loteamentos (urbanizados, tipo “jardins”, “alphavilles”) apresentou queixa contra a Companhia Paulista de Força e Luz, privatizada, à Secretaria de Defesa Econômica. Motivo: a CPFL não aceita projetos de redes elétricas de terceiros, escritórios especializados. Quer ela própria fazer os projetos. Os escritórios cobravam R$ 18 mil; a CPFL, R$ 210 mil.
Essa não é a principal acusação contra a CPFL, porém: segundo a entidade queixosa, a empresa somente se dispõe a instalar a rede depois de existir, no loteamento, um certo número de casas já construídas e ocupadas, para assegurar um consumo que garanta rentabilidade. Uma exigência que esbarra na realidade, em que a venda de lotes depende da existência de serviços essenciais. Tudo em nome de maiores lucros, já que a rentabilidade de qualquer empresa é assegurada pela “média” de preços e custos.
2. Serviço público?
A Prefeitura de São Paulo praticamente não instalou rede de iluminação pública na periferia este ano, aplicando menos de 5% da verba prevista. Segundo um secretário da municipalidade, a razão é simples: a Eletropaulo Metropolitana, privatizada, não tem interesse em estender a rede a regiões de população pobre, porque o consumo é baixo e, assim, de baixa lucratividade.( Meses atrás, o então secretário de Energia do governo Covas, Andrea Matarazzo, dizia que, com a “privatização” do setor, era preciso “mudar a cabeça”, entender que o serviço passaria a ser regido por regras empresariais e, portanto, não se poderia esperar que as empresas instalassem redes para servir a populações de baixa renda e baixo consumo, como -atenção – produtores rurais ou moradores de favelas e periferia ).
3. Cartel oficial

Senadores, deputados federais e estaduais aprovaram as leis que norteiam as privatizações. Talvez não tenham se apercebido de um detalhe: o Ministério da Energia, a Eletrobrás, isto é, o governo deixou de traçar a política energética do país, inclusive onde construir usinas, regiões e projetos prioritários etc. Quem passou a mandar? Uma entidade integrada pelas empresas privadas do setor, na qual, pasme-se, o governo tem um único representante… E pasme-se mais ainda: sem direito a voto.
4. Cartel oficial
Essa entidade tem poderes, inclusive, para impedir reduções de preços consideradas “prejudiciais” pelas concorrentes – ou, mesmo, impedir “invasões” de mercado. Há três ou quatro semanas, a entidade se reuniu para discutir a política energética. Segundo entrevistas após a reunião, ela foi um caos, sem que se chegasse a decisão alguma, já que cada empresa tentava defender seus interesses, e não havia uma autoridade maior (o governo) para decidir… E a Aneel, a tal agência do setor, apontada como um órgão para defender o consumidor? Pela lei, ela só cuida de fiscalizar tarifas e prestação de serviços ( neste caso, muito mal, como visto nos episódios acima ).
5. E os telefones?
Na campanha publicitária de apoio à privatização do sistema Telebrás, bateu-se na tecla de que uma agência do governo, a Anatel, fiscalizaria preços, cumprimento de metas de instalação de linhas, qualidade dos serviços. Não se disse, ou se escondeu ao máximo, que o desrespeito somente será punido a partir do ano 2000, isto é, durante todo o segundo semestre de 1998 e 1999 inteiro, as empresas “privatizadas” tratarão o consumidor como bem entenderem. No caso de São Paulo, a espanhola Telefonica, compradora da Telesp, anunciou candidamente que não vai entregar cerca de 400 mil linhas compradas e pagas há 24 meses e que já estouraram o prazo de instalação. A quem os assinantes caloteados vão recorrer? Ao Procon? Ao Idec – Instituto de Defesa do Consumidor, entidade privada respeitadíssima?

Jimmy Carter entra de vez na luta pela paz no Oriente Médio. Mas, no meio do caminho tinha um Israel…

Filed under: Barack Obama, Ezra Nawi, Irã, Israel, Jimmy Carter, Oriente Médio — Humberto @ 1:30 am
Que coisa. Bem no momento em que há aquele quiproquó no Irã, ocupando todo o noticiário sobre o Oriente Médio. Teria uma coisa a ver ( diretamente ) com a outra [ Ver: "Netanyahu: Change in Iran could bring peaceful Israel ties", Reuters, 22.06 ]? Assim, com a onipresença da cobertura do PIG sobre a questão eleitoral iraniana, monopolizando as atenções, fica difícil para o mundo acompanhar a história do ativista israelense Ezra Nawi [ Ver: Help Israeli Human Rights Activist Ezra Nawi ], prestes a ser julgado – no mês de Julho – , sob a acusação de violação da lei e atacar um policial, quando este último estava derrubando uma casa palestina, com um bulldozer, em 2007. Há um vídeo [ Disponível no site "Help Israeli..." ] de 3 minutos no You Tube mostrando a ação israelense da expulsão dos moradores, a derrubada da casa, a resistência – pacífica – do ativista e sua conseqüente prisão. Para quem gosta de vídeos fortes e “símbolos de luta”.
EUA-ORIENTE MÉDIO: Ex-presidente Jimmy Carter se soma à estratégia de Obama
Helena Cobban
Washington, 23/06/2009, (IPS) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a secretária de Estado, Hillary Clinton, e o enviado especial ao Oriente Médio, George Mithcell, trabalham firmemente desde janeiro em sua estratégia para conseguir um completo e sustentável acordo de paz entre árabes e israelenses. E agora contam também com o apoio de uma influente figura: o ex-presidente Jimmy Carter (1977-1981). Como Mithcell, Carter acaba de voltar de uma intensa viagem pelo Oriente Médio. A IPS soube, que o ex-presidente fez uma resenha a funcionários do governo Obama sobre sua visita.
Ao contrário de Mitchell, Carter visitou Gaza, onde viu os grandes danos causados pela última ofensiva israelense em dezembro e janeiro. Reuniu-se com líderes em Gaza, Cisjordânia e Síria, enquanto em Israel se encontrou com o gabinete de segurança e com o destacado líder colono Shaul Coldstein. Oficialmente, a secretária Clinton se manteve notavelmente firme na semana passada na demanda de Israel para que congele a construção de assentamentos nos territórios palestinos ocupados, rechaçando as sugestões de funcionários israelenses de que deveria haver uma exceção para o que consideram “crescimento natural” das colônias.
Na quinta-feira foi divulgada a notícia de que, no final de maio, o governo de Obama enviou uma firme e formal “nota diplomática” a Israel protestando pelo severo cerco que mantém sobre os 1,5 milhão de habitantes de Gaza, exigindo que permitisse a entrada de mais artigos essenciais [ Ver: "U.S. ups pressure on Israel to end Gaza blockade", Haaretz, 22.06 ] . Um jornalista do jornal israelense Haaretz informou que a nota norte-americana pedia a entrada de alimentos, remédios e dinheiro em Gaza, além de material de construção básico necessário com urgência para reconstruir as milhares de casas e outras estruturas destruídas na última guerra.
A campanha de Washington contra novas colônias judias foi sustentada e clara há alguns meses, embora críticos afirmem que o discurso ainda não foi acompanhado por medidas para responsabilizar Israel. Ao acrescentar a situação de Gaza à sua lista de expressas preocupações, a Casa Branca parece, em maio, ter se aproximado de uma grande diferença com o governo de Israel sobre o processo de paz. Um ex-alto funcionário dos Estados Unidos que por muitos anos pressionou por uma ação maior de seu país no Oriente Médio disse à IPS que Obama deveria ter agido mais rápido e avançado ainda mais para vencer o “grande” desafio de um acordo de paz final entre Israel e seus três vizinhos árabes com os quais manteria sérios conflitos: Palestina, Síria e Líbano.
Mas a fonte afirmou que o presidente seguramente achou mais conveniente um enfoque “lento e firme”. “De fato, o bom apoio com que Obama conta em seu país por sua política árabes-israelense parece afirmar-se e até mesmo crescer. Então, talvez sua estratégia esteja funcionando bem, apesar de tudo”, admitiu. Carter também trabalhou incansavelmente durante décadas por uma paz árabe-isralense. Na quarta-feira, o ex-presidente de 84 anos culminou sua extenuante viagem de duas semanas por Líbano, Síria, Israel, Cisjordânia e Gaza. Um dia depois de seu regresso, reuniu-se com funcionários de Washington. Esse encontro marcou a mudança da importância e do status de Carter na era Obama.
As visitas que fez ao Oriente Médio durante o governo de George W. Bush foram apenas toleradas por essa administração, da qual se manteve distante. Em sua última visita ao Líbano, Carter presidiu uma equipe de 60 observadores enviados pelo Centro Carter, que fundou e é presidente, para acompanhar de perto as eleições nesse país na semana passada. Robert Pastor, assessor do Centro, disse à IPS que tanto a missão de observadores como as próprias eleições funcionaram corretamente. “Se todos os partidos aceitam o resultado de uma eleição, isso a faz ser um sucesso”, disse.
Pastor, que organizou e presidiu dezenas de missões de observação em eleições de todo o mundo durante 25 anos com o Centro Carter, disse à IPS que agora está plenamente convencido de que o xiita Hezbola (Partido de Deus) “está mais comprometido com o processo político libanês do que em manter suas hostilidades contra Israel”. Na Síria, Carter e Pastor se reuniram com o presidente Bashar al Assad e com outros funcionários. Pastor afirmou que esses encontros, como os de Mitchell com o presidente sírio pouco depois, ajudaram a identificar s vias para melhorar as danificadas relações entre os dois países. Mas foi nas reuniões que Carter teve em Damasco com o chefe do Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), Khaled Meshaal, e em Gaza com o eleito primeiro-ministro Ismail Haniyyeh, também desse grupo, onde se trataram os temas mais polêmicos de toda sua viagem.
Antes, Carter se reunira com Meshaal em Damasco pelo menos duas vezes. Depois, ele e Pastor encabeçaram uma missão do Centro Carter para supervisionar as eleições parlamentares palestinas na Cisjordânia e em Gaza. Essas foram as primeiras eleições palestinas com participação do Hamas, que como o Hezbola ainda integra a “lista de terrorista” do Departamento de Estado. Todas as equipes de observadores concluíram que as eleições forma livres e justas e que o Hamas vencera. Mas, Israel e o governo Bush se negaram a negociar com o governo eleito. Os israelenses, com forte apoio de Washington, impuseram seu cerco a Gaza. Em abril de 2008, Carter e Pastor serviram de ligação para importantes mensagens entre Hamas e Israel que ajudaram a promover um acordo para um cessar-fogo de seis meses e que entrou em vigor dois meses depois. Se manteve com sucesso até novembro, mas não foi renovado.
IPS/Envolverde*
Helena Cobban é experiente analista e escritora sobre o Oriente Médio. Seu blog é: www.JustWorldNews.org.
(FIN/2009)

"Os platinados e as contradições anti-iranianas", por Miguel do Rosário

Filed under: Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Oriente Médio — Humberto @ 12:19 am
Consigo manter-me distante da estática produzida pelo imprensalão a respeito das eleições no Irã. Além disso, não conheço muito bem a história do país. O que sei não encheria um dedal. O que li, já esqueci. Hoje, tendo um tempinho e um computador disponíveis, achei por bem tentar saber o que os colegas ( não é “coleguinhas”, um vulgo dirigido a jornalistas ) blogueiros estão falando sobre a encrenca. Achei esse aqui, do Miguel do Rosário, postado ainda em 18 de Junho, que considerei bacana. E surrupiei, pois. Farei o seguinte, além disso: ao longo do texto, se eu pensar nalguma coisa, inserirei uns parêntesis ou comentários, esperando não estragar o texto do Miguel…
OS PLATINADOS E AS CONTRADIÇÕES ANTI-IRANIANAS
Miguel do Rosário
Daí que o Globo (e creio que seus primos paulistas enveredam pelo mesmo caminho) mergulhou de cabeça na campanha patrocinada pelo lobby armamentista para demonizar o Irã. Obama terá trabalho pra segurar o chifre desse touro brabo. Até aí eu entendo. Desde sua fundação, o Globo é cupincha servil dos interesses americanos, que os Marinho sempre colocaram muito acima dos interesses nacionais. O engraçado, e infantil, dessa história, é a tentativa de meter o Lula no imbróglio. Na terça ou quarta-feira (dia 16 ou 17 de junho), a primeira página da seção Mundo trazia um manchetão dizendo que o presidente brasileiro apóia Ahmadinejad, o mandatário iraniano reeleito com uma vitória esmagadora nas eleições realizadas semana passada. Manchete mentirosa, como sempre. Lula apenas dissera que as manifestações de rua no país eram choro de derrotados, e que não havia provas de fraude. Ora, é a pura verdade.
Não tenho nenhuma predileção por Ahmadinejad, embora eu confesse que estou quase chegando ao ponto em que tudo que o Globo diz que é bom, eu acho o contrário. Se o Globo é contra o Ahmadinejad, eu sou a favor. Do jeito que a coisa vai, em breve será muito fácil ter uma opinião política: ler o jornal de cabeça pra baixo. Bem, isso é ironia, desculpem-me.
Os platinados voltam à carga hoje. Só por ter feito observações lógicas sobre a necessidade de se respeitar um processo eleitoral, Lula virou o maior apoiador mundial de Ahmadinejad. É sempre assim. Todos os demônios (na opinião do Globo) do mundo são aliados de Lula. Em tudo de mal que acontece no planeta, lá está o dedinho do (ex) barbudo. Daqui a pouco vão dizer que Lula é culpado pela morte daquele jornalista da Folha, assassinado esta semana por Obama durante uma entrevista para a televisão. Vocês viram que espetáculo? Obama matou a mosca! Mas o PIG nacional irá dizer que foi o sapo (ex) barbudo que esticou sua língua, lá do outro lado do mundo, para apanhar o inseto.
Ahmadinejad foi eleito democraticamente em sufrágio universal. Alguém contestou a primeira eleição? Não, né? Ora, um presidente eleito uma vez com enorme vantagem sobre o adversário pode ser eleito uma segunda sobre outro concorrente. Se houve fraude, as instituições iranianas irão dizer. Não é grupinho de Twitter com alguns milhares [ Comentário dest blog: Eu juro que não sabia que há pessoas intimamente conhecedoras destas novas tecnologias no Irã. Muito preconceito de minha parte. É que eu imagino o Irão como sendo uma montanha afegã, inóspita e totalmente policiada por uma polícia político-religiosa. Culpa do imprensalão eu pensar assim. Além disso, visto que a sombra de uma polícia secreta paira sobre a sociedade iraniana, há décadas, como a tal oposição fez para arregimentar pessoas corajosas que se propusessem enfrentar destemidamente um sistema tão totalitario e violento? Na época do Salman Rushdie as coisas eram bem mais difíceis ] de seguidores que decide eleição num país com 70 milhões de pessoas. Um colunista americano, em artigo traduzido e publicado no Globo, disse que o Facebook do adversário do Ahmadinejad já tem 50 mil participantes, e que isso encheria qualquer “mesquita”. Oh, que sociologia profunda! Alguém deveria avisar a este senhor que a comunidade brasileira Leu na Veja, Azar Seu! tem 60 mil participantes, a comunidade Eu Odeio Acordar Cedo tem 3,8 milhões de participantes, e ninguém cogita dar algum valor eleitoral a isso.
Se o adversário de Ahmadinejad não confia nas instituições democráticas iranianas não deveria ter participado do pleito. A sua atitude radical de, desde o início, negar o resultado, me soou extremamente golpista [ NdB : Exatamente. E previamente calculada. ] e antidemocrática. As pesquisas de intenção de voto sempre apontaram o atual presidente como favorito. Por que o espanto em torno do resultado?
A mídia brasileira, em vez de atacar gratuitamente o governo iraniano, deveria procurar informações sobre a metodologia usada nas eleições do Irã, para que pudéssemos ter alguma idéia sobre a veracidade das acusações de fraude [ NdB: O Dave Letterman disse que as urnas sob suspeição foram "devolvidas à Flórida"!! Ahahaha ]. A diferença em favor de Ahmadinejad foi brutal, então a fraude teria que ser brutal. Quando o atual presidente do México ganhou as eleições sobre o candidato de esquerda por uma margem de apenas 1%, e milhares de mexicanos foram às ruas protestar, não vi mídia dar nenhum destaque ao fato [ NdB: Excelente, Miguel, muito bem lembrado! ]. Eu mesmo não vi o protesto mexicano com bons olhos. Protesto de perdedor não vale. Se a sociedade não confia nas instituições democráticas de um país, que vá às ruas antes do pleito, pedindo auditorias independentes e observadores internacionais. Aliás, queria saber isso. Houve observadores internacionais no Irã? A mídia não informa nada. Aqui no Rio, milhares de gabeiristas foram à Cinelândia protestar contra a derrota de seu candidato nas últimas eleições municipais – palhaçada de elite arrogante que não admite perder. Diante do que li sobre a divisão classista iraniana, suspeito de um fenômeno similar [ NdB: Ocorreram distúrbios e até mortes. Ontem, na TV, o apresentador dum telejornal que eu via de relance, falou daquela moça que morreu - dizendo que é uma "imagem símbolo" da luta, ou seja lá o que for. Meio previsível, parece que se buscou isso, uma "imagem símbolo", o resto das "moscas" embarcou. A imagem foi filmada por um celular ( OBS: porra, até iraniano tem celular para uma conveniência dessas; pensei que as pessoas de lá fossem pobres e/ ou proibidas de possuir tecnologias "ocidentais" ). A Associated Press disse, então, que ainda seria impossível apontar autores, devido à limitação imposta à imprensa internacional pelo Irã. Sendo assim, deve haver outros fatos, alguns amplamente divulgados, que talvez ainda não fossem, devido às tais restrições, muito confiáveis. Vamos esperar. ]
Entretanto, o fato do Irã ter aceito fazer a recontagem é um excelente sinal. Caso a vitória seja confirmada, quem irá pedir desculpas ao mal causado à imagem das instituições iranianas e suas autoridades, acusadas de desonestidade?
Ah, morreram seis pessoas durante os protestos. É uma lástima. Mas a polícia de São Paulo mata algumas dezenas de pessoas por semana e a mídia não fala nada. Jovens protestam pacificamente contra a presença da polícia na USP e a mídia os chama de baderneiros. Já os jovens iranianos que protestam, esses são verdadeiros democratas. As imagens da TV e as reportagens informaram que os jovens que protestavam contra os resultados estariam quebrando lojas, bancos e patrimônio público. É uma hipocrisia inacreditável que a mídia agora defenda um tratamento carinhoso a esse tipo de atitude.
Sobre a repressão ao uso de internet no Irã, trata-se de uma agressão terrível à liberdade de expressão, mas essa é uma realidade em dezenas de outros países africanos e asiáticos, cujos governos se consideram desestabilizados por campanhas políticas patrocinadas por interesses externos. O Irã, pelo menos, tem eleições e sufrágio universal, à diferença da Arábia Saudita, do Paquistão e da China. É muito engraçado que a mesma mídia que tanto barulho fez contra a criação do blog da Petrobrás, que calunia sistematicamente a blogosfera brasileira, e que tenta inclusive aprovar leis anti-blogs, converta-se agora em defensora dos blogueiros iranianos. [ NdB: Quem são as "moscas" que incomodam aqui no Brasil? Os blogs que, sempre que farejam o golpismo tucano-demo-midiático, se lançam na tarefa de descortinar as manobras, ou a Folha de Serra, ops, São Paulo e quejandos? ]
Lula está certíssimo em apoiar o processo eleitoral iraniano. É prova de respeito aos Princípios Fundamentais da Constituição Federal brasileira, Artigo 4, Capítulos III e IV, que falam da autodeterminação dos povos e da não-intervenção. É obrigação de qualquer autoridade que se pretenda seguidora dos princípios mais elementares da diplomacia e do direito internacional dar a presunção de inocência e idoneidade ao processo eleitoral iraniano. Se houver fraude comprovada, os mandatários devem protestar, naturalmente, mas cabe às instituições iranianas resolver o caso. Não havendo fraude comprovada, deve-se o respeito à decisão soberana do povo iraniano em reeleger Ahmadinejad.
Enquanto isso, Cora Ronai, em sua coluna de hoje, afirma que, “assim como todos os brasileiros”, sentiu vontade de se enfiar embaixo do sofá [ NdB: Que tal se enfiar na cama, que é lugar quente? ] de tanta vergonha, ao assistir Lula defender as eleições iranianas. Ora, em primeiro lugar, desconheço o fato da população brasileira estar tão interessada no que acontece no Irã; em segundo lugar, Lula tem popularidade de 84% no Brasil, então não tem ninguém com “vergonha dele”; em terceiro lugar, Lula é, junto com Obama, o presidente mais prestigiado do planeta, tendo sido, semana passada, aplaudido de pé por seis vezes seguidas, durante uma convenção de direitos humanos da ONU. Do que eu tenho vergonha, senhora Cora Ronai, é de encontrar textos tão mal escritos como os vossos num jornal tão (infelizmente) lido pela classe média fluminense. Se a senhora tivesse realmente vergonha de alguma coisa, deveria guardá-la para sentir quando entendesse melhor o papel que teve o jornal para o qual a senhora trabalha na preparação do golpe militar que massacrou a democracia brasileira.
[ Já este blog tem vergonha, dentre outros, da classe média paulistana... ]

junho 23, 2009

"Terceiro mandato para Lula", por Jasson de Oliveira Andrade

Aproveitando a enorme popularidade de Lula, a maior da história do Brasil, o deputado federal Jackson Barreto (PMDB-SE) apresentou um projeto, com 176 assinaturas, propondo o terceiro mandato para o presidente, na verdade, além dele, para os governadores e prefeitos (na região seriam beneficiados os prefeitos Carlos Nelson (PSDB), de Mogi Mirim, Toninho Belini (PV), de Itapira, Nelsinho Nicolau (PMDB), de São João da Boa Vista, e Dr. Hélio (PDT), de Campinas. Além de Kassab (DEM) em São Paulo). Os tucanos e os demistas, por motivos óbvios, são radicalmente contra a mudança. Quanto ao PT, partido de Lula, apenas uma minoria aprova o terceiro mandato. A maioria é contra.
A Folha (6/6/2009) deu em manchete: “TERCEIRO MANDATO CHAMA-SE DILMA, AFIRMA ASSESSOR DE LULA”. O jornal se refere à declaração do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmando ainda: “Não é vontade do presidente Lula, não é vontade do partido. O terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff”. O Estadão (12/6) noticiou: “Governadores do PT rejeitam 3º mandato”. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, opinou: “A prioridade é dar continuidade ao projeto político [do governo Lula] com a candidatura da ministra Dilma Rousseff”. O jornalista Gaudêncio Torquato, no artigo “Os dez laços de Lula”, diz que a discussão poderá ser assim: “Se vocês querem mudar o que fizemos, votem na oposição. Se aprovam o que fizemos votem em minha candidata [Dilma]”. Este será, segundo ele, o plebiscito de 2010.
O deputado José Genoino (PT-SP), relator da PEC do terceiro mandato, recomendou o arquivamento da proposta, argumentando que a mesma é inconstitucional por tentar mudar as regras para beneficiar os atuais ocupantes de cargos. Ele disse em seu parecer, elogiado pelos líderes de todos os partidos e também por especialistas (cientistas políticos): “Antes de qualquer outra coisa, a medida proposta agride o senso comum de Justiça e razoabilidade ao pretender aplicar-se aos atuais detentores de mandato eletivo, alterando regras do jogo em andamento no intuito de favorecer determinados resultados”. Se a regra realmente for considerada inconstitucional, a PEC será arquivada. Segundo a jornalista Maria Clara Cabral, da Sucursal da Folha em Brasília, “usando os mesmos argumentos, o deputado [José Genoíno] foi autor de um voto em separado à proposta que, em 1997, permitiu a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso”. Portanto, o deputado petista por São Paulo foi coerente!
Mauricio Dias, em sua apreciada coluna ROSA DOS VENTOS, na Carta Capital, sob o título “O enterro de um factóide”, comentou: “Coube ao deputado José Genoino, um petista histórico, acabar com a conversa que, ultimamente, só interessava à oposição: a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 367/09, com a permissão para duas reeleições continuadas do presidente, dos governadores e dos prefeitos, apresentada por um deputado da base de apoio do governo, virou um factóide da oposição para atacar um suposto apego de Lula ao poder. Para isso foi calculadamente batizada de “PEC do terceiro mandato”. Isso deixava de considerar que ela precisava ser aprovada, que Lula se candidatasse e que, por fim, vencesse a eleição”. Pelo visto, a oposição (PSDB e DEM) já considerava Lula eleito, daí designar a PEC de terceiro mandato de Lula!
Apesar dessas manifestações, Dora Kramer, articulista do Estadão, afirma que, por enquanto, a PEC transita insepulta. Ela diz: “Negativas e gracejos à parte, fato é que emenda da rerreeleição está na pauta do Congresso”. Então, vamos aguardar mais algum tempo.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Junho de 2009

Sempre atrás de alguma moda para seguir, classe média paulistana é porta de entrada da gripe suína no país!

O pequeno post a seguir, surrupiado ao blog do Professor Toni, sintetiza a impressão que tive quando me deparei com as escandalosas manchetes e chamadas nos informando que a doença apocalíptica havia, finalmente, tal como uma “marolinha”, chegado com uma força avassaladora no país: o Pueri Domus, e depois outro colégio que não lembro, cerraram as portas e anteciparam as férias, devido a descoberta de alunos contaminados com o famigerado vírus, contraído em viagem à Argentina. Os dois estabelecimentos são frequentados por criaturas da classe média. Deve haver algum tipo de justiça cármica ou coisa parecida nisso: seria o fim da picada se essa doença surgisse num colégio do Capão Redondo ou outra escola pertencente à “Rede do Apagão Educacional Continuado Tucano”. Sério, meu.
Já que foi com a classe-média, podemos relaxar e gozar. Hahaha! Se fú, meu! ( Eu não tenho alma, podes crer. Hahaha! )

Uma gripe de “classe”
O jornal SPTV noticiou que três colégios suspenderam as aulas por causa de registros da gripe entre seus alunos.
Todos os alunos contrairam a danada em viagem ao exterior.
Logo nenhum desses colégios fica no Capão Redondo.

junho 20, 2009

Propaganda da OSESP e da TV Cultura em desconhecida revista educacional de MG! É o que a Folha chamaria "pulverizar"!

Não me perguntem como eu descolei isso. Afinal, talvez não seja nada demais, não é? Bom, que seja pelo registro.
A revista ( a que tenho em mãos é a edição 2, e custa R$ 5,90; tem uma boa matéria de várias páginas sobre o “bullying”* e uma revelação: a Editora Abril/ Fundação Victor Civita recebeu o “Prêmio Darcy Ribeiro** de Educação” da Câmara dos Deputados, como um dos “destaques na área educacional em 2008″; ), aparentemente voltada ao mesmo público da famigerada “Nova Escola” – da mais ainda famigerada Editora Abril – se chama “Educação sem Segredos”, tem periodicidade semestral e é publicada pela Editora Iemar ( não, também não conhecia… ).
De acordo com o “Expediente” da revista – cuja tiragem anunciada é de 40.000 exemplares -, a editora fica em Contagem, Estado de Minas Gerais.
A distância de São Paulo, e o fato de tratar-se de outro Estado da Federação não impediu que a publicação recebesse publicidade do Governo de São Paulo, na forma de [ veja ] anúncios da TV Cultura ( a agência responsável por esta é a “CfC” Cultura Feita em Casa, e parece ser da própria emissora ) e da OSESP ( neste caso, a agência é a “Cento e Seis” – OBS: O site dá um puta enjôo!! ).
É aquilo que a Folha chamaria “pulverização”, pelo menos quando se trata do governo Federal ( sendo que este teria desculpa para anunciar em todos os Estados, se assim desejasse ).
*é aquilo que eu sofri quando era moleque, mas só que em português
** Darcy Ribeiro foi secretário de Educação do Rio de Janeiro na administração Leonel Brizola. Que ironia: ” ( … ) O relacionamento de Brizola com os demais órgãos de informação do país também nunca foi muito melhor do que o que ele tinha com a Globo. A revista Veja, da editora Abril, por exemplo, insinuou, em uma matéria destituída de qualquer evidência ou provas, o enriquecimento ilícito de Brizola ( … )” ( Tirado de “Um guerreiro contra a manipulação da mídia“, de Luiz Antonio Magalhães, publicado no Observatório da Imprensa, em 2004 ); agora já podem conceder à editora o Prêmio Paulo Freire
BOLA PRETA.
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