abril 30, 2008
"Querido blog: hoje eu comecei minha solitária campanha pelo desperdício total e estúpido de água potável"
Juíz materializa aquilo que muita gente pensa: leitura de livros é castigo opressivo e infernal
Info Online
SÃO PAULO – Para libertar três crackers, juiz do Rio Grande do Norte exige a leitura de clássicos da literatura.
A Justiça Federal do Rio Grande do Norte (2ª vara) decidiu conceder liberdade provisória a três crackers presos no final de 2007 durante uma operação da Polícia Federal.
Os acusados, com idades de 22, 23 e 30 anos, foram presos em agosto de 2007, após a polícia denunciá-los como envolvidos em uma série de roubos de senhas e fraudes eletrônicas.
No dia 17 de abril, o juiz Mário de Azevedo Jambo decidiu acatar pedido de liberdade provisória para os jovens, sob o argumento da defesa de que possuem residência fixa e são acusados de crimes sem violência física.
Para libertá-los, no entanto, o juiz apresentou uma lista com 12 exigências, entre elas que os jovens voltem a estudar, não freqüentem LAN houses ou salas de bate-papo e voltem para casa sempre antes das 20 horas.
Entre as exigências do juiz está a determinação de que os jovens leiam clássicos da literatura brasileira e apresentem resumos, a cada dois meses, à Justiça.
Inicialmente, o juiz mandou os jovens lerem e resumirem as obras Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e Sagarana, de João Guimarães Rosa.
Para evitar que os jovens burlem a regra e apresentem cópias, terão que fazer os resumos de próprio punho.
Mino Carta: entrevista na Revista do Brasil. Política, imprensalão, elite branca e receita de bacalhau
Para Mino Carta, o país tem inúmeras soluções e um único problema: uma elite medieval, diante da qual o presidente Lula amarelou. Aos 74 anos, depois de comandar publicações ousadas e criativas, ele ainda quer escrever um livro chamado “O Brasil”
Por Paulo Donizetti de Souza e Vander Fornazieri Revista do Brasil - Abril de 2008
Mara Lúcia da Silva é coordenadora de produção da Carta Capital. Tinha 18 anos quando começou como secretária na redação da IstoÉ. “Secretária” costuma ser eufemismo para designar a faz-tudo do pedaço. Aos poucos, foi absorvida pelo então diretor de redação da revista, Mino Carta, que nunca mais lhe deu alforria. Vinte anos depois, Mara é a sua “escrava” preferida. É a encarregada, em meio às pesquisas iconográficas para os fechamentos semanais, de contornar o pavor do chefe a tecnologias. Hoje, pelo menos, já conta com ajuda de companheiros de redação para dividir o fardo de passar para o computador os textos que o veterano digita, ou melhor, datilografa, como se dizia antigamente. Até as respostas aos e-mails, acessados e impressos pelos escravos, são feitas a mão pelo chefe e digitalizadas pelos destemidos “escravos”, como Mino chama os intermediários entre ele e a vida real movida a computador – do qual não se aproxima para não ser devorado. Seria um sinal de conservadorismo? Afinal, além da secretária de duas décadas, há 40 anos o mesmo motorista o leva para cima e para baixo – sim, o criador de Quatro Rodas conta que nunca dirigiu nem sabe distinguir um Fusca de um Mercedes.
Enquanto alguns o acusam de ser chapa-branca, ele puxa sem dó as orelhas do presidente Lula, que diz ser um sintoma de que alguma coisa começou a mudar no Brasil, mas de quem guarda uma sincera decepção pela falta de ousadia. “Para que agradar tanto aos banqueiros?”, reclama. Nesta entrevista, que por uma questão de espaço está mais recheada de detalhes no site, Mino Carta fala do preconceito do mercado publicitário contra quem critica o pensamento único. Fala das origens da passividade do povo, da selvageria do capitalismo, de cinema, gastronomia e de amor. Conservador nas miudezas e anárquico no atacado, ele não tenta se explicar, mas será facilmente entendido.
Aqui é o lugar onde você mais gosta de trabalhar de todos os que já passou?
Talvez seja onde a margem de criação é maior. Mas cada coisa se encaixa no seu tempo e à moldura das possibilidades oferecidas. Eu lancei o Jornal da Tarde, foi uma empreitada valiosíssima, mas estava trabalhando no Estadão. A autonomia que tive foi muito grande em termos de criação, paginação, texto, o jornal foi até bastante revolucionário, mas politicamente a margem de manobra era mínima. Você tinha de se adaptar aos pensamentos da casa. Na Veja eu contava com patrões idiotas, e isso ajuda um bocado. Os Civita não sabiam onde estavam, e foi fácil fazer uma revista que mereceu censura, que foi perseguida violentamente.
Você já contou várias vezes a história da sua saída da Veja, em 1976. Isso é algo que o marcou, não?
Certamente, e positivamente. É problema você no Brasil lidar com a mídia, ela não quer saber de quem nada contra a corrente. A mídia está toda compactada nos patrões, em seus sabujos da redação, que giram em torno de uma idéia única. A idéia é reagir a qualquer tipo de ameaça, porque não se aceita a possibilidade de que o sistema possa ser interrompido, posto em risco, em xeque. Espanta o comportamento dos jornalistas brasileiros; não têm noção do que é ser jornalista. O jornalismo decaiu muito.
Por que o jornalismo hoje não se compara com o que se fazia na década de 60, 70…
Ou mesmo antes. Rubem Braga e Joel Silveira cobriram a campanha dos pracinhas na Itália, na Segunda Guerra Mundial, de forma impecável, com textos dignos do melhor jornalismo contemporâneo do mundo. Se você pensa que o jornalismo brasileiro já teve esse tipo de herói, você põe as mãos nos cabelos! Cláudio Abramo…
Perseu Abramo…
Perseu era mais notável não como jornalista, mas como político, como intelectual, que transmitia integridade, sem dúvida. Era sobrinho do Cláudio, embora a diferença de idade não fosse assim tão grande (seis anos), e filho do Athos, o segundo da estirpe (Lívio, Athos, Fúlvio, Lélia, Beatriz, Mário e Cláudio). O primeiro era o Lívio, grande gravurista, artista extraordinário. Entre o Lívio e o Cláudio tinha 20 anos de diferença. O Athos era o segundo. Com a Lélia eu trabalhei. Meu pai arranjou um emprego para ela. Ótima atriz, muito talentosa. Quando voltou da Itália, já era quarentona, trabalhou numa companhia amadora de teatro. Fez de tudo, teatro, cinema, e era engajadíssima.
Dessa geração que você viu, com a qual trabalhou, conviveu esses anos todos, quem você destacaria?
Ah, tem muitos. Eu não gostaria de cometer injustiças. Quando eu voltei da Itália, em 1960, fui lançar a Quatro Rodas – sem saber dirigir, até hoje não sei, e não distingo um Volkswagen de um Mercedes. Tive ali repórteres extraordinários. Trabalhei com Zé Hamilton Ribeiro e Paulo Patarra, depois veio o Sérgio de Souza. O Hamilton Almeida, que foi um excelente repórter, Tão Gomes Pinto. Estive em contato com gente de altíssima qualidade, jornalistas como hoje não se fazem mais.
E o Reali Jr.
O Reali é ótimo, é um grande sujeito. Eu acho que ele vai escrever coisa para a Carta Capital agora, de Paris. Já estamos engatilhando algo para que o Reali escreva pra gente. Meu pai era amigo do pai dele, é uma coisa muito, muito antiga.
Recentemente houve dois importantes “não-acontecimentos”: a batalha de Luis Nassif com a Veja e a saída de Paulo Henrique Amorim do IG. Como vê esses dois episódios?
Isso se encaixa exatamente na lógica do que eu disse. No Brasil você tem uma situação muito peculiar, que não existe em outros lugares que já saíram da Idade Média. Uma mídia compactamente unida apenas em torno da defesa dos interesses piores, aqueles da minoria branca, para usar a expressão do Cláudio Lembo. É muito simples: quem de alguma forma põe em xeque, critica a minoria branca e identifica esses interesses, que são os dela apenas, e não os do país, da sociedade brasileira, do povo brasileiro, quem faz isso é ignorado. E a técnica é a de sempre, antiqüíssima, usada inescapavelmente em todas as situações: “Ignore, porque aí não acontece, ninguém vai saber”. A estratégia, do ponto de vista deles, é extremamente eficaz. Saiu nesses dias um estudo em que você verifica que 58% da população brasileira não lê jornal, não lê livro, não vai ao cinema, não vai ao teatro. Alimenta-se só de TV, quem se alimenta. Há um distanciamento brutal em relação às notícias, à existência de fatos. Isso é muito claro no Brasil. E eles se aproveitam disso.
O que nasceu primeiro: a indiferença do povo ou a péssima qualidade da mídia?
Nada acontece por acaso e certas situações são inescapáveis. O povo brasileiro é um povo que traz no lombo a herança do chicote e da escravidão. Que seja um povo paciente, resignado, é indiscutível. É um povo que vive no limbo, isso não é nem o inferno, nem o purgatório. O Brasil sofreu desgraças terríveis. Foi uma terra predada como colônia, antes pelos portugueses, depois pelos ingleses, depois submetida ao superpoder americano. Essa foi a primeira desgraça. A segunda foi a escravidão, pela qual pagamos até hoje. E a terceira o golpe de 1964, o golpe da minoria branca. Hoje me surpreende a mídia falar em ditadura; antes falavam em revolução. Agora falam em ditadura, mas acrescentam “militar”. Isso me deixa num estado de profunda irritação: os militares foram os gendarmes que executaram o serviço sujo dos seus patrões brancos. Quem fez esse golpe senão a mesma mídia que agora decidiu mudar o nome de “revolução” para “ditadura militar”? Neste país, onde é muito fácil manipular a opinião pública, a chamada classe média estava convencida de que o golpe era absolutamente indispensável porque havia a “marcha da subversão” que batia às portas. Vocês viram a marcha da subversão? Eu espero até hoje… O golpe deu-se em uma hora, sem que fosse derramada uma única e escassa gota de sangue nas calçadas. Que golpe é esse? Era assim: amanhã tem o golpe. Vamos programar para amanhã porque é um dia bom, parece que vai ter sol.
Que arma a sociedade tem para enfrentar uma elite golpista?
Eu não tenho muitas esperanças em relação ao Brasil, infelizmente. E vocês vejam: país extraordinário, recursos absolutamente fantásticos, mais fértil do mundo, muito mais que a China. Onde você plantar, dizia o Pero Vaz de Caminha e é verdade, a coisa dá. Não tem cataclismo, o subsolo é rico em minérios, metade do ferro do mundo está aqui, agora descobrimos também petróleo onde não imaginávamos que houvesse. E temos a pior elite do mundo! A elite (desculpe a referência chula e mesquinha, talvez) da Daslu, de exibicionistas, cafajestes, cheios de si próprios, se acham notabilíssimos, inteligentes, elegantes, brilhantes. É um bando! É o país onde se fala mais palavrões na rua, desbocado, vulgar. Eu não tendo a enxergar o pecado no povo, o povo é o que pode ser. Os que mandam são os que não fizeram esforço algum para ser diferentes, para pensar em todo mundo, em vez de pensar somente neles próprios.
Mas o povo não tem uma responsabilidade por não reagir a isso?
Aí é que está. O golpe de 1964 é uma desgraça porque interrompe um processo, que não se realizaria no dia seguinte. Ia se realizar no espaço de 10 ou 15 anos, paulatinamente. Surgiria inevitavelmente aquilo que foi bucha de canhão dos grandes partidos de esquerda europeus: um operariado mais consciente. Os operários que não queriam ser operários, queriam ser burgueses. Hoje efetivamente a questão esquerda e direita tem de ser dimensionada de forma diferente, mas não no Brasil, ao contrário do que supõe o senhor Gabeira. Eu nasci na Itália, ela não vive um momento excelente – eu diria muito ao contrário –, mas apesar disso a Itália que saiu da guerra em escombros, muito atrasada, conseguiu superar-se graças ao Partido Comunista Italiano, que foi um grande partido, graças à presença de um proletariado que começou a ter consciência de sua força, e cuja força era de pretender ser burgueses. Eles eram proletários, mas queriam ser burgueses. Esse sonho todo de uma certa esquerda de que o operário adora ser operário é uma bobagem inominável. Isso encanta porque normalmente é uma esquerda mais ou menos intelectual, que gosta da companhia do operário porque depois diz: “Olha aí como eu sou generoso”. Não tem nada disso: o operário é ótima bucha de canhão. Eles querem ser burgueses. Na Itália, sindicatos fortes faziam greves gerais de um dia para o outro, paravam tudo. A elite brasileira que viajava para a Europa ficava desesperada, descia do avião e não tinha carregador para as malas; desciam dos trens e cadê os carregadores? Se queixavam muito. A greve parava mesmo, não tinha trem, você ficava preso em um lugar, tinha programado uma visita no dia seguinte e não podia viajar. Era muito triste.
E a imprensa noticiava isso?
A imprensa não funcionava se a greve envolvesse a categoria dos jornalistas, não funcionava e havia uma parte conspícua da imprensa que apoiava os trabalhadores. O jornal de maior tiragem na Europa era o L’Unità, do partido comunista. Estou falando dos anos 50. Havia três edições do L’Unità, em Roma, em Milão e em Turim, cada uma com sua redação. Hoje seria possível fazer um jornal só e mandar para qualquer lugar, mas nesse tempo não. Eram três redações distintas que tiravam 1,5 milhão exemplares por dia juntas. Portanto, era uma outra coisa.
O capitalismo brasileiro, depois dos estragos da passividade colonial, da escravidão e do autoritarismo na formação do país, não aprendeu com esses erros?
Não amadureceu a ponto de querer construir um país menos concentrador?Acho que eles estão pensando como sempre. Embora possa haver alguns sintomas de mudanças em cantos afastados das metrópoles. Rondonópolis (MT), me dizem que é um exemplo de lugar muito álacre e muito bem-sucedido, que avança à revelia dos padrões do Brasil que aparece mais. Eu acredito que possa acontecer uma espécie de revolução, não política, mas de hábitos relacionados inclusive com a produção na periferia do Brasil. Isso é possível e seria bom.
Mas os grandes centros ainda determinam os rumos do país, não?
Não sei. Sou bastante decepcionado com o governo Lula de vários pontos de vista, mas a eleição do Lula – e, muito mais que ela, a reeleição – mostra que uma mudança se dá. Talvez sem clara percepção por parte da maioria, mas os senhores do poder sabem perfeitamente da gravidade dessa mudança para eles. Tanto que malham o Lula automaticamente – não que ele não mereça, até porque ele faz tudo para agradá-los, sem conseguir, aliás. Mas eles sabem o significado da eleição de alguém que é igual ao povo brasileiro. Essa é a grande novidade. O povo brasileiro, que achava que o presidente da República tinha de ser bacharel e dormir de gravata, de súbito decide eleger um igual a ele, um operário, um tosco, despreparado, como diz a minoria branca. O Lula, a meu ver, não entendeu. Se tivesse entendido, teria ido bem mais longe do que foi. Por que agradar tanto aos banqueiros?
O que lhe desagrada mais?
Tem duas coisas que para mim têm importância e são positivas. Uma, muito claramente, é a política exterior. A segunda, a verificar os efeitos em longo prazo, é a expansão do crédito, que a meu ver é mais importante que o Bolsa Família, que é melancólico. Não porque eu ache que é uma medida assistencial, uma espécie de esmola. Não. É porque é triste. Um povo que se contenta com 50 paus a mais é porque realmente estamos mal. Agora, continuamos a ser exportadores de commodities.
Há quem diga que se Lula não tivesse cumprido os compromissos assumidos na Carta aos Brasileiros teria caído.
Eu duvido. Quem dá o golpe se o povo elegeu e reelegeu esse cara da forma como o elegeu e, sobretudo, como o reelegeu? A mídia compactamente contra ele, todo dia soltando informações sobre corrupção, envolvimentos terríveis com o que há de pior etc. etc., e assim mesmo ele foi reeleito. Quer dizer, a estratégia da minoria branca, que normalmente dá certo, desta vez falhou. Não acho que havia condições para nenhum tipo de golpe. Os grandes estadistas têm coragem. Claro, se ele me ouvisse dizer essas coisas, diria: “Ah, o Mino é um iludido, um anárquico”. Conheço o Lula há 30 anos, sei o que ele pensa. Em inúmeras vezes percebi que ele me achava incômodo. Sou amigo dele e gosto muito dele, o acho um sujeito extremamente dotado, além de tudo tem um QI muito bom. Mas falta peito, falta coragem.
Não acha que agora, no segundo mandato, ele está participando mais da política e sendo um pouco mais claro nas questões ideológicas?
Acho que o segundo mandato está pior que o primeiro. Fiz uma longuíssima entrevista com ele – 13 páginas – em novembro de 2005 e ele me disse: “Você sabe, Mino, que eu nunca fui de esquerda…” É um erro grotesco dos países de hoje, contemporâneos, dizer que a esquerda e a direta não existem mais. Como, se num país onde 5% vivem entre razoavelmente e bem demais e 95% vivem mal ou tragicamente? Como é possível dizer “aqui não existe esquerda e direita”? Tem uma metáfora magnífica que é a do metrô paulistano: se São Paulo tivesse um metrô digno de uma grande capital, como Londres, Paris, você teria muito menos carros na rua. O metrô é um transporte fantástico. Não! Eles cuidaram de construir túneis. Agora tem a ponte Espraiada e uma prefeita do PT chamou aquilo de Conjunto Viário Roberto Marinho, um salteador que infelicitou o Brasil, uma vergonha mundial, “jornalista”… Este é o único país que eu conheço onde jornalista chama o patrão de colega e o patrão consegue com o sindicato uma carteirinha de jornalista. Isso é Idade Média. Uma vergonha! Aqui temos diretores de redação por direito divino.
E como o país caminha para 2010?
Mal. Acho que se o Lula não se convencer de que não consegue fazer seu candidato, que não tem chance, que ele não transfere seu prestígio pessoal – e o Aécio já está dizendo isso –, ele vai optar por essa solução (mostra capa da Carta Capital de 2/4/2008, com reportagem abordando a possibilidade de Aécio Neves sair para presidente com Ciro Gomes de vice). E essa dupla (Aécio e Ciro) vai fazer as mesmas coisas que estão sendo feitas agora. Não imagine mudanças.
Como você vê o PT nessa história?
Há no horizonte claramente esboçada uma crise do PSDB, mas há também uma crise do PT, que no fundo já está em andamento. Já houve uma primeira fratura e haverá inevitavelmente outra. Eu sei que o Luiz Dulci (ministro da Secretaria-Geral da Presidência e liderança do PT de MG) não concorda com essa aliança mineira (do PT e do PSDB em torno do candidato do PSB à Prefeitura de BH). O Lula está feliz da vida com essa pax mineira. Há dentro do PT quem perceba que o partido está sendo de alguma forma diminuído, está perdendo peso, prestígio e importância.
Mas você vê um futuro com o Lula rompido com o PT?
Não posso crer. Acho que os partidos brasileiros não existem, são clubes recreativos para a minoria branca. Mas eu cheguei a achar que o PT tinha algo diferente. Nunca fui ligado a partido, mas apoiei muito o PT no seu nascimento, dentro das minhas modestíssimas possibilidades, porque sempre entendi que um partido forte de esquerda no Brasil, com coragem e determinação, poderia ter um papel muito importante. Mas o PT, em última análise, no poder, mostrou-se igual aos outros. É claro, o Brasil está crescendo no momento, mas está crescendo em cima de commodities, vamos ser claros! Isso é um futuro maravilhoso? Eu diria que não.
O que o governo deveria fazer para mudar isso?
É uma questão mundial. O deus-mercado é o pior dos deuses que o homem já conseguiu inventar. É uma desgraça. As bolsas do mundo – aliás, o Brasil cogita criar a terceira maior – são cassinos. Privilegiou-se a produção de dinheiro, em lugar da produção de bens. E eu me pergunto: isso leva a quê? O Brasil está nessa.
Tem alguém no mundo que não esteja?
Não, acho que o mundo está submetido a essa idéia. E estamos vendo que o mundo piora a cada dia. Temos por exemplo a “arte moderna”, uma prova da imbecilidade do mundo.
O Caio Túlio o procurou quando você deixou o IG em solidariedade a Paulo Henrique Amorim?
No próprio dia em que o Paulo Henrique caiu fora ele ( Caio Túlio Costa, diretor do IG ) ligou um monte de vezes, e eu acabei falando com ele à noite. Ele queria colocá-lo dentro de um fato consumado, deu as razões dele ( por tirar Amorim do IG sem prévio aviso, meses antes de terminar o contrato ). “Eu não quero perder você, pelo amor de Deus”. Aí a questão é de princípios. Eu não tenho dúvidas que o Caio Túlio agiu porque foi autorizado a tanto.
Você costuma navegar pelos blogs ou não se rendeu ao computador?
Não, tenho medo de computador. Computador me engole, ele tem uma bocarra que esconde os dentes, é coisa pior que tubarão. Se chegar muito perto, ele me engole. Já engoliu um monte de gente, principalmente a garotada, que vai pagar caro por isso.
Mas como você faz para responder aos seus leitores?
Tem aí uns escravos (risos, apontando para a redação).
Você compartilha da opinião de Paulo Henrique de que a internet como meio de comunicação é o “must”?
Eu diria que o instrumento é uma coisa e o homem que usa é outra. É como a televisão. Não é um instrumento fantástico? Você pode usá-la com os piores propósitos ou com os melhores. Idem a internet.
Paulo Henrique define a internet como o último reduto do jornalismo independente, pois o meio impresso, o rádio e a TV já estão dominados.
Isso no Brasil, nas nossas circunstâncias. Certamente não é na Europa. No Brasil é inevitável que ela também seja controlada, está sendo, o Brasil é medieval. A Europa não me parece que seja assim. Não que a internet não tenha uma razão de ser também lá. Mas se você pensar na mídia européia, por mais que existam lá os murdoch e os berlusconi, há uma diversidade muito grande. De alguma maneira, todas as tendências possíveis estão representadas na mídia. Na Itália tem um jornal extraordinário, o Il Manifesto, com paginação brilhantíssima, e de esquerda razoavelmente radical, não brinca em serviço.
De que jornais você gosta?
Il Manifesto é excelente. Não gosto muito do El País, aos espanhóis falta senso de humor, eles levam tudo muito a sério. A mídia americana já foi excelente, hoje está muito mal, como os Estados Unidos. La República é um jornal muito bom, muito melhor que o El País. Guardian, Independent são excelentes, de centro-esquerda, não de esquerda, mas muito bons. O Le Monde acabou, hoje é um jornal claramente comprometido. Já foi importante, até pela tentativa de criar ali uma cooperativa de jornalistas, de passar por cima e eliminar a figura do patrão. Infelizmente, e isso é cada vez mais claro, qualquer empreendimento editorial tem de ser encarado como negócio. Precisa ter retorno, senão você fecha.
Esse seu posicionamento em relação à elite branca gera algum problema comercial, de captação de publicidade para sua revista?
Gera. Tem muito publicitário que se submete à manipulação da Globo, da Veja, que repete as frases feitas da moda. É uma categoria muito alcançada por esse tipo de estratégia da minoria branca. Ela própria pertence à minoria branca. Ali tem um monte de gente que descobriu o vinho faz alguns meses e toma vinho nos restaurantes, e o ficam girando no copo e olhando e tal, e tem gravatas amarelas dessa largura, que são um símbolo dessa gente que está por dentro.
Você não tem gravata amarela?
Em princípio, não tenho nada contra, depende de como você a usa. Num tom não muito agressivo, usada com um paletó de tweed irlandês, por exemplo, eu diria até uma gravata de lã, é aceitável. Mas eles usam com terno azul marinho! (risos)
O que o anima? Cozinhar?
Sim, claro, cozinhar, comer.
Você come aqui no seu vizinho, o Massimo?
Nas noite de quinta, mas vai mal o Massimo. Houve uma briga entre os dois irmãos. Morreu a mãe, que era o tecido conectivo, e desandou. O Massimo propriamente dito já saiu, está aí o irmão. Mas não está indo bem.
Onde se come bem em São Paulo?
Dizem que é uma capital gastronômica do mundo… Mas come-se muito mal. É possível que aqui se possa comer comida japonesa muito bem – acho uma comida muito bonita, bem apresentada, uma arte, mas a comida em si, confesso, não me diz nada. Comida árabe eu acho muito saborosa, eu acho um quibe cru ótimo, uma abobrinha recheada ótima, é uma comida agradável, mas acredito que aqui a comida árabe no sentido completo da palavra não existe, porque sei de árabes que comem de uma forma bem mais criativa e com um cardápio muito mais amplo. A comida italiana em São Paulo é uma piada, dá para rolar de dar risada. A francesa também. Eu gosto de comer no Rufino porque tem um peixe muito fresco que eles fazem no vapor, temperam com azeite limão e sal, e está perfeito. Tem um restaurante engraçado, o La Frontera, do lado leste do cemitério da Consolação. De lá, eu olho para o canto onde está o Cláudio Abramo e isso facilita a minha digestão. É um restaurante engraçado, espirituoso, ambiente legal.
Você deu uma boa receita de bacalhau no blog.
Aquele bacalhau é um bacalhau à siciliana, não é único. Eu entendo que há três pratos de bacalhau que são imbatíveis. À portuguesa clássico, com legumes cozidos na água com bastante azeite, e o próprio bacalhau cozido na água com azeite, no fogo lento, por oito minutos mais ou menos, com dentes de alho que depois você retira, ovo duro, azeitona preta. Você sente o bacalhau, não é encoberto por molho ou coisa assim. Depois tem o bacalhau à espanhola, aquele em camadas: batatas, cebolas, pimentão, tomate, bacalhau. É excelente. E o outro é esse à siciliana, que faço com molho de tomate.
Você vai ao cinema, teatro?
Ao cinema eu não vou muitíssimo, mas vou. Infelizmente, São Paulo não recebe todos os filmes que eu gostaria de ver, mas recebe alguns, como esse filme dos irmãos Cohen (Onde os Fracos Não Têm Vez), extraordinário. Gostei desse Oscar. O Sangue Negro, eu gostei menos, está clara a metáfora do capitalismo e eu acho que essa idéia está perfeita, mas a realização e a interpretação do ator, que é endeusado, esse Daniel Day-Lewis, eu não gostei. E a culpa nem é dele, é do roteiro, você não entende direito o que é aquele cara. Aí você diz “é um louco”, e no que um louco representa o capitalismo? O capitalismo é outra coisa, tem de ser um cara muito esperto, muito egoísta, muito violento.
Você viu Jogos do Poder, em que Tom Hanks faz o papel de um deputado republicano que abasteceu a guerra do Afeganistão?
Um grande filme com o Tom Hanks é o Forrest Gump, que é uma metáfora dos Estados Unidos muito boa. (Sobre os Estados Unidos na guerra) assisti no último fim de semana em CVD, CDV…
DVD!
(Risos) Vê como eu sou tecnológico? Aliás, alguém tem de colocar o disco para mim, porque até agora eu não entendi como vai… Assisti ao No Vale das Sombras, com uma interpretação magistral de um ator chamado Tommy Lee Jones, que está no filme dos irmãos Cohen. É história de um marine cujo filho é chamado para a guerra no Iraque. É um bom filme, um pouco lento para o meu gosto também, mas a figura é perfeita, ao contrário do Sangue Negro, que não me entusiasmou. Gostei muito dos dois filmes do Clint Eastwood. Mas os dois são um pouco compridos. No que descreve o lado japonês (Cartas de Iwo Jima), à certa altura eu começo a sentir os glúteos em estado de letargia. Aí é ruim. O do lado americano (A Conquista da Honra) eu achei mais fácil de ver, e o outro, mais bonito. Mas o mais bonito nem sempre é o que você prefere, porque acontece que os glúteos se manifestam.
Falando em glúteos que se manifestam, você pensa em se aposentar?
Não, não tenho idade.
Depois de Quatro Rodas, Jornal da Tarde, Veja, IstoÉ, Jornal da República, Carta Capital, qual é a próxima cartada?
Não, não tem próxima. Eu estou pensando em escrever um livro, o terceiro, que seria “O Brasil”, falando do Brasil, o que é o Brasil para mim. Mas não escrevi nada ainda.
Quem vai passar para o computador?
A Mara.
A Mara é sua escrava?
É uma das.
E quem conserta a máquina?
A Mara chama o técnico. Às vezes encavala a fita.
Ainda se faz fita para máquina de escrever?
Faz, acho que estão pensando em mim. É uma regalia. Eu tenho uma Olivetti Lettera 32 em casa e esta (Linea 88) aqui no escritório. Não me largam.
Nós ainda pegamos essa fase da máquina de escrever, pegamos a transição.
Você é muito novo.
Tenho 43.
É surpreendente. O meu filho (Gianni) tem 44.
Você tem mais filhos.
Tenho também uma filha (Manuela) e um enteado. Casei duas vezes. O primeiro casamento foi um episódio discutível, mas produziu dois filhos, e tem uma grande ligação entre nós. Depois tive um segundo casamento, muito bem-sucedido, muito feliz. Foram 29 anos de vida em comum. Infelizmente ela (Angélica) morreu, faz 11 anos, de câncer. Foi um baque. Era um casamento muito bom, mesmo. Eu tive, de certa forma, essa sorte e também padeci dessa desgraça. A sorte confrontada com esse momento é um golpe. Até hoje tomo todo dia remédio para estabilizar os humores. Eu sempre tive uma saúde de ferro. Nunca tinha tomado nem remédio para dormir, e durmo pouquíssimo. Aí eu comecei a querer me atirar pela janela. Faz 11 anos que eu tomo esse remédio.
Você chegou a parar de trabalhar?
Ela, durante anos, sempre venceu as paradas muito bem. Você olhava para ela e dizia “ela está ótima, não tem doença alguma”. Mas a partir de setembro de 1996 a coisa começou a ficar muito feia e eu me dediquei muito a ela (muito emocionado). Ela foi a melhor pessoa que eu conheci na vida. Além de ser a mulher que me despertava, era certamente a pessoa mais importante.
Seus filhos são casados?
Minha filha é divorciada, meu filho é muito bem casado, mas ele é um rapaz esperto, casou-se com 36 anos. Os dois são jornalistas. O meu enteado é casado e o filho dele do primeiro casamento, que está completando 16 anos, vive comigo. Era muito ligado à avó. A casa dele, para ele, é a nossa casa. Meu filho mora fora do Brasil desde os 15 anos. A minha filha é publisher disso aqui, é a única da família que lida com dinheiro. Eu me mantenho o mais possível longe, porque posso causar estragos absolutamente inimagináveis.
Onde você economiza?
Economizo na idéia de que é melhor você ter uma equipe pequena e bem paga – isso é muito claro para mim desde que saí da Veja, porque a partir daí tive de inventar outros empregos. Isso, além de tudo, cria uma afinação entre as pessoas, um entendimento, uma harmonia e um ambiente muito produtivo.
Você poderia posar para umas fotos?
Mas como? Eu sou um velho ridículo… Onde você quer?
Conheçam a revista Retrato do Brasil.
vi o comentário em seu blog sobre a edição da revista Retrato do Brasil. Tomei a liberdade de lhe escrever pois faço parte da equipe que produz a publicação e gostaria de poder lhe enviar nossas futuras edições. A distribuição tem se dado de forma inteiramente gratuita. Pediria a gentileza de que, caso fosse de seu interesse, me enviasse o endereço para o qual possa remeter tais exemplares. Caso conheça pessoas interessadas na publicação, que possa nos indicar, agradeceria. Estamos tentanto ampliar a circulação de nossa publicação, uma vez que essa é, talvez, a maior dificuldade da imprensa independente. Agradecemos o apoio. Parabéns pelo excelente blog.
Falta trigo? Milho? Vejam o que o mestre Aloysio Biondi dizia, há DEZ anos, sobre a destruição que FHC causou a nossa agricultura!
Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 16 de abril de 1998
O Brasil já chegou a produzir todo o trigo que consumia, algo como 6 milhões de toneladas por ano, na época. Neste ano, vai colher pouco mais de 2 milhões. Produzia 11 milhões de toneladas de arroz. Agora, recua para 9,5 milhões. Foi um dos maiores exportadores mundiais de algodão. Os produtores locais, inclusive do Nordeste, foram arrasados por importações; a área plantada caiu até 75%, isto é, três quartos das terras foram abandonadas.
Exemplos como esses, do “massacre” da agricultura brasileira nos últimos anos, pela equipe FHC, são infindáveis. Por que a produção de trigo vai recuar novamente neste ano?
Pasme-se: para um consumo de 8 milhões de toneladas, o Brasil importou 6 milhões em 1997 – e agora, época do plantio da nova safra, os produtores brasileiros estão com 1 milhão de toneladas da colheita passada “encalhadas”. De onde vêm as importações? Da Argentina, basicamente. Por quê? Porque o governo argentino garante empréstimos, para os produtores exportarem, com prazo de pagamento de 400 dias (um ano e um mês), a juros de 8% ao ano. Logicamente, os moinhos preferem importar, já que aqui dentro só obtêm empréstimos de curtíssimo prazo, nos bancos – a juros de 5% a 10%. Ao mês.
E o arroz? Por que a produção caiu? Porque em 97 a equipe FHC determinou que o Banco do Brasil cortasse violentamente o crédito: cada produtor só conseguiu dispor de 25% (isto é, um quarto) do crédito a que até então tinha direito. Para plantar. E mais: nas principais regiões produtoras, como Pedro de Toledo, no Rio Grande do Sul, as dívidas dos produtores de porte médio para cima não foram renegociadas.
E o algodão? A mesma história: a equipe FHC reduziu o Imposto de Importação sobre a fibra para apenas 2%, mesmo sabendo que países como os EUA vendem o algodão (e outros produtos) a preços artificialmente baixos, isto é, o governo subsidia a venda, pagando uma “diferença” ao produtor/exportador. Além do corte no imposto, o algodão importado (como outros produtos) oferecia financiamento por 180 ou 360 dias – e taxas de juros de 8% ao ano. Lógico, o algodão nacional não poderia competir.
Promessas, só
Queijos e outros laticínios, frutas frescas, pêssegos em conserva, até o leite de coco – nenhum produto deixou de ser abalado pelas importações em condições que o agricultor brasileiro não tem. A agricultura brasileira poderia gerar empregos, renda e dólares – com exportações maiores e importações menores. Mas tem sido massacrada.
Por força de lei, o governo sempre foi obrigado a comprar as colheitas dos produtores, sempre que os preços despencassem abaixo de certos níveis (os chamados “preços mínimos”) – fosse por causa de uma superprodução ou fosse por manobras de atravessadores e especuladores.
A equipe FHC, além de “escancarar” o mercado, nos últimos anos suspendeu a lei, na prática – e deixou de comprar as colheitas, a pretexto de acabar com o “protecionismo” e forçar a modernização da agricultura. Por isso, sobra hoje 1 milhão de toneladas de trigo do ano passado. Por isso, produtores de milho, feijão e algodão sofrem prejuízos sistemáticos, na hora de vender suas safras. As “inovações” anunciadas para beneficiar a agricultura são sempre pura empulhação.
Há mais crédito? Financiamento? A equipe FHC permitiu que os bancos tomassem dinheiro emprestado no exterior, a juros mais baixos, para emprestar – essa a mentira – à agricultura. Na verdade, o dinheiro da chamada “63 caipira” pode ser aplicado, pelos bancos, em títulos do governo federal com correção cambial (vale dizer: se houver “maxidesvalorização”, os bancos não têm prejuízos…). Resultado: os bilhões da “63 caipira” não estão sendo emprestados aos agricultores, e sim aplicados em títulos.
Outra inovação anunciada como “apoio à agricultura” e que é um espantoso retrocesso: para um número mínimo de três ou quatro produtos, o agricultor ainda tinha a chance de tentar vender sua colheita ao governo, por meio de um esquema “sofisticado” de leilões e uso da Cédula do Produtor Rural. Pois neste ano o sistema passou a beneficiar, com a liberação de dinheiro, as indústrias e beneficiadores que utilizam produtos agrícolas como matéria-prima. Isto é, volta-se à década de 70, quando os “atravessadores” recebiam empréstimos do governo e ficavam em condições de impor preços baixos na hora de comprar a colheita do produtor. Produtor sem crédito.
Em quatro anos, a agricultura da Argentina deu um salto de 20 milhões de toneladas em sua produção, passando da casa dos 40 milhões para 60 milhões de toneladas por ano. O Brasil, no mesmo período, não saiu de faixa dos 75 milhões a 80 milhões de toneladas. Lá existem política agrícola, crédito, prazos, juros baixos. Pelo menos uma vez, poderíamos confirmar a fama de “macaquitos”, e imitar essa política de apoio à agricultura, da Argentina – e outros países. Como está, é covardia. E burrice empetecada.
“Não obstantes a frieza e a indiferença daqueles que decidem os destinos do país diante do sufoco que vive, há anos, a agricultura nacional, a Folha, de tantas tradições de informar e de discutir democraticamente as questões que interessam à sociedade, presta, uma vez mais, relevante serviço à agricultura brasileira. Referimo-nos ao artigo ‘Agricultores, macaquitos e covardia’, do ilustre jornalista Aloysio Biondi (Dinheiro, 16/4). Dada a grande repercussão nos meios ligados à atividade rural no país, queremos parabenizar a Folha e Biondi pela excelência e pela oportunidade da matéria contida no artigo.”
Nuri Andraus Gassani, presidente do Sindicato Rural do Distrito Federal (Brasília, DF)
Aliança partidária: eleitor paulista faz boca-de-urna para candidato dos DEMos e é condenado à prisão que, em São Paulo, é administrada pelo PSDB
Eleitor é condenado à prisão por fazer boca-de-urna
O eleitor Josivan Pereira Dias foi condenado a sete meses de detenção, em regime inicialmente fechado, e a multa de R$ 6,2 mil por ter feito boca-de-urna nas eleições de 2006, na cidade de Itaporanga (SP). O ministro Joaquim Barbosa, do Tribunal Superior Eleitoral, rejeitou recurso apresentado contra decisão de segunda instância, que condenou Dias.
De acordo com a denúncia do Ministério Público Eleitoral, ele distribuiu santinhos do candidato a deputado estadual Guilherme Campos (DEM) e aliciou eleitores em frente a uma escola durante o primeiro turno das eleições de 2006.
A pena de prisão e a multa foram aplicadas pelo Tribunal Regional Eleitoral paulista, com base no artigo 39 da Lei das Eleições (Lei 9.504/97). Em sua defesa, Josivan Dias alegou que a decisão violou os princípios da ampla defesa e do contraditório estabelecidos nos artigos 5º, LIV e LV da Constituição Federal. Isso porque, segundo ele, ocorreram contradições entre os depoimentos de testemunhas e falta de prova robusta para condenação. Ele alegou ainda divergência jurisprudencial com julgados de Tribunais Regionais Eleitorais.
O ministro Joaquim Barbosa entendeu que a ação contra o eleitor foi regularmente julgada pelo TRE paulista e que a condenação está em harmonia com a jurisprudência do TSE. Para o ministro, a defesa do recorrente pretendia, na verdade, o reexame de provas e fatos, o que é inviável por meio de recurso especial.
“Quanto ao dissídio jurisprudencial, a parte agravante não o demonstrou, eis que divergência jurisprudencial só se caracteriza com o cotejo analítico das teses dos acórdãos confrontados e com a comprovação de similitude fática entre os julgados”, afirmou o ministro ao negar seguimento ao Agravo de Instrumento.Revista Consultor Jurídico, 28 de abril de 2008
CPI denuncia mau uso de verba da saúde em São Paulo
Um dos papéis centrais nesta política implementada pela gestão tucana é exercido pelas Organizações Sociais (OS), entidades privadas que recebem do Estado a concessão para administrar hospitais e as Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Dados do orçamento paulista mostram que o governo tucano prioriza o repasse a essas entidades em detrimento do investimento com o setor público. Entre os anos de 2000 e 2007, os gastos proporcionais com as OS’s cresceram 114,14%, saltando de 9,76% para 20,90% dos recursos gastos com saúde. Já os gastos com “pessoal e encargos sociais” caíram, proporcionalmente, para índices de 26,08%, saindo do patamar em 2000 de 53,58% para 39,6% em 2007.
As informações constam do Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. “Os números mostram uma intenção clara do governo do Estado em diminuir seu gasto e sua responsabilidade com o funcionalismo público”, afirma Ciro Matsui Júnior, um dos assessores para a elaboração do sub-relatório do deputado estadual Raul Marcelo (Psol), incluído na CPI. A previsão é de que a entrega do relatório final da comissão, elaborado pelo deputado estadual Hamilton Pereira (PT), ocorra no dia 8 de maio.
Estado mínimo
Atualmente, sete OS’s administram treze hospitais em São Paulo. Segundo a médica sanitarista Virgínia Junqueira, esse modelo de gestão da saúde pública parte do pressuposto de que tudo que é estatal é atrasado – o oposto do que apregoa o Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988 e tido como um modelo de referência mundial.
As OS’s surgiram em 1998, com a aprovação do Plano Nacional de Publicização. “A idéia das OS’s foi personificada no programa neoliberal de Bresser-Pereira, então ministro da Administração Federal e Reforma do Estado, no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1995”, relata. À época, Bresser Pereira lançou mão de uma concepção que transita entre o público e o estatal, a “publicização”. Mas “publicizar”, grosso modo, é privatizar áreas sociais chamadas de não-exclusivas – como saúde, educação e cultura.
Virgínia conta que o termo “publicizar” não é original da gestão de FHC. “Esse ‘tucanês’ foi inspirado nos Quangos (Organizações quase não-governamentais, traduzido do inglês para o português), que surgiram na Inglaterra”. A médica sanitarista compara a relação das OS’s e o poder público com a do Banco Central e o Ministério da Fazenda. Segundo ela, o Ministério “paga o dinheiro, mas não controla nada”.
No caso da saúde, a administração pública firma contratos de gestão com as OS’s. Neles, estabelece metas de produção como, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos que precisa ser alcançada. E termina aí sua ingerência sobre as entidades privadas, que passam a gerir a infra-estrutura e o dinheiro públicos. “É um problema muito grave a interação das OS’s com o SUS porque ao terceirizar esse processo de administração dos hospitais, o governo do Estado passa a não ter mais controle, mais autonomia ou gerência sobre o que vai ser executado por um determinado hospital”, diz o assessor do relatório de Raul Marcelo, Ciro Matsui Júnior.
As investigações conduzidas pela CPI comprovaram o mau uso de verbas do Estado. Uma equipe visitou os hospitais de Francisco Morato, Itaquaquecetuba, Itaim Paulista, Carapicuíba, Santo André, Grajaú e Vila Alpina. Constatou irregularidades como OS que subcontratam empresas para prestação de serviço ligadas a pessoas da própria entidade privada ou a professores das instituições de ensino mantidas pelas mesmas OS’s. “Não há transparência. E essas organizações não estão submetidas à leis de licitações”, salienta o deputado estadual Raul Marcelo. “As OS’s roubam dinheiro público”, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaude), Benedito Augusto de Oliveira.
Ofensiva contra o SUS
A experiência com as OS’s também está incentivando o governo tucano a abrir outra frente de batalha: minar a participação popular no Sistema Único de Saúde (SUS) – um preceito definido pela Constituição, em 1988. Em dezembro de 2007, o governador José Serra ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), com pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal (STF), para derrubar a lei estadual que criou os Conselhos Gestores de Saúde no SUS.
Uma das premissas do SUS é a participação dos cidadãos na implementação das diretrizes organizativas específicas de cada hospital público. Os conselhos gestores têm a função de avaliar e fiscalizar os serviços de saúde prestados à população. Sua composição contempla a participação de usuários e funcionários.
Segundo a CPI, nenhum dos hospitais geridos por OS’s visitados durante a investigação possui um Conselho Gestor que siga as diretrizes da Lei 8142,de 1990. Com a ação no STF, José Serra tenta padronizar esse descumprimento da norma. “É uma tragédia para o serviço público e rompe com os princípios do SUS”, salienta o presidente do Sindsaude.
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) também afirma que as OS’s e as OSCIP’s descumprem a legislação sobre a administração pública e os princípios e diretrizes do SUS. Um parecer da entidade enfatiza que “é flagrante a inconstitucionalidade e a ilegalidade” de ambas. No entanto, ainda com base na política neoliberal de Fernando Henrique, Estados como Tocantins, Rio de Janeiro, Bahia e Roraima também passaram a transferir serviços de saúde a entidades terceirizadas.
Enfermeira narra o cotidiano árduo dentro do universo das Organizações Sociais (OS’s) em SP ; segundo Sindsaude, lógica da cadeia produtiva desqualifica o serviço público
De fato, a produtividade aumentou, mas minimamente. Segundo as variáveis de qualidade do Ministério da Saúde, o tempo médio de permanência na Clínica Cirúrgica, por exemplo, tem uma variável de 4,2 nas unidades administradas pelas OS’s e de 5,4 na administração pública. Mas isso não significa que o hospital é melhor. “Essa elevação da produção dos hospitais OS’s é baseada na super-exploração do trabalhador, principalmente os da área da saúde”, afirma Ciro Matsui Júnior, assessor do deputado Raul Marcelo (Psol) que auxilou a elaboração de relatório que faz parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Remuneração dos Serviços Médico-Hospitalares.
Outro argumento dos críticos das OS’s é que os parâmetros utilizados para a comparação de desempenho atendem, majoritariamente, às lógicas empresarial e de produtividade. A remuneração a cada hospital administrado pelas OS’s se dá pelo percentual dessas metas cumpridas. Se a entidade privada cumpre de 50% a 70% das metas realizadas, por exemplo, vai receber 70% da verba pública relacionada. O percentual aumenta conforme a apresentação de mais números. A questão é que esse desempenho nem sempre dialoga com as necessidades da população. “São índices que medem produtividade do hospital, mas cada hospital tem um perfil diferente, pois atende a população diferentes; essa padronização é muito complicada”, afirma Ciro Matsui Júnior.
Caçar a demanda
Um dado propagandeado pelo governo do Estado de São Paulo para justificar o modelo das OS’s é o de que todas as metas estabelecidas pelo poder público estão sendo cumpridas, o que de fato ocorre. No entanto, esse desempenho é obtido às custas de uma constante pressão sobre o trabalhador da área de saúde. Sindicalistas afirmam que as OS exigem os “números”, mas não oferecem as condições compatíveis – como remuneração ou infra-estrutura de trabalho adequadas.
O Brasil de Fato conversou com Cláudia (nome fictício), enfermeira que trabalha em uma unidade de saúde da família. Segundo ela, são exigidos dos profissionais números surreais de consultas, de produção. “Eles querem que a gente que busque as pessoas na rua para atendermos, gerar produtividade. Nas reuniões, por exemplo, é dito para irmos a salões de manicure, cabeleireiros e convidarmos as mulheres a fazerem papanicolau. A questão é que a mulher faz o papanicolau, mas não tem acesso ao tratamento se realmente estiver com algo mais complexo, como câncer de útero. Não há a integralidade apregoada pelo SUS”, explica a enfermeira. Para ela, o atendimento é feito na lógica que “todo mundo é tratado como se fosse uma massa de números que geram produtividade”. “É muito equivalente à produção de banco, que tem que vender produtos”, denuncia.
Quarteirizados
As OS’s também usam uma outra estratégia para ampliar o cumprimento das metas estabelecidas pelo Estado: a contratação de trabalhadores terceirizados. Em São Paulo , tanto serviços menos complexos (como segurança e limpeza) até serviços mais complexos (como a radiologia e o atendimento médico) estão sendo prestados por empresas contratadas nos hospitais, em um processo batizado de “quarteirização”. Segundo Ciro, esses trabalhadores têm remuneração menor do que os das OS que, em contrapartida, economiza custos e obtêm maior lucratividade. Para o usuário do sistema de saúde, a conseqüência é a piora na qualidade do serviço.
Essa “quarteirização” está mais que presente em São Paulo. Dos 374 médicos que trabalham no hospital Estadual Vila Alpina, apenas 50 integram o quadro de funcionários do próprio hospital, segundo investigação de comissão da CPI da Saúde. Em todos os hospitais visitados, pelo menos um dos setores da assistência médica é prestado por empresas contratadas. Os setores que geralmente são contratados são anestesiologia, neurocirurgia, cardiologia, ortopedia e oftalmologia.
“São duas lógicas, a do funcionalismo público que dialoga com a população; e do funcionalismo precário, que danifica o trabalho. As OS’s excluem o funcionário concursado e colocam o da cadeia produtiva, desqualificando o serviço público”, enfatiza o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaude), Benedito Augusto de Oliveira.
Em determinado hospital, também visitado pela comissão de Raul Marcelo, seu assessor, Ciro Matsui Júnior, revelou: “Eu perguntei ao superintendente se não era mais caro terceirizar e ele falou que não, que seria até mais barato para ele porque teria que gastar com férias”.
JAZLU: Ministério Público Federal planeja férias para Mme. Eliana Tranchesi & Bro. numa aconchegante "concrete cell" em luxuoso spa para VIPs
Eliana Tranchesi, irmão e empresários são acusados de formação de quadrilha e falsidade
Globo.com – Globo On Line
abril 27, 2008
Não tem arroz, comam batatas: O Cata-Milho, preocupado com a carestia resultante da substituição de prioridades apresenta tabela de alimentos de época
“Não se esqueça de que cada alimento tem sua safra. Os alimentos podem ser encontrados em quase todos os meses do ano, mas, na época certa, eles são mais baratos e de melhor qualidade”, explica Juliana.
Austrália associa excesso de velocidade a pênis pequeno
Portal G1 - 26/06/07
Prefeito tucano de município pernamucano tenta acertar radialista com FOICE ( ?!?! )
Redação Portal IMPRENSA*
O prefeito de Carpina (PE), Manuel Severino da Silva ( PSDB ), conhecido como Botafogo, precisou ser contido após tentar acertar o radialista Denis Araújo com um facão, nesta sexta-feira (25), durante uma manifestação de integrantes do Movimento dos Sem-Teto.
As informações são da polícia, mas a advogada do prefeito nega a agressão. O radialista afirmou que estava conversando ao vivo com um líder comunitário chamado Léo “quando as pessoas começaram a gritar: ‘corre Denis, corre Denis, corre Denis’. Quando olhei para trás, o prefeito já tinha descido do carro e vinha correndo em minha direção com o facão de cortar cana em punho”.
Segundo o radialista, ele só não foi atingido porque conseguiu correr mais rápido do que o prefeito. “Quando ele cansou, cerca de duzentos metros depois, conseguiram segurá-lo e foi quando um companheiro o fotografou com o facão em punho”, destacou.
Araújo disse acreditar que a ação do prefeito tenha sido motivada por críticas que fez à administração municipal na emissora de rádio. O radialista esteve na Delegacia de Polícia de Carpina e registrou um boletim de ocorrência.
A polícia informou que o prefeito não foi preso porque ele saiu do local e não foi mais localizado, apesar terem sido realizadas diligências. A advogada do prefeito, Lúcia Brandão, afirmou que seu cliente não tentou, em nenhum momento, ferir o radialista.
“Quando o prefeito chegou, ele foi recebido a pedradas. Primeiro, teve uma agressão contra um guarda. Depois, contra o prefeito. O prefeito ficou numa situação tão difícil que a única coisa que ele tinha a fazer era pegar uma faca. Ele pegou para se defender”, disse Lúcia.
“O prefeito não ia matar o jornalista, pois ele nem anda armado. Muito pelo contrário, o cenário tinha sido preparado pela oposição. Ele não foi agredir o Denis, que estava aqui insuflando o povo contra o prefeito”, destacou a advogada.
As informações são do site G1
Prefeito, empunhando seu cortador de custeio e despesas orçamentárias, tenta conversar amigavelmente com radialista. O prefeito é conhecido como “Botafogo”. Bota faca, isso sim! Por sua vez, o radialista teve de fugir pois, sem as bolas, sua voz de castratti não serviria para seguir apresentando seu programa.
Chopada com indiciado pela PF ( que teria financiado casa para Yeda, segundo delegado ) não derruba secretário tucano do RS.
A governadora Yeda Crusius garantiu a manutenção do secretário do Planejamento, Ariosto Culau, no cargo. O encontro que ele manteve, na quinta-feira, com o empresário Lair Ferst, indiciado pela Polícia Federal no inquérito da Operação Rodin, não foi suficiente para que o governo afastasse o secretário do Executivo. A permanência ficou acertada somente no início da noite de ontem, após um dia inteiro de reuniões no Palácio Piratini. Ariosto chegou a cogitar pedido de demissão, mas foi convencido por integrantes do alto escalão do governo a ficar.
Culau pede desculpas e fica no cargo
Secretário do Planejamento viveu um dia de expectativas diante do incidente envolvendo Lair Ferst
O dia no Palácio Piratini ontem parecia de ressaca. Após ter se encontrado para tomar chope com o empresário Lair Ferst na Capital, o secretário do Planejamento, Ariosto Culau, passou o dia na iminência de ser exonerado do cargo ou ter de optar pelo afastamento voluntário. Com objetivo de minimizar o constrangimento, o porta-voz do governo, Paulo Fona, afirmou no final da tarde que Ariosto pediu desculpas à governadora Yeda Crusius pelo ocorrido e que a manutenção do secretário na pasta estava garantida.
Aliados esperavam pela saída
O encontro entre o secretário do Planejamento, Ariosto Culau, e o empresário Lair Ferst, um dos indiciados pela Polícia Federal, na noite da última quinta-feira, repercurtiu ontem entre deputados da base aliada que integram a CPI do Detran. De acordo com o vice-líder do governo na Assembléia Legislativa, Pedro Pereira, do PSDB, mesmo partido de Ariosto, o secretário teve uma atitude ingênua e deveria deixar a administração. ‘Fica uma situação totalmente constrangedora para os deputados que integram a base ter que aceitar um episódio desses. A atitude dele (Ariosto) deveria ser a de renunciar’, ressaltou o tucano.
Fabiano pede relação de visitas ao Piratini
O encontro entre o secretário do Planejamento, Ariosto Culau, com Lair Ferst, motivou o presidente da CPI do Detran, deputado Fabiano Pereira, do PT, a solicitar ao governo do Estado os registros de visitantes do Palácio Piratini e do Centro Administrativo. O parlamentar pretende apurar se indiciados pela Polícia Federal por envolvimento na fraude montada no Detran se reuniram com agentes públicos. O presidente da comissão comentou ainda a decisão da governadora Yeda Crusius em manter o secretário Culau no governo. ‘Mais uma vez um gesto do governo faz estabelecer relação com o que ocorreu na Operação Rodin. É muito grave a situação e a governadora não deveria ter passado a mão por cima’, disse Pereira.
Tubino diz saber origem da casa
O ex-chefe da Polícia Civil, delegado Luiz Fernando Tubino disse na madrugada de sexta-feira, em seu depoimento à CPI do Detran, ter informações da Operação Rodin de que Lair Ferst, um dos indiciados pela Polícia Federal, teria pago os R$ 400 mil de uma casa escriturada em nome da governadora Yeda Crusius. De acordo com Tubino, a casa foi comprada do consultor Eduardo Laranja, dono da Self Engenharia.
Fona discorda das afirmações na CPI
O porta-voz do governo, Paulo Fona, refutou as acusações levantadas pelo delegado Luiz Fernando Tubino sobre a participação de Lair Ferst na compra da casa da governadora. ‘A versão de Tubino é fantasiosa’, disse Fona e justificou, ‘ele levantou as denúncias sem apresentar prova alguma’.
Jornal dos Prefeitos
Moradores filmam ‘OVNIs’ no céu do Vale do Paraíba-SP
VNews

Imagem captada por cinegrafista amador
Um fenômeno no céu de São José dos Campos na noite desta quinta-feira (24) chamou a atenção de moradores da cidade. De diferentes regiões da cidade, os moradores descreveram que viram cores piscando. O fenômeno chamou a atenção porque mudava de posição, as luzes iam se desalinhando, subindo e descendo. O que viram no céu chamou tanta atenção que eles decidiram registrar com fotos e vídeos.
“No céu tinha umas dez luzes, elas estavam alinhadas e depois começou a se separar”, conta um morador.
“Elas formavam algo parecido com uma cauda de uma estrela cadente, mas a gente vê que não era aquela coisa rápida como uma estrela cadente”, conta a dona-de-casa Gilmara Cardoso. Um ponto vermelho foi o que permaneceu por mais tempo no céu. As luzes coloridas não estavam muito longe. Em determinado momento parecia um balão. O fenômeno durou cerca de 15 minutos e mexeu com a imaginação dos moradores. “Você toma um susto. Você não sabe o que é aquilo, não sabe o que está acontecendo”, disse a veterinária Juliana Alves. “Do jeito que se vê falando as coisas, a gente até pensou na hipótese de ser um ET”, comenta Gilmara Cardoso.
As imagens captadas pelos moradores surpreenderam o ufólogo Ricardo Varela. Ele é pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e estuda fenômenos como este há 30 anos. Pela intensidade das luzes e pela maneira como se movimentam, ele descarta a hipótese de balões. Ricardo acredita em algo bem mais inusitado.




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