Ainda a briga tucana
Jasson de Oliveira Andrade
Fotos: Reprodução
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Volto a focalizar a briga tucana, Serra x Alckmin, porque é assunto comentado na imprensa, embora as eleições municipais ainda estejam distante. Geraldo é candidato a prefeito na Capital. Já o governador prefere apoiar a reeleição do prefeito Kassab. Enquanto os tucanos brigam, Marta deverá ser a provável candidata do PT. Dora Kramer, no artigo “Calendário antecipado” (Estado, 6/3), informa: “Até há algumas semanas, ela [Marta] estava decidida a apresentar seu nome só em junho, usando todo o prazo legal para a desincompatibilização do cargo de ministra.
Pretendia aproveitar ao máximo o tempo em seu favor, assistindo de camarote à briga dos tucanos em torno das candidaturas Kassab e Alckmin. (…) O problema é que o adversário começou a andar rápido demais, a ocupar os espaços disponíveis para alianças, a se consolidar como dono da cena. Marta, o PT e o Palácio do Planalto perceberam então que, se ficassem parados, ao invés de tirar vantagem, acabariam sofrendo uma brutal desvantagem com a espera e terminariam isolados”. Por este motivo, segundo a jornalista, Marta anunciará sua candidatura à Prefeitura de São Paulo no fim de abril.
Quem também não dorme é o Geraldo. A Folha anunciou em 9 de março: “Alckmistas estão chegando para Campanha – Ex-governador escala nomes como Saulo de Castro Abreu Filho, ex-secretário de Segurança, para estruturar seu comitê”. Saulo era um secretário polêmico e não foi conservado no cargo por Serra. Ele está sendo processado por ofensas a deputados estaduais, quando esteve na Assembléia. No ano passado, houve troca de acusações entre ele e outro ex-secretário Kobayashi. Agora este último também não foi confirmado pelo atual governador e também não fará parte da campanha de Alckmin. A Folha informou o motivo: “Na tropa, pelo menos uma baixa. Depois de atuar na organização de 16 campanhas, Sérgio Kobayashi deixou o PSDB em agosto [2007] para se dedicar a seu negócio. “Vou passar a receber pelo que fazia de graça”, afirma, acrescentando que “dificilmente” trabalhará com Alckmin: “Não gostei da experiência de 2006”. Na linha de frente, ainda segundo o jornal, encontram-se, além de Saulo, quatro deputados federais alckmistas: Sílvio Torres, Edson Aparecido, Júlio Semeghini e Duarte Nogueira, além de Dalmo Nogueira, ex-presidente da Sabesp e o ex-secretário de Comunicações Luiz Salgado. Na retaguarda, mais seis pessoas, entre elas Ademar César Ribeiro, empresário e genro de Alckmin e o também polêmico ex-secretário de Educação Gabriel Chalita, autor de uma biografia da esposa de Alckmin. Serra desativou a principal medida educativa de Chalita. Com essa turma, Alckmin se prepara para disputar a prefeitura da Capital. Alguns desses auxiliares alckmistas afastados do governo estadual, poderão voltar à administração municipal em 2009!
Apesar dessa providência de Geraldo, a briga continua. O deputado federal serrista Walter Feldman (176.495 votos), e atual secretário de Esportes da Prefeitura de São Paulo, é logicamente favorável à reeleição de Kassab. Para tanto, escreveu um artigo na Folha (9/3), sob o título “Aliança, lealdade, estratégia”. Ele alega: “Vejo que prevalece a preferência pela preservação da aliança que mantemos com o DEM. Foi esse o desejo SENSATO (destaque meu) expresso em documento produzido pela bancada tucana no Legislativo municipal. Temos com o DEM uma união de longa data e de conquistas significativas para a vida nacional, estadual e municipal – fenômeno raro na cena política brasileira”. Como os tucanos desejam sempre o governo da Capital, sem dar oportunidade ao aliado, Walter Feldman faz essa contundente colocação: “Em São Paulo, temos o dever de dar prioridade à aliança com o DEM, até para evitar que o PSDB fique marcado com a pecha de “fominha”, acrescentando: “O PSDB deu rumo ao Brasil. Não podemos permitir que um cálculo político de curto prazo ou qualquer outro motivo nos afastem desse rumo”. Já Rodrigo Maia, presidente do DEM, diz: “A gente não sabe mais com quem está dormindo. Sabemos que o PT está do outro lado. Mas, às vezes, a gente dorme com o PSDB e acorda com o inimigo”. Em vista dessa briga, José Henrique Reis Lobo, presidente municipal do PSDB, desabafou: “Os tucanos pró-Alckmin e os tucanos pró-Kassab se uniram para compor um réquiem pela alma do PSDB” (Tiroteio , Painel, Folha,10/3).Qual será o final dessa briga tucana? Como já escrevi: Serra vai ter que engolir Alckmin. E os “fominhas” retornarão à Prefeitura de São Paulo!JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2008