Lembram do Valerioduto tucano? E do Eduardo Azeredo e o caixa 2 tucano? Leiam essa entrevista e tremam nas bases
Nilton Monteiro declara que campanha de Azeredo custou R$ 100 mi; senador teria ficado com pelo menos R$ 4,5 milhões
Nome bastante temido por integrantes do PSDB que tentam desesperadamente desqualificá-lo, Nilton Monteiro, auto-intitulado uma bomba-relógio preste a explodir no colo do ex-presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, expõe parte da gigantesca gama de informações e documentos que acumulou nos últimos anos da prática de atos ilícitos e caixa 2 na campanha tucana de Minas Gerais, em 1998.
O lobista afirmou – e ai daqueles que “tucanarem” a ocupação o chamando de empresário – que a campanha de Azeredo arrecadou mais de R$ 100 milhões, grande parte oriundos dos cofres públicos, e que pelo menos R$ 4,5 milhões teriam ficado no bolso do ex-governador.
Muitos podem tentar desqualificá-lo, como o ex-tesoureiro de Azeredo, Cláudio Mourão, em depoimento na CPMI dos Correios. No entanto, as informações até agora passadas por ele mostraram-se todas verdadeiras, em especial, o cheque de R$ 700 mil repassado por Marcos Valério para Azeredo quitar uma dívida com Cláudio Mourão. Na CPMI, Mourão também afirmou que não havia repassado nenhuma procuração para ele representá-lo, fato desmentido posteriormente por um laudo técnico encomendado pela revista “Istoé”.
Quanto arrecadou a campanha ao governo de Eduardo Azeredo em 1998?
Nilton Monteiro – R$ 53 milhões era o que falavam. Mas foi uma campanha milionária, mais de R$ 100 milhões foram arrecadados. Dinheiro de estatais, de empreiteiras, doleiros, corretores de seguro, das privatizações.
Então, é por isso que o Azeredo entregou o Estado, realmente, falido para o Itamar Franco.
O Azeredo perdeu a reeleição e não foi por causa de dinheiro. Perdeu, sim, por incompetência. Eu não sei como ele chegou a governador.
Qual a sua relação com o tesoureiro de Azeredo, Cláudio Mourão?
NM – Hoje eu vejo que eu fui usado por esse cidadão. Tudo o que ele falou lá na CPI, ele mentiu. Ele estava numa situação delicadíssima, quebrado, esse pessoal não queria nem vê-lo: Walfrido dos Mares Guia. Abandonaram ele. No final da campanha, eles falaram que quem fez o Azeredo perder foi João Heraldo e Mourão. O João Heraldo não sei por quê até hoje não foi investigado. Ele foi um secretário muito forte na Fazenda. Não aparece, mas era o homem das negociatas.
O Mourão atuava só em Minas Gerais?
NM – Mourão trabalhou muito ali no eixo Minas Gerais. Mas era um cidadão viajado. Era um homem de muita confiança. Então ele (Mourão) tinha vários contatos, uma teia. Tinha contato com o Banco Opportunity, com a Elena Landau, com a Cemig, dali saiu dinheiro da campanha, da Telemig saiu dinheiro para a campanha, do BMG saiu dinheiro para a campanha. Tinha ramificação com doleiros fortes no Rio de Janeiro. Alugava avião da Líder. Às vezes, via uma determinada pessoa que eu não posso falar ainda. Ficava o avião no hangar, como se fizesse manutenção, mas não era, estavam passando rios de dinheiro, para depois seguir para Belo Horizonte.
Que documentos da campanha de Azeredo o Cláudio Mourão entregou para você?
NM – Ele colocou na minha mão o manuscrito de próprio punho do Walfrido dos Mares Guia, que ele já divulgou que ele tinha realmente escrito; colocou na minha mão o recibo do Azeredo recebendo R$ 4,5 milhões; colocou a lista dos deputados e a quantidade de recursos que receberam.
Com os recibos?
NM – Não, recibos não. Só o valor que cada um recebeu. Eu já tinha alguns DOCs. Colocou a relação de despesa que o Pratinha (Marco Aurélio Prata, contador de Marcos Valério) assinou, que tinha R$ 53 milhões que foram gastos pela SMP&B na campanha. Diz que gastaram pouquinho no enduro e o resto foi tudo para a campanha. Me passou a ação que ele tinha contra o Azeredo e o documento que o Azeredo deu plenos poderes para ele. O Azeredo deu muito poder para o Mourão.
Você já afirmou que esteve reunido com Marcos Valério e que ele tinha documentos contra tucanos graúdos…
NM – O Marcos Valério disse que tinha documentos contra o Fernando Henrique, contra o Serra. Disse assim: Olha Nilton, com aquela pilha eu arrebento a República.
Ele deu a entender que tinha operado dinheiro para a campanha nacional do PSDB?
NM – Foi praticamente isso que ele disse.
Em 2002?
NM – Sim. Disse que tinha vários políticos a nível nacional, não só de Minas Gerais.
O Marcos Valério repassou algum dinheiro para Cláudio Mourão?
NM – Eu já cheguei a presenciar um pagamento de R$ 350 mil com vários cheques da SMP&B para o Mourão. A secretária da SMP&B entregou o envelope para ele. Nós estávamos num carro, aí ela chegou com o envelope. O Cláudio Mourão estava sentado ao lado do Cleiton e eu estava atrás. Aí ele olhou o cheque e disse: graças a Deus agora…
Esse dinheiro foi para ele (Mourão) tirar o processo contra o Azeredo?
NM – Foi, totalmente. Lógico que foi para retirar o processo. Ele teve que tirar porque ia chegar num momento que teria que acostar documentos nessa ação. E as provas também eram contra ele. Então ele quis ganhar um tempo. Tirou o advogado Carlos Henrique e colocou outro advogado. Mas eu já tinha os documentos. Aí eu entreguei os documentos para a imprensa. Voou tucano para tudo que é lado. Eles gostam de meter o pau nos outros e esquecem que têm o telhado de vidro.
Você chegou a conversar com o Azeredo sobre o caso?
NM – Cheguei. Depois ele me pressionou, disse que eu estava com documentos que não podiam ficar nas minhas mãos, que ele iria me interpelar, que eram documentos particulares da campanha, que não sabia porque eu estava com isso.
Ele admitiu que conhecia o esquema de caixa 2?
NM – Ele sabia de tudo. O Cláudio falou comigo que ele (Azeredo) sabia de tudo que acontecia. Agora diz que não sabe. O interessante é que o Cláudio mudou muito. Agora assumiu todo o compromisso, porque ele é doido. Mudou a história porque recebeu dinheiro. O dinheiro comprou o silêncio dele. Hoje ele está um homem abonado, tranqüilo.
Quando você conversou com o Azeredo, ele se negou a fazer o acordo?
NM – O Azeredo falou que não devia nada ao Cláudio Mourão.
Ele falou que já havia repassado os R$ 700 mil para ele?
NM – Falou para mim. Foi onde eu descobri que tinha uma ação que o Cláudio Mourão entrou cobrando cerca de R$ 1,5 milhão do Azeredo. Aí eles chegaram num acordo e o Azeredo pagou R$ 700 mil para o Mourão com o cheque do Marcos Valério. O Azeredo falou: “Nilton, ele fez um recibo para mim, que ele não pode me cobrar. Eu não devo mais nada para esse cidadão”. “E outra coisa, Nilton: os carros que ele ficou, não eram dele. Ele tinha que ter vendido, entregado e pronto”. Ali é uma quadrilha. Ali é um roubando o outro.
Você está guardando alguma “carta na manga” contra os tucanos?
NM – Eu não sei, né…eu sou uma pessoa… do silêncio, né. Eu sou imprevisível (risos). Mas eu tenho muito fogo para esse povo. Não brinquem comigo. Eu já venho há muito tempo abastecendo a imprensa. E tudo provado. Prepare-se que eu ainda vou pegar gente grande. Não termino o meu trabalho só com o Azeredo. O Azeredo é peixe pequeno. Eu acho que ele tem que ser cassado mesmo. Eu só peço Justiça. Acho que tem que ser feita Justiça.
Você não tem medo da Justiça?
NM – Eu que denunciei o negócio da Cemig. Os jornais sempre tentaram me desqualificar. Não tenho medo da Justiça, não devo à Justiça. Pelo contrário, eles é que devem ter medo da Justiça. Eu, enquanto viver, vou lutar contra esse povo, tenho pavor deles. Não posso nem ouvir falar em PSDB. Considero o PSDB uma grande quadrilha organizada. Pior que essa máfia italiana. Se o presidente quisesse, muitos deles estariam na cadeia hoje. Não teria chance para eles.
E o que deve ser investigado?
NM – Eu acho que se for fazer uma varredura, por exemplo, no sistema Lloyd do Brasil, o que a quadrilha do PSDB, a organização criminosa fez na Lloyd, é um negócio de fazer horror, medo. Acabaram com os nossos navios, venderam a preço de banana. Foi dali que saiu parte do dinheiro da reeleição do Fernando Henrique Cardoso, com o Eduardo Jorge. É ali que está toda a estripulia. Aguarde que vai vir chumbo grosso, mesmo. O PSDB fez muito mais do que isso, o PFL também. Detonei a maior quadrilha do PSDB e PFL no Espírito Santo. Acabei com eles lá.
Diante de tudo isso, por que Azeredo ainda continua no Senado?
NM – É um absurdo! Um sujeito da pior qualidade como Eduardo Azeredo ser senador da República. Com certeza, fizeram algum acordão para mantê-lo lá até hoje. Não é possível! Este mau elemento era para estar na cadeia!
Novembro 2, 2008 às 1:53 pm
Mais uma genialidade proposta pelo excelentíssimo…
Também é aquele político que esteve envolvido no mensalão mineiro, o percursor do mensalão e que se beneficiou com o valerioduto na campanha de 1998 (veja sobre isso aqui, aqui e aqui). E que responde muito bem e educadamente aos cidadãos, cond…..