ENCALHE

maio 31, 2007

Artigos confusos não permitem conclusão alguma. Ou quase.

Caderno de Economia do JB, 20/05/2007.
Mais uma matéria de uma série que propõe abordar o “sufoco” da classe média brasileira.
Um artigo realmente confuso, que surfa em uma infinidade de números, porcentagens e estatísticas relativos a décadas.
A destacar, algumas linhas:
- um economista da USP, Peter Greiner, afirmou que, além dos óbvios não-correção da tabela do IR ( lembram da “ampliação da base de incidência” de FHC? ) e um generalizado e vago “aumento da carga tributária”, a TERCEIRIZAÇÃO do trabalho é um dos fatores que tiram ( tiraram? ) o poder de compra da classe média;
- ainda segundo Greiner, nos últimos anos, o aumento da renda tem se concentrado na população que recebe salário mínimo ( e, suponho eu, aos que recebem seu salário vinculado a ele ) ;
- já Fábio Romão, economista da LCA Consultores destaca que esses ganhos reais do SM registrados nos últimos anos ( aumentos esses, exclusivos no governo Lula, suponho eu ) implicaram em REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA; e que essa melhora da distribuição de renda não se deve apenas ( exclusive ) ao SM mas TAMBÉM às transferências governamentais, tipo Bolsa-Família; observa que a massa ( ? ) de rendimentos das classes D e E tem crescido mais que a da classe C ( classe média ) ; um dado de qualidade duvidosa, é dado por Romão: a redução do peso dos alimentos nos índices de preços teria permitido o direcionamento de parte da renda a bens de consumo duráveis e à educação, mais um efeito benéfico para a classe baixa, que pode gastar sua grana com celulares e MP3 e pagar colégios de reputação questionável e resultados idem;
- os dois economistas enxergam na terceirização, na transformação de pessoa física em jurídica e na informalidade algumas das causas de piora nas condições de vida da classe média; no caso da terceirização, Greiner afirma que os salários se mantém, mas benefícios como planos de saúde são riscados do mapa ou reduzidos, o que acarreta em mais e maiores “despesas”;
- eu lembro que a classe média costuma adorar os discursos de gestores que preconizam a terceirização e a “jurídicação” das pessoas como a salvação de seus empregos;
- infelizmente, para ilustrar a matéria e corroborar sua base, entrevistam uma mulher de classe média que diz ter perdido muito de sua qualidade de vida “nos últimos anos”: ela viajava muito, por exemplo, mas hoje se encontra no balcão do penhor. Conta que a sua situação financeira piorou muito “nos últimos três anos”. Devido a alguma cagada do governo Lula? Até onde enxergo, não. Sua mãe foi acometida de câncer e veio a falecer. A doença e as despesas funerárias apequenaram o orçamento da família. Para piorar seu pai se aposentou, o que, obviamente, contribuiu de monte para a dramática redução material de sua família, levando-os a vender seu carro, um Corsa.
Pegaram um trágico exemplo familiar para ilustrar uma reportagem que pretende fotografar o universo extenso da classe C do país e diagnosticá-lo definitivamente.
Porém, serve muito bem para mostrar o porquê da reeleição de Lula e de sua impopularidade com a classe média invejosa.

maio 30, 2007

Bancos aderem a causa ambiental, sustentabilidade, responsabilidade social e ecológica e ao bom-mocismo com foco em imagem positiva otimizada

Filed under: Consumo Responsável, ecologicamente responsável — Humberto @ 9:55 pm
Hipotética carta de um banco enviada a um cliente enforcado:
Caro cliente,
Finalmente atingimos a marca tão ansiada em nossa busca pela qualidade total. Celebramos com você nossa entrada no “Clube dos 100 bilhões”. E o que isso quer dizer?
Quer dizer que nossos esforços em prol do desenvolvimento do país – com particular atenção às causas sociais, ecológicas e de responsabilidade sócio-educativas, como por exemplo o “Projeto Bela-Favela”, que visa retirar os menores praticantes de mendicância da porta de nossas agências e mantê-los em seus bairros de origem, na escola – tem tido a adesão dos mais destacados agentes da sociedade, como gestores, fundações, ONGs, associações comerciais e de bairros ( com destaque para o “Sentinelas doItaim-Bibi”, as “Senhoras da Rebouças”, o “Jd. Europa não é São Paulo”, e o “Jóias e sopa” ) . Educação é o futuro de nossas crianças.
Em nossos esforços por uma sociedade justa e de qualidade, angariamos o apoio desinteressado de incorporadoras, imobiliárias e construtoras de destaque e peso na economia, como a Bunker Realty, Imobiliária Nosso Mundo, Muros de Higienópolis, e São Paulo Exclusive.
Você nos honra com sua participação em nosso sucesso e a você agradecemos.
Nossa modesta taxa de juros, mantida a patamares consistentes, como para o Cheque Especial ( 20% a.m. ) e o Empréstimo Consignado ao Rim ( 18,5% a.m.) nos ajuda com nossa missão.
Aproveitamos este momento de conquistas e celebrações para lembrá-lo de que estamos à sua disposição, durante as 30 horas do dia, a fim de que nos procure para que, juntos, possamos acertar a pendência constante em vosso cadastro ( permanentemente atualizado por nossa moderna rede de computadores, e que já se encontra em fase de Execução Inclemente ou Penhora de Bem Orgânico, conforme contrato firmado em Cartório ) , tendo a mesma atingido o limite de endividamento permitido pelo Código de Falências e Heranças, o que compromete em definitivo e desde já, caso permaneça neste patamar, as finanças de seus descendentes e herdeiros.
Sem mais,
Atenciosamente,
Banco XXXXXXXX
Esta correspondência foi confeccionada em papel reciclável, de acordo com as normas do Conselho de Relacionamento com o Cliente e Investidor Bancário, e reproduzidas a partir da Cartilha de Gestão para uma Sociedade Inclusiva e Responsável.

Tudo beleza para Andrea Calabi

Filed under: Andrea Calabi, CESP, Cyrela — Humberto @ 9:15 pm
Extrato de Ata do Conselho de Administração da CESP ( aquela que não será privatizada ) , publicado na Gazeta Mercantil em 29 de Maio informa que Andrea Calabi teve sua eleição como Conselheiro de Admnistração ratificada; quem igualmente teve um “positivo” foi Gesner de Oliveira ( também SABESP );
Além disso Andrea comporá, por mais um período de 1 ano , o Conselho de Administração da Cyrela Brasil Realty, como Conselheiro Independente, tendo sido reeleito ( Ata da AGO Extraordinária, FSP, 25/05/07 )

Capitais longe demais

Filed under: Banco Central, capitais, Finanças, offshore, Receita Federal — Humberto @ 8:42 pm
BC pede mais informação que Receita sobre ativos
Aplicação deve ser declarada pelo valor de mercado
VALOR ECONÔMICO – 28/05/07
É o seguinte: sem entrar em muitos detalhes sobre o artigo, cheio de terminologia financeira, o gráfico é que é legal.
Ano-Base/ Estoque de Ativos ( em US$ bilhões ) / Número de Pessoas ( física e jurídica ) / Per Capita ( não está no gráfico, eu que fiz a conta )
2001 – US$ 68,6 – 11.659 – 5bi 883mi 886mil
2002 – US$ 72,3 – 10.164 – 7bi 113mi 341mil
2003 – US$ 82,7 – 10.622 – 7bi 785mi 727mil
2004 – US$ 93,2 – 11.245 – 8bi 317mi 715mil
2005 – US$111,7 – 12.336 – 9bi 054mi 798mil
( O resultado per capita não significa nada, apenas fiz por fazer )
Na matéria diz que “muitos brasileiros” têm se incomodado com a quantidade de informações que têm de prestar…
Pô! Se todos os que foram apontados aqui forem reclamar, ainda assim não passam de cerca de 12.000 pessoas, num universo de 180 milhões!!!
Também o texto diz que, dessas 12 mil declarações, 10 mil e poucas são de pessoas físicas e 1,6 mil de empresas.
Sabe o que é legal? Fica difícil, tomando pelo jornal, saber se esses “ativos” aumentaram no governo Lula ou se “passaram a ser declarados”, o que é uma grande diferença. Praticamente dobrou a rúbrica “ativos” em quatro anos, mas não houve muita diferença no número de declarantes entre 2001 e 2005. Pois, se os números demonstrando que a quantidade de pessoas mudou pouco entre esses anos-base, enche os olhos a queda brusca havida em 2002 em comparação ao ano anterior ( mais de 10% de declarantes inferior )


Banco Central e o câmbio que não dá ré nem ferrando

Filed under: Banco Central, câmbio — Humberto @ 8:23 pm
Saiu no Estadão de 27 de Maio, Caderno Economia, que desde Abril quando começou a tentar impedir a queda mais acentuada do dólar, um efeito foi a “interrupção momentânea dos bons resultados do Tesouro Nacional”.
Eu não sei exatamente o que é o “Tesouro Nacional” ( estatais, governo, BC? ) mas, quem souber, que nos dê uma luz a respeito destes pontos:
- teria havido “piora no perfil da dívida”; de que dívida está se falando? Da chamada pelos experts de”dívida interna”?
- disse também que na troca de uma dívida em dólar por outra atrelada à Selic – cuja composição percentual, nessa condição, estava em queda – no tipo de operação denominada “swap cambial reverso” tem causado prejuízo aos cofres do BC; o melhor então seria manter a dívida em dólar, aproveitando sua queda acentuada, para, então reduzir drasticamente a Selic e, somente então, trocar o indexador? É simples fazer isso?
- de qualquer modo, é o Banco Central quem auto-define o indexador, de modo a escolher o mais vantajoso? Ele tem essa liberdade?
- Já que existiria um “excesso de liquidez” mundial, por quê o BC tem que justamente escolher o caminho que, especialistas afirmam, é o mais doloroso? O dólar não está “caindo”, em nível mundial, irresistívelmente?
Sou leigo nesse assunto; talvez tenha feito alguma confusão conceitual, determinado pelo deficiente conhecimento da matéria.
Mas me considero tão capacitado quanto qualquer leitor de jornal e revista para fazer tais perguntas.

Deixa morrer ( direito de resposta auto-conferido )

Filed under: José Gomes Temporão — Humberto @ 7:59 pm
Continuando a prestação de contas solicitada pela agraciada Joelma: reforço e mantenho minha visão sobre o “povo infantilizado…”; excluindo as exceções prováveis e as existentes ( quer o sejam por questão de princípios, quer por diferenças culturais, ou outro motivo qualquer ) esta é a minha impressão a respeito, pelo menos, do bioma em que vivo; o “Deus” que escreveu este post chama-se Humberto Capellari e não possui automóvel por decisão própria ( e nem sabe guiar, aos 34 anos de idade ), nem telefone celular, por decisão própria ( ou seja, você jamais será incomodada por conversas no cinema, no que depender de mim ) e nem computador ( taí um item que eu queria ); não desperdiço água regando o quintal, tenho vergonha da classe média paulistana, não possuo filhos ( e nem pretendo ) e, mesmo assim, me incomodo ( mais do que um desses tipos que exemplifiquei e te incomodou mencioná-los e mais ainda do que minha saúde recomenda ) com a escola pública dos filhos de quem os tem ; sou favorável às greves, pois é fato que “direitos” não são ganhos no dominó ou na porrinha; e penso que, se cada um se sentir incomodado em seus “direitos” e tentar convencer-nos de que é por causa de seu sucesso, isso não passa de infantilidade, recusa a agir de forma responsável; a busca do sucesso, do lazer e do prazer a todo custo – seja “ganhando sozinho na MegaSena” ou “se divertindo a valer no churrascão com cachaça” – evitando pensar em assuntos espinhosos e deixando que sejam resolvidos pelos outros ( contanto que não nos incomode ) configura frivolidade e hedonismo.
Lamento, mas é assim que eu penso.
E não é uma posição confortável, podes crer.
Obrigado e continue nos prestigiando.
Humberto

maio 28, 2007

Lembram do Valerioduto tucano? E do Eduardo Azeredo e o caixa 2 tucano? Leiam essa entrevista e tremam nas bases

Filed under: Eduardo Azeredo, Marcos Valério, PSDB, tucanoduto — Humberto @ 3:16 pm
Nilton Monteiro declara que campanha de Azeredo custou R$ 100 mi; senador teria ficado com pelo menos R$ 4,5 milhões
Nome bastante temido por integrantes do PSDB que tentam desesperadamente desqualificá-lo, Nilton Monteiro, auto-intitulado uma bomba-relógio preste a explodir no colo do ex-presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, expõe parte da gigantesca gama de informações e documentos que acumulou nos últimos anos da prática de atos ilícitos e caixa 2 na campanha tucana de Minas Gerais, em 1998.
O lobista afirmou – e ai daqueles que “tucanarem” a ocupação o chamando de empresário – que a campanha de Azeredo arrecadou mais de R$ 100 milhões, grande parte oriundos dos cofres públicos, e que pelo menos R$ 4,5 milhões teriam ficado no bolso do ex-governador.
Muitos podem tentar desqualificá-lo, como o ex-tesoureiro de Azeredo, Cláudio Mourão, em depoimento na CPMI dos Correios. No entanto, as informações até agora passadas por ele mostraram-se todas verdadeiras, em especial, o cheque de R$ 700 mil repassado por Marcos Valério para Azeredo quitar uma dívida com Cláudio Mourão. Na CPMI, Mourão também afirmou que não havia repassado nenhuma procuração para ele representá-lo, fato desmentido posteriormente por um laudo técnico encomendado pela revista “Istoé”.
Quanto arrecadou a campanha ao governo de Eduardo Azeredo em 1998?
Nilton Monteiro – R$ 53 milhões era o que falavam. Mas foi uma campanha milionária, mais de R$ 100 milhões foram arrecadados. Dinheiro de estatais, de empreiteiras, doleiros, corretores de seguro, das privatizações.
Então, é por isso que o Azeredo entregou o Estado, realmente, falido para o Itamar Franco.
O Azeredo perdeu a reeleição e não foi por causa de dinheiro. Perdeu, sim, por incompetência. Eu não sei como ele chegou a governador.
Qual a sua relação com o tesoureiro de Azeredo, Cláudio Mourão?
NM – Hoje eu vejo que eu fui usado por esse cidadão. Tudo o que ele falou lá na CPI, ele mentiu. Ele estava numa situação delicadíssima, quebrado, esse pessoal não queria nem vê-lo: Walfrido dos Mares Guia. Abandonaram ele. No final da campanha, eles falaram que quem fez o Azeredo perder foi João Heraldo e Mourão. O João Heraldo não sei por quê até hoje não foi investigado. Ele foi um secretário muito forte na Fazenda. Não aparece, mas era o homem das negociatas.
O Mourão atuava só em Minas Gerais?
NM – Mourão trabalhou muito ali no eixo Minas Gerais. Mas era um cidadão viajado. Era um homem de muita confiança. Então ele (Mourão) tinha vários contatos, uma teia. Tinha contato com o Banco Opportunity, com a Elena Landau, com a Cemig, dali saiu dinheiro da campanha, da Telemig saiu dinheiro para a campanha, do BMG saiu dinheiro para a campanha. Tinha ramificação com doleiros fortes no Rio de Janeiro. Alugava avião da Líder. Às vezes, via uma determinada pessoa que eu não posso falar ainda. Ficava o avião no hangar, como se fizesse manutenção, mas não era, estavam passando rios de dinheiro, para depois seguir para Belo Horizonte.
Que documentos da campanha de Azeredo o Cláudio Mourão entregou para você?
NM – Ele colocou na minha mão o manuscrito de próprio punho do Walfrido dos Mares Guia, que ele já divulgou que ele tinha realmente escrito; colocou na minha mão o recibo do Azeredo recebendo R$ 4,5 milhões; colocou a lista dos deputados e a quantidade de recursos que receberam.
Com os recibos?
NM – Não, recibos não. Só o valor que cada um recebeu. Eu já tinha alguns DOCs. Colocou a relação de despesa que o Pratinha (Marco Aurélio Prata, contador de Marcos Valério) assinou, que tinha R$ 53 milhões que foram gastos pela SMP&B na campanha. Diz que gastaram pouquinho no enduro e o resto foi tudo para a campanha. Me passou a ação que ele tinha contra o Azeredo e o documento que o Azeredo deu plenos poderes para ele. O Azeredo deu muito poder para o Mourão.
Você já afirmou que esteve reunido com Marcos Valério e que ele tinha documentos contra tucanos graúdos…
NM – O Marcos Valério disse que tinha documentos contra o Fernando Henrique, contra o Serra. Disse assim: Olha Nilton, com aquela pilha eu arrebento a República.
Ele deu a entender que tinha operado dinheiro para a campanha nacional do PSDB?
NM – Foi praticamente isso que ele disse.
Em 2002?
NM – Sim. Disse que tinha vários políticos a nível nacional, não só de Minas Gerais.
O Marcos Valério repassou algum dinheiro para Cláudio Mourão?
NM – Eu já cheguei a presenciar um pagamento de R$ 350 mil com vários cheques da SMP&B para o Mourão. A secretária da SMP&B entregou o envelope para ele. Nós estávamos num carro, aí ela chegou com o envelope. O Cláudio Mourão estava sentado ao lado do Cleiton e eu estava atrás. Aí ele olhou o cheque e disse: graças a Deus agora…
Esse dinheiro foi para ele (Mourão) tirar o processo contra o Azeredo?
NM – Foi, totalmente. Lógico que foi para retirar o processo. Ele teve que tirar porque ia chegar num momento que teria que acostar documentos nessa ação. E as provas também eram contra ele. Então ele quis ganhar um tempo. Tirou o advogado Carlos Henrique e colocou outro advogado. Mas eu já tinha os documentos. Aí eu entreguei os documentos para a imprensa. Voou tucano para tudo que é lado. Eles gostam de meter o pau nos outros e esquecem que têm o telhado de vidro.
Você chegou a conversar com o Azeredo sobre o caso?
NM – Cheguei. Depois ele me pressionou, disse que eu estava com documentos que não podiam ficar nas minhas mãos, que ele iria me interpelar, que eram documentos particulares da campanha, que não sabia porque eu estava com isso.
Ele admitiu que conhecia o esquema de caixa 2?
NM – Ele sabia de tudo. O Cláudio falou comigo que ele (Azeredo) sabia de tudo que acontecia. Agora diz que não sabe. O interessante é que o Cláudio mudou muito. Agora assumiu todo o compromisso, porque ele é doido. Mudou a história porque recebeu dinheiro. O dinheiro comprou o silêncio dele. Hoje ele está um homem abonado, tranqüilo.
Quando você conversou com o Azeredo, ele se negou a fazer o acordo?
NM – O Azeredo falou que não devia nada ao Cláudio Mourão.
Ele falou que já havia repassado os R$ 700 mil para ele?
NM – Falou para mim. Foi onde eu descobri que tinha uma ação que o Cláudio Mourão entrou cobrando cerca de R$ 1,5 milhão do Azeredo. Aí eles chegaram num acordo e o Azeredo pagou R$ 700 mil para o Mourão com o cheque do Marcos Valério. O Azeredo falou: “Nilton, ele fez um recibo para mim, que ele não pode me cobrar. Eu não devo mais nada para esse cidadão”. “E outra coisa, Nilton: os carros que ele ficou, não eram dele. Ele tinha que ter vendido, entregado e pronto”. Ali é uma quadrilha. Ali é um roubando o outro.
Você está guardando alguma “carta na manga” contra os tucanos?
NM – Eu não sei, né…eu sou uma pessoa… do silêncio, né. Eu sou imprevisível (risos). Mas eu tenho muito fogo para esse povo. Não brinquem comigo. Eu já venho há muito tempo abastecendo a imprensa. E tudo provado. Prepare-se que eu ainda vou pegar gente grande. Não termino o meu trabalho só com o Azeredo. O Azeredo é peixe pequeno. Eu acho que ele tem que ser cassado mesmo. Eu só peço Justiça. Acho que tem que ser feita Justiça.
Você não tem medo da Justiça?
NM – Eu que denunciei o negócio da Cemig. Os jornais sempre tentaram me desqualificar. Não tenho medo da Justiça, não devo à Justiça. Pelo contrário, eles é que devem ter medo da Justiça. Eu, enquanto viver, vou lutar contra esse povo, tenho pavor deles. Não posso nem ouvir falar em PSDB. Considero o PSDB uma grande quadrilha organizada. Pior que essa máfia italiana. Se o presidente quisesse, muitos deles estariam na cadeia hoje. Não teria chance para eles.
E o que deve ser investigado?
NM – Eu acho que se for fazer uma varredura, por exemplo, no sistema Lloyd do Brasil, o que a quadrilha do PSDB, a organização criminosa fez na Lloyd, é um negócio de fazer horror, medo. Acabaram com os nossos navios, venderam a preço de banana. Foi dali que saiu parte do dinheiro da reeleição do Fernando Henrique Cardoso, com o Eduardo Jorge. É ali que está toda a estripulia. Aguarde que vai vir chumbo grosso, mesmo. O PSDB fez muito mais do que isso, o PFL também. Detonei a maior quadrilha do PSDB e PFL no Espírito Santo. Acabei com eles lá.
Diante de tudo isso, por que Azeredo ainda continua no Senado?
NM – É um absurdo! Um sujeito da pior qualidade como Eduardo Azeredo ser senador da República. Com certeza, fizeram algum acordão para mantê-lo lá até hoje. Não é possível! Este mau elemento era para estar na cadeia!

Estadão mostra foto de Lênin e diz que é Stalin

Filed under: Estadão, Stalin — Humberto @ 3:12 pm
Jornal OESP, edição de Domingo, Caderno de Cultura, pag. D4
Resenha de Ronaldo Bressane, sobre livro de Martin Amis.
Ilustrando o texto a foto de uma estátua do camarada Lênin; sob ela, a inscrição: “ESCULTURA DE STALIN”.

Corrupçăo no Brasil năo é de hoje

Jasson de Oliveira AndradeAtualmente fala-se muito em corrupçăo. No entanto, ela năo é de hoje. Eduardo Bueno escreveu um livro, cujo título é: “A Coroa, A Cruz e a Espada – Lei, ordem e CORRUPÇĂO (destaque meu) no Brasil Colônia”. No início dos anos 1900, Rui Barbosa já se revoltava contra a corrupçăo, desabafando: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer a desonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas măos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Em 1954, Carlos Lacerda moveu uma ferrenha campanha contra o entăo presidente Getúlio Vargas. Por esse motivo, sofreu um atentado, com a morte do Major Vaz, que o acompanhava. Falou-se em “mar de lama”. Os chefes militares exigiram a saída dele. Para năo ser derrubado, Vargas suicidou-se no dia 24 de agosto de 1954. Tivemos Adhemar de Barros, que foi governador de Săo Paulo. Tornou-se conhecido pela “caixinha” e a frase: “rouba, mas faz”. No tempo da Ditadura Militar também houve corrupçăo. Só que năo era divulgada (havia a censura). O jornalista J.Carlos de Assis escreveu três livros, abordando o assunto. Entre eles “A Chave do Tesouro – anatomia dos escândalos financeiros: Brasil 1974-1983”. Gilberto Dimenstein, no livro “As Armadilhas do Poder – Bastidores da imprensa”, revelou, na página 117: “O mundo do poder, no Brasil, está abarrotado de histórias de primeiras-damas, capazes de influenciar o chefe do Estado – ou de provocar escândalos e desgastá-los. Alvo de uma bateria de mexericos sexuais, Yolanda Costa e Silva chegou a ser apontada em envolvimento em contrabando, apreço por rapazes jovens e presentes caros. Gostava de mandar e influenciar. Chegou a gravar, secretamente, as conversas do próprio marido, o presidente Costa e Silva. (…) Disseminou-se a versăo de que o derrame que atingiu Costa e Silva e levou-o à morte teve como um dos ingredientes a mulher, acusada de participar em negócios escusos. E năo foi acusada por adversários. Mas por gente influente do próprio governo como o poderoso general Muniz de Aragăo que, em relatório ao presidente, contou fatos sobre concorrências públicas envolvendo sua família” O autor fez outros relatos, mas fico neste. Mais recentemente, tivemos a prisăo de Paulo Maluf e o filho. No governo FHC, os supostos escândalos, principalmente das privatizaçơes, e a compra de votos para a reeleiçăo, năo puderam ser investigados em profundidade: năo se permitiu CPIs. O mesmo acontecendo com o ex-governador Geraldo Alckmin, que também impediu várias CPIs, principalmente da Nossa Caixa. Existem outras acusaçơes, como as suspeitas na secretaria do Trabalho, que foram noticiadas por um jornal de Mogi Guaçu. No primeiro governo Lula, tivemos os supostos “mensalơes” e outros casos, explorados na CPI dos Bingos.
Este ano duas Operaçơes da Polícia Federal tiveram repercussăo. A Operaçăo Furacăo ou Hurricane, em abril, que levou à prisăo banqueiros do bicho, desembargadores, delegados de policia, um juiz trabalhista e um procurador da República. Um dos suspeitos, Paulo Medina, é ministro do Superior Tribunal de Justiça. Um mês depois, surgiu a Operaçăo Navalha, com a prisăo de várias pessoas, principalmente políticos. O Estadăo designou-a como “Corrupçăo suprapartidária”, atingindo quase todos os partidos. Dois governadores săo suspeitos: Jackson Lago (PDT), do Maranhăo, e Teotônio Vilela (PSDB). Um ex-governador, José Reinaldo Tavares (PSB) foi preso. Dois prefeitos, Luiz Carlos Caetano (PT), de Camaçari (BA) e Nilson Aparecido Leităo (PSDB), de Sinop (MT). O “Estado” diz que 9 partidos estăo envolvidos: PT, PMDB, PSDB, PSB, PDT, DEM (ex-PFL), PPS, PP e PR (ex-PL).
O Fantástico apresentou imagens que mostram uma funcionária da Guatama, firma responsável pelo desencadeamento da Operaçăo Navalha, entrando no ministério de Minas e Energia com um envelope. A Policia Federal acredita que o mesmo contem R$ 100 mil. Em vista dessa suspeita, o ministro Silas Rondeau (PMDB) pediu exoneraçăo, que foi aceita pelo presidente Lula. Ele foi a primeira baixa do governo federal. Agora o PMDB apresentou o nome de seu substituto, ao que parece, um respeitável e competente técnico.
Este ano começou mal. Com duas operaçơes (Furacăo e Navalha) e muitas pessoas estăo sob investigaçăo, năo só políticos, mas também, o que é pior, do Judiciário. Será que teremos outras denúncias? Com os exemplos do passado e do presente, acreditamos que sim. Vamos esperar!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2007
Postado por Redaçăo Portal Mogi Guaçu

maio 24, 2007

Blog da Ocupação

Filed under: Governo do Estado de São Paulo, José Serra, USP — Humberto @ 11:32 pm
Eu não tive muito saco para escrever nada aqui, então vou fazer uma sugestão ( apesar de meio tarde ) : nem sei se já terminou a ocupação da USP, mas aqueles alunos mantém um blog, e o link para ele está aqui.
É o Blog da Ocupação.

Nada que uma boa conversa não resolva

Filed under: Especulação imobiliária, Grupo Waled, Serra prefeito — Humberto @ 2:36 am
Há muito estamos falando sobre a especulação imobiliária, a verticalização, a invasão por verdadeiras “Arcas de Noé” da Cidade de São Paulo, da maneira como conseguimos entender um problema, desde que o percebamos como tal.
Abaixo, vem um artigo publicado no Estadão, em 2005. À época, a Prefeitura era ocupada por José Serra. Vejam como são resolvidas as coisas, proletas.
SERRA QUER VENDER RUA POR R$ 1 MI
O prefeito José Serra quer pôr à venda um minibosque, cuja vegetação é preservada por lei e imune a corte, perto de uma das regiões mais valorizadas da zona leste de São Paulo, o Jardim Anália Franco. O maior interessado no terreno é um condomínio de casas de alto padrão que se apoderou da área pública há seis anos, incorporou-a ao seu terreno e, agora, tenta regularizar a ilegalidade.O projeto que autoriza a negociação da área por meio de licitação chegou à Câmara no dia 8. A Prefeitura avaliou o terreno em R$ 1,016 milhão – o preço de uma casa no condomínio. O Ministério Público Estadual (MPE), que investiga o caso desde 1999, é contra a venda e diz que a área está subavaliada.O centro de toda polêmica é uma área de 2.500 metros quadrados – o equivalente a duas piscinas olímpicas e maior que muitas praças da cidade – às margens do Córrego Rapadura. Oficialmente o local aparece no cadastro municipal como uma rua – Odete Gomes Barreto, criada em 1953. No entanto, nunca houve asfalto, calçadas nem iluminação pública, porque a vegetação é protegida.
Na prática, é um minibosque, usado pela vizinhança como espaço de lazer até a chegada do Condomínio Colonial Granville, do Grupo Waled. “Era uma espécie de chácara, bem bonita. Todo mundo costumava brincar lá”, lembra Neide Nunes Oliveira da Silva, de 48 anos, que mora no bairro há 20. “Eu costumava pegar jacas”, conta Maria da Glória Freire, de 68, que tem como vista a muralha do condomínio cercada por câmeras e arame farpado.
PROJETO FICTÍCIO
A invasão da área verde – item de destaque nos anúncios do Granville – chegou ao conhecimento do MPE após denúncias de que a empresa estava executando uma obra diferente da aprovada na Prefeitura. No projeto original, o bosque ficava fora dos limites do empreendimento. Seriam dois condomínios, um de cada lado do bosque, e haveria muros para separar os terrenos particular e público. Mas eles nunca existiram. Pior: o portão do condomínio foi feito na entrada da Rua Odete Gomes Barreto, incorporando de vez o bosque à área de lazer do empreendimento. “Esse é mais um exemplo do famoso jeitinho brasileiro. Primeiro faz e depois tenta regularizar”, disse o promotor de Justiça do Meio Ambiente Geraldo Rangel de França Neto.No mês passado, depois de seis anos de investigação, a Promotoria elaborou um parecer. “Concluímos que se trata de uma área verde de interesse público e, portanto, deve ser devolvida ao Município”, disse. “Por que privar a comunidade de usufruir de um bem dessa magnitude, especialmente naquela região, carente desses espaços? “Se o projeto for aprovado, o promotor promete questionar o valor de venda proposto pela Prefeitura. “Vou pedir revisão, porque esse não é o valor real. Não é uma área qualquer de 2.500 metros quadrados, mas uma área de atributos ambientais relevantes e isso tem de ser considerado.”
A Promotoria sustenta que, se a venda for inevitável, o Município deve trocar o terreno por outra área verde no bairro, compensando a perda. Há anos a incorporadora tenta legalizar a situação. Uma das propostas foi a permuta da área por uma creche na região, rejeitada pela Prefeitura. Procurado pelo Estado, o Grupo Waled não quis comentar o caso.

Fonte : – O Estado de S. Paulo – 16/12/2005 – Metrópole
GRUPO WALED É GENTE FINA
Link
Alguns dias depois desta matéria, o Estadão publicou outra, na qual mostrou-se que Serra desistiu da venda.
Link
E em Junho de 2006, uma notícia mais alentadora, no Estadão:
SP já pode reaver área de condomínio
Link

Ato contra a Emenda 3 envolve mais de 5 mil bancários na Paulista

Filed under: Emenda 3, manifestações, Sindicato dos Bancários — Humberto @ 2:31 am
Milhares de trabalhadores protestam nesta quarta, dia 23, pela manutenção do veto presidencial
São Paulo – A mobilização dos bancários contra a Emenda 3 concentrou-se, nesta quarta-feira, dia 23, na Avenida Paulista e envolveu cerca de 5 mil trabalhadores das concentrações do Banco do Brasil (Superintendência), Bradesco (Prime) e Real ABN (matriz) além de diversas agências da região que tiveram abertura atrasada em 30 minutos. Nas concentrações os protestos tiveram início às 7h e se estenderam por mais de duas horas.As atividades fazem parte da série de protestos organizadas pelos sindicatos, pela CUT e demais centrais sindicais em favor da manutenção do veto presidencial à Emenda 3. Milhares de trabalhadores participaram de ato em frente a Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que defende a implementação da Emenda 3. Essa é a terceira manifestação contra a medida que pretende proibir fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de identificar empresas que mantêm relações de trabalho fraudulentas. Por meio da atuação dos fiscais é possível identificar trabalhadores contratados como pessoas jurídicas, mas que mantêm, na verdade, vínculo empregatício com a empresa.“
A cada dia fica mais claro a quem interessa a aplicação da Emenda 3. De um lado estão os trabalhadores que defendem o emprego com direitos garantidos, do outro, os empresários que buscam via afrouxamento da fiscalização, proposto pela Emenda 3, aumentar seus lucros por meio do barateamento da mão-de-obra, precarização do emprego e aumento das terceirizações”, disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
“Temos que nos mobilizar para estender as conquistas como reajuste salarial, PLR mais justa, mais segurança, mas é fundamental também manter os direitos conquistados.
Defender a manutenção do veto à Emenda 3 é estratégico, porque senão direitos como FGTS, 13º salário, férias, licença maternidade, entre outros podem ser desrespeitados”, reiterou.

Elisângela Cordeiro e Jair Rosa
23/05/2007

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