ENCALHE

maio 17, 2013

Petróleo: leilão ficou bem abaixo do que pretendia o entreguismo da ANP

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 6:24 pm

Dos 289 blocos só 142 foram arrematados. Entidades fizeram manifestação na porta do hotel contra a entrega

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) bem que tentou, mas não conseguiu se entusiasmar com o resultado da 11ª rodada de licitações de petróleo, ocorrida na terça-feira (14). Dos 289 blocos colocados em leilão, apenas 142 foram arrematados. Foi um fiasco. A programação eram dois dias de leilão, mas tiveram que encerrar o processo no primeiro dia por falta de quorum. Mais da metade dos blocos nem foi a leilão.

Este resultado só confirma aquilo que todos já sabem. Quem faz pesquisa séria, quem possui capacidade técnica e investe de verdade no país é a Petrobrás. Já as empresas do cartel estrangeiro, principalmente as múltis, são mestres mesmo é em provocar megavazamentos, desastres e poluição ambiental. Elas não fazem investimentos, só sabem parasitar o trabalho já feito pela Petrobrás. As outras várias empresinhas – que não passam de testas-de-ferro – entram no processo, ou para especular ou só para esquentar lugar e depois passar o bloco para o cartel. Achar, como alguns incautos, que há concorrência na área do petróleo é ingenuidade ou má-fé.

A diretora do ANP, Magda Chambriard, entusiasta do entreguismo desvairado, havia dito numa reunião recente com grupos estrangeiros que o leilão seria uma grande oportunidade de “bons negócios”. Chegou a apregoar que as áreas que seriam leiloadas continham 30 bilhões de barris. Tirando os blocos onde a Petrobrás participou com mais de 50% no consórcio, somente cerca de 40% dos blocos foram arrematados pelos tais “investidores” privados. Ou seja, 60% dos blocos escaparam de cair nas mãos das múlits.

Com esse resultado pífio da “megaentrega” anunciada pela ANP, Magda Chambriard tentou melhorar a situação dizendo que 2/3 da área leiloada tinha sido adquirida no leilão. Uma comemoração ridícula para esconder o desânimo, pois o que interessa é o número de blocos e não a “área leiloada”. Aí disseram que o bônus de R$ 2,8 bi arrecadado foi uma maravilha. Só que esse valor está muito distante dos montantes que estão previstos nos investimentos da Petrobrás que passam de 200 bilhões. Por último, a ANP acabou tendo que anunciar que “os blocos que não foram arrematados na 11ª rodada de áreas de exploração de petróleo e gás no Brasil poderão ser relicitados no futuro”.

Durante o leilão, que ocorreu no Hotel Royal, em São Conrado, no Rio de janeiro, a CGTB, CUT, CTB, FUP, Aepet, MST, CMB, UBES, sindicatos de petroleiros de vários estados e partidos políticos realizavam um protesto na porta do hotel contra o crime perpetrado pela ANP. O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), disse que “entregar nossas reservas de petróleo para os monopólios transnacionais é entregar a vida de uma Nação”. O coordenador da FUP ( Federação Única dos Petroleiros), João Antonio de Moraes, citou as manifestações contra a 11ª Rodada, realizadas desde a última semana, em diversos estados do Brasil. “Ontem (13) no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, ocupamos o lugar onde fica a gestão dessa política de exportação do nosso petróleo, para que eles fiquem cientes de que se o Brasil colocar este recurso à disposição do império norte-americano ou de qualquer outro continente não haverá petróleo para as nossas gerações futuras”. “Não temos dúvidas que, para reverter esta situação, é preciso força e mobilização, vide a campanha “O Petróleo é Nosso”, na época da criação da Petrobrás”, enfatizou.

Várias personalidades e entidades como a FUP e Sindipetros etaduais entraram com ações na Justiça denunciando o crime da entrega do petróleo cometido pela ANP. A ação judicial assinada pelo presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Silvio Sinedino Pinheiro, pelo vice da entidade, Fernando Siqueira, e pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) alerta que algumas áreas leiloadas pela ANP podem pertencer ao pré-sal e, portanto, não podem ser exploradas pelo regime de concessão.

Há alguns dias, dezenas de entidades sindicais e populares também enviaram carta à presidenta Dilma Roussef pedindo que ela suspendesse os leilões. “O povo brasileiro votou em Lula duas vezes e em Dilma no ano de 2010, ciente de que aquilo que foi feito nos governos anteriores não era bom para o Brasil. A esperança vencia o medo e exigia que as privatizações tivessem um basta”, diz um trecho da carta. “A extraordinária descoberta de petróleo na área chamada pré-sal, as enormes reservas de água, nosso território e nossas riquezas naturais exuberantes e, fundamentalmente, a capacidade de trabalho dos trabalhadores brasileiros acenam para a construção de um país com enormes potencialidades, com possibilidades de usar e bem distribuir estas riquezas. E é isto que vemos ameaçado nesse momento. Se as riquezas são tantas e boas para o país, por que entregar para as grandes empresas transnacionais as riquezas do povo brasileiro?”, indaga o documento.

O presidente da CUT-RJ, Darby Igayara, reafirmou que a central apoia e sempre apoiará a luta dos petroleiros e da sociedade brasileira em defesa do petróleo brasileiro. “Nós da CUT, junto às entidades de classe, mandamos um recado para o governo: chega de leilão, nós exigimos a soberania do petróleo. Não permitiremos que a nossa riqueza seja entregue às multinacionais e ao Eike Batista”. “A posição da nossa central é contra os leilões do petróleo e contra a desnacionalização do patrimônio do povo brasileiro. Nossa luta sempre foi contra a privatização do patrimônio público. Essa é uma luta de toda a classe trabalhadora, que precisa estar mobilizada contra a desnacionalização e privatização”, frisou o secretário geral da CTB-RJ, Ronaldo Leite.

“Esse ano completa 60 anos da conquista do monopólio estatal do petróleo e da criação da Petrobrás. Eu quero lembrar aqui uma grande companheira, líder das mulheres, que muito contribuiu na luta em defesa do nosso petróleo. A companheira Alice Tibiriçá, que foi presidente da Federação das Mulheres do Brasil”, disse a presidente da Federação das Mulheres Fluminenses e diretora da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Conceição Cassano.

O presidente estadual do Partido Pátria Livre (PPL), Irapuan Ramos, saudou “essa unidade conseguida nesse ato para mostrar nossa indignação diante do que está acontecendo aqui em São Conrado. Não foi à toa que eles escolheram esse lugar bem escondidinho, de difícil acesso, porque se fosse no centro do Rio nós teríamos fechado a Avenida Rio Branco. E por que eles precisam se esconder? Porque o que se comete dentro desse hotel é um crime contra o nosso país e contra o nosso povo”, denunciou.

Em Sergipe, terceiro maior produtor de petróleo do Nordeste, os trabalhadores também protestaram contra o leilão da ANP. A CGTB-SE convocou o ato de repúdio à entrega do petróleo. José Arnaldo, coordenador da CGTB declarou que “os trabalhadores de Sergipe estão firmes na defesa da soberania nacional, pois o petróleo brasileiro pertence ao povo e não há nenhuma necessidade de entregá-lo às multinacionais”. O presidente estadual do Partido Pátria Livre, Manoel Messias, falou da necessidade de fortalecer a Petrobrás “pois esse leilão pode colocar em risco 30 bilhões de barris de petróleo que seriam entregues às multinacionais”. Participaram ainda do ato, Airton Costa, do PPL, Giovana Rocha , representando a Associação dos Moradores do Rosa do Sol e demais lideranças populares.

SÉRGIO CRUZ – HORA DO POVO

Requião: “porto privado é exceção em qualquer país”

Nesta terça-feira, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) se manifestou contra a MP dos Portos e demonstrou indignação com as pressões do governo para que seja aprovada sem que haja consenso. “Fiquei muito assustado hoje quando vi nas notícias que o governo vai liberar R$ 1 bilhão em emendas”, afirmou, referindo-se às informações de que o governo “prometeu” R$ 1 bilhão em emendas para deputados e senadores em troca da aprovação da Medida Provisória. Questionando os elogios ao projeto, indagou: “É verdade isso tudo? É tão boa essa Medida Provisória que privatiza portos no Brasil? Se ela é tão boa assim, por que não existe no mundo inteiro?”, questionou, apontando que “o país do capitalismo e da concorrência, os EUA, trabalha exclusivamente com portos públicos, com autoridades municipais, estaduais e federais”.

Apontando os prejuízos que a MP causaria ao sistema portuário brasileiro, Requião prosseguiu: “Imagina que Vossa Excelência fosse prefeito de uma cidade, de Curitiba, capital do meu estado, do Paraná, que funciona com cinco empresas de transporte coletivo, com concessão de operação. Mas de repente surge a brilhante ideia: vamos provocar a concorrência. Vamos democratizar o transporte coletivo. E, ao invés de cinco empresas, Vossa Excelência abre uma licitação para 10 ou 20 empresa. Pois bem. Baixa o preço? Seguramente não. Porque o preço do transporte coletivo depende da escala do serviço. Mais empresas, mais oficinas, mais estruturas administrativas e um custo evidentemente mais alto”.

“Com os portos vai ser a mesma coisa. É uma ilusão pensar que uma multiplicação de portos vai baratear o custo. Vai simplesmente diminuir a escala e encarecer o processo”.

“Por outro lado, quem estabelece preço de porto não é o operador portuário. É o armador, que escolhe o porto onde vai descarregar as suas cargas, conforme as suas conveniências”, afirma.

Para Requião, “essa medida é extraordinariamente prejudicial à organização portuário do Brasil. Os portos públicos com operação privada são excepcionais. É como o mundo funciona. A iniciativa privada organiza o porto, mas não é dona dele. Se o operador não funciona troca-se o operador. Agora, um porto privatizado, ainda com dinheiro do BNDES, jamais terá reversão no seu mau funcionamento”.

“O caminho está errado. A estrutura legal do Brasil é perfeita. O resto é briga de interesses dos que querem privatizar os portos e dos que querem mantê-los. E quem perde com isso tudo é o país. E, com as liberalizações que se pretendem, quebrarão todos os portos públicos e o país ficará sem acesso comandado pela União da porta de entrada e de saída”, concluiu o Senador.
HORA DO POVO

Canibalismo de terroristas na Síria horroriza o mundo

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , , , , — Humberto @ 4:55 pm

Atrocidades de mercenários armados, treinados e financiados pelo governo dos EUA, mostram a real face odienta da intervenção estrangeira

Canibalismo explícito é a mais recente revelação da barbárie que envolve os mercenários que a CIA recrutou para tentar derrubar o presidente sírio, Bashar Al Assad.

O vídeo, filmado e distribuído pelos terroristas, mostra o chefe de um dos bandos armados, Abu Saqar, apelido de guerra de Khalid Al Hamad, que comanda a Brigada Farouk, (segundo o articulista Alex Jones, em matéria postada no site Infowars.com, um dos maiores destacamentos dos meliantes que fazem seus atentados e massacres na região de Homs), corta o cadáver de um soldado sírio, arranca do seu peito algo que pode ser o coração e o leva a boca, enfiando os dentes no órgão.

Ao fundo, asseclas de Hamad esbravejam Allah U Akbar! Allah U Akbar! (Deus é grande).

O mundo inteiro reagiu horrorizado. Nem os que fingiam não saber o que está escancarado (ou seja, que os bandos que atuam na Síria não têm nada de oposição e são pura e simplesmente mercenários a soldo da CIA, jogo aberto pelos principais jornais norte-americanos, Washington Post e NYT, entre outros), puderam se omitir.

A comissária de Direitos Humanos da ONU, Navy Pillay (longe de ser uma defensora do governo Assad), foi das primeiras a se manifestar, exigindo que “os grupos armados de oposição coloquem um fim as tais crimes”.

Na mesma linha, Nadim Houry, diretor para o Oriente Médio do Human Rights Watch, uma das mais notórias organizações que defendem os bandos armados, declarou que tal vídeo retrata “um crime de guerra” e que “a oposição deve fazer tudo para deter tais crimes”.

No dia 15 de abril, a imprensa inglesa (The Mail e The Independent) denunciou outro rebelde e divulgou sua foto informando que ele estava moqueando numa churrasqueira uma cabeça de um piloto de helicóptero do exército sírio.

Repórteres da revista Time, divulgaram entrevista na qual o chefe daqueles que a mídia apelidou de “rebeldes” assume que é ele próprio que pratica canibalismo no vídeo. O jornal The Independent ainda teve a cara de pau de elaborar uma matéria vergonhosa na qual tenta usar o horror contra o governo sírio. Dá voz ao meliante, reproduz declarações do criminoso dizendo que no começo era um cara muito legal e até mesmo contra a violência e que virou aquele animal que aparece no vídeo depois de assistir a matanças e estupros pelo exército sírio.

MASSACRES E CEVÍCIAS

Acontece que as atrocidades são muitas, órgãos com razoável dose de visibilidade e reconhecimento, como o Rússia Today, já divulgaram outras cevícias que os próprios terroristas se comprazem em filmar.

Para quem tem estômago vai o link de três desses vídeos, aquele em que o terrorista Saqar pratica canibalismo – http://www.youtube.com/watch?v=8EL4fgguGZo -, um outro divulgado pelo site, Syrian Truth, em que dois cidadãos sírios são espancados e depois decapitados em praça pública (24/4/2013) – http://www.youtube.com/watch?v=Z4PhtWS3TCs – e ainda um que foi postado pelo Rússia Today, onde crianças choram e denunciam a morte de outras crianças pelos terroristas recém desalojados em Hama, em meados do ano passado: http://www. youtube.com/watch?v =R0gvkzYxVVs&feature
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Aliás, na mesma entrevista concedida por Saqar ao Time, o mercenário não só assume seu canibalismo como acrescenta: “Eu tenho outro vídeo que enviarei. Nele eu pico um miliciano pró-governo com um machado. O machado que é usado para cortar árvores. Eu o piquei em pedaços pequenos e outros maiores”.

A imprensa europeia também retratou a indignação generalizada com a ação dos bandos de criminosos que a mídia do Império e vassalos se referem como “opositores”. Exemplo disso foi a Rádio Norueguesa Osten que revelou o espanto e a repulse: “é doloroso que no Ocidente venhamos a descobrir que se apoia um bando de bárbaros sob o pretexto de defesa da democracia, e o mais importante, criam estas cenas horríveis e dolorosas usando o Islã como pano de fundo”.

O também norueguês Dagbladet, escreveu, assim que as cenas de horror se espalharam pela Internet, que “o vídeo exibe o extremo barbarismo dos terroristas armados sírios, fatos bastante abafados pela mídia no Ocidente”.

BOMBA

De forma quase simultânea, uma bomba explodiu em uma cidade ao Sul da Turquia, matando 51 pessoa e ferindo outras 100. Tudo com cara, jeito e timing de ação provocatória da CIA. Desta vez, o Los Angeles Times não se sentiu à vontade para silenciar e afirmou que as bombas no final de semana passado “galvanizaram a oposição turca contra o declarado apoio aos rebeldes sírios sob o medo de que a Turquia seja arrastada para o sangrento conflito do outro lado da fronteira”.

“O resultado direto da política do governo com relação à Síria é que o caos instalado lá já está chegando aqui”, afirmou no dia 13, Faruk Logoglu, vice-presidente do principal partido de oposição, o Partido Republicano do Povo, em visita a Rihaniya, a cidade atingida pelo atentado.

Aliás, a mesma Navy Pillay, comissária de DH da ONU, que condenou agora os crimes já havia declarado em junho do ano passado, quando vídeos contendo massacres pelos mercenários como o que já comentamos em Hama que estes atos “constituem crimes de guerra, crimes contra a Humanidade” e ainda que “as forças opositoras não devem se iludir de que são imunes de julgamento”.

Apesar de tudo isso, a sugestão de que a cúpula dessa corja – o Conselho Nacional Sírio, montado pelos EUA, com um americano naturalizado à testa, Ghassan Hitto, que não pisa solo sírio a mais de três décadas, é americano naturalizado e dirige a IT Technologies, no Texas – seja “legítimo interlocutor” e até venha “possivelmente” a “representar a Síria em um processo de transição política, na Liga das Nações, digo, ONU”.

NATHANIEL BRAIA – HORA DO POVO

maio 14, 2013

Terroristas a serviço da CIA na Síria divulgam seus atos de canibalismo

No dia 12, um terrorista sírio aparece em vídeo postado pelos próprios mercenários comendo o coração de um soldado sírio que acabara de morrer.

O vídeo, que circulou pela internet, apresenta o terrorista – depois identificado como Abu Saqar, um dos líderes da gangue denominada Brigada Al Farouk – abrindo o peito do soldado, arrancando-lhe o coração e depois levando-o à boca, enquanto sicários ao fundo entoam: “Allah U Akbar” (Deus é Grande). No vídeo aparece uma legenda ameaçando os soldados do exército sírio de terem seus corações e fígados devorados. A Brigada Farouk atua em aldeias na região vizinha a Homs.

Os criminosos bancados abertamente pelo governo dos EUA, treinados pela CIA e financiados, a mando dos EUA pelas petromonarquias do Golfo, já incorreram antes em atos de canibalismo.

No dia 15 de abril, a imprensa inglesa (The Mail e The Independent) denunciou outro rebelde e divulgou sua foto informando que ele estava moqueando numa churrasqueira uma cabeça de um piloto de helicóptero do exército sírio, para depois comer pedaços da mesma.

Mas nem esses atos degenerados, nem o treinamento além de armamentos e dinheiro recebidos com fartura estão conseguindo virar o jogo em favor dos mercenários. Ao contrário, matéria desta semana do Washington Post desta semana reconhece que “as forças de Assad vêm recuperando terrenos perdidos” e define os bandos de mercenários agrupados no chamado Exército Livre da Síria, como “combatentes do opositor e fragmentado ELS” aos quais “os soldados de Assad estão constantemente conseguindo pressionar, isolando-os uns dos outros e, principalmente, cortando suas rotas de abastecimento”. E conclui: “Muitos opositores estão sem munição. Alguns soam cada vez mais desesperados”.

Já o articulista norte-americano, Shamus Coke (que escreve para os sites Workers Action e Counterpunch) cita a BBC: “…a liderança política da oposição síria – que percorre as capitais internacionais participando de conferências e fazendo grandes pronunciamentos – não lidera ninguém. Mal têm o controle dos delegados com os quais compartilham as salas de reunião e das palestras, que dirá dos que estão no campo”.

Ele conclui que “as forças do governo da Síria têm conquistado importantes vitórias nos campos de batalha sobre os rebeldes e isto tem provocado uma mistura de provocações de guerra [os bombardeios israelenses, por exemplo] e ofertas de paz pelos EUA e seus aliados anti-Assad”.

Eis alguns embates ocorridos no dia 13 e relatados pela agência SANA (Syrian Arabe News Agency): “Uma unidade do exército enfrentou um grupo terrorista que tentava atacar um posto militar de controle nas vizinhanças de Daraa, deixando os membros do grupo feridos ou mortos”.

Mais adiante: “Unidades do Exército destruíram esconderijos com terroristas, armas e munição em seu interior na aldeia de Ein Daqneh e na cidade de Mennegh, próximo a Alepo”.

Outro bando tentou atacar “o aeroporto Abu al-Dohour em Idleb, mas foi dizimado”.

Na região de Homs, segundo noticia a SANA, “o exército infligiu pesadas perdas aos terroristas perto das aldeias de Oum al-Sakhr, al-Andalus, Kisin, al-Hamidiye, al-Haydariye, al-Buwayda al-Sharqiye, al-Daba’a e al-Ghanto, destruindo armas usadas pelos terroristas”.

HORA DO POVO

“Privatizar não é a solução”: Entidades sociais e sindicais pedem que Dilma cancele leilão de petróleo

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 9:17 pm

“Entregar a exploração de nossas riquezas às transnacionais é erro estratégico”, diz carta
Em carta à presidenta Dilma Rousseff, assinada por dezenas de entidades, entre elas, a CUT, Contag, FUP, Federação Interestadual de Sindicato dos Engenheiros e outras, os movimentos populares e entidades sindicais pedem “o cancelamento dos leilões de petróleo” e o de hidrelétricas. “Entregar o petróleo e as hidrelétricas, que fazem parte do patrimônio da União ao capital internacional, será um erro estratégico”, apontam.
HORA DO POVO

Povo quer fim de leilão do petróleo, afirma carta de entidades a Dilma
CUT, FUP, Contag, Fisenge, MST e outras entidades e movimentos sociais pedem que Dilma cancele o leilão

Decididos a barrar o leilão do petróleo, previsto para estas terça e quarta-feira (14 e 15 de maio), e contra a privatização do setor elétrico, entidades de trabalhadores e movimentos sociais brasileiros enviaram uma carta à presidente Dilma Rousseff, assinada por diversas entidades, pedindo a suspensão do processo conduzido pela Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP) e advertindo a presidenta que o caminho das privatizações, que atingiu o auge no período neoliberal de FHC, é um erro estratégico que trará graves prejuízos ao Brasil e não é solução para o país.

Segue a íntegra da carta com algumas das dezenas de entidades que apoiam a iniciativa.

Carta à presidenta Dilma

Excelentíssima Senhora

Dilma Vana Rousseff

Presidenta da República do Brasil.

Brasília, 10 de Maio de 2013.

Excelentíssima,

Nós, movimentos populares e sindicais abaixo assinados, vimos, por meio desta, solicitar o cancelamento dos leilões de petróleo, previstos para os dias 14 e 15 de maio de 2013, bem como o cancelamento do processo, que prevê a privatização das hidrelétricas, de Três Irmãos em São Paulo e Jaguara em Minas Gerais, além de várias outras usinas, que podem significar cerca de 5.500 MW médios. Estes leilões significarão a retomada das privatizações em um dos setores mais estratégicos ao povo brasileiro. Entregar o petróleo e as hidrelétricas, que fazem parte do patrimônio da União ao capital internacional, será um erro estratégico.

Lembramos que o povo brasileiro, com seu trabalho e suas lutas, construiu um grande setor de energia no Brasil. A luta do “PETRÓLEO É NOSSO”, juntamente com a utilização dos nossos rios para a produção de energia elétrica nos propiciou, por muito tempo, que estas riquezas estivessem, em certa medida, sob controle nacional, uma vez que o controle estava garantido pelo Estado.

Foi, sem dúvida, no período dos governos de Collor e Fernando Henrique Cardoso, que este sistema foi sendo destruído e entregue ao capital internacional, sob o pretexto de que não servia mais para o nosso país. As melhores empresas públicas foram entregues para o controle das grandes corporações transnacionais, prejudicando nosso país e os trabalhadores.

Nessas ocasiões, os setores neoliberais se apropriaram do discurso falacioso da ineficiência do Estado, especialmente na gestão das empresas públicas, com o objetivo de iludir o povo brasileiro com falsas promessas e entregar o patrimônio público para o “mercado”.

Esta história nós já conhecemos bem. Depois da privatização, a energia elétrica aumentou mais de 400% (muito acima da inflação), trabalhadores foram demitidos e recontratados com salários menores e em piores condições e a qualidade da energia elétrica piorou muito. Quedas de energia, explosão de bueiros e apagões são consequências da privatização.

No setor do petróleo a realidade é semelhante, FHC quebrou o monopólio estatal e vendeu parte da Petrobras, e só não fez pior, porque foram derrotados na eleição de 2002.

Não é a toa que todo este processo foi chamado de PRIVATARIA. Mais de 150 empresas públicas – das melhores – acabaram sendo entregues aos empresários, a preços irrisórios.

O povo brasileiro votou em Lula duas vezes e em Dilma no ano de 2010, ciente de que aquilo que foi feito nos governos anteriores não era bom para o Brasil. A esperança vencia o medo e exigia que as privatizações tivessem um basta.

A extraordinária descoberta de petróleo na área chamada pré-sal, as enormes reservas de água, nosso território e nossas riquezas naturais exuberantes e, fundamentalmente, a capacidade de trabalho dos trabalhadores brasileiros, acenam para a construção de um país com enormes potencialidades, com possibilidades de usar e bem distribuir estas riquezas. E é isto que vemos ameaçado nesse momento.

Se as riquezas são tantas e boas para o país, por que entregar para as grandes empresas transnacionais as riquezas do povo brasileiro?

São as empresas do Estado Brasileiro, entre elas a Eletrobrás e a Petrobrás, que impulsionam o setor de energia em nosso país. É o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES, quem financia as demandas do setor. São as empresas de pesquisa do Estado que fazem os estudos. São as empresas estatais, em especial, o Sistema Eletrobrás que está ofertando eletricidade a preços mais baratos. Então, por que não discutir com nosso povo, unir forças e buscar soluções para que, tanto o petróleo quanto a energia elétrica, fiquem nas mãos do Estado, com soberania nacional, distribuição de riquezas e controle popular?

É fundamental que todos nós tomemos posição neste momento tão importante para o destino da nação. Defendemos o cancelamento dos leilões, que irão privatizar o petróleo e as usinas hidrelétricas, que estão retornando para a União.

Não temos dúvida de que, se consultado, o povo brasileiro diria: Privatizar não é a Solução.

Certos de que seremos atendidos em nossas proposições, nos dispomos a discutir, mobilizar nosso povo, buscar a união de todos para que estas riquezas sejam do povo brasileiro e com controle do Estado. Nos colocamos à disposição para discutir com Vosso governo e com o povo brasileiro.

Sem mais, aguardamos resposta”.

Entre as entidades que assinam a carta estão: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação Interestadual de Sindicato dos Engenheiros (FISENGE), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Sindicato Unificado dos Trabalhadores de Minas Gerais (Sind-UTE MG), Central dos Movimentos Populares (CMP), Federação Estadual dos Metalúrgicos – CUT/MG, etc.

LEITURA COMPLEMENTAR ( UM CLÁSSICO! )

A Mega-Mega Sena do petróleo. Roubada.
Aloysio Biondi
Revista Caros Amigos , março de 2000

O Brasil virou trilionário, mas o povo não sabe, o Congresso não sabe, e FHC vai entregar tudo

Nunca é demais repetir: o brasileiro ficou bilionário, ou trilionário, e não sabe. Não é exagero, não. Em fevereiro do ano passado, o campo de Marlim, explorado pela Petrobrás na bacia de Campos, produzia 200.000 barris de petróleo. Por dia. Um único campo. Agora, em janeiro de 2000, o mesmo campo produziu 400.000 barris por dia.

Qual o faturamento da Petrobrás, do governo brasileiro, com esta produção fantástica? É fácil fazer as contas: 400.000 barris por dia significam 12 milhões de barris por mês, ou algo como 150 milhões de barris por ano. Ao preço atual de 30 dólares o barril, são 4,5 bilhões (com a letra “b”) de dólares por ano, ou 9 bilhões de reais por ano. Mesmo que o preço atual, que está exagerado, venha a cair para 25 dólares o barril, o faturamento chegará a 3,75 bilhões de dólares, ou 7,5 bilhões de reais. Cifras fantásticas, e que vão ser duplicadas em poucos meses, pois os estudos da Petrobrás mostraram que as reservas da região permitem dobrar o número de poços perfurados. Serão, portanto, uns 18 bilhões de reais de faturamento por ano – e com uma margem de lucro fantástica. Por quê? Os poços da plataforma brasileira têm uma produção também espantosa, igual à obtida nos campos do Irã, Iraque, Arábia Saudita, com 7.000 a 10.000 barris produzidos por dia. Em cada poço. Assim, mesmo calculando todos os investimentos feitos, o custo de produção de cada barril não passa de 2,50 a 3 dólares, o que significa um lucro de 27 dólares o barril, ou 1.000 por cento, isto é, dez vezes o custo, por barril… Somente nesse campo de Marlim, portanto, o povo brasileiro pode faturar 18 bilhões de reais, o equivalente a um mês e meio da arrecadação federal. E há muitos outros campos de petróleo no litoral brasileiro, já descobertos pela Petrobrás, a serem explorados. Alguma dúvida diante da afirmação? Então, é só relembrar que, em janeiro, o presidente da República fez questão de anunciar pessoalmente (precisava de “marketing otimista”) a descoberta de um megacampo, Roncador, mais ao sul do litoral fluminense, e já situado na bacia de Santos (formação geológica equivalente à da bacia de Campos e que, apesar do nome, estende-se até o litoral do Rio). O que isso significa? Que Marlim e Roncador, juntos, feitos os mesmos cálculos, podem oferecer um faturamento de 36 bilhões (com “b”) por ano, cobrindo, sozinhos, mais de quatro meses de todas as despesas do governo federal (deixando de lado os juros, como o FMI faz). E por quanto tempo esses campos poderão ser explorados, com essa produção e esse faturamento? De quinze a vinte anos, representando portanto, multiplicando-se pelo valor de 36 bilhões de faturamento anual de 540 a 720 bilhões de reais. De meio trilhão a três quartos de trilhão. Uma fortuna. Uma fábula em apenas dois campos do litoral. Uma enxurrada de reais e dólares que poderiam, se usados para tirar o Brasil das mãos do FMI e dos credores internacionais, com recurso para investir, voltar a crescer, resolver problemas sociais, criar empregos. Voltar a ser um país, e não uma colônia-capacho dos países ricos. Não há exagero nenhum, portanto, em gritar aos quatro ventos que o povo brasileiro, com as reservas de petróleo, e mais ainda, com os campos fantásticos descobertos pela Petrobrás, tirou a Mega-Mega Sena. Virou trilionário. Mas não sabe disso. O povo não sabe, o Congresso não sabe. Por isso, o governo FHC prepara-se para nova rodada de leilões destinados a entregar o petróleo brasileiro a multinacionais. Ou, mesmo, já vem entregando indecentemente o petróleo descoberto peta Petrobrás, que pertence efetivamente a cada cidadão brasileiro, a meia dúzia de empresários nacionais e banqueiros nacionais e estrangeiros. Exemplo? O fantástico campo de Marlim, com sua produção de 400.000 barris/dia, por exemplo, foi “repartido” agora com meia dúzia de sócios que se juntaram em uma empresa de fundo de quintal para… fornecer parte do dinheiro necessário para duplicar a produção. Essa operação já seria um assalto contra a sociedade brasileira, mesmo que os “sócios” realmente desembolsassem a cifra de 1,5 bilhão de reais para financiar sua parte no projeto de exploração de Marlim. Nem isso existe. A empresoca de fundo de quintal tem um capital bruto de 200 milhões de reais e foi formada – como narrado em nosso livrinho O Brasil Privatizado – apenas… para tomar 1,2 bilhão de reais emprestados no exterior, que obviamente a própria Petrobrás poderia obter. Um negócio da China, um assalto, uma mina de ouro, capaz de faturar centenas de bilhões de reais, entregue por 200 tostõezinhos fajutos. A Mega-Mega Sena ganha pelo povo brasileiro, e que seria sua redenção, está sendo literalmente tungada pelo governo FHC. O Congresso Nacional não pode continuar impassível diante dessas aberrações. O povo brasileiro tem o direito de partilhar diretamente dos lucros da exploração do seu petróleo, através de vários caminhos, dos quais dois podem ser prontamente lembrados aos congressistas: utilização de 6 bilhões de reais “esquecidos” em contas do FGTS, e que foraqm reunidos em um fundo “congelado” (a Petrobrás teria bilhões para investir e os rendimentos das ações da empresa, no caso, pertenceriam ao FGTS, isto é, a todos os trabalhadores que contribuem para o fundo). A outra alternativa, diferente de proposta já cogitada pelo governo, é a venda de ações “novas”, relativas a um aumento de capital da empresa, para milhões de brasileiros, com um sistema igual ao adotado por Margaret Thatcher na Inglaterra: vendas a prestação, e com garantia de recompra pelo governo.

A esperança, hoje, está no Congresso, pois os sindicatos, como o dos petroleiros, e entidades como a Aepet – Associação dos Engenheiros da Petrobrás –, que tradicionalmente tomavam posição diante dos desmandos do governo, estão estranhamente silenciosos. Muito, muito estranhamente. Mesmo.

AOS SENHORES DO CONGRESSO
O Tesouro federal gastou 127 bilhões de reais de juros em 1999, graças às altas taxas de juros combinadas por FHC/Fraga/Malan com o FMI e países ricos Não é verdade que não seja possível decretar a “moratória” e romper com o FMI, para adotar uma política de interesse nacional. A prova? No final de janeiro, a Rússia fechou acordo com um bloco de banqueiros (Clube de Londres), aos quais devia 32 bilhões de dólares. Vai passar seis anos sem pagar nem um tostão de prestação, e terá mais vinte anos, a partir do sétimo ano, para quitar a dívida. De 32 bilhões? Não. De 22 bilhões de dólares. Os banqueiros cancelaram um terço dos débitos, isto é, “perdoaram” mais de 10 bilhões de dólares. A Rússia decretou a moratória, há um ano e meio.

AOS COLEGUINHAS
Semanas de noticiário sobre o novo salário mínimo. Vergonhoso o comportamento da imprensa, mais uma vez. Desde o começo, o governo mentiu sobre o “rombo” que os 100 dólares provocariam na Previdência. Mentira tripla, e grosseira: antes de mais nada, o governo somente falou no aumento das “despesas” com o pagamento aos aposentados, e fingiu esquecer o aumento das “receitas” com a cobrança maior das contribuições. Depois, calculou o rombo para um ano inteiro, embora o novo nível somente deva ser pago durante seis meses, e não doze. Finalmente, deixou de lado o aumento da arrecadação de impostos em geral, resultante do aumento do consumo que sempre ocorre com a elevação do mínimo. Tudo somado e subtraído, o pretenso rombo seria insignificante. Os jornalistas “técnicos” não se lembraram de nenhum desses argumentos. Deram as versões do governo, deslavadamente, a ponto de um colunista da ex-grande imprensa abrir 120 linhas para as mentiras do economista Edward Amadeo, subministro de Malan… E partiram para o xingamento puro e simples, chamando de “demagogos” quem defende o aumento do mínimo. Houve até uma chefe de sucursal que atribuiu a “defesa dos pobres” à tal síndrome das “saudades da senzala”… Saudade a gente tem, mesmo, é do tempo em que jornalistas tinham dignidade, e não se escravizavam a certos interesses.

maio 11, 2013

Militares que se recusaram a participar de plano para matar João Goulart foram punidos pela corporação

O coronel-aviador da reserva Roberto Baere, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, no Rio de Janeiro, relatou o plano elaborado por militares da Aeronáutica em 1961

Em 1961, Jango, então vice de Jânio Quadros, estava prestes a assumir a Presidência da República após a renúncia deste.

Ele se encontrava em viagem à China durante a renúncia de Jânio Quadros e temia voltar ao Brasil. Desembarcou em Porto Alegre, de onde seguiria à Brasília. O plano dos oficiais era abater o avião de Jango no trecho entre Poro Alegre e Brasília.

A conspiração dos oficiais da Aeronáutica para matar Jango se chamava Operação Mosquito.

Baere disse que recebeu ordens do comandante da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio, o tenente-coronel Paulo Costa, para preparar os caças para atacar o avião de Jango. O coronel-aviador afirma que se recusou à missão e que foi punido depois dentro da Aeronáutica.

“Fui sumariamente expulso, após ficar 50 dias incomunicável na prisão, policiado na porta por um oficial portando metralhadora, como se fosse um marginal de alta periculosidade”, declarou Baere.

Outros militares que se opuseram ao golpe também foram ouvidos pela CNV. O então fuzileiro naval Paulo Novais Coutinho foi enviado ao Sindicato dos Metalúgicos, no Rio, para dispersar uma reunião de marinheiros e fuzileiros navais.

“Eu era da Companhia de Polícia e fui, em um pelotão de 39 homens, para reprimir a reunião. Mas a assembleia estava apoiando Goulart e, em vez de combater os colegas, colocamos as metralhadoras no chão, entramos no sindicato e apoiamos o movimento (…) Só consegui voltar à Marinha em 1989, mas até hoje somos vistos com preconceito”, declarou Coutinho que foi preso e expulso por indisciplina.

Jango morreu em Mercedes, na Argentina, em 1976. Há indícios de que tenha sido envenenado por militares da Operação Condor. Uma das tarefas da Comissão da Verdade será apurar a verdadeira causa da morte do ex-presidente.

Criada por meio de um acordo com setores ligados aos militares, a Comissão da Verdade tem uma série de limitações. Entre elas a de que não pode punir os torturadores. Outra questão que atravanca a sua atuação é o fato de que por pressão dos militares, a Comissão terá que investigar um espaço de tempo muito maior que os 20 anos da ditadura militar em apenas dois anos.

A não punição dos torturadores da ditadura foi garantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), uma das instituições mais reacionárias do País, que considerou recentemente legítima a Lei da Anistia, de 1979, que tinha como objetivo principal anistiar os torturadores e assassinos da ditadura, não vítimas dela.

PCO

maio 10, 2013

“Idéias privatizantes da década de 90 resultaram, entre outras coisas, na depreciação de professores da rede pública”, diz especialista da PUC. “Violência contra professores é culpa do Estado”, arremata.

Estado é culpado pela violência, diz especialista

Para Madalena Guasco Peixoto, professora titular do Departamento de Fundamentos da Educação da PUC-SP, a culpa pela violência nas escolas estaduais é do tratamento que o estado vem dando ao ensino público há mais de 20 anos. “Há o desprestígio da profissão de professor e da escola pública, resultado de políticas públicas irresponsáveis”, disse Madalena. Para a professora, a falta de investimento na área foi o principal fator de desvalorização. “O que era público, na década de 1990, era considerado ruim, era tido como gasto e não investimento. Havia a ideia de que o que era público deveria ser privatizado, porque seria mais competente”, afirmou Madalena.

Porém, segundo a professora, além do desmantelamento do sistema escolar, outros fatores também têm de ser levados em conta na análise do problema.“A violência na escola é multifacetada e não se dá apenas pela relação aluno/professor. Somado à desvalorização da escola, há o aumento generalizado da violência na sociedade, que, por sua vez, também é responsabilidade do estado por causa do aumento da miséria naquele período”, diz. ( “Professor convive com sequela de agressão“, DIÁRIO DE SÃO PAULO, 10.05.2013 )

maio 9, 2013

Um Dia das Mães inesquecível, Por Jasson de Oliveira Andrade

No ano de 1964, 49 anos atrás, tive um dia das mães inesquecível. Antes de entrar no assunto deste artigo, uma recordação muito triste.

Em 64, no dia 1º de abril, tivemos o Golpe Militar. São João da Boa Vista também foi vítima dos Anos de Chumbo, como ficaram conhecidos aqueles negros tempos. Uma jornalista, Maria Isabel Pereira, na reportagem que escreveu para o jornal O Município, daquela cidade, em 31 de março de 2004, definiu bem o que realmente ocorreu: UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS ( Destaque meu ). Na minha terra, naquele período, dois partidos disputavam o Poder. A UDN E O PTB. Com o Golpe, os udenistas tomaram o Poder Nacional e o PTB, dirigido pelo ex-prefeito e deputado estadual Miguel Jorge Nicolau, que era ligado ao presidente João Goulart, Jango, derrubado pelos militares. Os udenistas, maioria fazendeiros, aproveitaram a situação. Os petebistas sanjoanenses sofreram repressão. Várias pessoas foram, então, presas. Entre elas, eu, que na época colaborava no jornal pertencente ao Miguel Nicolau, sendo ainda suplente a vereador do PTB. Fui preso em 2 de abril e solto em 8 de maio de 1964. Conto tudo isso em detalhes no meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA.

No referido livro conto um fato que é o tema deste texto, ou seja, o dia das mães, para mim, inesquecível. Eis o meu depoimento: “Prenderam-me. Tiraram-me ( ou tentaram tirar ) o meu emprego ( posteriormente perdi meu emprego ). Fizeram com que minha família sofresse: minha esposa [na época minha filha mais velha, Carmen Sílvia, contava com apenas alguns meses de vida], meus pais, meus irmãos, minha avó, meus sogros, meus cunhados e cunhadas. Os amigos, também. (…) Só eu posso avaliar essa frase de minha mãe, no dia 10 de maio [1964], quando fui visitá-la, após ser solto dois dias antes: “O melhor presente que recebi no dia das mães foi a sua presença aqui em casa” ( GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 60 ). Sempre que leio esta frase de minha mãe, já falecida ( 24/9/1981 ), eu me emociono e vou às lágrimas. Por este motivo, o dia das Mães de 8 de maio de 1964 é para mim inesquecível. Por dois motivos.
Primeiro porque fui solto e depois por essa emocionante frase de minha saudosa mãe!
Que os leitores tenham um bom Dia das Mães. Eu fico com essa minha lembrança, com a frase de minha mãe, lembrada por mim todos os anos.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

maio 8, 2013

ONU anuncia provas concretas de que os ditos “rebeldes” é que usaram o gás sarin na Síria

Uma equipe de investigadores da ONU assinalou no domingo que os grupos terroristas armados na Síria ( que chama de “rebeldes” ) utilizaram gás sarin em armas usadas em ações no país.

A denominada Comissão Independente de Investigação sobre a Síria (da ONU) declarou que existem provas baseadas em testemunhos das vítimas e do pessoal médico na Síria que revelam que os grupos armados usaram gás sarin, considerado uma arma de destruição em massa, pela Resolução 687 da ONU. Os prováveis fornecedores do gás são a Turquia (que dá território para servir de base aos agresssores) ou Israel (com amplo conhecimento de armas químicas usadas contra a população palestina nos territórios ocupados).

A insuspeita Carla Del Ponte, que se notabilizou ao respaldar o ‘tribunal’ que condenou patriotas iugoslavos que defenderam o país contra a intervenção dos EUA, não se conteve e deu declarações à imprensa sobre as conclusões da equipe. Ela afirmou que sua equipe não encontrou “provas concretas” que demonstrassem o uso de armas químicas pelo governo da Síria, como acusam os chefes dos bandos armados que querem depor o presidente Bashar Al Assad.

Segundo Del Ponte, o informe, depois de entrevistarem vítimas e médicos, indicam fortes e concretas suspeitas sobre o uso de gás sarin pelos mercenários a serviço da CIA.

A importância da revelação é que os EUA querem acusar o uso deste tipo de arma pelo governo sírio como pretexto para uma invasão ( uma vez que seus prepostos estão sendo acossados pelo exército sírio, ver aqui ). Em tudo similar ao texto usado para ‘justificar’ a invasão do Iraque. Obama já ensaiava, dizendo que o uso de armas químicas pelas forças de segurança da Síria seria “como cruzar a linha vermelha”.

Com seu pretexto ameaçado, os EUA saíram em defesa de seu novo álibi: “Nós achamos que é muito provável que, se as armas químicas foram usadas na Síria, e há provas de que elas foram aplicadas, o regime de Assad é o responsável”, a declaração é de Jim Carney, porta-voz da Casa Branca.

O sarin é um gás neurotóxico de grande poder, considerado uma arma de destruição em massa desde 1991 pela ONU. Em contato com a pele e mucosas ou entrando no corpo pelo sistema respiratório, penetra na corrente sanguínea e provoca desmaios, convulsões e o bloqueio da transmissão de impulsos nervosos, podendo levar à morte por parada cardiorrespiratória.

Em 17 de dezembro passado, o embaixador sírio na ONU, Bashar Jafari, denunciara o uso de armas químicas pelos terroristas sírios e a intenção destes de vincular esse crime ao governo, e exigiu que as autoridades internacionais não os acobertassem.

Fruto das pressões recebidas, del Ponte recuou e ressaltou que “as investigações ainda não estão concluídas”, e que muitos aspectos ainda vão ser investigados e que qualquer conclusão feita nesse momento pode ser prematura. “As nossas investigações deverão ainda ser aprofundadas, verificadas e confirmadas com novos depoimentos, mas segundo o que já pudemos apurar, até agora são os opositores ao regime que usaram o gás sarin”, destacou.

Já o chefe da equipe, o vassalo Sergio Pinheiro (o mesmo que forjara um relatório, logo no início da ação das gangues da CIA, baseado em depoimentos dos próprios mercenários para dizer que o governo estava atacando o povo) foi em socorro de Obama e desmentiu Carla del Ponte, declarando que “a Comissão deseja esclarecer que não chegou a descobertas conclusivas sobre o uso de armas químicas por qualquer lado do conflito”.

Pinheiro aproveitou para manter a pressão desejada por Obama e, espargindo justiça e humanidade, declarou: “lembra a todos os envolvidos no conflito que o uso de armas químicas é proibido em todas as circunstâncias sob a lei humanitária”. ( HORA DO POVO )

Gestões tucanas à frente do Metrô e CPTM são investigadas pelo TR-SP

Má utilização dos recursos públicos e corrupção são os motivos pelos quais as gestões tucanas à frente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) são alvo de processos judiciais que tiveram movimentações no judiciário esta semana.

Por conluio entre as construtoras concorrentes a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) sofre denúncia de fraude na licitação dos lotes 2 a 8 da Linha 5 – Lilás.

Os processos contra o Metrô tiveram início após reportagem do jornal Folha de S. Paulo ter anunciando que os vencedores da licitação dos lotes 2 a 8 da Linha 5 – Lilás, já eram conhecidos seis meses antes da abertura dos envelopes de propostas.

As propostas apresentadas pelas empresas já estavam dentro do orçamento apresentado pelo Metrô e o das outras acima, segundo verificação realizada pelo Ministério Púbico. Isso seria muito arriscado do ponto de vista da concorrência, a não ser, como foi denunciado, que já se soubesse quem iria vencer. Além disso, também foi encontrada propostas vencedoras que estavam, em média, 1% abaixo do valor definido pelo Metrô.

Para “demonstrar uma aparência de regularidade no certame” a proposta vencedora era menor do que o orçamento padrão do Metrô segundo a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública da capital, que ainda sustenta que o ex-presidente do Metrô, Sérgio Henrique Passos Avelleda, mesmo tendo tomado posse depois da conclusão da licitação, efetivou a assinatura dos contratos mesmo sabendo das denúncias e da investigação.

Os prejuízos chegam aproximadamente em R$ 327 milhões de reais. Mas é possível que cheguem a R$ 4 bilhões, pois as obras não foram interrompidas para não gerar prejuízos a população.

O Metrô sofre dois processos. O primeiro de outubro de 2010 é uma ação popular movida então deputado estadual Vanderlei Siraque (PT). E o segundo é uma ação civil pública, foi iniciada pelos promotores Marcelo Camargo Milani, Silvio Antônio Marques, Marcelo Duarte Daneluzzi e Luiz Ambra Neto em novembro de 2011.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar questões relativas a concorrências públicas e práticas de mercado, realizou processo administrativo e expediu laudo em que concluiu não haver qualquer irregularidade no processo licitatório da Linha 5 – Lilás, assim como uma sindicância interna do Metrô sobre o caso.

Essas conclusões são os principais argumentos de defesa da companhia e dos investigados que ainda afirmam não haver ilegalidade a ser apurada.

Porém, segundo a juíza Simone Gomes, o laudo do Cade não diz respeito à ordem econômica e sim à “possível prática de ato de improbidade administrativa consistente em fraudar licitação”. Desse modo, a juíza entende que “a inexistência de ato de improbidade administrativa, ausência de prejuízo aos cofres públicos, ilegitimidade passiva, não comprovação do alegado conluio ou cartel entre as vencedoras são temas que dizem respeito ao mérito”, e serão apreciados quando houver decisão da sentença.

Em outubro de 2012 a CPTM foi denunciada por improbidade administrativa, quando utilizou um contrato vigente de 1991 para comprar, no valor de R$ 223 milhões, dez trens em 2005.

O promotor Marcelo Camargo Milani diz que a empresa deveria ter realizado novo processo de licitação para efetuar a compra com valores atualizados.

Somente em 17 de abril deste ano a ação foi acatada pela Justiça na 7ª Vara da Fazenda Pública da capital, através do juiz Emílio Migliano Neto que enviou notificação para o atual presidente da CPTM, Mário Bandeira, e para os executivos das empresas envolvidas na negociação dos trens, para prestar esclarecimentos.
Segundo o Ministério Público, o correto também seria a companhia ter realizado nova licitação, para que outras empresas pudessem apresentar novas ofertas de preços. Porém a companhia realizou novo aditivo, o sexto, para poder viabilizar a compra dos trens.

Primeiramente as irregularidades foram apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado depois que uma auditoria nos contratos da CPTM foi realizada. A partir disto também foram citados o ex-diretor da CPTM e ex-presidente do Metrô, Sérgio Henrique Passos Avelleda, os ex-diretores da CPTM Mário Fioratti, Sérgio Luiz Gonçalves Pereira e Telmo Giolito Porto, o consórcio Manfer, formado pelas empresas SPA Engenharia, Indústria e Comércio S/A e Tejofran de Saneamento e Serviços Gerais Ltda., e o diretor da SPA Engenharia Ricardo Augusto Novaes.

Nos processos do Metrô são denunciados, além de Sergio Avelleda, as empresas Galvão Engenharia, Serveng – Civilsan Empresas Associadas de Engenharia, Construtora Andrade Gutierrez, Construções e Comércio Camargo Corrêa, Mendes Junior Trading e Engenharia, Heleno & Fonseca Construtécnica, Triunfo Iesa Infra Estrutura, Carioca Christiani Nielsen Engenharia, Cetenco Engenharia, Construtora Norberto Odebrecht Brasil, Construtora Queiroz Galvão, Construtora OAS, CR Almeida S/A Engenharia de Obras, Consbem Construções e Comércio, o próprio Metrô e a secretaria estadual da Fazenda.

HORA DO POVO

maio 5, 2013

Venezuela: Capriles provoca sururu na Assembleia para posar de “vítima”

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 8:36 pm

Deputados ligados ao candidato derrotado nas eleições presidenciais armaram novas provocações na Assembleia Nacional com apitos, sprays, cornetas e buzinas, o que desandou em cadeiradas e sopapos, contidos ao fim pela maioria. Depois se fingiram de “vítimas”.
HORA DO POVO

Caprilistas armam provocação na Assembleia da Venezuela

Deputados ligados a Henrique Capriles, candidato derrotado às eleições presidenciais venezuelanas, voltaram a manifestar a sua inconformidade com a decisão das urnas, na última terça-feira, e com apitos, sprays, cornetas e buzinas, transformaram o Parlamento em palco para novas provocações aos parlamentares da base do governo, ao não reconhecerem o presidente eleito, Nicolás Maduro.

Frente à confusão generalizada provocada pela oposição caprilista, o presidente do Palácio Federal Legislativo, Diosdado Cabello, suspendeu os pronunciamentos dos parlamentares para restabelecer o clima de trabalho na Assembleia Nacional. Mesmo assim, as arruaças continuaram e o clima desandou para arremessos de cadeiras e troca de socos, contidos ao final pela maioria da Casa.

“Eles tinham tudo preparado, trouxeram até capacete, esses sprays que jogam gás (paralyzer), um tipo de corneta, numa espécie de ‘hora louca’. Mas o tiro saiu pela culatra, porque existe uma verdadeira defesa do processo revolucionário”, declarou o presidente da Comissão de Política Interior da Assembleia Nacional (NA), Elvis Amoroso.

De acordo com Amoroso, o deputado Julio Borges – que teve a imagem de seu rosto lesionado, amplamente divulgada pelos meios de comunicação privados como “vítima” do chavismo – resultou ferido por uma cadeira lançada por outro deputado oposicionista, Richard Arteaga. A filmagem de Arteaga jogando a cadeira aparece claramente nas filmagens feitas pela Assembleia Naciional e divulgadas pela TeleSul.

Posteriormente o presidente Maduro disse que “lamento os golpes que deram no Julio Borges mas depois ele se colocou na TV como palhaço, em vez de pedir a paz, pois ele iniciou a confusão”.

Amoroso, que é parlamentar do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), condenou a postura da bancada oposicionista de não dialogar e pediu para que abandone a “agenda da violência”. Logo após as eleições, atendendo ao chamado de Capriles – insuflado pela embaixada dos EUA – para que os oposicionistas não reconhecessem o resultado das urnas, fascistas desencadearam uma onda de agressões que resultou na morte de nove chavistas, além de dezenas de feridos.

“A bancada revolucionária quer paz, harmonia e poder trabalhar com tranquilidade”, enfatizou Amoroso, condenando a irresponsabilidade da direita.

“Hoje vivemos mais um ato fascista dentro do parlamento venezuelano, mais um ato de violência que eles dirigiram, encabeçados pelo candidato perdedor”, ressaltou Pedro Carreño, do PSUV. “Não podemos permitir que a Assembleia se converta num centro de agitação, num convite ao confronto”, acrescentou o deputado chavista Hugbel Roa.

maio 3, 2013

Os sacos de dinheiro da CIA, Por VIOMUNDO

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:40 pm

Teorias conspiratórias ou fatos?

Os sacos de dinheiro da CIA

por Rodrigo Vianna

Deve ter sido o inconsciente do editor de Internacional. Ou então, ele quis passar a mensagem de forma subliminar – sem alertar os diretores do jornal. Seja como for, a página A-14 ( aqui ) no “Estadão” dessa sexta-feira ( 03/05 ) é didática.

No alto, um texto demolidor sobre as ações da CIA pelo mundo: “Os sacos de dinheiro da CIA”. Sim: conspirações, assassinatos, malas de dinheiro para derrubar governos não-alinhados com Washington. Não é nenhum “esquerdista” bolivariano quem diz. O artigo, publicado pelo ”Foreign Policy” ( um site sobre Politica Internacional dos EUA ) e traduzido pelo jornal paulista, fala sobre tudo aquilo a que fazemos referência aqui na internet, e que muitas vezes é tratado como “teoria conspiratória”: a CIA age,  sim, sem pudores pelo Mundo; mata, encomenda assassinatos, tira e põe governos. É o braço de “inteligência” do imperialismo. Sim, imperialismo. Isso não é discurso “da época da Guerra Fria”. Isso não é discurso de esquerdista antiamericano. Não. São fatos. Tudo está lá, no artigo publicado pelo ”Estadão” - leia aqui.

O curioso é que na mesma página ( e por isso digo que o inconsciente do editor parece ter agido ), há duas outras reportagens: uma sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez; a outra sobre a Globovisión ( TV privada antichavista, que ajudou a dar o golpe contra Chavez em 2002 ).

Quando a tal blogueira esteve no Brasil, eu disse a alguns amigos que ela parecia agir sob orientação ( e com apoio ) da CIA. Não se trata de opinião. Há fotos de Yoani entrando para reuniões num casarão mantido pelos EUA, no bairro de Miramar em Havana. Eu já vi essas fotos.

A outra reportagem na mesma página do jornal trata da “guerra de informações” na Venezuela. Com destaque para a “Globovisión”. A mídia pró-EUA tenta vender a imagem de que a Venezuela é uma ditadura. Trata-se, claramente, de uma campanha midiática. Eu não tenho dúvidas de que a CIA está por trás disso. Assim como está por trás das ações mais violentas da oposição antichavista – comandadas agora por Capriles.

Vejam, não estou dizendo que todos os antichavistas são “teleguiados” pela CIA. Não é isso. Há, é claro, muita gente que não gosta de Chavez e Maduro. O que digo é que a oposição é potencializada com ajuda dos Estados Unidos. Temo que os Estados Unidos estejam preparando o terreno para que se inicie uma guerra civil no país vizinho. Roteiro parecido com o da Síria. Vejam: no Paraguai e em Honduras, governos “fracos” puderam ser derrubados com “golpes institucionais”. Na Venezuela, isso é impossível. Ali, só a guerra civil. O risco é imenso.

Da mesma forma, não quero dizer que todos “dissidentes” cubanos sejam agentes da CIA. Mas os métodos e os parceiros de Yoani ( inclusive no Brasil ) não deixam dúvida: o blog dela pode ter surgido, lá atrás, como iniciativa individual de uma jovem descontente com o governo de Cuba. Hoje,só os ingênuos ou mal intencionados podem desconhecer que Yoani trabalha, de fato, como agente dos interesses dos EUA e seus aliados.

Ah, tudo isso é “teoria conspiratória”! Ah, é? Então leiam o artigo do “Foreign Policy”. A CIA ajudou a matar Patrice Lumumba no Congo, nos anos 60. Deu armas e dinheiro para Mobutu Sese Seko, o adversário de Lumumba. O texto fala de ações semelhantes no irã dos anos 50, no Afeganistão dos anos 80. E isso não ocorria só na “periferia”. A CIA ( que normalmente trabalha dentro das embaixadas americanas ) despejou caminhões de dinheiro na democracia-cristã italiana para barrar o avanço do Partido Comunista Italiano – o mais poderoso do Ocidente.

O artigo diz que a CIA deveria “aprender com seus erros”. E eu me pergunto: erros?  O que deu errado? Os EUA seguem poderosíssimos, a União Soviética já não existe, no Oriente Médio quem ousou agir com alguma independência foi esmagado ( Iraque, Líbia – nos anos mais recentes ) e na “periferia” quase não se fala em “socialismo” ou rebeldia antiamericana.

Há só uma exceção: América Latina. Aqui, enquanto os EUA faziam a “limpeza” no Oriente Médio,  surgiu uma geração de governos não-alinhados com o projeto neoliberal. Em 2002, com o golpe derrotado na Venezuela, os EUA perderam a capacidade de iniciativa durante alguns anos… Mas a onda já virou. A derrubada de Lugo e Zelaya foram sinais. Os ataques ininterruptos a Cristina, Evo e Lula foram um passo adiante. No caso brasileiro, está tudo claríssimo: há encontros de jornalistas da Globo/Abril/Folha com representantes dos EUA. Tudo registrado no Wikileaks. Há o Insituto Millenium, há o giro internacional de Yoani.

As malas de dinheiro, de que fala o artigo do “Foreig Policy”, continuam circulando.

Nos anos 70/80, quem dizia que a CIA tinha ajudado a dar o golpe contra Jango ( e poderia ter até ajudado a matar o presidente deposto ) era chamado de “esquerdista adepto de teorias conspiratórias”. Os documentos mais recentes ( inclusive gravações de conversas na Casa Branca ) mostram que conspiração, de fato, houve: na Casa Branca e nas embaixadas americanas. E não era teoria. Eram fatos.

Os fatos estão aí de novo: escancarados. Vivemos numa encruzilhada. A chance da América Latina, dessa vez, é que os Estados Unidos têm tantas frentes para combater ( Coréia, Siria, Iraque – sem falar na crise que debilita as contas e o poder imperial ) que talvez isso nos dê fôlego para reagir e resistir.

Mas do outro lado o exército vai-se fortalecendo – com políticos, empresários, empresas de mídia, colunistas… Alguns são mercenários. Outros fazem por amor. Parte da elite latino-americana gosta de se deitar à cama com a turma da CIA.

Em 20 ou 30 anos, saberemos detalhes e compreenderemos que nada disso é “teoria conspiratória.” Espero que ( mais uma vez ) não seja tarde demais.

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